
Capítulo 61
Water Magician (WN)
Volume 1, Parte 4, Equipe de Pesquisa Acadêmica
No dia seguinte, a rotina de Ryo foi virada de cabeça para baixo desde cedo.
Inicialmente, ele planejava ir à Biblioteca Norte logo pela manhã, mas, ao tentar tomar café da manhã na cafeteria da guilda, seus planos foram frustrados.
"Acabou tudo?"
Ele chegou à cafeteria no mesmo horário de sempre, após as 7 da manhã, mas a comida já tinha esgotado.
"Sinto muito, Ryo. A equipe de pesquisa acadêmica da capital real levou todas as porções do café da manhã. Para as refeições da tarde, vamos percorrer o mercado para comprar ingredientes, então vai ficar tudo bem, mas... eu sinto muito pelos outros também."
O cozinheiro, que sempre parecia se divertir cozinhando no fundo da cozinha, curvou-se em sinal de desculpas.
O cozinheiro era, naturalmente, um ex-aventureiro, um antigo aventureiro de classe C de uma geração ligeiramente anterior à do Mestre da Guilda.
Da perspectiva dos jovens aventureiros, ele era como um pai que sempre preparava comida deliciosa.
Se uma pessoa dessas se curvava, não havia como reclamar com veemência.
Pelo contrário, a impressão sobre a "Equipe de Pesquisa Acadêmica", que fez tal cozinheiro se curvar, já tinha chegado ao pior nível naquele momento.
A equipe de pesquisa acadêmica era um grupo enviado da capital real para investigar a causa, o progresso e as perspectivas futuras quando algo anormal acontecia no reino.
Acadêmicos da Universidade Central do Reino, pesquisadores da Universidade de Magia ou magos do Grupo de Magia da Corte formavam o núcleo dos investigadores para conduzir a apuração.
Desta vez, o local era o único calabouço[1] das Nações Centrais, e foi a primeira Grande Maré de Energia em cerca de 10 anos, e em uma escala sem precedentes; portanto, o tamanho da equipe de pesquisa também não tinha precedentes. Tornou-se um grupo gigantesco.
[1] - *Dungeon* (calabouço), um local perigoso infestado de monstros.
A Universidade Central do Reino, a Universidade de Magia e o Grupo de Magia da Corte enviaram o maior número de pessoas possível.
Eles totalizavam 5.000 pessoas.
As equipes de pesquisa eram geralmente formadas por cerca de 50 pessoas, e o número raramente ultrapassava 100.
Quando atingiu 5.000... as acomodações na cidade ficaram completamente sobrecarregadas.
As pessoas que não tinham onde ficar eram, muitas vezes, as dos níveis mais baixos da equipe de pesquisa, que vieram como carregadores de bagagem e guardas, sendo forçadas a acampar do lado de fora da cidade.
"O que, afinal de contas, significa isso!"
A voz furiosa de Hugh ecoou no escritório do Mestre da Guilda.
Diante de Hugh estavam os três executivos da equipe de pesquisa.
Clive Staples, Presidente da Universidade Central do Reino.
Christopher Bratt, Professor Chefe da Universidade de Magia.
Arthur Verasis, Conselheiro do Grupo de Magia da Corte.
Todos eles eram grandes nomes do mundo acadêmico da capital real.
Em particular, a Universidade Central do Reino parecia estar se esforçando ao máximo ao colocar o presidente para liderar a equipe de pesquisa.
O presidente Clive Staples emanava uma aura tanto de acadêmico quanto de burocrata.
Ele era, sem dúvida, um dos pilares da academia na capital real.
Mas isso não tinha nada a ver com Hugh.
Não, ele entendia que demonstrar hostilidade causaria problemas, mas ainda assim era demais.
"Assim que chegaram, requisitaram toda a comida da Guilda dos Aventureiros. Além disso, como pretendem entrar no calabouço a partir de hoje, querem que levantemos o selo? E ainda por cima exigem aventureiros como guardas? Até as piadas têm limite."
No entanto, os gritos de Hugh não pareceram ter muito efeito em nenhum dos três.
O presidente Clive mantinha uma expressão fria, o Professor Chefe Christopher olhava para outra direção, e o Conselheiro Arthur bebia chá com um ar de exasperação.
"Mestre McGrath, nesta investigação, Sua Majestade o Rei nomeou o Lorde de Assuntos Internos, Conde Harold Lawrence, como Chefe da Equipe de Investigação, e recebemos uma procuração total do chefe, o Conde Harold Lawrence."
McGrath era o sobrenome de Hugh. Seu nome completo era Hugh McGrath.
Dito isso, o presidente Clive apresentou uma carta selada e uma procuração.
"Procuração total..."
Isso literalmente delegava poder total a quem portasse o documento... ou seja, os três à sua frente não deveriam ser desrespeitados e eram equivalentes ao chefe, o Conde Harold Lawrence, e, por extensão, ao Rei que o nomeou.
Hugh então olhou para a carta selada.
O selo era uma marca de cera que revelava quem a representava apenas ao ser visto.
E o selo apresentado era o do Lorde de Assuntos Internos, Conde Harold Lawrence.
"... Claro, diz aqui para acomodar seu grupo tanto quanto possível."
"Fico feliz que compreenda."
O presidente Clive respondeu com um sorriso, embora um tanto frio.
"Mas ainda há coisas que posso e que não posso fazer. Não posso fornecer comida da guilda."
"Mestre McGrath, você entende o significado de 'acomodar'?"
"Clive Staples, você entende o significado de 'tanto quanto possível'?"
As encaradas entre os dois foram interrompidas por outra voz.
"Clive, Hugh, por que vocês dois não dão um passo atrás? Somos todos líderes do mesmo reino. Com relação à comida da guilda, a reclamação de Hugh é razoável. Peço desculpas por requisitar comida da cafeteria da guilda. A partir de agora, não entraremos na cafeteria da guilda nem forçaremos a guilda a fornecer comida. Podemos negociar a entrega de suprimentos da cidade vizinha de Kyradea ou Acre. Isso está bom?"
A conversa foi colocada de volta nos eixos por Arthur Verasis, o mais velho entre os quatro e conselheiro do Grupo de Magia da Corte.
Ele tinha uma longa barba branca, vestia um manto cinza de Mago e segurava um cajado grande.
Ele parecia exatamente um Mago e, de fato, o era.
"Sim... muito obrigado."
Falando de Arthur Verasis, ele ainda era um dos dez melhores Magos do reino.
Quando jovem, ele também foi aventureiro e, como esperado, Hugh não podia menosprezar a mediação de um grande veterano.
"Certo. Se o Conselheiro Verasis diz, desistiremos da comida. Mas o selo do calabouço é a única coisa que não podemos abrir mão. Afinal, se o calabouço permanecer selado, não haveria sentido em termos vindo aqui."
O presidente Clive não desistiria de levantar o selo do calabouço.
"Não fazemos ideia do que está acontecendo lá dentro. Deslacrar um lugar desses..."
Como se para ridicularizar a leve resistência de Hugh, na verdade, o presidente Clive estava zombando dele enquanto argumentava.
"Não estamos aqui justamente porque não sabemos? A equipe de pesquisa foi formada exatamente para esse propósito."
Hugh também sabia que isso era verdade e só podia resmungar sobre isso.
"... Está bem. Mas quando entrarem no calabouço, assumam total responsabilidade por suas ações. Não importa o que aconteça, a Cidade de Rune, a Guilda dos Aventureiros e os aventureiros não assumirão qualquer responsabilidade. Com relação a isso, exigirei que os três assinem conjuntamente esse acordo."
"V-você."
"Se não gostarem, não levantarei o selo do calabouço!"
Clive e Hugh se encararam novamente.
"Clive, isso não pode ser evitado. Hugh, não será um problema contratar aventureiros como guardas por um valor acima do normal, certo? Como aventureiros, eles ainda precisam ganhar dinheiro no final das contas."
O ex-aventureiro, Conselheiro Arthur... Ele sugeriu um meio-termo que era aceitável para ambas as partes.
As bases para as negociações estavam estabelecidas.
Embora, para Hugh, aquilo fosse apenas um incômodo.
"Certo. Isso dependerá de cada aventureiro. Mas não esqueçam disto: quase não existem dados sobre o que acontece dentro do calabouço após uma Grande Maré de Energia. Vocês encontrarão coisas que nunca vivenciaram antes, e o mesmo valerá para os aventureiros ativos. Por favor, procedam com muita cautela."
Assim, o bloqueio do calabouço foi levantado no quarto dia após a Grande Maré de Energia.