Water Magician (WN)

Capítulo 583

Water Magician (WN)

"Eu falhei."

Depois que o Imperador Tsuin saiu, Ryo murmurou essas palavras.

Abel percebeu e perguntou:

"O que há de errado? Você disse algo desnecessário ao imperador?"

"Não, não é isso. Se eu soubesse que chegaria a esse ponto, deveria ter trazido o 'Sopro da Panaceia: Tipo de Difusão de Longo Alcance – Misericórdia da Deusa'."

"Sim, até parece que você conseguiria."

O 'Tipo de Difusão de Longo Alcance – Misericórdia da Deusa' era uma ferramenta alquímica desenvolvida por Ryo e pelo Visconde Kenneth Hayward. Ela espalha um feitiço de cura por todo um campo de batalha.

Mais do que uma ferramenta, é praticamente um aparato completo em termos de tamanho.

"Nós fomos pegos pela magia do djinn e arremessados para algum lugar num instante, de qualquer forma... E, além disso, aquela coisa é enorme."

Tem o tamanho de uma carruagem completa dos Países Centrais.

"Então, o segredo é a miniaturização. Algo que caiba na palma da mão..."

"De tamanho de carruagem para o tamanho da palma da mão? Isso é um pouco extremo."

Abel não levou os murmúrios de Ryo nem um pouco a sério.

Claro, os murmúrios de Ryo também não eram particularmente sérios.

"Bem, de qualquer forma, nosso trabalho é apoiar o Príncipe Ryun... Sua Majestade nos chamou de 'conselheiros', certo? Já que estamos nos Países Orientais, isso significa..."

"Significa?"

"Um estrategista militar!"

"...Um o quê agora?"

Ryo levantou-se empolgado, mas Abel nunca tinha ouvido falar de um gunshi[1].

Ryo virou-se para ele, visivelmente chocado.

"Por que essa cara? Eu só não conheço a palavra."

"Então estrategistas... não existem nos Países Centrais? Digo... não como uma profissão ou mesmo um conceito?"

"Nunca ouvi falar."

Abel inclinou a cabeça.

Se nem o rei ouviu falar disso, então o papel realmente não deve existir.

"É alguém que não luta na linha de frente, mas aconselha o comandante e pode até ter autoridade para movimentar tropas. Como um oficial civil... mas em batalha."

"Um oficial civil em batalha? Isso soa estranho... Acho que o mais próximo que temos é o velho Ilarion?"

"Ilarion-sama... é diferente, eu acho."

Ilarion Baraha estava sempre ao lado de Abel, usando magia para transmitir ordens ao exército. Ele era indispensável.

Mas ele não era o que Ryo imaginava ser um estrategista.

Para Ryo, um estrategista era alguém como Zhuge Liang ou Sima Yi de O Romance dos Três Reinos.

Ou talvez Zhou Yu ou Lu Xun...

Ele se lembrou do jogo de estratégia Sukoku-shi que costumava jogar obsessivamente...

"Certo, certo — Cao Cao era forte demais e bom em tudo... Eu gostava dele, no entanto. Liu Bei era fraco, mas isso o tornava compreensível. Sun Quan... Eu nunca entendi muito bem ele."

"Sim, Ryo, eu não faço ideia do que você está falando."

Ryo falou apaixonadamente sobre os Três Reinos, mas a conversa passou longe de Abel.

Então Ryo teve uma ideia.

"Abel, eu preciso de um chapéu e de um leque de penas!"

"Hã?"

"Um estrategista precisa usar um chapéu grande, como um rocambole, e carregar um leque de penas brancas!"

"Entendi o chapéu, mas o que é um leque de penas?"

"Um leque feito agrupando várias penas! Ou talvez mais como um leque plano?"

"Um leque? Um leque plano?"

Aparentemente, não existem leques ou leques planos nos Países Centrais.

Pensando bem, Ryo não conseguia se lembrar de ter visto nenhum.

"Abel, vamos comprar um na cidade agora mesmo."

Ryo pode ser do tipo que precisa começar pelas aparências...


Enquanto isso, na residência do Príncipe Ryun ao lado.

"Uma carta acabou de chegar..."

O assessor de maior confiança de Ryun, o Grande Camareiro Lin Shun, trouxe uma única folha de papel.

"Hm?"

Ryun abriu a carta e a leu.

Surpreso com o conteúdo, ele a leu novamente.

"Isto... certamente ostenta o selo de Sua Majestade..."

Era raro o Imperador Tsuin enviar uma carta em uma única folha de papel.

"Foi entregue pessoalmente pelo Comandante Tin do Exército Proibido. Muito provavelmente, ele tinha acabado de visitar a residência do Duque Rondo."

"Entendo."

A carta solicitava que o Duque Rondo acompanhasse as forças de supressão que se dirigiam para a região de Moason.

"Isso significa... que o comando será dado ao Duque Rondo?"

"Impossível... Sua Majestade não confia no Príncipe Ryun?"

"Isso e o assunto com o Exército Proibido — talvez seja obra dos príncipes imperiais?"

"Chega."

Ryun cortou as especulações de seus subordinados com uma única palavra.

"Sua Majestade deve ter suas próprias razões. No mínimo, a carta não nos instruiu a interromper nossos preparativos. Não deem atenção ao Duque Rondo. Continuem como planejado."

"Sim, senhor."

Foi tudo o que Ryun disse em voz alta.

Mas ele entendeu.

Ele entendeu o raciocínio do Imperador Tsuin.

Talvez porque tivesse visto a parede de gelo que os protegeu durante o ataque ao palácio.

"Para me proteger... caso algo aconteça."

Ele balançou a cabeça levemente e murmurou.

"Devo me preparar para que tal caso nunca ocorra."

Ryo e Abel foram à cidade em busca de um leque de penas e um chapéu.

Mas, então, encontraram algo muito mais inesperado.

"Hã? Banhu?"

"Eh? Oh, Ryo-sama, Abel-sama — faz tempo!"

Eles encontraram Banhu, o filho mais novo da Companhia Comercial Jade Azul, do Principado de Komakyuta.

"O que você está fazendo aqui, Banhu? Não me diga... você está abrindo uma filial da Jade Azul na capital imperial?"

"Não, Ryo-sama, isso seria impossível. Este lugar é muito longe da nossa terra natal. Fazer negócios consistentes aqui seria bem difícil."

"Sim... perguntar sobre uma filial logo de cara é uma coisa, mas responder tão francamente também é... bem."

Abel murmurou sobre a troca deles.

"Abel, com essa mentalidade, você nunca será um bom comerciante!"

"Eu não estava planejando me tornar um..."

"Se sua carreira atual desmoronar, você terá que sobreviver como comerciante! Você deveria treinar seus instintos empreendedores enquanto é jovem."

"Uh... é assim que funciona...?"

Abel inclinou a cabeça. Ele não tinha absolutamente nenhuma intenção de se tornar um comerciante.

"Na verdade, fui enviado aqui como enviado diplomático para o casamento do Sexto Príncipe de Darwei."

"Do seu país? Então grandes companhias comerciais recebem essas atribuições?"

Banhu explicou como foi parar em Darwei e o que estava fazendo lá.

"Eu nunca imaginei que Kabui Somal, o Lorde Protetor do Reino de Suje, estaria aqui também."

"Isso é bem longe. O país deles está bem...?"

"Sim. Desde que a Rainha Iliaja subiu ao trono, Suje tem se recuperado rapidamente em todos os campos."

Nesse momento, o rosto de Banhu se iluminou como se lembrasse de algo.

"Pensando bem, o livro 'Abel, o Espadachim Faminto' — não foi escrito por Ryo-sama, com Abel-sama como personagem principal?"

"Sim, é isso mesmo."

"Até as pessoas nos países vizinhos sabem sobre ele..."

Banhu perguntou, Ryo respondeu orgulhosamente, e Abel murmurou, balançando a cabeça.

"Oh sim. Dizem que é o livro mais popular da história de Suje. Ele se espalhou como a leitura favorita da Rainha Iliaja."

"Uau!"

"Você deve estar brincando..."

Era mais popular do que o esperado.

"Essa foi minha obra-prima. Quero que o maior número possível de pessoas o leia."

Ryo disse, honestamente, como o autor.

"Na verdade, nossa companhia comercial está negociando atualmente para publicá-lo no Principado de Komakyuta também..."

"O quê?!"

"Qual é..."

"Claro, eu mesmo li. É muito divertido..."

Enquanto Banhu compartilhava suas impressões, Ryo assentiu feliz.

Abel, enquanto isso, ouvia com a boca entreaberta.

"Como esperado do Banhu! Ouviu isso, Abel? Você deveria ler também!"

"Quer dizer, pode ser bom, mas... é constrangedor quando eu sou o protagonista..."

"Não se preocupe. Não é como se eu tivesse escrito você como um espadachim preguiçoso e constantemente faminto ou algo do tipo. Você é retratado de uma forma que inspira admiração... bem, talvez metade... ou dez por cento... ou, tipo, cinco pessoas possam te admirar..."

"Que tipo de retrato é esse..."

Abel ficou cada vez mais preocupado com a forma como era retratado.

Ele decidiu que leria secretamente algum dia.

"A propósito, mais cedo vocês dois pareciam estar procurando por algo?"

Banhu lembrou-se da aparência deles quando se encontraram.

"Certo! Estamos procurando por um leque branco — um leque de penas brancas, ou um leque plano. Algo que possa balançar e enviar uma brisa."

"Entendo. Na verdade, acho que passei por uma loja especializada em ferramentas para fazer vento mais cedo."

"Onde fica?!"

Ryo imediatamente se animou com as palavras de Banhu.

"Eu os guiarei."

Com isso, Banhu tomou a frente e começou a andar.

[1] - *Gunshi*: Termo japonês para um estrategista militar ou conselheiro tático que auxilia um senhor feudal em campanhas militares.

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