
Capítulo 471
Water Magician (WN)
Editor: Tseirp
Enquanto uma batalha feroz se desenrolava entre um espadachim e um mago no 'Sogyokutei', um conflito igualmente intenso acontecia na grande sala de conferências da repartição pública de Manyamya.
"Já reportamos à capital e estamos aguardando uma resposta. Por favor, esperem mais um pouco na estalagem."
"Entendo que leva tempo para decidirem sobre o nosso tratamento. No entanto, não somos criminosos. O que quer dizer com não sair da estalagem!"
"Dada a situação atual, pedimos a sua cooperação para garantir a sua segurança."
"Eu não posso aceitar isso!"
O Chefe Administrativo Remengesas abaixou a cabeça enquanto explicava. Um senhor idoso estava furioso.
"Ronk, já chega."
"Mas, Princesa..."
"O povo de Manyamya está fazendo o seu melhor. Chefe Remengesas, Ronk está agindo por preocupação comigo. Por favor, não leve a mal."
"Não, suas palavras são gentis demais..."
O senhor idoso chamado Ronk foi acalmado pela Princesa Iliaja, a sexta princesa, enquanto o Chefe Remengesas permanecia com a cabeça baixa.
Dois dias haviam se passado desde que o navio real do Reino de Suje caiu na cidade de Manyamya.
Durante esse período, houve apenas uma mensagem da capital do Principado de Komakyuta, instruindo-os a 'entreter os refugiados até que uma decisão fosse tomada'.
O Chefe Remengesas realmente desejava que eles apressassem o processo.
Logicamente, não deveria haver outra opção além de 'transferi-los para a capital'.
Será que o atraso se deve ao pedido para 'enviar um navio que possa transportar os cem solicitantes de asilo'?
É possível.
No entanto, esse pedido precisava ser feito, pois o governo de Manyamya não possuía um navio daquele porte.
Ainda assim, a resposta era lenta...
Eles tinham cem solicitantes de asilo.
Além disso, provavelmente incluíam o único membro sobrevivente da antiga família real, a princesa...
Quanto mais tempo levava, mais imprevisível se tornava a situação em torno da princesa.
O Primeiro Almirante Kabui Somal, que liderou a rebelião, é conhecido pelos países vizinhos como um indivíduo sagaz.
Por causa disso, ele deveria entender a necessidade e o método para lidar com a situação antes que problemas surgissem...
Não seria de se estranhar se ele decidisse que a melhor opção era eliminar o membro sobrevivente da antiga família real o mais rápido possível e agisse de acordo.
Kabui Somal é astuto e nunca é condescendente.
São suas decisões implacáveis que o tornam perspicaz.
Por isso, o Chefe Remengesas pensava:
"Quero que os solicitantes de asilo deixem a cidade o mais rápido possível."
No entanto, nenhum erro poderia ocorrer enquanto eles estivessem na cidade.
Se, por acaso, um assassinato ou sequestro acontecesse enquanto estivessem ali... seria, sem dúvida, sua responsabilidade.
Portanto, a área ao redor da 'Estalagem Lovely Fountain' foi fortificada com uma guarda de trezentos homens.
Essa era quase a totalidade da força de reserva da cidade.
Tendo terminado a reunião com a princesa e os outros, o Chefe Remengesas retornou ao seu escritório.
Esperando por ele, havia uma instrução vinda da capital.
Ele leu imediatamente.
"O que raios... o pessoal na capital está pensando..."
As palavras foram sussurradas em um tom muito baixo, realmente muito baixo.
O assistente-chefe Nij, ouvindo ao lado dele, também encolheu o pescoço involuntariamente.
No entanto, ele permaneceu em silêncio.
Ele entendia os sentimentos de Remengesas.
E, às vezes, ele se perguntava:
Por que as instruções ou decisões da capital são, frequentemente, tão desconectadas da situação real?
Ele mesmo provavelmente estaria servindo como funcionário do governo na capital em dez anos, trabalhando em nível nacional.
Em outras palavras, aqueles que emitiam essas instruções agora eram superiores de Nij e deveriam ser indivíduos competentes.
Ainda assim, por que...
Entretanto, Nij balançou a cabeça levemente para afastar os pensamentos desnecessários.
Agora, ele precisava focar no problema em questão.
"Transferir os solicitantes de asilo para a capital... o método fica a nosso cargo..."
"Sim..."
O Chefe Remengesas leu as instruções da capital mais uma vez. Lentamente, muito lentamente.
Nij, compreendendo os sentimentos de Remengesas, assentiu com uma careta.
"Você disse a eles... que não existe nenhum navio em Manyamya que possa transportar cem pessoas... incluindo a princesa, certo...?"
"Sim. Confirmei essa parte, mas insistiram que nós resolvêssemos."
O Chefe Remengesas perguntou amargamente, e Nij respondeu com uma voz pesada.
"Eles esperam que a gente os divida em grupos e os envie em navios diferentes? Não há como eles aceitarem isso... são pessoas que fugiram da rebelião. Se você disser a eles para embarcarem em navios separados da princesa, seremos dominados. Metade dos cem são militares, incluindo os guardas da princesa. Eles jogaram tudo para o alto por causa do asilo dela. Essas pessoas não vão embarcar em navios separados. O pessoal na capital só vê números, por isso tomam decisões assim. Eles deveriam vir a campo."
"Exatamente..."
A voz de Remengesas estava calma devido à sua extrema raiva.
Nij assentiu vigorosamente na parte sobre "só ver números".
Não se deve esquecer que, por trás dos números, existe sempre a realidade da situação.
E que as pessoas têm sentimentos.
Como os sentimentos humanos não aparecem em números, aqueles que lidam com números devem ser capazes de imaginar a realidade a partir deles.
Burocratas e executivos são os que mais precisam dessa habilidade... mas quantos deles estão realmente cientes disso...?
Eles costumavam ser capazes de fazer isso.
Mesmo que não perfeitamente, eles se esforçavam para entender.
Mas, em algum momento, perderam essa capacidade.
Perder a capacidade de fazer o que antes conseguiam... seria devido ao envelhecimento?
Não, é mera preguiça.
É uma consequência de deixar de ser consciente e de se esforçar continuamente.
"Para acomodar cem solicitantes de asilo... além da tripulação. Além disso, para contê-los e, se necessário, protegê-los, fuzileiros também precisam estar a bordo. Mesmo que acomodemos o mesmo número, são duzentas pessoas. Duzentas pessoas além da tripulação. Um navio assim... não existe no governo. Resolver no local? Algumas coisas podem ser feitas e outras não... por que eles não entendem isso? E apesar de sermos explícitos, eles se recusam a entender..."
As palavras do Chefe Remengesas estavam cheias de angústia, e o assistente-chefe Nij assentia a cada ponto.
No dia seguinte.
Como esperado, a persuasão do Chefe Remengesas e do assistente-chefe Nij falhou.
O camareiro Ronk, da Princesa Iliaja, a sexta princesa, recusou firmemente aceitar a viagem em navios separados.
Não foi apenas ele; foram todos, incluindo a Princesa Iliaja e os guardas reais em pé atrás de Ronk, que ouviram em silêncio...
Tanto Remengesas quanto Nij podiam compreender profundamente os sentimentos deles.
No entanto, a realidade era que não havia nenhum navio disponível.
A reunião foi encerrada sem nenhuma decisão.
"Chefe, no fim das contas, a única opção é..."
"...Nij, não diga isso tão facilmente."
Nij falou, e Remengesas respondeu com um olhar de angústia.
Claro, Remengesas entendia que Nij não estava falando levianamente.
Nij estava urgindo uma decisão, plenamente consciente dos problemas que a solução poderia causar.
Mas isso era puramente como assistente-chefe do governo.
Nij não era alguém nascido e criado em Manyamya, com filhos vivendo na cidade...
A medida que eles talvez tivessem que tomar poderia, em um sentido exagerado, causar problemas para gerações futuras.
Uma medida como essa.
"Será que ainda é inevitável...?"
Depois de balançar a cabeça várias vezes, Remengesas finalmente tomou uma decisão.
"Nij, contate a Companhia Comercial Sogyoku[1]."
[1] - Sogyoku: Tradução literal de "Jade Azul" ou "Safira".