
Capítulo 2
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Amanda e eu namorávamos havia dois anos.
Eu não diria que éramos o casal perfeito, mas fomos felizes juntos.
Foi ela quem se aproximou primeiro. Naquela época, eu não era grande coisa. Bem… isso também não mudou muito até hoje.
Eu não tinha nada de especial. Nenhum talento em particular, muito menos genialidade. Então, quando ela veio falar comigo, fiquei surpreso, mas não a rejeitei.
Nós nos demos bem. Depois de algumas semanas de amizade, ela se declarou.
Eu gostava do jeito dela, e seu sorriso era encantador. Por isso, aceitei os sentimentos dela, e começamos a namorar.
Nada extraordinário. Éramos como qualquer outro casal.
Saíamos juntos, usávamos apelidos bobos, passávamos horas conversando de madrugada, ficávamos abraçados, nos beijávamos… tudo parecia normal.
Pela primeira vez, eu estava realmente apaixonado.
Para alguém que sempre se sentiu rejeitado pela vida e constantemente comparado ao irmão mais velho, Amanda foi uma mudança necessária.
Ela mudou minha vida.
Ela me fez acreditar que eu podia melhorar. Que eu podia, de fato, fazer alguma coisa com a minha própria vida.
Amanda ficava ao meu lado, me aconselhava e me repreendia quando era preciso. Dependendo do momento, ela podia ser meu porto seguro, minha melhor amiga ou minha namorada.
Com o apoio dela, abri uma startup um ano atrás.
Seis meses depois, tive que abandonar o projeto depois de acumular vários prejuízos.
Foi mais ou menos nessa época que meu pai me deu um tapa, e meu irmão, mais uma vez, fez questão de me lembrar por que ele era o orgulho da família.
Eu estava no meu ponto mais baixo.
Seis meses atrás, tudo começou a desmoronar.
E foi exatamente aí que eu mais precisei de Amanda ao meu lado.
Mas então… o único pilar de apoio que eu tinha também começou a me ignorar.
Não sei exatamente o que mudou entre nós, mas alguma coisa mudou.
Ela sempre foi muito pontual com o horário de voltar para casa. Porém, cerca de seis meses atrás, sua rotina começou a mudar.
Amanda passou a inventar desculpas para ir embora mais cedo. Parou de aparecer no meu apartamento e deixou de passar a noite comigo. Às vezes, saía da sala sem nem se despedir, apenas para me mandar uma mensagem depois dizendo que alguma emergência havia surgido.
Eu tolerei tudo.
Até agora.
Tentei ao máximo consertar as coisas entre nós. Fiz tudo o que pude. Mandava mensagens mesmo quando ela nunca respondia. Deixava bilhetes no armário dela, esperando que ela ao menos encontrasse tempo para conversar. Dois meses atrás, até planejei algo especial para o aniversário dela.
Algo grandioso.
Mas adivinha?
Ela nunca apareceu.
Disse que a tia havia caído da escada e que precisou correr para ajudá-la.
A parte engraçada era que Amanda já tinha me contado que só tinha uma tia. E essa tia morava em outro país.
Então, sim.
Eu sabia que ela estava mentindo para mim.
E sabia o que precisava fazer agora.
Trim!
O sinal tocou, me arrancando dos pensamentos.
Quando olhei para a frente, a professora já havia apagado o quadro, e eu não tinha anotado uma única palavra.
Ótimo. Lá se vai minha tentativa de focar nos estudos.
— Muito bem, turma. Lembrem-se: daqui a uma semana, faremos uma viagem de pesquisa. Então não fiquem doentes, não marquem nada e, por favor, não matem nenhum parente idoso só para inventar uma desculpa e faltar — disse a professora, enquanto recolhia seus livros.
Quando estava prestes a sair, percebi que ela lançou um olhar para mim.
Não era a primeira vez que eu notava isso, mas eu não estava no estado mental certo para pensar a respeito.
Os outros alunos começaram a guardar os materiais e a sair da sala.
Grupo após grupo passava por mim, conversando e fazendo planos para o fim do dia.
Eu permaneci sentado.
E esperei.
Foi então que vi Ethan se levantar na frente da sala e olhar para trás. Não para mim, mas para o grupo atrás da minha carteira.
O grupo de que Amanda fazia parte.
Três garotas deram um passo à frente.
Duas delas se juntaram a Ethan.
Uma parou ao meu lado.
Virei o rosto para encará-la.
Olhos azul-oceano.
Um par de olhos que, um dia, eu não conseguia parar de admirar.
Um rosto delicado, quase como o de uma boneca, emoldurado por cabelos negros e macios que caíam sobre os ombros.
Houve uma época em que eu acreditava que poderia passar horas olhando para aquele rosto.
Mas agora…
— Kyle, desculpa por não ter visto sua mensagem. Eu precisei ir ao dentista de manhã e, por causa da pressa, acabei perdendo o trem.
Assenti, mas não disse nada.
Ela me encarou por alguns instantes, provavelmente esperando que eu perguntasse alguma coisa. Ou talvez que eu perdesse a paciência.
Ultimamente, eu provavelmente vinha parecendo mais hostil, embora, na prática, só estivesse zombando de mim mesmo.
Nada além disso.
Depois de uma breve pausa, Amanda disse:
— Eu… preciso terminar meu trabalho, então vou com as meninas para a biblioteca, tudo bem? Eu te ligo hoje à noite.
— Não precisa — respondi, antes que ela pudesse se virar.
Enquanto juntava meus livros, acrescentei:
— Você não precisa mais me ligar, Amanda.
Ela piscou, e vi a tensão surgir aos poucos em sua expressão.
Com a voz mais baixa, perguntou:
— O que você quer dizer com isso, Kyle?
Virei-me para encará-la e respondi sem hesitar:
— Quero dizer que acabou, Amanda. Então nunca mais me ligue.