
Capítulo 34
Water Magician (WN)
Ryo também olhou ao redor para os Golems de Pedra que tinha esmagado com as Paredes de Gelo, mas as pedras mágicas haviam sido completamente destruídas.
— Esse método foi um fracasso.
Os ombros de Ryo caíram de decepção.
— Não, nós teríamos morrido se você não os tivesse derrotado... para sobrevivermos, você não teve escolha. Para começar, nós nem sabíamos que dava para coletar as pedras mágicas.
— Você tem razão. Para ter sucesso, primeiro é preciso sobreviver, não é?
Ryo se lembrou das palavras de um homem que ganhava mais de centenas de bilhões de ienes por ano e que quebrou o Banco da Inglaterra.
Como um dos três maiores investidores do mundo, era verdade que ele havia sobrevivido.
Então, Ryo acenou em concordância.
— Parece que ainda existem alguns imóveis um pouco mais adiante... o que devemos fazer?
Apenas os Golems de Pedra ao redor daquela área atacaram Ryo e Abel, e um bom número de massas rochosas ainda podia ser visto ao longe, a oeste.
— É... honestamente, eu não quero atrair problemas desnecessários para nós. Além disso, seria difícil para você se seus bolsos ficassem cheios de pedras mágicas desse jeito, não é, Abel?
— Bem, deixando de lado essa história do meu bolso, eu concordo em não mexer em casa de marimbondo. Vamos voltar logo a seguir para o norte.
Ele disse, e os dois começaram a caminhar para o norte.
— Será que o ninho dos Golems de Pedra estava logo acima de nós quando estávamos caminhando ao longo da muralha?
— Provavelmente sim, considerando a posição. Embora eu não saiba o motivo.
— Será que havia algum poder mágico especial emanando do solo... ou foi uma armadilha armada por alguém?
Ryo comentou como um detetive.
— Alguém... acho que não tem ninguém neste lugar.
— Não precisa ser uma pessoa, precisa?
Os olhos de Ryo brilharam.
— Um elfo ou um anão?
— Haa...
Ryo suspirou enquanto olhava de soslaio para Abel e deu de ombros com as mãos levantadas, como se estivesse decepcionado.
— Ei, não olhe para mim como se estivesse olhando para um coitado.
— Se não for uma pessoa, deve ser um Akuma ou algo do tipo.
— Akuma... o que é isso?
— Hã? O quê?
No final da 『Enciclopédia de Monstros: Edição para Iniciantes』, Michael (pseudônimo) adicionou intencionalmente algumas entradas como uma 『Edição Especial』.
Eram o 『Dragão』 e o 『Akuma』.
Como havia sido escrito de propósito, Ryo pensou que fosse conhecimento comum para os humanos que viviam em 『Phi』.
Abel demonstrou ter uma grande bagagem de conhecimento quando explicou sobre as nações centrais.
Pelo menos, Ryo achava que ele era alguém com um conhecimento acima da média entre os habitantes deste mundo de 『Phi』.
No entanto, Abel disse que não sabia o que era um 『Akuma』...
— Abel, você conhece os dragões?
— Claro. Quer dizer, eu nunca vi nenhum, já que são criaturas lendárias, mas sei sobre eles.
Eles eram reais, mas Ryo decidiu não revelar o seu encontro.
Ele sentiu que era melhor não falar sobre isso...
— Então, você nunca ouviu falar de Demônios ou Daemons?
— Já ouvi falar de Demônios. Eles são os adversários de Deus e dos Anjos.
(Entendi. Eles são conhecidos como Demônios?[1])
Contudo, Ryo sentiu uma leve sensação de incongruência.
Sendo assim, por que Michael (pseudônimo) escreveria 『Akuma』 em vez de 『Demônio』?
Além disso, a explicação para Akuma era:
『Não... são anjos caídos. Origem desconhecida.』
(Tem algo estranho nisso. Mas não adianta me preocupar com isso agora.)
— Então, Ryo, você está sugerindo que esses Golems de Pedra foram colocados aqui por um Demônio?
— Não dá para descartar essa possibilidade, dá?
Obviamente, ele fez essa afirmação sem qualquer fundamento.
— A propósito, o Abel acabou de dizer elfo ou anão?
— Sim, eu disse. Embora eu tenha recebido um olhar de deboche de um certo Mago do Atributo Água.
Abel encarou Ryo feio.
— Abel, você não vai ser um bom espadachim se ficar se apegando a esses pequenos detalhes.
— Eu não quero ouvir isso logo de você!
Após sobreviverem a vários combates de vida ou morte, os dois haviam se tornado companheiros.
Isso era algo excelente para parceiros de viagem.
— Bem, de qualquer forma, me conte mais sobre os elfos e os anões.
Ryo priorizou seus próprios interesses sem dar a mínima para os gritos de Abel.
— Que saco... Anões são comumente encontrados nas cidades. Afinal, muitos deles são ótimos ferreiros. Cerca de um terço dos bons ferreiros são anões. Além disso, eles são excelentes aventureiros. Como têm braços fortes, costumam assumir a função de vanguarda.
— Entendi. É exatamente o que eu imaginava.
— Que tipo de imagem você tem na cabeça?... Quanto aos elfos, há um número extremamente reduzido deles. Você raramente os verá mesmo nas cidades. Até mesmo na Cidade de Rune, onde eu fico, há apenas um aventureiro que é elfo, e talvez seja o único em toda a cidade. A maioria forma vilas nas florestas e raramente sai de lá. No Reino de Knightley, eles vivem em uma aldeia na floresta a oeste do reino.
— Entendi. É exatamente o que eu imaginava também.
— Como eu perguntei, que tipo de imagem é essa?!
Abel estava meio irritado e meio incomodado.
Depois de passarem pelo ninho dos Golems de Pedra, os dois caminharam bastante.
Eles queriam se afastar do ninho perigoso o mais rápido possível e, como se tratava de um campo aberto em vez de uma floresta, conseguiram acelerar o passo naturalmente.
Quando o sol começou a se pôr, eles chegaram a um rio.
— Vamos acampar por aqui hoje.
— Certo. Então o jantar vai ser peixe de rio grelhado no sal.
— Oh, isso parece ótimo. Então eu vou conseguir os peixes.
Normalmente Ryo, o Mago, caçava Coelhos Menores e coisas do tipo, mas hoje Abel se ofereceu para cuidar da caça.
— Tem certeza?
— Ei, não olhe para mim com essa cara de tanta dúvida. Geralmente, era eu quem conseguia os peixes quando trabalhava com meus companheiros.
— Tudo bem, então vou deixar com você, Abel. Eu vou recolher alguns galhos secos.
Assim, Ryo saiu para juntar lenha e Abel se dirigiu ao rio.
— Que saco... Eu sou bom em conseguir peixe.
Resmungando, Abel tirou as botas, dobrou a barra das calças e sacou a espada da cintura.
Então, ele entrou no rio até a água atingir seus joelhos.
Ele entrou na água e esperou em silêncio por algo.
Poucos segundos depois.
Ele golpeou com sua espada no rio.
Um peixe foi magnificamente atravessado pela ponta da espada que ele puxou para cima.
— Muito bem.
Abel continuou a providenciar o jantar da mesma forma.
Peixe grelhado depois de tanto tempo.
Era algo simples, temperado apenas com sal, mas estava delicioso.
Tanto Ryo quanto Abel adoravam carne, mas...
— De vez em quando, peixe é bom. Está uma delícia.
— Isso é porque você conseguiu obter os ingredientes direitinho, Abel. Eu te subestimei.
Disse Ryo, curvando a cabeça.
— Não, bem, contanto que você entenda, está tudo bem.
Abel ficou um pouco sem jeito.
— Peixe de rio é ótimo, afinal de contas. Comparado ao mar, o mar...
— Hum? Você estava na praia quando me ajudou. Você odeia o mar?
— Sim, quase fui morto há muito tempo...
— Um Mago do Atributo Água do calibre do Ryo quase morreu... por causa de quê?
— O Kraken.
Ao dizer isso, Ryo jurou firmemente derrotá-lo um dia, o Kraken.
— Hã? O Ryo também foi atacado pelo Kraken? Mas não tinha nenhum navio... Ah, ele foi destruído pelo Kraken naquela época?
— Não, eu perdi em um combate mano a mano contra o Kraken no mar.
— É, eu já não estou entendendo mais nada do que você está falando.
— É claro que eu não lutei porque quis, sabe? Há certas batalhas que um homem simplesmente não pode evitar, e aquela foi uma delas.
Ao dizer isso, Ryo assentiu como se tivesse tido uma excelente ideia.
— Fui derrotado porque estava sozinho naquela época, mas agora que tenho você, Abel, nós com certeza conseguiremos vencer o Kraken! Quando chegarmos ao mar, vamos lutar contra o Kraken, debaixo d'água! Será a nossa revanche!
— Ah, sim, Ryo, dê o seu melhor, porque eu vou ficar torcendo em terra firme! Deixe a torcida comigo, eu sou muito bom nisso, apesar das aparências!
— Você me abandonou... que terrível...
— Mas é claro!
Assim, a noite avançou sobre o subcontinente de Rondo.
[1] - Nota do Tradutor: O autor faz uma distinção neste mundo entre "Akuma" e "Demônio" (Devil).