Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 4

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Kyle caminhava pela rua com uma expressão tranquila.

Por dentro, porém… estava devastado.

Por um momento, ele havia acreditado que Amanda ao menos aceitaria não ir com eles — não ir com Ethan — naquele dia, principalmente depois de ele ter falado em terminar.

Ela continuava dizendo que estava passando por uma situação complicada. Mas, não importava quantas vezes Kyle perguntasse, Amanda nunca explicava. Nunca dizia que tipo de situação era aquela.

Houve uma época em que ele não a pressionava. Dava espaço, esperava, tentava entender.

Mas todo mundo tinha um limite.

Uma pessoa só podia ter certa quantidade de paciência. Só podia tolerar certa quantidade de coisas.

A proximidade estranha entre Amanda e Ethan não era algo que só Kyle havia percebido. Outras pessoas também tinham começado a comentar.

Kyle não dava a mínima para o que os outros diziam ou pensavam, mas esperava ao menos uma explicação de Amanda. Qualquer coisa que pudesse, de algum modo, salvar aquele relacionamento.

Sim, parecia patético, mas…

Ela tinha sido seu primeiro amor.

Nos últimos dois anos, eles haviam vivido como um casal normal.

Não.

Mais do que isso.

Eles eram inseparáveis.

Os dois sabiam o que o outro queria antes mesmo que fosse dito em voz alta.

O cuidado que Amanda demonstrava, a forma como olhava apenas para ele, o ciúme, o jeito infantil com que se aninhava em seus braços, a mania de brincar com seu cabelo… tudo aquilo continuava guardado dentro dele como uma lembrança bonita.

Mas agora, cada uma dessas lembranças ardia como uma ferida aberta.

— Haa…

Soltando um longo suspiro, Kyle entrou em casa.

O pequeno apartamento de um cômodo que havia alugado perto da universidade parecia escuro, frio e grande demais naquela noite.

Ele deixou a mochila sobre a mesa ao lado da entrada e encarou a escuridão por alguns instantes.

A primeira coisa que fez foi tirar a roupa e entrar no banho.

O choque da água fria o arrancou do torpor em que estava preso.

Kyle balançou a cabeça com força, como se tentasse se livrar do feitiço que Amanda havia deixado sobre ele.

O que havia acontecido tinha sido necessário.

Era um capítulo da própria vida que ele jamais conseguiria esquecer.

Ainda assim, viver significava seguir em frente.

Ele fechou o chuveiro, pegou uma toalha e enxugou primeiro o cabelo, depois o corpo, antes de enrolá-la na cintura.

Não havia mais ninguém morando ali. Então, que sentido havia em se vestir? De qualquer forma, ele costumava dormir só de cueca.

Ao sair do banheiro, Kyle olhou para o estado do quarto.

Bagunçado.

O lençol estava amassado, havia livros espalhados, as caixas de som estavam jogadas no chão e lenços de papel se acumulavam por toda parte.

Lenços que ele tinha usado para limpar o nariz.

Apenas o nariz.

Balançando a cabeça, murmurou:

— Bem, isso não vai melhorar só porque eu estou olhando.

Então, pôs mãos à obra.

Organizou os livros, arrumou a cama, diminuiu a intensidade das luzes e jogou o lixo no cesto. Por fim, parou diante do canto sagrado do quarto.

Seu PC.

A única coisa cara que ele havia comprado com o próprio dinheiro.

No começo, Kyle havia feito trabalhos freelance e empregos de meio período. Graças a isso, durante o ensino médio, conseguiu economizar o bastante para montar aquele computador.

Ele havia parado de jogar a maioria dos jogos porque Amanda não gostava de videogames. Para ela, eles eram perda de tempo e não serviam para nada.

Naturalmente, o foco dele se voltou quase por completo para Amanda. E, aos poucos, Kyle também parou de jogar.

Mas, seis meses atrás, havia começado algo novo.

Lembram da startup de camisetas que ele tentou abrir?

Kyle criou um canal de lives para divulgar a própria marca.

O plano tinha mais empolgação do que praticidade.

Naturalmente, em um mundo em que qualquer pessoa desempregada com uma câmera e internet tentava virar streamer, Kyle era só um peixe minúsculo em um oceano gigantesco. Ninguém notou sua presença. Muito menos sua startup.

Ainda assim, mesmo depois que a startup fechou, ele não encerrou o canal.

Por quê?

Porque algumas pessoas haviam se apegado a ele.

E Kyle também havia se apegado a elas.

No começo, eram cerca de cinquenta espectadores.

Depois, trinta.

Depois, dez.

Depois, cinco.

Àquela altura, a startup já havia sido encerrada. Mas, como aquelas cinco pessoas nunca pararam de esperar por ele, comentar e conversar com ele, Kyle pensou:

Por que não?

Ele não pagava um único lumir para a plataforma de streaming e tinha tempo livre de sobra, principalmente depois que Amanda começou a ignorá-lo. Então passava esse tempo conversando com estranhos aleatórios.

No entanto, agora…

— Eu preciso parar com isso.

Kyle respirou fundo, apoiando as mãos na mesa enquanto abaixava a cabeça.

Ele havia tomado várias decisões erradas na vida, e todas o tinham levado até aquele ponto.

Desempregado.

Inútil.

Sem um futuro claro.

Ele não sabia o que faria se o irmão parasse de lhe enviar dinheiro no mês seguinte.

As coisas não podiam continuar assim.

Ele precisava mudar.

Não havia mais distrações.

Nenhuma startup para administrar.

Nenhuma namorada para receber sua atenção.

Felizmente, sua vida social estava perfeitamente alinhada com um futuro melhor.

Sem amigos.

Sem tempo desperdiçado.

Então, a única coisa que ainda podia roubar horas do seu dia era aquilo.

A última distração.

Acho que esta vai ser a última vez que entro ao vivo.

Mal sabia ele que aquela decisão estava prestes a virar seu mundo de ponta-cabeça.

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