Water Magician (WN)

Capítulo 99

Water Magician (WN)

No dia seguinte.

Pela manhã, Ryo fez algumas pesquisas com Sera na Biblioteca Norte, almoçou no Houshoku-tei e chegou à Guilda dos Aventureiros às 13h, o horário combinado com Abel.

Abel já estava lá, conversando com uma garota que ele já tinha visto perto da recepção.

Foi a garota quem notou a entrada de Ryo na guilda, e não Abel.

Era Natalie, do Grupo de Magia da Corte, a única outra maga do Atributo Água que Ryo conhecia.

Quando Abel percebeu que Ryo havia chegado, despediu-se de Natalie e foi ao encontro dele.

— Ryo, pontual como sempre.

— Já terminou com a Natalie?

Natalie fez uma reverência para ambos e saiu da guilda.

— Ela trouxe uma carta da capital real endereçada a mim.

— Ilarion?

Ryo recordou que a carta que Natalie trouxera a Abel anteriormente era de uma pessoa chamada Ilarion, da capital real.

— Você só se lembra de detalhes estranhos.

Abel sorriu ironicamente, guardando o que parecia ser a carta de Ilarion no bolso interno de seu casaco.

— Sejam bem-vindos, Abel-san e Ryo-san.

Quando Abel e Ryo entraram no departamento imobiliário, o chefe do departamento, Replate, levantou-se para cumprimentá-los.

Eles foram conduzidos diretamente para a sala de reuniões.

— Encontrei apenas uma propriedade que atende às suas necessidades...

Após servirem chá aos três, Replate foi direto ao assunto, mas teve dificuldade em terminar a frase.

— Imagino que isso signifique que não é uma propriedade que atenda perfeitamente a todas as condições.

Dito dessa forma, geralmente significava que o alvo era atingido na maior parte, mas com alguns pequenos contratempos.

— Sim, o problema é a localização.

— Localização?

Os dois perguntaram ao mesmo tempo.

— Sim. A propriedade que estou apresentando fica fora da cidade.

— !

Como esperado, tanto Abel quanto Ryo ficaram surpresos.

Ryo pensou que seria necessário comprometer o tamanho do jardim ou a vizinhança, mas foi inesperado receber a sugestão de uma casa fora da cidade.

Anteriormente, quando ele chegou à Cidade de Rune vindo da Floresta de Rondo, teve uma visão panorâmica da Cidade de Rune do topo de uma pequena colina com Abel.

A Cidade de Rune estava aninhada em um mar dourado de trigo cultivado.

No entanto, ele se lembrava de que havia algumas casas construídas dentro daquele mar dourado.

Pessoas que trabalhavam com agricultura haviam se mudado da cidade para a parte externa.

E devido ao grande fluxo, os portões da Cidade de Rune não fechavam nem mesmo à noite.

— A casa que você deseja apresentar é uma casa de fazendeiro?

— Sim. Vi a propriedade ontem e posso recomendá-la com confiança, exceto pelo fato de estar fora da cidade.

A pergunta de Ryo foi respondida firmemente pelo chefe de departamento, Replate.

— Vamos dar uma olhada por enquanto.

Quando Ryo disse isso, tanto Replate quanto Abel se levantaram.

— Solicitei o uso de uma carroça da guilda, por favor, aguardem na frente.

Replate então se dirigiu à garagem atrás do prédio principal da guilda.

— Existem carroças da guilda?

— Sim, existem três, se bem me lembro. Conhecidas popularmente como carruagens da guilda. Embora uma seja basicamente usada exclusivamente pelo Mestre da Guilda... Como agora, se a equipe da guilda decidir que é necessário, a permissão de uso pode ser concedida. Mas aventureiros não podem alugá-las.

— Que pena.

Abel cortou o que Ryo estava pensando.

Após os três embarcarem na carruagem da guilda, ela seguiu em direção ao norte pela rua principal.

Era a mesma carruagem em que Hugh o fez subir anteriormente, no caminho de volta da mansão do senhor feudal.

Depois de um tempo, chegaram ao centro da Cidade de Rune, a praça de muralhas duplas na entrada da masmorra.

Eles viraram à direita e seguiram para o leste, na direção do Portão Leste.

Ryo estava familiarizado com aquela área.

A razão era que seu restaurante favorito, o Houshoku-tei, ficava nas proximidades.

O fato de a propriedade ser perto do Portão Leste era um ponto positivo para Ryo.

Mesmo sendo "fora da cidade", ele agradecia muito mais por ser ali do que perto do portão sul ou oeste.

A carruagem passou por um procedimento simples no Portão Leste: a confirmação dos cartões de guilda de Abel e Ryo, e os cartões da equipe da guilda de Replate e do cocheiro.

Como a confirmação levava apenas alguns segundos, não houve estresse.

Eles deixaram o Portão Leste e chegaram ao seu destino em cerca de cinco minutos.

A primeira coisa que Ryo notou ao descer da carruagem em frente à casa foi o grande jardim da frente.

À distância, ele viu a cerca de madeira que marcava o limite do terreno.

O jardim tinha cerca de 400 metros de comprimento por 400 metros de largura... Era grande o suficiente para acomodar facilmente três campos de futebol.

Ao virar o rosto, ele pôde ver a construção.

Não parecia uma casa de fazenda típica...

— Fazendeiros moram em casas assim?

A casa era térrea, mas tinha uma área útil considerável.

Havia uma entrada central com uma magnífica porta dupla. Além da porta central, havia outras duas entradas secundárias.

Havia janelas, mas as persianas estavam fechadas.

A área lembrava a casa de Ryo na Floresta de Rondo.

— Esta é uma casa de fazenda, mas parecia pertencer a uma família bastante abastada. O único filho foi reconhecido como um especialista na capital real e elevado a aristocrata, então seus pais também foram chamados para morar na capital. Por causa disso, esta casa e as terras agrícolas foram colocadas à venda.

— De especialista a aristocrata, ele deve ser muito talentoso.

Abel comentou e assentiu diante da explicação de Replate.

— Outros fazendeiros compraram as terras agrícolas que estavam espalhadas por perto, mas esta casa e o jardim que a acompanha não tiveram compradores por quase um ano.

— A grama está cortada de forma muito limpa, apesar de um ano sem atividades.

Ryo notou que tanto o jardim da frente quanto a lateral do galpão estavam bem aparados.

— Ah, isso provavelmente é por causa da solicitação de manutenção de casas vagas para ranks E e F, não é?

Abel respondeu.

— A questão é que não houve solicitação enviada à guilda para esta propriedade. É por isso que não foi verificada pelo departamento imobiliário da guilda. Sinto muito.

Replate curvou-se diante de Ryo, pedindo desculpas pelo fato de a propriedade não ter sido registrada quando Abel e Ryo foram ao departamento imobiliário pela primeira vez.

Se a guilda fosse solicitada a cuidar de uma casa desocupada, o departamento imobiliário teria o registro.

— Hmm? Mas ela está tão bem cuidada... Oh, talvez a empresa de limpeza?

— Sim. Esta é uma propriedade gerenciada pela empresa de Schmidthausen-dono.

Replate confirmou a suposição de Abel.

— A empresa de limpeza de que você está falando é dirigida por ex-aventureiros?

— Ooo, sim, é isso mesmo. Você também o conhece, Ryo? Ele tem uma cara assustadora, mas é uma boa pessoa. Você pode contratá-los se quiser solicitar uma limpeza. Parece que aventureiros ganham um desconto.

Ryo sabia disso porque a recepcionista Nina lhe dissera quando ele foi ao dormitório pela primeira vez.

O dormitório era limpo pela empresa de limpeza de ex-aventureiros.

Eles examinaram a casa brevemente.

Estava bem limpa e parecia que ele poderia se mudar imediatamente.

As portas, além da central, eram portas comuns que conectavam o interior e o exterior da casa.

Provavelmente eram entradas laterais, já que seria inconveniente transportar mercadorias apenas pela porta central.

Havia uma sala de estar, uma sala de jantar, uma cozinha, alguns quartos, grandes depósitos e até mesmo um cômodo que parecia um escritório, embora fosse uma casa de fazenda.

— Então é assim que vive um fazendeiro rico.

Ryo murmurou suavemente.

O que o surpreendeu na casa foi a bancada da cozinha.

Era uma enorme bancada preta que parecia ser de granito, muito prática para quem cozinha.

As instalações mostravam claramente quem detinha mais poder naquela casa.

Após uma breve caminhada...

No entanto, Ryo notou algo.

Ele não pôde deixar de notar.

— Não tem banheira...

Ryo transformou-se em uma escultura com "Desespero" gravado em seu rosto.

— I-isso é verdade... Por acaso, o Ryo-san precisa de uma banheira...?

— Sim...

"Desespero" foi gravado no rosto do chefe de departamento, Replate, que notou seu descuido ao ver Ryo dominado pelo desespero.

Sim, o desespero era contagioso.

— Você não pode simplesmente fazer uma você mesmo?

Apenas Abel permaneceu imperturbável e deu uma resposta curta.

Mas aquelas palavras reanimaram Ryo.

— Sim! Eu mesmo posso fazer! Replate-san, preciso de alguma permissão para reformar minha casa?

— Oh, não, não há necessidade. É por isso que recomendo esta propriedade. Na cidade, você teria que obter permissão de todas as partes relevantes... você até precisa de autorização para reparar o muro da sua casa. Mas fora da cidade, você pode fazer o que quiser, desde que não toque na estrada. Então, claro, é possível adicionar um banheiro. Se necessário, podemos providenciar os carpinteiros também.

Assim que a pergunta de Ryo foi respondida por Replate, o desespero desapareceu de seu rosto.

— Estou aliviado. Então, o preço desta casa...?

— Sim, que tal 50 milhões de Florins, incluindo a propriedade e os custos das formalidades? Arredondei para um valor justo.

— Eu fico com ela.

Ryo tomou uma decisão imediata.

Para Ryo, ficar fora da cidade não era um problema.

Ele não fazia atividades típicas de aventureiro, como receber solicitações todos os dias na guilda; na verdade, ele nem ia lá com frequência.

Ryo sabia que havia muitos restaurantes deliciosos e populares perto do Portão Leste, incluindo o Houshoku-tei.

Além disso, era um ponto positivo estar mais perto da Biblioteca Norte e da mansão do senhor feudal em comparação com seus alojamentos atuais.

E, acima de tudo, o grande jardim.

Era maior do que a barreira ao redor de sua casa na Floresta de Rondo.

Ele naturalmente não esperava que um jardim desse tamanho viesse junto.

Era uma pena que não tivesse banheira, mas não havia problema se ele mesmo construísse uma.

Ryo não tinha motivos para recusar uma propriedade com condições tão favoráveis.

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