O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 142

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


— Ah-hem!

Uma voz atrás dela fez Easter estremecer um pouco, e Jason inclinou a cabeça para o lado, vendo sua mãe lançar a Easter um olhar duro de trás do balcão. As bochechas de Easter coraram levemente de raiva antes de ela se virar e deixar Jason em paz.

Mira sorriu assim que viu a mulher se afastar de seu filho, e Jason não conseguiu evitar um olhar curioso para a mãe. Ele se aproximou, beijou-a com carinho na bochecha e perguntou que diabos ela tinha feito para deixar os repórteres tão mansos.

— Ah, não foi nada demais… Eu só falei das câmeras de segurança que temos e ameacei processá-los.

Jason ergueu uma sobrancelha em choque e imediatamente pediu que a mãe explicasse.

Aconteceu que os repórteres vinham seguindo Mira havia algumas horas, desde que ela saíra de casa, e Mira precisou usar uma parte da lei para impedi-los de aprontar. Segundo a lei de Riverdale, proprietários de edifícios podiam processar qualquer repórter ou pessoa da mídia que causasse problemas em seu prédio. O governo criara essa lei por causa do número crescente de influenciadores digitais e da forma como estavam sempre causando transtornos a cidadãos comuns em restaurantes e estabelecimentos comerciais. Depois da criação da lei, o número de reclamações caiu drasticamente.

Essa lei se aplicava tanto a restaurantes quanto a outros negócios, então Mira a usou contra os repórteres. Permitiu que ficassem do lado de fora fazendo o que quisessem, mas, dentro de seu prédio, tinham de se comportar ou ela enviaria as imagens das câmeras para a polícia.

Os repórteres foram rebeldes no começo. Todos ficaram do lado de fora tentando tirar fotos pela porta de vidro, mas, depois de horas ali, ficaram com fome o bastante para que alguns abandonassem o posto e entrassem para comer. Foi isso que acabou deixando o restaurante tão cheio.

Jason riu da história toda antes de caminhar para pegar um avental. Com tanta gente, tinha certeza de que a mãe precisava de ajuda, mas Mira acenou de repente e disse para ele não se preocupar. Já havia alguém ajudando.

Os olhos de Jason se estreitaram com curiosidade.

— O quê? Quem?

— Ei, mãe. Você disse que o hambúrguer era bem-passado ou só no ponto?

Uma voz veio da cozinha nos fundos quando uma cabeça apareceu pela porta, e Jason não conseguiu impedir que seus olhos se arregalassem ligeiramente ao ver quem era.

Sua irmã Janet sempre fora bonita. Tinha o mesmo cabelo preto e os mesmos olhos do resto da família, e Jason sabia que, com seu nariz pequeno e traços gentis, ela cresceria com uma aparência muito maternal. E, ao encarar a mulher à sua frente, soube que estivera certo.

O cabelo de Janet estava preso em um coque alto que o mantinha longe do rosto. Ela usava um avental sobre uma camiseta e jeans desbotados e segurava uma espátula em uma das mãos enquanto parava à entrada da cozinha com os olhos arregalados. A cena era tão nostálgica que, por um breve instante, Jason foi jogado de volta a muitos anos antes, à época em que tudo era como costumava ser. Então seus olhos se estreitaram de volta ao presente e ele assentiu para Janet.

— Janet.

Foi a única saudação que deu, mas bastou para fazer Janet estremecer como se tivesse levado um tapa. Ela abriu a boca para tentar retribuir o cumprimento, mas Jason já se virara para olhar o celular. Uma mensagem acabara de chegar informando que ele recebera um depósito bancário de cinquenta e sete milhões, e Jason sorriu antes de olhar para a mãe.

— Você ainda tem o número do dono do prédio? Quero falar com ele.

Mira estava com uma expressão levemente dolorida ao ver a falta de uma saudação adequada entre os dois filhos, mas não queria causar uma cena na frente de tantos repórteres mandando os dois fazerem as pazes ali. Pegou o celular e deu a Jason o número que ele queria. Jason agradeceu com um pequeno sorriso.

— Vou ficar lá fora.

Jason se virou e começou a sair do restaurante. Janet deu um passo na direção dele e chamou seu nome. Jason nem se deu ao trabalho de responder enquanto saía, e Janet fez uma careta diante da rejeição. Ela olhou para a mãe e viu que Mira também encarava o ponto por onde Jason havia saído com uma expressão triste. Janet falou depressa.

— Mãe, pode me ajudar na cozinha? Eu vou falar com ele.

Mira tentou impedir Janet imediatamente. O que diabos ela achava que estava fazendo? Mas Janet sempre fora a mais impulsiva de todos os filhos, então já estava saindo do restaurante antes que Mira pudesse impedi-la.

Janet voltara a Riverdale no ônibus noturno do dia anterior, depois que Jason dera permissão. Mira quis contar a Jason mais cedo, mas achou que não era uma boa ideia, pois sabia que Jason não queria saber nada do que Janet andava fazendo. Mira sabia que Janet e Jason acabariam se encontrando, mas esperava que fosse em circunstâncias melhores. Com tanta gente por perto, não achava que eles realmente conseguiriam resolver seus problemas. Mira suspirou e foi para os fundos verificar os hambúrgueres. Só podia confiar que seus filhos ficariam bem.


— Alô, aqui é Jason Marc. Minha mãe, Mira Marc, administra um restaurante no seu prédio. Gostaria de conversar sobre a compra do edifício.

Jason estava encostado na moto, atrás do restaurante. Os repórteres tentaram se aproximar dele no momento em que saiu, mas ele conseguiu mantê-los afastados usando pequenas rajadas de mana. Eles lhe deram espaço ao perceber que ele não estava de bom humor.

Jason cruzou os braços enquanto o dono do prédio do outro lado da linha começou imediatamente a argumentar. Falou que o prédio estava na família havia muito tempo e que não estavam dispostos a vender por valor nenhum. Jason apenas assentiu enquanto respondia.

— Sim, sei que está na sua família há gerações. Sim, eu sei. Eu disse que sei. Confie em mim, o senhor vai querer ouvir minha proposta. Estou disposto a comprar o prédio por um milhão de dólares.

A pessoa do outro lado da linha quase engasgou.

[… S-sério? Isso é bastante…]

— Sim, é muito dinheiro. O prédio está atualmente avaliado em setecentos mil, e isso sendo generoso. Então acho que vendê-lo por um milhão é um bom negócio para o senhor, não acha?

De repente, o dono do prédio se tornou respeitoso.

[Sr. Jason, entendo que queira aquele prédio, mas simplesmente não posso vendê-lo ao senhor.]

— Se está preocupado com a reação da sua família, pode comprar outro prédio para eles em outra parte da cidade. Nem o senhor nem sua família moram aqui, mas minha mãe trabalha neste prédio há mais de quinze anos. Acho justo entregá-lo a ela por esse valor.

Jason ergueu os olhos ao ver Janet atravessando a multidão de repórteres e vindo em sua direção, então desviou o olhar para continuar a conversa com o dono do prédio.

— Então, o que me diz?

[Eu… sinto muito, Sr. Jason. Simplesmente não posso vender o prédio ao senhor.]

Os olhos de Jason se estreitaram perigosamente.

— Por quê?

O senhorio ficou em silêncio por alguns segundos enquanto pensava se deveria ou não contar a Jason o que estava acontecendo. Depois de um tempo, decidiu que Jason tinha o direito de saber e falou.

[Houve uma aquisição em massa recentemente. Uma rede de fast food está comprando os principais restaurantes da cidade para transformá-los em filiais. Na verdade, já vendi o prédio e pretendia dar a notícia à sua mãe no mês que vem, dizendo que ela teria que sair. Sinto muito, mas não posso vendê-lo ao senhor.]

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