
Capítulo 25
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle ficou imóvel.
Uma mulher estava diante dele.
Uma mulher que, de algum modo, havia descoberto sua identidade.
E, mais importante, ela não parecia estar blefando.
Veronica inclinou levemente a cabeça.
— Você realmente achou que se meter com uma caminhante noturna e caçar um majin no meio de uma área monitorada não faria com que investigássemos a fundo?
A voz dela era calma, quase gentil.
Isso só tornava tudo pior.
— Só naquele setor existem mais de cento e vinte câmeras. Quantas você acha que conseguiu evitar?
Kyle não respondeu.
Ela deu mais um passo.
— Sabia que o responsável por caçar os pesadelos naquela região não fazia parte de nenhuma organização conhecida?
O peito dele apertou.
Ela não estava supondo.
Ela sabia.
— E, depois de tudo isso, ainda achou que continuaria escondido de mim?
Um leve sorriso surgiu nos lábios dela.
O corpo de Kyle ficou tenso sob a máscara.
— Que prova você tem de que era eu?
No instante em que as palavras saíram de sua boca, ele percebeu o erro.
Veronica sorriu um pouco mais.
— E por que eu precisaria de provas, querido?
Kyle ficou em silêncio.
— Eu poderia arrastá-lo para a prisão agora mesmo — continuou ela. — Ferir uma caminhante noturna oficial, interferir em uma operação governamental, esconder um despertar não registrado, caçar entidades sem autorização… a lista é longa.
Ela enumerou as acusações como se estivesse lendo um cardápio.
Kyle apertou os punhos.
A mulher diante dele tinha força e autoridade suficientes para prendê-lo.
Ainda assim, ela não havia feito isso.
Ele respirou fundo.
— O que você quer de mim?
Os olhos dela brilharam em satisfação.
— Vamos nos sentar primeiro.
Veronica se virou com tranquilidade, como se tivesse certeza absoluta de que ele a seguiria.
E Kyle seguiu.
Não porque confiasse nela.
Mas porque fugir não parecia uma opção.
Ela o levou até um parque próximo. A atenção dela jamais saiu dele. Mesmo quando caminhava à frente, Kyle podia sentir que cada movimento seu estava sendo observado.
Era como andar ao lado de uma lâmina embainhada.
Bonita.
Polida.
E pronta para cortar.
— Ah, e meu nome é Veronica — disse ela de repente. — Trabalho para o governo.
Kyle soltou um riso de deboche.
— Você acha que eu me importo?
— Deveria. Seu futuro depende completamente de como vai agir diante de mim.
Ele não respondeu.
Naquela hora, a maioria das famílias já havia voltado para casa. O parque, que durante o dia provavelmente ficava cheio de crianças, agora permanecia silencioso. Apenas algumas luzes fracas iluminavam os bancos, os balanços [À medida que o tempo passar, essa diferença se tornará cada vez menor. Caso a Gênese fosse totalmente despertada de uma só vez, o corpo do hospedeiro não seria capaz de suportar o choque.]vazios e o caminho de pedras.
Veronica se sentou em um banco e cruzou as pernas.
— Não quer tirar essa máscara?
Kyle permaneceu de pé.
— Não.
— Já não faz tanta diferença assim.
— Então também não faz diferença mantê-la.
O sorriso dela se aprofundou.
— Esperto.
Se ela realmente não tivesse provas concretas, revelar o rosto só jogaria contra ele. Mesmo sabendo quem ele era, Veronica ainda precisava que ele próprio confirmasse sua identidade de alguma forma.
Talvez não fosse grande coisa.
Mas ainda era alguma coisa.
— Vamos direto ao ponto — Veronica disse, encostando-se no banco. — Todos os caminhantes noturnos que despertam dentro do território nacional devem ser registrados. O sigilo sempre foi nossa maior prioridade. Garantimos que pessoas capazes de usar Gênese não se tornem imprudentes, que civis não sejam expostos e que ameaças sejam eliminadas antes de se espalharem.
Kyle cruzou os braços.
— Vá direto ao ponto.
Veronica soltou uma risadinha.
— Eu posso manter sua identidade escondida. Posso apagar todas as gravações, limpar os registros e garantir que ninguém além de mim faça perguntas.
Kyle estreitou os olhos.
— Qual é a condição?
Ela se inclinou levemente para a frente.
— Trabalhe para mim.
Silêncio.
Kyle piscou.
— O quê?
— Eu direi onde deve aparecer, e você aparecerá imediatamente. Sem fazer perguntas. Sem fugir. Sem desaparecer.
Ela inclinou a cabeça e acrescentou:
— Um parque de diversões. Uma livraria. Talvez algum lugar mais reservado.
Kyle ficou olhando para ela.
Por alguns segundos, nenhuma palavra saiu.
Sistema, você está vendo isso?
[Sim, hospedeiro.]
O que há de errado com ela?
[Hospedeiro, se desejar, posso analisar a condição física dela.]
Faça isso. Não consigo entendê-la.
Uma leve ardência surgiu atrás dos olhos dele.
Veronica pareceu notar algo, pois seus ombros se tensionaram por uma fração de segundo.
Então o sistema falou:
[Condição: Tremores constantes nos dedos. Leve rubor facial. Pequenas pausas durante a fala. Respiração acelerada. Os indicadores sugerem nervosismo combinado com excitação, hospedeiro.]
Kyle ficou ainda mais confuso.
Ele não era idiota.
Reconhecia aqueles sinais.
Mas isso não fazia sentido algum.
Então, de repente, deu um passo à frente.
Veronica recuou instintivamente.
Kyle inclinou a cabeça.
— Você disse que seu nome é Veronica, certo?
— S-Sim. Está correto.
— E se eu recusar?
Ela pigarreou.
— Recusar não seria sábio.
— Não foi isso que perguntei.
Kyle deu mais um passo.
— Se eu recusar, o que exatamente você pode fazer?
Ela estreitou um dos olhos, tentando parecer intimidadora.
Não funcionou.
Na verdade, um pensamento estranho começou a se formar na mente de Kyle.
Por que parecia que aquela mulher… tinha sentimentos por ele?
E a parte mais absurda era que ele nem sequer a conhecia.