
Capítulo 205
Water Magician (WN)
Editor: Tseirp
No dia seguinte, a carruagem da guilda levando Ryo e Abel deixou a Cidade de Rune às 8:00 da manhã.
Ryo carregava sua bolsa habitual, Abel uma bolsa semelhante, e os dois não tinham muita bagagem.
Na verdade, eles mal precisaram de tempo para se preparar para a viagem.
"Ryo... você parece calmo."
"Hm? Como assim?"
Abel olhou para Ryo, que estava sentado com sua indiferença habitual, e expressou o que pensava. Ryo, sem entender o que ele queria dizer, retrucou com uma pergunta.
"Nada, é só que o mestre da guilda me pediu para tentar te acalmar, Ryo, porque você parecia meio inquieto."
"Hmm. Não tenho certeza de a que você está se referindo. Mas tem um ditado na minha terra natal: 'A pressa é inimiga da perfeição'. Coisa boa não viria de eu estar com pressa."
Ryo disse, balançando a cabeça com um sorriso de canto.
"Entendo. Você tem toda a razão."
Abel sentiu-se aliviado e balançou a cabeça lentamente.
Ryo decidiu perguntar a Abel sobre algo que lhe veio à mente.
"Abel, sobre a despedida agora há pouco na frente da guilda..."
"Sim?"
"Os três membros da 'Espada Carmesim' não apareceram, apareceram?"
"É... suponho que não."
"Será que você está sendo maltratado por eles, Abel?"
"Que diabo é isso?"
Ryo perguntou com extrema cautela enquanto voltava seu olhar de pena para Abel, como se estivesse olhando para algo extremamente lamentável. Naturalmente, Abel explodiu.
"Digo, como um líder de grupo pode sair para um trabalho de longa duração sozinho e ninguém vir se despedir...?"
"Bom, se você está falando disso, e quanto a você, Ryo? Eu não vi ninguém da 'Sala 10' vir se despedir, vi?"
"Porque eu não contei para eles. Para começo de conversa, eu nem sou membro da Sala 10."
"E-entendo... Não, mas e a Sera? Ela também não apareceu!"
"É o mesmo para a Sera, ela é do grupo solo 'Vento'... Além disso, ela veio na minha casa esta manhã."
O rosto de Ryo exibia a expressão perfeita para um "Humpf". Abel estava extremamente irritado.
No entanto, ele não gritou com ele. Ele era, de fato, um homem maduro.
"A questão é..."
"Eu entendi! Você finalmente foi expulso da 'Espada Carmesim', né! Tudo bem, não se preocupe com isso."
"Pelo amor de Deus!"
No fim, Abel gritou com ele.
"A questão é que o Ilarion está na Vila Kona agora..."
"Ah, é verdade, ele levou a Rin com ele. Foi por isso que me procuraram..."
"Exatamente. E tanto o Warren quanto a Rihya foram com eles."
"Eh..."
"Pense bem, você viu algum deles na minha cerimônia de Rank A outro dia?"
"Agora que você mencionou..."
Aos olhos de Ryo, Abel parecia solitário.
Não, talvez... ele parecesse alguém sendo atormentado por uma sensação de desesperança.
Ninguém do grupo com quem ele havia compartilhado tanta dor e sofrimento apareceu na cerimônia de sua promoção para Rank A... do ponto de vista de Ryo, era uma situação terrível de se imaginar.
"O tempo está fora de compasso [1]."
Ryo disse em voz baixa.
"O quê?"
"O príncipe de um certo país proferiu essas palavras quando o mundo em que ele acreditava foi quebrado e ele estava em uma situação sem esperança. Eu só achei que soa bem adequado para Abel, que finge ser um príncipe."
"Como assim finge... espere um minuto, você quer dizer que ainda não acredita em mim?"
"Claro que não! 'O tempo está fora de compasso; ó maldição, que eu tenha nascido para consertá-lo!', ele exclamou!"
Ryo encenou a cena de Hamlet dentro da carruagem.
"T-tudo bem..."
"Agora, diga você. 'O tempo está fora de compasso'."
"O quê?"
"O tempo está fora de compasso."
"O t-tempo está fora de compasso."
Abel repetiu atrás de Ryo, forçado pela assertividade do outro.
"Isso mesmo. Você pode recitar quando estiver em uma situação desesperadora. Tem minha permissão para usar."
"Ah, sim, obrigado...?"
E assim surgiu um novo fã de Shakespeare, embora em outro mundo...
"Abel... tem algo estranho nesta carruagem."
"Hm? O que é desta vez?"
"Espere, o que você quer dizer com 'desta vez'... você faz parecer que eu estou sempre dizendo coisas estranhas."
Ryo deu de ombros e lançou-lhe um olhar que dizia: "puxa, o que há com ele?"
"Como se não estivesse?"
Abel suspirou e balançou a cabeça.
"Bem, vou fingir que não ouvi a bobagem que você acabou de dizer. Eu te perdoo."
"Como assim bobagem!"
"De qualquer forma, tem algo definitivamente estranho nesta carruagem."
"Sério? Mas ela parece estar no caminho certo para a capital real."
"Sim, está no caminho certo, mas caso você não tenha notado, ela está correndo a toda velocidade desde então."
Uma carruagem puxada por cavalos, para percorrer uma longa distância, geralmente viaja bem devagar.
No entanto, a carruagem da guilda em que Ryo e companhia estavam era bem rápida.
Parecia que a velocidade era quase a mesma de um carro na Terra moderna... ou seja, mais de quarenta quilômetros por hora.
"Bem, talvez não exatamente a toda velocidade, mas é bem rápida para uma carruagem. E tudo isso por sua causa, Ryo."
"Eu?"
Ryo inclinou a cabeça e perguntou de volta.
"Você queria chegar à oficina de alquimia o mais rápido possível, não queria?"
"Claro. Como a data e a hora de partida da capital real já estão marcadas, o tempo que posso passar na oficina é muito curto! Não posso me dar ao luxo de desperdiçar nem um segundo."
"Aí está. Ouvi dizer que o Guilmas, com a permissão do Grande Mestre da capital real, fez acordos com a Guilda dos Aventureiros ao longo do caminho para trocar nossos cavalos por novos, para que possamos chegar à capital o mais rápido possível."
"Ah... O Sr. Hugh é tão atencioso!"
Ryo agradeceu a Hugh dentro da carruagem.
"Ouvi dizer que a viagem, que normalmente levaria quase uma semana, vai levar apenas dois dias com isso... É, isso sim é ser imprudente."
Abel disse com espanto.
Ryo, por outro lado, estava apenas cheio de gratidão.
Mas então uma pergunta surgiu.
Na maioria das histórias de fantasia ou outros mundos, andar em uma carruagem em alta velocidade é um pesadelo.
Isso não é surpreendente, já que não há sistema de suspensão e as rodas são feitas de madeira ou ferro, não de borracha.
No entanto, a carruagem em que ele estava agora não era tão ruim quanto os contos descreviam.
"Abel, a viagem não é tão desconfortável, né?"
"Claro que não. As carruagens da guilda podem viajar a velocidades tão altas porque são equipadas com um mecanismo de absorção de impacto mágico, ou melhor, alquímico. Eu mesmo não conheço os detalhes."
"Alquimia! E magia... entendo, isso definitivamente poderia funcionar."
Isso mesmo, não há necessidade das suspensões inventadas no século XVII na Terra neste mundo.
Porque existe magia!
Porque existe alquimia!
Isso é fantasia!
"Oh, a propósito, tenho ouvido alguns rumores por aí ultimamente sobre um novo tipo de carruagem que é confortável de andar, mesmo sem o uso de alquimia."
"Ohh. A tecnologia está avançando em um ritmo notável, não está?"
"Algum ferreiro a fez... qual era o nome dele mesmo... ele era originalmente um famoso ferreiro de armas, eu acho. Ah, sim, Kalashnikov."
"Kalashnikov..."
O que veio à mente de Ryo foi, é claro, Kalashnikov, o criador do 'AK-47', o 'fuzil militar mais usado no mundo' na Terra moderna.
O AK-47 é o fuzil de assalto visto em muitos filmes, sendo usado em zonas de conflito no Oriente Médio por forças rebeldes.
Este fuzil automático foi feito na antiga União Soviética, vendido em todo o mundo e adotado em todos os lugares.
No entanto, aqui no Reino de Knightley, 'Kalashnikov' tornou-se famoso como uma oficina de carruagens relativamente barata, porém confortável.
Por essa razão, diz-se que a seguinte conversa é frequentemente trocada entre nobres de baixa classe e mercadores ultimamente.
"Em que carruagem você tem andado ultimamente?"
"Uma Kalashnikov."
O grupo chegou à capital real em dois dias, como planejado.
"Vamos ficar na residência do Conde Rune, Ryo. Não deixe de aparecer."
A carruagem entrou na capital real e foi direto para a Oficina Real de Alquimia.
Ryo desceu lá e estava prestes a entrar na oficina.
Abel então o chamou, mas... é impossível saber se Ryo o ouviu.
"Droga... Acho que vou ter que vir buscá-lo na noite antes da nossa partida."
Abel suspirou e pediu ao cocheiro que o levasse para a mansão do Conde Rune.
[1] - N.T.: Citação da peça "Hamlet", de William Shakespeare, usada aqui para denotar um mundo que saiu do eixo ou uma situação caótica.