O Sistema do Necromante Mais Forte

Volume 1 - Capítulo 5

O Sistema do Necromante Mais Forte

Tradutor/Revisor: miggigibe


O garoto à esquerda imediatamente levou a mão para trás e puxou uma faca que havia trazido caso precisassem lidar com algum problema. Ele a apontou para Jason de forma ameaçadora e gritou em voz alta para que ele ficasse longe.

— Eu vou te esfaquear! Fica longe!

Jason encarou a faca por um instante e observou a forma como o garoto a segurava. Também avaliou sua postura e o modo como suas mãos tremiam de medo. Com isso, soube que não tinha nada a temer daquele garoto. Não importava se você tinha uma arma quando não sabia usar a porra dela.

Ainda assim, era perigoso. Por isso, Jason decidiu que lidaria com aquele garoto primeiro.

Jason avançou com as mãos erguidas, e o garoto imediatamente gritou, começando a recuar enquanto balançava a faca de um lado para o outro. Quase parecia que estava tentando espantar um monstro, não outro ser humano.

Jason desviou com facilidade dos três golpes de faca e então invadiu a guarda do garoto. Prendeu o braço do rapaz debaixo do próprio braço e o puxou para perto enquanto erguia o joelho contra seu estômago.

BAM!

O garoto gritou de dor, mas Jason não parou ali. Ele passou o braço do rapaz por cima do ombro e o virou com facilidade antes de arremessá-lo contra o chão com força.

BANG!

A faca caiu no chão com um tinido enquanto o garoto segurava as costas, tomado pela dor. Jason pegou a arma e a girou com habilidade antes de se virar para o último garoto ali. O rapaz olhava para os dois amigos como se tivesse acabado de ver algo impossível. Ele sabia que era mais fraco que os dois, então não havia a menor chance de vencer Jason, nem em um milhão de anos.

Jason começou a caminhar em direção ao garoto, e ele ergueu as mãos enquanto gritava com a voz apavorada:

— Espera! Espera, por favor! Desculpa, tá legal?! Desculpa! Era só uma brincadeira! Eu juro, a gente não ia mesmo incendiar a— Ugh!

O garoto gritou quando um tapa cruel acertou seu rosto, fazendo-o cair sentado no chão enquanto segurava a face dolorida. Jason o encarou de cima e então se abaixou até ficar no nível dele. Agarrou sua máscara e a arrancou antes de segurar seu rosto com força, tomado pela raiva.

— Uma brincadeira? É isso que você considera uma brincadeira, porra? Era a vida de alguém que você queria destruir. A mãe de alguém! A única esperança de alguém! Você acha que empurrar uma pessoa para o fundo do poço é uma piada, porra?!

PÁ!

Jason deu outro tapa no garoto, jogando-o no chão enquanto ele gemia de dor. Jason estava furioso naquele momento, e o fato de o garoto ter chamado a tentativa de incendiar a lanchonete de sua mãe de brincadeira só o deixou ainda mais irritado. Ele não conseguia acreditar que aquele era o nível ao qual a maioria das pessoas havia chegado.

Aquelas pessoas não se importavam com nada, desde que aquilo não as afetasse diretamente. Queimariam a vida de outra pessoa até o chão e ririam como se fosse só mais uma piada.

Jason suspirou enquanto olhava ao redor para os três garotos, certificando-se de que todos estavam no chão. Quando teve certeza de que não se levantariam, puxou o celular para ligar para a polícia e pedir que fossem buscá-los. Mas, antes que pudesse fazer isso, sentiu algo mudar no ar.

O beco onde estavam pulsou de repente, como se algo poderoso tivesse acabado de atravessá-lo. Então, bem diante dos olhos de Jason, um círculo vermelho rasgou o espaço.

Portal Vermelho.

Foi a única coisa que passou pela mente de Jason naquele instante. Ele nem parou para pensar além disso antes de se virar e começar a correr como um louco. Jason não era covarde. Era alguém capaz de se lançar no perigo no pior dia possível se isso significasse proteger as pessoas que amava. Mas sabia que aquele não era o momento de ser corajoso.

Um Portal Vermelho era algo que exigia uma guilda de rank C, com pelo menos cinco membros de rank C e vários de rank D, para ser enfrentado. Era impossível sequer sonhar em sobreviver lá dentro. Se fosse arrastado para aquele lugar, ele ia morrer, porra.

Mas, antes que Jason conseguisse ir longe, sentiu o puxão inconfundível do Portal arrastando-o de volta. O Portal possuía uma força de sucção que puxava tudo ao redor, garantindo que qualquer humano azarado o bastante para estar perto dele fosse imediatamente absorvido. Jason foi arrancado do chão com facilidade e caiu de bruços.

Jason praguejou enquanto tentava cravar os dedos no chão para se afastar do Portal, mas era impossível resistir à força daquela atração. Era como se alguém tivesse amarrado uma corda em sua perna e estivesse puxando-o com a porra de um carro.

Jason ouviu os outros garotos no beco gritando enquanto também eram puxados para dentro do Portal. Então soltou um xingamento alto quando foi erguido do chão e desapareceu dentro do círculo.

Jason rolou pelo chão dentro do Portal e se levantou imediatamente. Ele se manteve agachado, observando os arredores com cuidado.

Os outros três garotos ainda estavam caídos, gemendo por causa do puxão repentino, mas Jason nem se deu ao trabalho de prestar atenção neles.

Ele tentou se lembrar de tudo que já ouvira sobre Portais nas notícias e de seus colegas que viviam grudados na internet. A única coisa que passava constantemente por sua mente era uma das garotas de sua sala gritando que ninguém que fosse puxado para dentro de um Portal no momento em que ele se abria saía vivo.

[Eles estão todos ferrados! Antes que os super-humanos cheguem até eles, os monstros já vão ter despedaçado todo mundo!]

Essas haviam sido as palavras exatas da garota, e Jason não gostou nem um pouco daquele pensamento. Por isso, tratou de expulsá-lo da cabeça imediatamente. Nem fodendo que ele morreria ali.

Eles estavam em algum tipo de floresta, cercados por árvores altas e arbustos. Estava escuro, com o luar filtrado pelas copas servindo como única fonte de luz. Quando Jason deu um passo, o chão chapinhou sob seu pé ao afundar em uma poça rasa.

Estou em um pântano? Não, choveu há pouco tempo. As árvores e os arbustos estão molhados. Certo, estou em uma floresta. Pode haver monstros em qualquer lugar ao meu redor. Preciso tomar cuidado e encontrar um lugar para me esconder até os super-humanos chegarem.

Jason começou imediatamente a pensar em um plano de sobrevivência. Ele sabia que não havia chance de voltar pelo Portal. A sucção que o trouxera para dentro impedia qualquer pessoa de sair até que o Chefe do Portal fosse morto.

Isso significava que ele precisava esperar os super-humanos chegarem e resolverem aquilo antes que pudesse sair. Jason inspirou fundo, tentando se acalmar. Não podia ficar tenso ali. Precisava manter a calma e pensar de forma racional. Era o único jeito de sobreviver.

Jason olhou ao redor para ver se encontrava o celular, mas não o viu em lugar nenhum. Percebeu que devia tê-lo deixado cair em algum momento do caos. Ele nem sabia se tecnologia funcionaria de dentro do Portal, então a única opção que lhe restava agora era se esconder.

— Levantem e me sigam.

Jason falou com os garotos ao redor em um tom baixo enquanto começava a se afastar em silêncio. Os garotos ainda gemiam no chão, e um deles soltou um grunhido quando a dor no estômago piorou. Jason se virou para ele com uma expressão frustrada.

— Para de choramingar e levanta! Eu nem bati tão forte assim, seu covarde do caralho!

Grrrr!

O rosnado de uma fera chegou aos ouvidos de Jason no instante seguinte, e ele congelou no lugar. O som de passos se aproximando ecoou pela floresta, e Jason soube imediatamente que feras mágicas vinham na direção deles.

Jason sussurrou para os garotos:

— Ei, levantem! Levantem e se mexam!

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