
Capítulo 6
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Afinal, o que exatamente Kyle poderia dizer àquelas pessoas que sequer conhecia de verdade?
Ele vinha conversando com elas quase todos os dias nos últimos seis meses, então, de um jeito ou de outro, elas sabiam da sua vida… de Amanda.
Mas o fato era que, por mais estranhas que fossem, aquelas eram as únicas pessoas que realmente pareciam se preocupar com ele.
Os próprios pais enxergavam nele apenas uma decepção. Viam nele um fracasso, mas nunca tentaram conversar para entender o que havia de errado em sua vida.
Eles sempre estiveram ocupados demais comparando Kyle ao irmão mais velho e tentando sustentar o nome da família para perceber que talvez ele estivesse sendo esmagado pelo peso das expectativas deles.
Soltando um suspiro, Kyle começou:
— Que sentido faria contar meus problemas para vocês?
One-eyed: [Nós alguma vez pensamos duas vezes antes de compartilhar nossos problemas com você?]
Kyle apertou os lábios.
Certo. Eles confiavam nele o bastante para compartilhar os próprios problemas.
Myuri: [Não nos trate como estranhos, Kyle. Você sempre encontrou uma solução para nossos problemas. Só desta vez, confie em nós.]
Kyle se recostou na cadeira e ergueu os olhos para o teto.
— Não é nada tão sério assim. Talvez uma pessoa adulta nem considerasse isso um problema. Sabe, aquele clichê de sempre: mediano nos estudos, mediano tentando inovar, sem nenhuma conquista importante de verdade por conta própria, desempregado e com um futuro nada promissor.
Ele soltou outro suspiro e acrescentou:
— Agora que eu penso nisso, acho que não fui nada além de um peso para todo mundo. Primeiro para os meus pais, agora para Amanda. Ela deve ter percebido que não havia futuro comigo, considerando o jeito como sempre faço as coisas… por isso me deixou.
Ethara: [Ela deixou você? Alguém como Kyle também pode ser abandonado?]
Tharos: [Ela não tem cérebro.]
Kyle soltou uma risada fraca.
— Bem, tecnicamente, fui eu que terminei. Mas tenho certeza de que, se eu não tivesse feito isso, ela terminaria comigo em poucos dias.
WarHorse: [Hmph! Quem ela pensa que é? Só porque você está passando por uma fase difícil, ela decidiu que você era um fracasso?]
— E eu não sou? — perguntou Kyle, com um sorriso derrotado. — Tentei fazer tantas coisas ao mesmo tempo que acabei caindo de cara e perdendo tudo.
Ele respirou fundo antes de continuar:
— Provavelmente meus pais vão acabar desistindo de mim. Minhas notas estão caindo. Minhas dívidas estão se acumulando, e eu não faço ideia de como vou sobreviver amanhã se meu irmão parar de me mandar dinheiro. Eu só estou… preso no fundo de um buraco. E a parte engraçada é que ninguém me empurrou para cá. Eu mesmo pulei nele, com a cara mais idiota possível.
Ele estava desabafando.
Despejando sua raiva.
Não contra os pais.
Não contra o irmão.
Nem mesmo contra Amanda.
Mas contra si mesmo.
Kyle havia tomado tantas decisões erradas nos últimos meses que a própria situação parecia quase natural.
O silêncio tomou conta do quarto.
E do chat também.
Até que uma mensagem apareceu.
One-eyed: [Acredito que você precisa enxergar o mundo de outra forma para recomeçar.]
Kyle murmurou, pensativo:
— Isso deveria ter algum sentido profundo?
One-eyed: [Não, Kyle. Eu quis dizer exatamente o que escrevi. Agora, poderia pegar o embrulho na gaveta esquerda?]
Ele franziu a testa.
— O que você quer dizer com isso?
Enquanto falava, estendeu a mão por instinto em direção à gaveta esquerda.
Ao puxá-la, encontrou algo que não deveria estar ali.
— Hã?
Havia uma caixa marrom dentro da gaveta, mesmo que, ao arrumar o quarto mais cedo, Kyle tivesse deixado a gaveta vazia.
Então… como?
One-eyed: [É um presente meu, Kyle. Abra e veja se isso muda algo.]
Kyle respondeu imediatamente:
— Não, espera! Como você sabia que tinha algo na minha gaveta? Foi você quem colocou isso aqui?
Suas perguntas não receberam resposta.
Todos haviam saído do chat, deixando-o sozinho na live.
Um calafrio percorreu a espinha de Kyle enquanto colocava a caixa de lado com cautela.
Como… aquela pessoa sabia que havia algo na gaveta?
Mesmo considerando a possibilidade absurda de a câmera ter ficado virada para a gaveta enquanto ela estava entreaberta e One-eyed ter visto a caixa… como diabos aquilo tinha aparecido no quarto dele para começo de conversa?
Será que a mãe dele havia deixado aquilo ali sem que ele percebesse?
Não podia ser.
Ele havia esvaziado a gaveta com cuidado, já que pretendia guardar algumas peças do computador ali depois da live.
Então… que merda era aquela?
Uma percepção assustadora subiu lentamente pela sua espinha.
One-eyed era um stalker?
— Gah… Eu sempre achei que ele fosse um velho… espera, e se ele for mesmo um velho e, ainda assim, estiver me stalkeando?!
Kyle saltou da cadeira e desligou a câmera antes de olhar ao redor.
Será que também havia câmeras no quarto?
Ele não conseguia saber.
Com cuidado, vasculhou o ambiente com os olhos enquanto se movia para o lado.
Estendeu a mão, pegou um bastão encostado no canto do quarto e avançou devagar na direção do guarda-roupa.
E se aquele homem ainda estiver aqui dentro?
Engolindo em seco, Kyle apoiou os dedos na maçaneta.
Um instante depois, abriu a porta de uma vez, erguendo o bastão no mesmo movimento.
— Ufa…
Não havia nada lá dentro.
Depois, verificou debaixo da cama e mais alguns lugares onde alguém poderia estar escondido.
Felizmente, aquela possibilidade absurda se mostrou errada.
— Haa…
Soltando um suspiro, ele desabou na cadeira e tentou controlar a própria respiração.
Então seus olhos pousaram na caixa.
O que… exatamente poderia haver ali dentro?
Uma pegadinha?
Uma carta?
Talvez uma bomba?
Será que ele estava pensando demais?
— Ah, quer saber? Que se dane.
Kyle se levantou e pegou a caixa.
Respirando fundo mais uma vez, abriu a tampa devagar.
E, no segundo seguinte…
— AHHHHH!
Alguma coisa atacou seus olhos.
Alguma coisa estava devorando seus olhos.