Water Magician (WN)

Capítulo 32

Water Magician (WN)

Se fosse um combate individual, e se não fosse um pântano, nem mesmo o Rei Lagarto seria páreo para Abel.

No entanto, logicamente, eles não podiam descansar em um lugar onde os cadáveres de Homens-Lagarto estavam empilhados, então decidiram seguir um pouco para o norte por enquanto.

Enquanto molhavam a garganta.

“<Ó Água, surja> <Ó Copo, apareça>”

Como achou que seria legal, Ryo recitou os encantamentos diante de Abel enquanto preparava a água.

Abel ficou olhando aquilo acontecer antes de beber a água enquanto caminhava.

“Ei, Ryo.”

“O que foi, Abel?”

“O encantamento de ontem à noite, quando você preparou a água na jarra, não era <Ó Água, molde-se e surja>?”

“Eh...”

Os olhos de Ryo vacilaram involuntariamente.

“F-foi mesmo? Talvez você tenha ouvido mal, Abel?”

Com o comportamento suspeito de Ryo, não importava o que ele dissesse, nenhuma palavra sua tinha poder de persuasão.

“Bem, não importa. E o que eram aquelas lanças de gelo?”

“Mesmo que me pergunte isso... é a magia de atributo água, <Lança de Gelo>?”

“Não isso, você disparou quatro ao mesmo tempo?”

“Sim, disparei quatro. O feitiço funciona assim, então mesmo se me perguntar o que era... eu não saberia como responder?”

Abel ponderou sobre como deveria expressar aquilo.

E decidiu apresentar os fatos que conhecia.

“Tenho uma maga de atributo vento entre meus companheiros, e ela diz que a magia é ativada uma única vez com um só encantamento. Mas essa Lança de Gelo que você mencionou... você disparou quatro? Acho que isso é anormal.”

Mas Ryo respondeu com total confiança:

“Não sei sobre magia de vento, mas para a magia de água, o que fiz agora há pouco é normal. Sem problemas.”

“E-entendo...”

Abel não teve escolha a não ser concordar diante da expressão excessivamente confiante de Ryo.

Depois de caminharem cerca de trinta minutos a partir do local onde derrotaram os Homens-Lagarto, encontraram uma pequena clareira na floresta.

Por experiência, pensaram que um Falcão Assassino poderia estar em um lugar como aquele, então esperaram um pouco. Como nenhum apareceu, decidiram acampar ali naquela noite.

“Para o jantar... Homem-Lagarto não é gostoso, né?”

“Sim, é horrível. Por isso deixei todos os corpos para trás.”

“Eu já imaginava... Então, vou caçar alguma coisa. Abel, por favor, junte alguns galhos secos e acenda o fogo.”

Abel, que já não duvidava mais das habilidades mágicas de Ryo, aceitou a proposta.

Sem dúvida, um mago era muito mais adequado para esse tipo de caça do que um espadachim.

“Certo. Agradeço desde já.”

Dito isso, Abel começou a recolher galhos secos.

Ryo adentrou por uma pequena abertura na floresta.

(Fu... Vou unificar o encantamento para <Ó Água, surja>)

Em sua mente, estava algo que não tinha a menor importância.

Ryo encontrou um Coelho Comum sem muita dificuldade e o matou com um Jato de Água.

Além disso, encontrou uma nespereira no local onde o abateu.

“Oh, encontrei algumas frutas para servir de sobremesa também.”

Ryo voltou para o acampamento com o Coelho Comum e as nêsperas em mãos.

Abel, que estava recolhendo galhos secos, tinha acabado de voltar.

“Abel, trouxe frutas para a sobremesa de hoje.”

“Ora, ora. Mas essa fruta... eu nunca vi antes...”

“Hã? Acho que só dá por estas bandas. Na minha terra natal, chamamos de nêspera e nós a comemos.”

“É a primeira vez que ouço esse nome também. Parece doce pelo aroma. Vou ficar no aguardo.”

Abel começou a preparar a fogueira, depositando os galhos secos que trazia nos braços.

“<Ó Jarra, apareça> <Ó Copo, apareça> <Ó Água, surja>”

Após o encantamento, Ryo despejou água no copo e o entregou a Abel, que estava acendendo a fogueira.

“Pronto, Abel. O encantamento foi <Ó Água, surja>. Você ouviu? Esse é o encantamento correto.”

“Hã? Do que você está falando...”

“O encantamento é <Ó Água, surja>. Combinado?”

“Ah, sim...”

Ryo insistiu com firmeza.

No dia seguinte, eles avançavam rumo ao norte sem contratempos.

Foi um pouco antes do meio-dia que se depararam com um problema difícil.

“É um... paredão.”

“É um... paredão, com certeza.”

Uma fileira de rochas que só podia ser descrita como um paredão, sem qualquer abertura de leste a oeste e com cem metros de altura, bloqueava o caminho deles.

“Parece impossível escalar isso.”

“Sim, a parte superior tem uma inclinação negativa, então, pelo menos para mim, é impossível.”

Uma inclinação negativa é uma face rochosa que se projeta em um ângulo de mais de 90 graus, ou seja, além da parede vertical.

Também é chamada de teto ou negativo, mas de qualquer forma...

Habilidades de escalada bastante avançadas eram necessárias para subir aquilo de mãos vazias.

“Droga. Seria tão fácil subir para um mago de atributo vento!”

“Não, é impossível até para um mago de atributo vento, não acha?”

Na mente de Abel, ele imaginou Rin, a maga de vento, tentando escalar aquele paredão.

É, impossível.

“Acho que teremos que ir para o leste ou oeste para encontrar um desvio.”

“Por alguma razão... tenho um mau pressentimento, não importa o lado que a gente escolha...”

Não havia base alguma para isso, mas Ryo disse o que pensava.

“É mesmo? Então vamos decidir no cara ou coroa.”

Dito isso, Abel tirou uma moeda de bronze de sua carteira.

“Se der cara, vamos para o leste; se der coroa, para o oeste.”

Depois de dizer isso, ele a lançou com o polegar.

Em seguida, pegou a moeda que caía e abriu a mão.

“Cara. Leste.”

“Certo, vamos para o leste.”

Ryo assentiu, mas seu olhar continuou atraído pela moeda na mão esquerda de Abel.

“Ryo, qual o problema com esta moeda?”

“Não, é que é a primeira vez que vejo dinheiro.”

Sim, aquela era a primeira vez que Ryo entrava em contato com dinheiro desde que chegara a 『Phi』.

Como havia reencarnado e vivido isolado o tempo todo, ele não tivera oportunidade ou necessidade de tocar em dinheiro.

“Ah...”

Porém, Abel sentiu pena dele, achando que ele nunca sequer tocara em dinheiro por causa da pobreza.

Ele se lembrou da aparência de Ryo quando se encontraram pela primeira vez, vestindo apenas uma tanga e sandálias, e presumiu erroneamente que ele se vestia daquele jeito devido à miséria.

“Abel, você poderia me mostrar essa moeda por um instante?”

A moeda que Abel entregou a Ryo era a moeda de bronze de menor valor na circulação do reino.

A unidade monetária nos países centrais era o Florim.

O dinheiro era, naturalmente, cunhado por cada país, mas a unidade monetária era a mesma.

Antigamente existiam várias moedas, mas hoje um Florim equivalia a uma moeda de bronze, sendo usado para diversas transações e comércios.

Abel explicou.

(É semelhante ao Ducado, uma unidade monetária amplamente utilizada na Europa medieval e do início da era moderna na Terra.)

Com essa interpretação, Ryo conseguiu aceitar facilmente a explicação de Abel.

A moeda de bronze que Abel lhe deu tinha o perfil de um homem na frente e a escultura de alguma flor no verso.

“Esta é uma moeda de bronze de um Florim do Reino de Knightley, onde eu moro.”

“Knightley! Soa muito maneiro!”

Ryo se lembrou de que havia uma atriz com esse nome na Terra. Ela era de uma beleza estonteante!

A empolgação de Ryo foi às alturas.

“S-sim. E o perfil na moeda de bronze é do atual rei, Stafford IV; a flor de lírio no verso é a flor real.”

“Stafford Knightley... esse com certeza é nome de protagonista, não é?”

“Bem, existem vários nomes do meio e tudo mais...”

O final do murmúrio de Abel nunca chegou aos ouvidos de Ryo.

Um homem terá chuunibyou para sempre.

...Embora pareça um tanto desrespeitoso chamar o nome de Sua Majestade, o Rei, de chuunibyou.

Ryo estava empolgado ao saber que o nome do país onde Abel morava e para onde estavam indo era 『O Reino de Knightley』.

Abel, é claro, ficou feliz por ver outros demonstrarem simpatia pelo seu país, mas era inevitável que seu olhar para Ryo fosse o de quem observa alguém digno de pena.

Ryo caminhava para o leste ao longo do paredão enquanto olhava alegremente para a moeda. Abel andava ao seu lado.

“A propósito, você disse que o Florim é usado nos países centrais, mas o Reino de Knightley é apenas um desses países centrais, não é?”

“Sim, é uma das três grandes potências.”

Abel respondeu, assentindo com a cabeça.

“Três grandes potências... Quais são as outras duas?”

“São o Império Debuhi e a União Handal.”

“Gordo...” [1]

Ryo murmurou, franzindo a testa.

“Hum? Você tem alguma lembrança desagradável do império?”

“Não, é que o nome é simplesmente feio...”

Ryo respondeu, franzindo ainda mais a testa.

“A-ah... vejo que isso é importante quando se trata dos valores do Ryo...”

O olhar de pena de Abel ao encarar Ryo ficou ainda mais evidente agora.

“O nome do país é importante para o povo! Eu não gostaria de dizer que sou um cidadão gordo (Debuhi)... Não me diga... que o nome do imperador tem algo a ver com gordura e que ele tem um corpo rechonchudo...”

Abel balançou a cabeça e respondeu:

“Não, o sobrenome da família imperial é Bornemisza. A família Bornemisza. Sua Majestade, o Imperador Rupert VI, da família Bornemisza do Império Debuhi, tem mais de cinquenta anos, mas não tem uma única gordura em excesso e possui um corpo de aço.”

“Se é assim, por que não mudam o nome do país?!”

Ryo gritou.

Ele não estava gritando por algo baseado apenas em seu senso de estética.

Ele gritava pelos súditos imperiais que carregavam um nome tão lamentável.

Debuhi... Pelo menos façam um anagrama... Não, 『Hidebu』 [2] também seria... não tem outro nome?

[1] - "Debu" significa "gordo" em japonês.

[2] - "Hidebu" é um anagrama de Debuhi e um famoso grito de dor da série "Fist of the North Star" (Hokuto no Ken), comumente associado a capangas corpulentos ao explodirem.

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