
Volume 1 - Capítulo 4
O Sistema do Necromante Mais Forte
Tradutor/Revisor: miggigibe
Parecia uma caixa de joias e estava envolta em um tecido preto que lhe dava uma aparência muito cara.
Jason perguntou à mãe o que havia dentro, e ela balançou a cabeça. Nunca havia aberto a caixa antes, então não fazia ideia do que havia ali.
Jason desembrulhou a caixa com cuidado e então a abriu, revelando um colar. Ele franziu a testa, confuso, enquanto o tirava de dentro e o examinava. Não fazia ideia de que seu pai era tão… cafona.
O colar em si tinha um delicado pingente roxo, envolto por vinhas prateadas. O pingente estava preso a um cordão preto para que pudesse ser usado, e Mira pediu que ele o colocasse.
— Quero ver como fica em você.
Jason suspirou diante do entusiasmo da mãe. Ele nunca conseguia entender como ela podia agir de forma tão feliz sempre que falavam sobre seu pai. Ela era quem deveria ter se machucado mais. O pai de Jason a abandonara quando Maya tinha apenas dois anos. Cuidar deles devia ter consumido muito dela, mas, por algum motivo, Mira sempre sorria quando falava dele.
Jason soltou outro suspiro resignado antes de colocar o colar e mostrá-lo à mãe.
— Ficou muito bonito.
— Você pode ficar com ele se gostou tanto assim.
Jason já estava tirando o colar, mas Mira o impediu imediatamente. O que diabos ele estava fazendo?
— Não, não, ele é seu! Você pode fazer o que quiser com ele, mas quero que cuide bem dele. É o último presente do seu pai para você, então deveria guardá-lo com carinho, está bem?
Jason passou os dedos pelo colar, franzindo a testa com curiosidade. Seu pai os abandonara por dez anos, e aquilo era tudo que ele tinha para mostrar por isso. Um colar cafona.
— Tudo bem, eu vou cuidar dele. Preciso ir agora. Está ficando tarde, e eu não quero que a Gina destrua meu apartamento porque eu demorei demais. Tchau, mãe.
Jason deu rapidamente um abraço na mãe e um beijo em sua bochecha, e Mira sorriu enquanto ele ia calçar os sapatos. Ao vê-lo partir, ela falou em tom de aviso:
— Trate de não beber demais. E não engravide a Gina.
— Mãe… sério?
— Ah, por favor. Seu pai e eu tínhamos mais ou menos a sua idade quando tivemos sua irmã, e também estávamos bêbados naquela noite! Posso te contar tudo se você quiser—
— Não, eu não vou ouvir isso! Tchau, mãe!
Jason saiu rapidamente do apartamento, e Mira riu do constrangimento dele antes de suspirar. Ela passou os dedos pela aliança que usara durante todo esse tempo, mesmo depois de o marido tê-la abandonado, e sentiu uma melancolia preencher seu peito enquanto encarava a porta fechada.
— Queria que você estivesse aqui para vê-lo, Richard. Ele está tão forte. Nosso garotinho realmente cresceu forte.
Jason caminhava pela noite escura com as mãos nos bolsos. Ainda usava o colar do pai ao redor do pescoço e, por algum motivo, simplesmente não sentia vontade de tirá-lo. Talvez fosse alguma forma tola de nostalgia, ou talvez uma parte dele estivesse tentando se agarrar a qualquer vestígio do pai que ainda existisse, por menor que fosse.
No fim, decidiu que usaria o colar por enquanto e o tiraria quando chegasse em casa.
A distância entre o apartamento de Mira e a lanchonete deles era de apenas alguns quilômetros, e Jason levou cerca de quinze minutos para chegar lá. Quando chegou, foi até os fundos, onde havia estacionado sua bicicleta, e estava prestes a subir nela quando ouviu vozes vindo da esquina.
— Anda logo, joga isso! Quer que a polícia encontre a gente?!
— E se tiver alguém lá dentro?!
— Não importa! Você é covarde, por acaso? Joga logo essa merda!
— Tá! Tá! Só espera!
As vozes pareciam familiares, e Jason as reconheceu imediatamente como as dos garotos que havia espancado mais cedo naquele dia. Eram os dançarinos de TikTok. Que diabos eles estavam tentando fazer com a lanchonete?
Jason correu até a esquina para ver o que estava acontecendo e parou no mesmo instante ao ver três garotos usando máscaras pretas e carregando coquetéis Molotov em chamas.
Eles estavam tentando incendiar a lanchonete.
— Ei! Que diabos vocês estão fazendo?!
Jason gritou enquanto sentia a raiva tomar conta de seu corpo. Os garotos praguejaram, jogaram as garrafas em chamas no chão e dispararam em fuga. Jason avançou correndo e pisou nas garrafas repetidas vezes, tentando apagar as chamas sem se importar com a própria segurança. O fogo estava perto demais da lanchonete, e havia chance de alcançar o prédio, já que as garrafas estavam cheias de líquido inflamável.
Assim que teve certeza de que as chamas não incendiariam a lanchonete, Jason se virou na direção em que os garotos haviam corrido e disparou atrás deles.
Já estava escuro, mas a luz da lua lhe dava claridade suficiente para enxergar por onde seguia. Ele conseguiu distinguir a silhueta dos três garotos alguns metros à frente, correndo pela rua e fazendo o possível para escapar.
Jason não deixaria aquilo passar. Aqueles garotos achavam que podiam incendiar um estabelecimento por algo tão mesquinho? Pensavam que a vida das pessoas era uma piada? Algo assim teria destruído completamente o coração de sua mãe, e eles teriam rido como se não houvesse consequência alguma.
Ele precisava garantir que aqueles garotos fossem jogados na cadeia.
Jason atravessou os becos como um cão saído do inferno enquanto perseguia os garotos. Eles eram rápidos por serem jovens, mas não chegavam nem perto do preparo físico intenso que Jason possuía. Por isso, não demorou para que ele começasse a alcançá-los. Um dos garotos arriscou olhar para trás por um instante e gritou de medo ao ver o rosto furioso de Jason a poucos metros de distância.
Merda!
Jason estendeu a mão e agarrou o garoto pela camisa, fazendo-o tropeçar e cair com força no chão.
Em seguida, segurou o garoto pela camisa e o puxou para cima antes de desferir um soco brutal em seu rosto, forte o bastante para deixá-lo desnorteado.
PÁ!
O garoto gritou de dor, e os amigos que corriam à frente perceberam que ele havia sido pego. Imediatamente, deram meia-volta para tentar ajudá-lo, mas pararam assim que viram o olhar de Jason.
Jason segurava o amigo deles pela camisa e os encarava com uma intensidade capaz de fazer suas pernas tremerem. Sob a luz da lua, ele parecia um demônio. Um demônio vindo direto do inferno.
Jason jogou o garoto, ainda gemendo, no chão e começou a avançar na direção dos outros enquanto estalava os nós dos dedos. Ele já havia se envolvido em muitas brigas de rua antes, principalmente por causa de seu porte físico e de sua incapacidade de deixar que as pessoas pisassem nele.
Desde o surgimento dos super-humanos e dos Portais, havia se formado uma enorme divisão entre aqueles capazes de cuidar de si mesmos e aqueles que mal conseguiam dar conta das próprias necessidades diárias, especialmente com o aumento do custo de vida e a perda de empregos causados pela presença dos super-humanos. Por isso, muitas pessoas recorreram ao roubo para sobreviver aos tempos difíceis.
Jason era um alvo perfeito para assaltos, já que estava sempre se deslocando à noite, e isso o obrigou a aprender a se defender da única forma que conhecia.
Com os punhos.
Um dos dois garotos percebeu que estavam profundamente ferrados quando viu Jason tirando a jaqueta. Jason parecia uma máquina. Então, quando viram seus músculos se contraindo sob a camiseta, souberam que estavam fodidos.
O garoto à esquerda imediatamente levou a mão para trás e puxou uma faca que havia trazido caso precisassem lidar com algum problema. Ele a apontou para Jason de forma ameaçadora e gritou em voz alta para que ficasse longe.
— Eu vou te esfaquear! É sério! Eu vou te esfaquear!