
Capítulo 594
Water Magician (WN)
"Falhei."
Após o Imperador Tsuin partir, Ryo murmurou essas palavras.
Abel notou e perguntou:
"O que foi? Você disse algo desnecessário ao imperador?"
"Não, não é isso. Se eu soubesse que chegaria a este ponto, deveria ter trazido o 'Sopro da Panaceia: Tipo de Difusão de Longo Alcance – Misericórdia da Deusa'."
"Sim, claro, como se você pudesse."
O 'Tipo de Difusão de Longo Alcance – Misericórdia da Deusa' era uma ferramenta de alquimia desenvolvida por Ryo e pelo Visconde Kenneth Hayward. Ela espalha um feitiço de cura por todo um campo de batalha.
Mais do que uma ferramenta, é praticamente um aparelho completo em termos de tamanho.
"De qualquer forma, fomos pegos pela magia do djinn e arremessados para longe em um instante... E, além disso, aquela coisa é enorme."
Tem o tamanho de uma carruagem completa dos Países Centrais.
"Então, o segredo é a miniaturização. Algo que caiba na palma da mão..."
"De tamanho de carruagem para o tamanho da palma da mão? Isso é um pouco extremo."
Abel não levou os resmungos de Ryo nem um pouco a sério.
É claro que os resmungos de Ryo também não eram particularmente sérios.
"Bem, de qualquer modo, nosso trabalho é apoiar o Príncipe Ryun... Sua Majestade nos chamou de 'conselheiros', certo? Já que estamos nos Países Orientais, isso significa—"
"Significa?"
"Um estrategista militar!"
"...Um o quê agora?"
Ryo levantou-se entusiasmado, mas Abel nunca tinha ouvido falar de um *gunshi* [1].
Ryo virou-se para ele, visivelmente chocado.
"Por que essa cara? Eu só não conheço a palavra."
"Então estrategistas... não existem nos Países Centrais? Digo... nem como profissão ou mesmo como conceito?"
"Nunca ouvi falar."
Abel inclinou a cabeça.
Se até o rei nunca ouviu falar, então o cargo realmente não deve existir.
"É alguém que não luta nas linhas de frente, mas aconselha o comandante e pode até ter autoridade para movimentar tropas. Como um funcionário civil... mas em batalha."
"Um funcionário civil em batalha? Soa estranho... Acho que o mais próximo que temos é o velho Ilarion?"
"Ilarion-sama... é diferente, eu acho."
Ilarion Baraha estava sempre ao lado de Abel, usando magia para transmitir ordens ao exército. Ele era indispensável.
Mas ele não era o que Ryo imaginava ser um estrategista.
Para Ryo, um estrategista era alguém como Zhuge Liang ou Sima Yi de *O Romance dos Três Reinos*.
Ou talvez Zhou Yu ou Lu Xun...
Ele se lembrou do jogo de estratégia *Sukoku-shi* que costumava jogar obsessivamente...
"Certo, certo — Cao Cao era forte demais e bom em tudo... Eu gostava dele, no entanto. Liu Bei era fraco, mas isso o tornava simpático. Sun Quan... Eu nunca o entendi direito."
"Sim, Ryo, eu não faço ideia do que você está falando."
Ryo falou apaixonadamente sobre os Três Reinos, mas não fez sentido algum para Abel.
Então, Ryo teve uma ideia.
"Abel, preciso de um chapéu e de um leque de penas!"
"Hã?"
"Um estrategista deve usar um chapéu grande, como um bolo enrolado, e carregar um leque de penas brancas!"
"Entendo o chapéu, mas o que é um leque de penas?"
"Um leque feito juntando várias penas! Ou talvez mais como um leque plano?"
"Um leque? Um leque plano?"
Aparentemente, não existem leques ou leques planos nos Países Centrais.
Pensando bem, Ryo não conseguia se lembrar de ter visto nenhum.
"Abel, vamos comprar um na cidade agora mesmo."
Ryo talvez seja do tipo que precisa começar pelas aparências...
Enquanto isso, na residência do Príncipe Ryun, ao lado.
"Uma carta acabou de chegar..."
O auxiliar de maior confiança de Ryun, o Grande Camareiro Lin Shun, trouxe uma única folha de papel.
"Hum?"
Ryun abriu a carta e a leu.
Surpreso com o conteúdo, ele leu novamente.
"Isto... certamente possui o selo de Sua Majestade..."
Era raro o Imperador Tsuin enviar uma carta em uma única folha de papel.
"Foi entregue pessoalmente pelo Comandante Tin, do Exército Proibido. Muito provavelmente, ele acabara de visitar a residência do Duque Rondo."
"Entendo."
A carta pedia ao Duque Rondo para acompanhar as forças de supressão destinadas à região de Moason.
"Isso significa... que o comando será dado ao Duque Rondo?"
"Impossível... será que Sua Majestade não confia no Príncipe Ryun?"
"Isso e a questão com o Exército Proibido — talvez seja obra dos príncipes imperiais?"
"Chega."
Ryun cortou as especulações de seus subordinados com uma única palavra.
"Sua Majestade deve ter suas próprias razões. No mínimo, a carta não nos instruiu a interromper nossos preparativos. Não deem importância ao Duque Rondo. Continuem como planejado."
"Sim, senhor."
Isso foi tudo o que Ryun disse em voz alta.
Mas ele entendeu.
Ele entendeu o raciocínio do Imperador Tsuin.
Talvez porque tivesse visto a muralha de gelo que os protegera durante o ataque ao palácio.
"Para me proteger... caso algo aconteça."
Ele balançou a cabeça levemente e murmurou:
"Devo me preparar para que tal caso nunca aconteça."
Ryo e Abel foram à cidade em busca de um leque de penas e um chapéu.
Mas então encontraram algo muito mais inesperado.
"Hã? Banhu?"
"Eh? Oh, Ryo-sama, Abel-sama — faz tempo!"
Eles encontraram Banhu, o filho mais novo da Companhia Comercial Jade Azul, do Principado de Komakyuta.
"O que você está fazendo aqui, Banhu? Não me diga... você está abrindo uma filial da Jade Azul na capital imperial?"
"Não, Ryo-sama, isso seria impossível. Este lugar é muito longe da nossa terra natal. Fazer negócios consistentes aqui seria bem difícil."
"Sim... perguntar sobre uma filial logo de cara é uma coisa, mas responder tão francamente também é... bem."
Abel murmurou sobre a troca deles.
"Abel, com essa mentalidade, você nunca será um bom comerciante!"
"Eu não estava planejando me tornar um..."
"Se sua carreira atual der errado, você terá que sobreviver como um comerciante! Você deveria estar treinando seus instintos empreendedores enquanto é jovem."
"Uh... é assim que funciona...?"
Abel inclinou a cabeça. Ele não tinha absolutamente nenhuma intenção de se tornar um comerciante.
"Na verdade, fui enviado aqui como enviado diplomático para o casamento do Sexto Príncipe de Darwei."
"Do seu país? Então grandes companhias comerciais recebem essas missões?"
Banhu explicou como chegou a Darwei e o que estava fazendo lá.
"Eu nunca imaginei que Kabui Somal, o Lorde Protetor do Reino de Suje, também estaria aqui."
"Isso é bem longe. O país deles está bem...?"
"Sim. Desde que a Rainha Iliaja ascendeu ao trono, Suje tem se recuperado rapidamente em todos os campos."
Ao ouvir isso, o rosto de Banhu iluminou-se como se estivesse lembrando de algo.
"Pensando bem, o livro 'Abel, o Espadachim Faminto' — não foi escrito por Ryo-sama, com Abel-sama como personagem principal?"
"Sim, é isso mesmo."
"Até as pessoas nos países vizinhos sabem sobre ele..."
Banhu perguntou, Ryo respondeu orgulhosamente e Abel murmurou, balançando a cabeça.
"Oh, sim. Dizem que é o livro mais popular na história de Suje. Espalhou-se como a leitura favorita da Rainha Iliaja."
"Uau!"
"Você só pode estar brincando..."
Era mais popular do que o esperado.
"Essa foi a minha obra-prima. Quero que o maior número possível de pessoas o leia."
Ryo disse, honestamente, como o autor.
"Na verdade, nossa companhia comercial está atualmente negociando para publicá-lo no Principado de Komakyuta também..."
"O quê?!"
"Fala sério..."
"Claro, eu mesmo li. É muito divertido..."
Enquanto Banhu compartilhava suas impressões, Ryo assentia feliz.
Abel, enquanto isso, ouvia com a boca entreaberta.
"Como esperado de Banhu! Você ouviu isso, Abel? Você deveria ler também!"
"Digo, pode ser bom, mas... é constrangedor quando sou eu o protagonista..."
"Não se preocupe. Não é como se eu tivesse escrito você como um espadachim faminto e preguiçoso ou algo do tipo. Você é retratado de uma forma que inspira admiração... bem, talvez metade... ou dez por cento... ou tipo, cinco pessoas poderiam admirar você..."
"Que tipo de retrato é esse..."
Abel ficou cada vez mais preocupado com a forma como era retratado.
Ele decidiu que leria secretamente algum dia.
"A propósito, mais cedo vocês dois pareciam estar procurando por algo?"
Banhu lembrou de como eles pareciam quando se encontraram.
"Certo! Estamos procurando um leque branco — um leque de penas brancas, ou leque plano. Algo que possa balançar e criar uma brisa."
"Entendo. Na verdade, acho que passei por uma loja especializada em ferramentas para fazer vento mais cedo."
"Onde é?!"
Ryo imediatamente animou-se com as palavras de Banhu.
"Eu guiarei vocês."
Com isso, Banhu tomou a frente e começou a andar.
[1] - *Gunshi*: Termo japonês para estrategista militar ou conselheiro tático, frequentemente associado a figuras históricas que planejavam campanhas em vez de lutar na linha de frente.