
Capítulo 370
Water Magician (WN)
Editor: Tseirp
No dia seguinte, Ryo estava no Palácio Papal novamente.
"Sir Graham, vim entregar o relatório de hoje."
"Uh... Ryo-san, não me recordo de termos combinado algo assim..."
É verdade, não havia combinação alguma.
Certamente, documentos entram e saem e negociações ocorrem todos os dias entre a Missão e os representantes do Papado... mas esse é o trabalho dos funcionários civis encarregados das questões práticas das negociações.
Nunca foi trabalho de aventureiros escoltas.
"Como o ir e vir pode ser muito perigoso, decidiu-se que seria melhor para os aventureiros escoltas cuidarem da entrega dos documentos."
Ah, claro.
O alojamento da Missão e o Palácio Papal ficavam literalmente um ao lado do outro.
Apenas do outro lado de uma rua larga.
Também ficava nas proximidades do Palácio Papal, que era o lugar mais seguro da Teocracia... não havia como esse trajeto ser perigoso!
Mas Ryo tinha conquistado esse trabalho convencendo não apenas o Comandante Hugh McGrath, mas também o Chefe de Negociações, Ignis.
Embora o termo 'conquistado' estivesse aberto a várias interpretações...
A razão pela qual Ryo criou esse trabalho e assumiu o papel foi para entrar no Palácio Papal todos os dias.
Quanto ao motivo principal... ele não conseguia parar de pensar em Neil Andersen, a quem viu ontem.
Naturalmente, ele não podia sair do caminho que levava ao escritório de Graham com um monge escoltando-o desde os portões do Palácio Papal... ainda assim, ele não conseguia conter sua curiosidade.
Claro, essa não foi uma oferta ruim para Ignis, o principal negociador responsável por todas as negociações da delegação.
De fato, os funcionários civis tinham muitas tarefas complicadas.
Entre elas estava a tarefa árdua de submeter documentos às partes negociadoras... na verdade.
Em vez de dedicar funcionários civis valiosos para levá-los, se um dos aventureiros escoltas extras assumisse o papel, seria excelente.
Então, quando Ryo sugeriu a ideia, ele aceitou a proposta sem pensar duas vezes.
Hugh, por outro lado, estava relutante.
"Ryo, por favor, não cause nenhum problema, está bem?"
O número de vezes que ele disse essas palavras...
"Claro. Já me viu causar algum problema?"
Ryo respondia assim toda vez.
Na verdade, por algum motivo, Ryo tem fama de se meter em encrencas, mas ele nunca causou um problema que realmente trouxesse grandes inconvenientes aos outros... até agora... provavelmente... talvez...
E, ainda assim, sua reputação o precedia...
Reputação é importante.
"Hahaa... entendo."
O Cardeal Graham assentiu quando Ryo contou o que tinha acontecido.
Quanto a Graham, ele não se importava que Ryo viesse todos os dias entregar os documentos.
Ryo os trazia em nome de um dos funcionários civis que os traria de qualquer maneira.
Apenas mudou de quase todos os dias para todos os dias...
"Bem, tudo bem. Informarei todas as autoridades relevantes. Como é dentro do Palácio Papal, você não poderá circular livremente, mas receberá menos olhares estranhos."
"Obrigado."
Graham assentiu e disse isso, e Ryo baixou a cabeça em agradecimento.
"Ouvi falar de Neil Andersen. Ele é um alquimista famoso, afinal. Ele ficou na República de Mafalda por muito tempo. Pelo que me lembro, a Teocracia tentou convidá-lo várias vezes antes, mas... ele sempre recusava. Agora, se essa pessoa está no Papado, então é certamente um motivo de preocupação."
O Cardeal Graham olhou para baixo como se estivesse pensando em algo.
"A questão é... será Adolfito, Camilo ou Sacharias quem está puxando as cordas nos bastidores? Ou alguém mais."
O resmungo de Graham nem foi ouvido por Ryo.
A partir do dia seguinte, boatos começaram a circular aos poucos dentro do Palácio Papal.
Um aventureiro com aparência de mago, vestindo túnicas da Missão Central, aparece toda manhã às nove horas.
Quando há poucos documentos, ele vem com eles em sua bolsa de ombro.
O que é aceitável.
Mas, às vezes, ele traz grandes quantidades de documentos.
Quantidades que normalmente exigiriam um grande número de pessoas.
Mesmo nessas ocasiões, o aventureiro vem sozinho.
Acompanhado pelo que parece ser uma carroça transparente, ou vagão atrás dele...
A visão em si parecia muito estranha.
O vagão pode ter sido gerado por magia, mas ninguém nunca tinha ouvido falar de tal feitiço...
Mas o verdadeiro choque atingiu os monges depois que eles passavam.
Existem muitas escadas no Palácio Papal.
Eles se perguntavam como esses vagões conseguiam navegar pelas muitas escadas do Palácio Papal...
E da próxima vez que encontrassem o aventureiro e seus vagões, ficariam de olho para ver o que faziam nos locais das escadas.
No momento em que os vagões subiam as escadas, desta vez, eles ficaram maravilhados ao ver a escadaria ser congelada e transformada em uma rampa.
Metade deles ficou impressionada, dizendo: "Ah, faz sentido", e a outra metade ficou pasma como: "Uau, inacreditável".
Há muito acreditava-se que o nível de magia nos Países Centrais fosse geralmente menor do que o dos Países Ocidentais...
O que é geralmente verdade.
Graças a um certo Verdadeiro Ancestral dos Vampiros que passou a maior parte de um século para que fosse assim.
Claro, isso expandiu o escopo das aplicações mágicas.
No entanto, as ações do aventureiro desta Missão estavam mudando percepções, pelo menos entre os monges do Palácio Papal.
A magia dos Países Centrais não deve ser subestimada.
Embora, pouco a pouco.
Já fazia dez dias desde que o Monge Karle começou a guiar o aventureiro com aparência de mago que trazia documentos da delegação.
Karle, para quem é seu[1] prazer supremo cuidar dos assuntos pessoais do estimado e respeitado Cardeal Graham, achou a tarefa de ter que ir aonde sua voz não podia ser ouvida, nem por um momento, uma tarefa triste no início.
No entanto, depois de ser informado de que "Sir Ryo foi de grande ajuda para mim quando fui aos Países Centrais com Roman e os outros", ele tem tentado fazer o seu melhor para servi-lo sinceramente.
De fato, esse aventureiro chamado 'Ryo' era incomum desde o início.
Especialmente a magia que ele chama de <Vagão>.
Claro, um golem seria a primeira coisa que viria à mente ao falar sobre o ajudante de um mago.
E um golem seguiria sobre duas pernas, independentemente de quaisquer solavancos na estrada.
Nesse aspecto, é superior ao seu <Vagão>.
Mas golens não podem ser apagados.
No entanto, o <Vagão> podia ser criado e apagado à vontade!
Além disso, seu tamanho poderia ser alterado livremente.
Quando o Monge Karle viu isso pela primeira vez, ele congelou com a boca aberta.
Aparentemente, seu amado Cardeal Graham deu um pequeno sorriso quando viu isso...
Que embaraçoso!
Dentro de uma semana após receber essa função, Karle tornou-se famoso no Palácio Papal.
Muitos de seus colegas começaram a perguntar a ele.
"Quem diabos é aquele aventureiro?"
E Karle pensava que essa era a minha linha.
Quem ele é?
Sei lá eu.
Claro, o aventureiro conhecido como 'Ryo' não era arrogante ou rude de forma alguma.
Pelo contrário, muito educado.
Não havia nada daquela crueza ou grosseria que se poderia esperar dos chamados 'aventureiros'.
Uma vez, ele tomou chá com o Cardeal Graham após trazer alguns documentos, e seus modos também eram muito refinados.
Ele ouviu dizer que um bom número de aventureiros dos Países Centrais vem de famílias nobres... e isso pode ser levado em consideração, especialmente quando são enviados para fora do país como nesta Missão.
Se for assim, o aventureiro chamado 'Ryo' pode ter nascido em uma família nobre.
Claro, ele não podia fazer tal pergunta diretamente.
Ele uma vez reuniu coragem e perguntou ao Cardeal Graham sobre isso.
A resposta do Cardeal naquela época foi:
"Não vou contar."
Ele respondeu com um leve sorriso...
Então, talvez, ele seja.
Ultimamente, Karle respondia às perguntas de seus colegas dizendo:
"Ele tem modos muito refinados e provavelmente vem de uma família de classe alta."
[1] - N.T.: No original, o texto indica que o gênero de Karle não está confirmado, mas utiliza o pronome "his" (dele). Em português, mantive o gênero masculino, visto que a forma de tratamento é "Monge".