
Capítulo 135
Water Magician (WN)
Por ora, as diretrizes para os próximos passos já foram decididas.
O que restava era o que fazer com os quatro prisioneiros.
— Eles não parecem aventureiros, parecem? — murmurou Ryo para ninguém em específico.
— Hm? É mesmo? — Sua Alteza Willy inclinou a cabeça e perguntou.
O equipamento deles parecia ser usado por aventureiros que focavam principalmente em combate corpo a corpo...
— De alguma forma... eu não sinto aquela aura rústica dos aventureiros vindo dessas pessoas.
Então, Ryo olhou de relance para Cohn.
— Ei, Ryo. Por que você olhou para mim depois de dizer isso? — Cohn rebateu, irritado.
— Não, não é nada...
Ryo desviou o olhar rapidamente.
— Entendo... — então, Rodrigo murmurou, comparando os quatro com Cohn.
— Rodrigo, essa não é a parte em que você concorda, né?! — Cohn lamentou a falta de compaixão do mundo.
— A diferença é a barba malfeita — disse Rodrigo, observando os quatro.
— Ah... entendi. Assim como o Cohn, acho que muitos aventureiros não costumam fazer a barba. Comparativamente, esses quatro estão bem barbeados. É como a barba de um cavaleiro...
Os membros dos Cavaleiros de Rune eram todos bem cuidados. Ryo, que aparecia frequentemente no Campo de Treinamento dos Cavaleiros para combates simulados com Sera, respondeu lembrando-se dos rostos dos cavaleiros que conhecia.
— Um grupo de cavaleiros se vestindo como um bando de aventureiros... isso é muito suspeito — Cohn deu sua impressão sincera.
Ryo e seu grupo haviam estacionado a carruagem à beira da estrada. Naturalmente, as pessoas que passavam seguiam em frente sem dizer nada, olhando de soslaio para os quatro indivíduos amarrados com cordas.
Nesse meio tempo, um dos quatro prisioneiros acordou.
— Ah, bom dia — Cohn cumprimentou o homem.
— Kuh.
O homem mordeu os lábios ao constatar que seus membros estavam amarrados e que os outros três estavam na mesma condição.
— Você parece entender a situação. Então? Quem são vocês?
Claro, ele não respondeu à pergunta de Cohn.
— Bem, eu não sou bom com esse tipo de coisa... Ei, Ryo, você não é ótimo nisso?
Cohn dirigiu-se a Ryo com o mesmo tom de quem conversa em uma mesa de bar.
— Não sei por que você está passando essa tarefa para mim, mas... Você está perguntando o que deveríamos fazer neste caso? Bem, se enfiarmos uma agulha de gelo fina nos olhos deles ou arrancarmos seus corações congelados e os mostrarmos, eles deveriam sentir a ameaça, não?
— Não, Ryo, isso é exagero... — Cohn perguntou a Ryo como torturá-los, mas a resposta fez com que ele traçasse um limite.
A pele do homem que ouvia empalideceu.
— Acho que o coração é exagero, mas espetar o olho pode funcionar, não? Ouvi dizer que espetar o olho não causa dor. Mas quem for espetado ficará traumatizado e nunca esquecerá...
Ao ouvir aquilo, os dentes do homem bateram e sua expressão facial congelou.
— Ei. Eu também não gostaria de machucar você. Por que você não diz apenas quem é e para quem trabalha? Apenas diga isso. E acho que posso evitar aquele... espeto no olho de que ele está falando...
Aproximando seu rosto da altura do homem sentado no chão, Cohn perguntou gentilmente.
— E-eu não posso dizer... — o homem, que mantinha silêncio até então, soltou essas palavras como resposta.
Agulhas de gelo finas se formavam e dissipavam na ponta dos dedos de Ryo, o que talvez tenha tido algum efeito.
— Entendo, é uma pena. Ryo!
— E-espere.
O homem gritou quando Cohn chamou Ryo e este deu um passo em sua direção.
— Hmm? O que houve? Não falta muito tempo até ele chegar.
— E-eu quero falar, mas não posso... por favor, espere até que o capit... o líder acorde.
(Ele quase disse capitão... Então eles realmente são Cavaleiros...?)
Ryo decidiu ficar em silêncio por respeito aos guerreiros.
— Você é um cavaleiro, não um aventureiro.
Cohn não...
— ! — o homem ficou sem palavras.
Ao mesmo tempo, o segundo homem, que parecia ser o capitão ou líder, acordou.
Foi o Príncipe Willy quem notou um grupo de cavaleiros vindo do oeste da estrada.
— Um grupo de cavaleiros do outro lado.
À distância, pareciam guardas. Será que alguém que chegou à cidade relatou a situação após vê-los?
(Ou eles foram chamados pelo arqueiro que escapou... Se for o caso, são guardas inimigos... ou podem até ter sido subornados, como aconteceu com Slanzewi).
Ryo e seu grupo foram atacados em Slanzewi, onde ficaram durante a missão da caravana Gecko. Foi uma lembrança amarga, onde o Vice-Capitão dos Cavaleiros foi comprado pela Ordem dos Assassinos e roubou os assassinos que haviam sido capturados.
— Somos os Guardas de Stonelake. Fomos informados de que havia uma disputa na estrada.
Oito guardas montados chamaram Ryo e seu grupo.
— Insolentes! Este é o Príncipe Willy, Príncipe do Reino de Ju. É um ultraje perguntar estando montado! Essa é a cortesia do Reino de Knightley!
Uma repreensão dura. A voz de Rodrigo calou os guardas que exigiam respostas de cima de seus cavalos.
— Quê...
— Minhas desculpas!
Dito isso, os oito guardas desmontaram.
— Nossas sinceras desculpas. Eu não sabia que o príncipe do Reino de Ju estava presente. Poderia, por favor, oferecer algo que comprove a identidade do príncipe?
Uma pessoa que parecia ser o capitão perguntou educadamente, diferente de antes.
— Aqui.
Então, Sua Alteza Willy entregou ao capitão um colar que estava pendurado em seu pescoço. O capitão, ao recebê-lo, virou-o e aproximou uma placa do tamanho de um cartão de visitas, que parecia ser uma ferramenta alquímica tirada de seu bolso, sobre o colar.
Depois de verificar algo por um tempo...
— Confirmei. Sinto muito pelas nossas ações anteriores.
Então, ele devolveu o colar.
— Não, está tudo bem, contanto que compreendam — respondeu Sua Alteza Willy com compostura.
Como esperado, tendo crescido como príncipe, ele era imponente em tais situações. Ryo ficou estranhamente impressionado.
— Em outras palavras, essas pessoas levantaram as mãos contra um príncipe estrangeiro — disse o capitão, olhando para os quatro prisioneiros sentados no chão.
— Não... espere um minuto. Nós não tínhamos essa intenção... — o homem que parecia ser o líder, que acabara de acordar, gritou sua resposta apressadamente.
Naturalmente. Mesmo sendo um país pequeno, ferir um príncipe estrangeiro significava que não se podia escapar da pena de morte. Em alguns casos, até mesmo suas famílias seriam punidas.
— Mesmo que não tivessem a intenção, é um fato que vocês atacaram — Cohn rejeitou o apelo do homem.
O semblante dos dois que estavam conscientes estava completamente pálido.
— Es-espere. Por favor, olhe para este emblema na bainha — o líder apelou desesperadamente ao Capitão da Guarda.
Quando o capitão fez um sinal com o queixo, seu subordinado puxou a bainha e a trouxe para ele.
— Es-este emblema é do Duque...
O capitão parou de falar subitamente.
(Duque? Eles eram Cavaleiros de algum Duque?) — Ryo pensou consigo mesmo. Claro, ele não sabia qual Duque. Ele tinha certeza de que não saberia de qualquer forma, mesmo se ouvisse o nome.
— Sim, sim, não somos indivíduos suspeitos. Isso também foi um mal-entendido. Se vocês são guardas de Stonelake, devem saber o que o emblema implica, certo?
O homem capturado parecia ser bastante persuasivo. A expressão do capitão estava claramente mais preocupada com o brasão do Duque agora. Isso também era esperado. Embora Sua Alteza Willy fosse um príncipe, o Reino de Ju era um país pequeno e não fazia fronteira com o Reino de Knightley. Pode ser inevitável pesar o príncipe de um país tão distante contra aqueles que provavelmente ostentam o brasão do Duque de seu próprio país.
— Capitão. Poderia me mostrar esse emblema?
Sua Alteza Willy chamou educadamente o capitão da guarda.
— Eh... oh, sim, aqui está.
O capitão da guarda entregou a bainha do homem capturado a Sua Alteza Willy. Sua Alteza Willy deu uma olhada e a devolveu imediatamente ao capitão.
— Entendo por que o Capitão está em conflito. É inevitável se eles são membros do Duque de Flitwick.
— Es-está correto... Sua Alteza reconhece este brasão?
O capitão da guarda respondeu, suando frio. Ele talvez não esperasse que o príncipe de um país distante conhecesse o brasão do Reino de Knightley, ainda que fosse o de um duque.
— Sim. É o brasão de Raymond, o irmão mais novo de Sua Majestade.
Essas palavras chocaram muitos dos presentes. Entre eles, quem ficou mais perturbado foi Luca. Seria sua expressão mais próxima de raiva do que de medo?
(Sabendo que estão sendo alvo do irmão mais novo do Rei, eles ainda seguirão para a capital real?)
Ryo queria confirmar isso, mas a situação não lhe dava espaço para perguntar.
— Mesmo sendo um príncipe, aqueles dois são criminosos. Precisamos levá-los para a cidade de Carlyle, do Duque — disse o líder dos agressores ao capitão da guarda. Os dois a quem ele se referia eram, claro, Matthew e Luca.
A reação de Sua Alteza Willy às suas palavras foi rápida e feroz.
— Não aceitarei isso. Eles já são meus atendentes. Como Príncipe do Reino de Ju, rejeito formalmente esse pedido.
A raiva de Sua Alteza Willy era como um fogo ardente. Tanto Ryo quanto Cohn expressaram surpresa. No entanto, pode ser natural, em certo sentido. Se ele abandonasse os dois que Cohn e os outros arriscaram suas vidas para resgatar, qual seria o propósito dessa ação? Sua Alteza Willy não podia aceitar aquilo.
— Príncipe, entendo seu ponto de vista, mas...
O capitão da guarda continuava sendo balançado pelo homem capturado, as pessoas afiliadas ao Duque.
(Esse tipo de pessoa é influenciada pelo poder ou pela violência. Bem, ambos os lados, neste caso, têm poder... Espero conhecer alguém que tenha poder e possa me ajudar, mas... Eu nem conheço ninguém de Stonelake ou da capital real para começar.)
Ryo lamentou sua falta de conexões.
(Não, se for a capital real, existe!?)
Ryo aproximou-se do Capitão da Guarda e sussurrou suavemente.
— Capitão da Guarda, não seria melhor chamar alguém de nível hierárquico superior e deixar que essa pessoa tome a decisão?
Muitos aproveitariam a chance para escapar de decisões difíceis e das responsabilidades que surgem delas.
— É um problema envolvendo príncipes e duques. Uma decisão tomada levianamente pode ter consequências difíceis depois.
— E-entendo. Certamente, pode ser o caso.
O Capitão da Guarda concordou com sua sugestão.
— Ei, espere. Isso não é...
— Agressores não têm palavra aqui. <Caixão de Gelo 4> — como o homem capturado estava prestes a falar, Ryo colocou todos os quatro em caixões de gelo.
— Isso...
— Caso os agressores escapem. Está tudo bem. Eles estão vivos.
— E-entendo...
O Capitão da Guarda estava completamente sobrecarregado pela 『violência』 de Ryo.
(O último fator é a autoridade...)
— Bem, então, para tomar uma decisão, provavelmente será difícil, a menos que a pessoa tenha uma autoridade forte no Reino?
— S-sim... mas todos eles são indivíduos ocupados...
— Embora presunçoso, pode não ser um problema para Arthur Verasis, o conselheiro do Grupo de Magos da Corte que está na capital real, tomar decisões sobre questões nacionais. Acredito que Arthur-dono possa vir da capital real rapidamente. O que acha?
— Vo-você, você conhece o Conselheiro Verasis?
Eles eram companheiros que retornaram juntos do 40º andar da masmorra de Rune.
— Sim. Ele estará aqui rapidamente se você disser que é um pedido de Ryo, o aventureiro de Rune.
— Entendo! ... Mas e se ele não estiver na capital real?
(Eu não conheço mais ninguém... Não há outra escolha, terei que utilizar as conexões de Abel...)
— Nesse caso, por favor, chame Ilarion-dono. Diga-lhe que é um pedido de Ryo, amigo de Abel.
— O quê! Você conhece Ilarion-sama também? Claro, enviaremos a mensagem imediatamente. Ei, enviem rapidamente um mensageiro para a capital real para o Conselheiro Verasis e Ilarion-sama.
(Ilarion, que frequentemente troca cartas com Abel... parece ter mais influência que Arthur...)
— Então, todos, por favor, movam-se para Stonelake por enquanto. Lá, aguardaremos a chegada do Conselheiro Verasis ou de Ilarion-sama. Mas, essas pessoas cobertas de gelo...
— Oh, deixe comigo.
Ryo respondeu e preparou quatro <Carroças>.