
Capítulo 52
Water Magician (WN)
"Consegui sobreviver..."
A última vez que ele esteve tão perto da morte em uma luta... foi com o Falcão Assassino de um olho só?
Por enquanto, ele se sentou no banco da praça, já que era muito chamativo ficar ali parado, sozinho, em frente à biblioteca.
(Já que o Falcão Assassino de um olho só... Agora que penso nisso, ele usou anulação de magia. A Behi-chan também tinha um espaço de anulação de magia. E agora a Akuma, Leonor, pôde apagar as Lanças de Gelo com apenas um aceno de mão... 32 ou 64 lanças desapareceram em um instante...)
"Ai."
Uma dor atravessou seu ombro esquerdo.
Foi o ponto onde a lança de vento de Leonor atingiu.
Não havia ossos quebrados. Provavelmente apenas um hematoma.
Servia como prova de que a batalha de agora pouco não foi um sonho.
Mas, mais importante, ele ficou surpreso por seu manto não ter um arranhão sequer.
(Se não fosse por este manto, eu teria um buraco enorme no ombro... Sou grato ao meu professor.)
Ryo pensou em Dullahan em seu coração e fez uma reverência de gratidão.
(A magia da Leonor... aquilo era magia, certo? Tinha um poder absurdo... mas, acima de tudo, aquela velocidade de movimento... aquela velocidade com que ela avançou em um instante e a velocidade com que recuou em um instante... provavelmente não foi transferência espacial, mas algum tipo de Magia de Vento... algo como um "ataque de colapso"[1]... maldita Magia de Vento!)
[1] - *Breakdown rush*: Refere-se a um movimento de investida súbita e violenta, capaz de quebrar defesas.
Por algum motivo, a reflexão de Ryo acabou prejudicando a reputação da magia de Atributo Vento.
(A propósito, ela disse que o tempo tinha acabado...)
E o eclipse solar tinha chegado ao fim.
Ryo concluiu arbitrariamente que o eclipse solar provavelmente estava envolvido.
Havia tantas pessoas por perto, mas apenas Leonor e Ryo estavam naquele espaço.
(Há tantas coisas que não entendo. Por ora, não vou pensar no que não entendo! Tudo o que tenho a fazer agora é comprar os livros de alquimia e coletar informações sobre Akumas quando retornar... Mas nem mesmo Abel sabia da existência delas.)
Durante a viagem para Rune, Ryo perguntou certa vez a Abel se ele sabia sobre as Akumas.
Mas Abel respondeu que conhecia os Demônios, mas não Akumas.
(Abel provavelmente é o terceiro filho de uma família aristocrática, então... se até uma pessoa da chamada classe intelectual não sabia disso, informações sobre elas provavelmente não podem ser coletadas facilmente.)
"Por enquanto, vamos comprar os livros e ir para casa."
Não havia ninguém no Quarto 10 do dormitório.
Da janela do quarto, ele podia ver o campo de treinamento ao ar livre da Guilda dos Aventureiros.
"Hã? Não me diga que eles ainda estão treinando?"
Entre as pessoas no campo de treinamento, ele avistou os três do Quarto 10.
"Se eu não estivesse cansado, teria acabado com vocês, seus desgraçados..."
Niles disse com pesar.
Niles, Etho e Amon estavam caídos no chão e cinco homens pairavam sobre eles.
"Hah! É ainda mais revigorante ver maus perdedores."
Todos os cinco eram aventureiros do Quarto 1 do dormitório.
Será que eles perderam em um combate simulado ou algo assim?
"Isso é o cúmulo, vindo de pessoas que lançaram ataques surpresa..."
Etho disse amargamente.
"Ei. Então, vocês vão dizer aos monstros na masmorra para avisarem antes de atacar? Ou dizer 'estou cansado agora, então por favor parem'? Não sejam tolos."
O homem do Quarto 1, Dan, zombou deles.
"Exatamente. A culpa é de quem baixa a guarda."
No mesmo instante em que a voz ecoou pelo campo de treinamento, lanças de gelo perfuraram o plexo solar dos outros quatro do Quarto 1, exceto Dan, que estava caçoando deles.
Claro, as pontas estavam arredondadas, então eles não se feriram.
Todos os quatro estavam apenas em agonia.
"O quê..."
"O que aconteceu? Lanças de gelo atingiram o estômago deles."
Então, Ryo apareceu no campo de treinamento.
"Ryo!"
Os três do Quarto 10, que ainda estavam caídos no chão, chamaram o nome de Ryo ao mesmo tempo.
"Vocês..."
"Não baixem a guarda. Vocês disseram algumas coisas boas mais cedo. Vocês pediriam ao oponente para avisar antes de atacar? ...claro que não, certo? Suspiro... Niles, e vocês dois, estão relaxando demais."
Dito isso, Ryo primeiro fez Etho beber uma poção.
Assim que o sacerdote Etho se recuperasse, os outros dois também seriam restaurados.
"Estou envergonhado..."
Niles respondeu baixinho.
"Bem, vocês correram o dia todo desde cedo e estão no limite da resistência, então não tem jeito. Aos sábados e domingos, vocês terão que fortalecer ainda mais a resistência."
"Eh..."
Uma voz escapou de Etho, que parecia ser o mais fraco dos três.
Na verdade, Amon, que tinha acabado de sair de sua aldeia, deveria ser o menos apto fisicamente, mas... Amon parecia, de alguma forma, superar isso com pura força de vontade.
"E então, essa pessoa parada aí..."
"Ele é o Dan, do Quarto 1."
Niles informou Ryo.
"Ah, você é o Dan. O que vai fazer? Seus companheiros foram derrubados por ataques surpresa, então vai colocar o rabo entre as pernas e fugir?"
"Quem você pensa que é?!"
Dan gritou, sacando sua espada.
Então, ele golpeou Ryo com força.
(Muito lento...)
Foi um balanço óbvio com uma preparação enorme!
Ryo desviou dando um passo com o pé esquerdo para a esquerda e transferindo o centro de gravidade para o pé esquerdo.
Com a mão esquerda, ele agarrou o cabo da Murasame (sem sua lâmina de gelo) com uma pegada invertida, puxou-a do cinto e a enterrou no flanco direito de Dan.
Em termos de boxe, foi um golpe no fígado.
Além disso, o poder foi aumentado girando corretamente as pernas e os quadris por baixo.
A armadura de couro de Dan não conseguiu absorver o choque.
"... Guha."
Dan desabou, rolou pelo chão e desmaiou em agonia.
(Pensei que minhas mãos nuas doeriam porque ele estava usando armadura, então bati com o cabo da Murasame... A sensação é diferente do boxe, afinal... é tão diferente só porque a sensação no pulso é outra?)
Ryo estava verificando o soco sem se preocupar com Dan, que estava em agonia.
"Eu não gostaria de estar no lugar dele..."
Niles olhou para Dan rolando no chão com olhos cheios de pena.
"Eu quase morri há pouco... então parece que a adrenalina da batalha ainda não tinha baixado."
Os três do Quarto 10 ficaram surpresos ao ouvir isso.
Dan não estava em condições de ouvir aquelas palavras.
"Ah, certo, Etho, você poderia tratar meus ombros também?"
Ryo disse e mostrou seu ombro esquerdo para Etho.
"Isso é terrível! Não há ossos quebrados, mas... posso dizer que isso foi causado por um impacto incrível... quer dizer, teria sido perigoso se tivesse atingido seu coração."
Então, Etho lançou um feitiço de cura.
"Mãe Deusa, dai-me uma mão que cura <Lesser Heal>."
Em um piscar de olhos, as marcas do hematoma desapareceram junto com a dor.
"Isso aconteceu porque desviei por pouco de um ataque direcionado ao meu coração... Estou feliz por estar vivo."
"Com o que você lutou!?"
Niles, Etho e Amon gritaram a mesma pergunta.
Um oponente que pudesse ameaçar a vida de Ryo, mesmo que Ryo fosse capaz de subjugar um espadachim apenas com habilidade física, apesar de ser um mago...
"Eu conto sobre isso na próxima vez, se tiver a chance."
Ryo sorriu e encerrou a conversa.
(Ser encurralado por Leonor, mas exibir um poder unilateral contra aventureiros de classe F... isso não é nada legal...)
Eles deixaram os quatro do Quarto 1 e Dan, que estava em agonia, caídos no chão.
Niles, Etho, Amon e Ryo estavam todos sujos por causa de tudo o que aconteceu, então todos seguiram para o banho público.
Naturalmente, cada casa não tinha um banheiro, mas havia dezenas de banhos públicos na cidade.
Eles eram como banhos públicos administrados de forma privada.
Isso também era possível porque havia um grande rio no lado norte da cidade, um canal de água que trazia água de lá e um sistema de esgoto que passava sob as passarelas dos pedestres.
Estava completamente além da infraestrutura normal de uma cidade medieval... Ryo pensou consigo mesmo.
"Obrigado, Ryo. Se você não tivesse vindo, teríamos acabado sendo ridicularizados pelo Dan."
"Mesmo assim, o movimento do Ryo-san foi incrível! Mesmo você sendo um Mago."
"Amon, os Magos agora podem fazer pelo menos isso."
"Não, isso não é verdade."
Amon ficou impressionado, Ryo se fez de bobo e Niles retrucou.
Etho deu uma risadinha enquanto tentava parar de rir.
Era uma tarde de domingo tão pacífica que parecia que o encontro de Ryo na praça da biblioteca não passava de um sonho.