
Capítulo 24
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle desceu do trem depois de ir e voltar por várias estações.
Durante quase uma hora, havia analisado dezenas de pessoas.
Um leve tremor abaixo do olho. Um dedo batendo rápido demais contra a tela do celular. Uma inclinação discreta dos ombros. O ritmo da respiração. A rigidez do maxilar.
Cada pequeno detalhe revelava mais do que a maioria jamais perceberia.
Sério, essa habilidade merece mesmo o grau SSS.
Até então, o Olho de Deus havia funcionado melhor do que ele esperava.
Consultar o sistema.
Observar o melhor resultado.
Reduzir o gasto desnecessário.
Se continuasse treinando daquela forma, talvez conseguisse usar a habilidade sem ser notado.
Pelo menos era nisso que queria acreditar.
Kyle saiu da estação e caminhou rumo a uma loja de conveniência próxima. Era tarde, e a fome apertava depois de tanto treino e tensão.
Virou à direita.
Caminhou.
E caminhou.
E caminhou.
Sua testa se franziu.
Àquela altura, a loja já deveria estar visível.
Mas a rua à frente continuava vazia.
As mesmas placas enferrujadas.
Os mesmos postes tremeluzindo.
O mesmo beco estreito à esquerda.
Kyle parou.
— Onde exatamente eu estou?
O silêncio que respondeu não era normal.
Frio demais.
Parado demais.
Então o sistema falou:
[Hospedeiro, há resíduos de Gênese no ar.]
O coração de Kyle afundou.
Alguém o havia encurralado.
Seus olhos se moveram de um lado para o outro. A rua parecia comum à primeira vista, mas algo estava errado. Anúncios distantes ecoavam pelo ar. O brilho dos semáforos piscava ao longe. Ainda assim, não havia pessoas.
Nenhuma.
Ele havia caminhado por minutos.
E, de algum modo, não havia chegado a lugar nenhum.
Merda.
Ele correu.
Primeiro para a loja.
Depois para a rua principal.
Depois para onde quer que parecesse aberto.
Mas cada esquina o devolvia a variações do mesmo quarteirão vazio.
A coceira fraca no fundo da mente que vinha sentindo desde mais cedo se transformou em uma pressão concreta.
Agora era real.
Alguém sabia que ele estava ali.
Talvez até soubesse que ele era desperto.
Precisava escapar daquele ciclo.
Kyle diminuiu o ritmo e encostou a mão em uma parede.
Fria.
Sólida.
Real.
Não era uma ilusão simples.
Então olhou para cima.
As janelas dos prédios ao redor estavam escuras. Nenhum rosto. Nenhuma cortina se movendo.
Sem faróis.
Sem passos.
Sem conversas distantes.
Até mesmo o zumbido da cidade havia desaparecido.
Era como se tivesse sido trancado dentro de um mundo oco.
[Hospedeiro, você deve usar o Olho de Deus.]
Mas… os sensores…
[Se um caminhante noturno experiente já criou este espaço, então esconder sua presença não tem mais importância. Ele já sabe que o hospedeiro existe. Ainda pode não saber que o hospedeiro é considerado um caminhante noturno renegado.]
Kyle apertou os dentes.
Fazia sentido.
Esconder-se não ajudaria.
Não agora.
Use o Olho de Deus. Vasculhe os arredores.
[Entendido.]
Encontre esse desgraçado.
Uma ardência aguda rasgou os olhos dele.
O mundo inteiro se dividiu em camadas.
Prédios viraram armações ocas.
Linhas de energia correram pelas paredes como veias luminosas.
O ar vibrou em fios de Gênese, formando padrões que ele ainda não entendia.
Era como se a própria realidade tivesse sido aberta sob um raio-X.
E então… ele a viu.
Uma silhueta à sua esquerda.
Parada sobre a calçada.
Acenando para ele.
Kyle se virou bruscamente.
O mundo estalou.
A rua vazia se distorceu como vidro rachado, então voltou ao normal.
O som da cidade retornou de uma só vez.
Carros.
Passos.
Conversas.
O ruído distante do trem.
E, bem diante dele, Kyle se viu cara a cara com ela.
Ela não estava mais escondida.
Era uma mulher na casa dos vinte anos, de cabelos prateados caindo sobre o ombro. Um tapa-olho cobria o olho esquerdo, e tatuagens escuras se espalhavam ao redor do pescoço.
A mulher parecia imponente e inegavelmente bela, mas nada ali permitia que Kyle baixasse a guarda.
Gênese girava ao redor dela como um oceano prestes a engoli-lo.
Kyle engoliu em seco.
Que diabos ela é?
A mulher murmurou baixo:
— Você se importa em tirar essa máscara antes de conversarmos?
A voz dela era tranquila.
Quase educada.
Mas Kyle não se mexeu.
O mundo ao redor havia voltado ao normal. Talvez ela tivesse desfeito qualquer feitiço que lançara.
Ou talvez fosse apenas outra camada da armadilha.
Kyle deu um passo para trás.
A mulher sorriu.
— Bem, você pode tentar fugir. Mas será que consegue se esconder de mim… Kyle Astortia?