
Volume 1 - Capítulo 40
War Queen
Duas palavras tomaram o seu mundo nas medidas que se seguiram.
Duas palavras rasgaram em farrapos o que era real e conhecido, duas palavras transformaram verdades em ficções e o inconcebível agora aceito em realidade.
Duas palavras que ela carregou, em garras trêmulas e foices que uma vez pensou serem capazes de enfrentar qualquer inimigo ou desafio, para sua colônia nas entranhas do ninho morto-vivo. Um ninho que tanto nasceu quanto foi construído, para voar livremente no vazio. A primeira foi uma palavra de certeza, inevitabilidade. Seguro como a maré e inabalável como o nascer do sol banindo qualquer sombra que sonhasse se opor a ele. A primeira palavra foi ‘Humano’.
— Não, não, eu nunca vi um ‘Compositor’, e você deve evitar qualquer um do meu povo que afirme o contrário. — Demorou mais do que deveria para fazer o Comandante Hathan entender a ideia de divindade, entre as tentativas balbuciantes de clareza e a incapacidade de desviar os olhos da visão de seu mundo. Um mundo. Um de muitos. Um entre milhares. — Eu vi muitas coisas aqui, Verach, mas ainda não encontrei um Deus. Se houver alguém para ser encontrado, ele está em algum lugar mais além. Pelo menos mais longe do que minha espécie já viajou.
— Existem apenas duas coisas no céu para meu povo: aquilo que reside ao lado do Coro Infinito, e aquilo que está além da canção, enviado para devorar toda a vida. Você será visto como um ou outro.
— Bem, por mais que eu tenha certeza de que alguns dos *^&(* de *^&(* prefeririam que fôssemos recebidos como arautos deste ‘Compositor’ por seu povo, — Ele havia falado o nome como se fosse sujo. Skthveraachk não teve foco para ficar irritada. — Eu não serei o macho que encontra uma nova vida e se declara um divino, *^&(* eles são de Uhrth. — Ela tentou pronunciar o nome; eles tinham nomes para tudo que parecia, até mesmo seus mundos. Hathan a guiou através da fonética, até que o tradutor pudesse registrar a mudança. — De onde viemos, nascemos, como espécie. A Terra era nossa primeira casa, nosso primeiro planeta. Nós o domesticamos, *^&(*, e quando o superamos, partimos para encontrar outros. Os *^&(*, humanos, agora possuem- — Humanitas?
— -oito mundos, em vários estágios de *^&(*. — Ele não notou a interrupção dela. O brilho do sol meio escondido atrás da curva de seu mundo encheu a sala escura com calor, uma espécie de luz cruel, mas a Rainha respirou todo o seu brilho em agradecimento. Tinha certeza. Era real. — Nós, eu, não viemos aqui por sua causa. Estávamos destinados a viajar para um mundo… muito distante daqui. Quando *^&(*/ descobrimos este lugar, ele estava muito mais perto. Aparentemente perfeito, e foi tomada a decisão de mudar nosso destino, nossa missão, daquele mundo para este. Para prepará-lo, para os humanos viverem.
— Humanitas. Suas colônias, não-colônias, como quer que vocês chamem seus vínculos. Você diz que superou seu mundo, você superou esses outros mundos? —Tentar imaginar a superfície coberta por seu povo foi infrutífero. Ela teve mais sucesso imaginando ninhos apertados, espalhando-se de um para o outro, sem campos ou fazendas entre eles. Sem espaço. — Seus filhos eram muitos?
— Issa Pode ser difícil de *^&(*, mas um mundo só pode sustentar alguns. Nós nos tornamos muitos. Ficamos sem espaço, sem comida. Foi um *^&(* sombrio em nossas histórias, em nossas memórias.
— Quantos humanitas existem? — Ele hesitou. Ela se arrependeu quase imediatamente de ter perguntado, como se tivesse perguntado a uma rainha aliada a localização e o número de todos os seus ninhos. Amigo ou não, era uma informaçãa Poderosa, informação que poderia enfraquecê-lo se espalhada sem controle. Tal era a sua crença, até perceber que não era o medo, mas a dificuldade na contagem que provocava a pausa. Comandante Hathan declarou um número que o tradutor não conseguiu explicar.
Skthveraachk assinou a falha de comunicação.
Hathan tentou mais três vezes, até que a Bracelete confirmou a ideia de um “bilhão”.
Cem vezes maior que o tamanho das forças conjuntas do Triunvirato, se acreditassem boatos. Uma noção, um conceito, seu povo costumavam expressar a plenitude do seu mundo.
Um número teórico para denotar a quantidade de cada voz dentro dos limites da música. Skthveraachk assinou entendimento. Então, Comandante Hathan assinou o ‘bilhão’ mais cinquenta vezes. Ele praguejou com tanta violência e medo de que,a Rainha ficou atordoada e ficou em silêncio momentâneo.
— Nada disso foi traduzido para mim. Você poderia repetir?
— Não.
Ela não questionou suas palavras. Ela não as desafiou. Esforço desperdiçado. Era isso. Aceite e prossiga — Não é relevante. Você veio aqui para tornar meu mundo seu, um dos seus. Um lugar para você viver, espaço para sua espécie crescer? — Mesmo antes de ela terminar, ambas as pinças do Comandante já haviam se achatado e levantado ao longo dos lados. Parando, embora a Rainha tivesse feito pouco mais do que mudar de lugar tão sutilmente quanto seu tamanho permitia. Balanços calmantes para manter sua mente focada enquanto ela gritava e se debatia contra o oceano envolvente do novo.
— Não sabíamos que você estava aqui, não sabíamos que havia alguém aqui, aqui… — Ele acenou para o além infinito, como se isso de alguma forma ajudasse em sua explicação. — De jeito nenhum. Você é a primeira espécie inteligente que encontramos aqui em mais de *^&(**^&(* de exploração e- — E sua primeira ação foi se envolver em uma guerra de destruição.
— Decisão não minha. — Ela não precisava que o bracelete entendesse a dor que sua música havia causado. A pressa e o medo estavam colorindo sua canção e isso a envergonhava, Skthveraachk fez uma reverência e Hathan retribuiu. — Eu segui ordens/meu papel. Eu coloquei um fim nisso assim que pude. — Eles ficaram juntos em silêncio, olhando para aquele orbe girando lentamente. Aquela tela do céu desbotado. — Seremos uma espécie confusa para você, Verach, pois você nos fascina. Em menos de quatro compassos, mais pessoas do meu povo chegarão. Minhas Rainhas, ou perto o suficiente *^&(*, provavelmente virão elas mesmas. Elas decidirão o que fazer com você e decidirão o que fazer comigo. — Ele deve ter percebido o espasmo de suas mandíbulas, mas o choque dela estava na maneira como ele parecia entender o que isso significava: sua confusão e desejo de questionar. — Não foi minha decisão atacar o seu mundo, mas foi meu papel ajudá-lo. Eu tomei decisões. Fiz coisas pelas quais posso ser punido, se for decidido que eu estava *^&*.
— Comandante Hathan agiu com verdade e bondade. Acredito que o Comandante Hathan deseja ajudar e preservar meu povo, meu mundo. — Tudo o que foi feito para atingir esse objetivo foi feito para salvar indivíduos, rainhas em nascimento, ninhos e colônias inteiras. As decisões foram corretas. Eles estavam certos. A Rainha nãa Podia mais ver o Comandante como igual, como uma Rainha como ela era. Ela também não conseguia imaginar um futuro em que fosse forçada a confrontar essas novas verdades sem a presença e a assistência do macho. — Quando esse perigo chegar, eu ajudarei você a enfrentá-lo. Minha colônia de dezoito e os Palamedes, em uma só voz. — Ele queria explicar. Ele abriu a cabeça, preparado para continuar, antes de selar seus pensamentos em uma espessura fechada. O puxar da carne em cada canto da entrada era, ela só podia presumir, tristeza.
— No decorrer das reuniões *^&* *^&*, estou feliz que as minhas palavras tenham estado com você. Humanos- — Humanitas.
— -poderiam fazer muito pior no primeiro contato. Verach, — As bordas daquela linha que sufoca o buraco do rosto foram puxadas para cima. — Você nãa Pode mudar o nome da minha espécie *^&* porque isso não agrada a você.
— Esse bracelete me diz que você fala meu nome, mas eu fico de olho no seu buraco. Eu ouço os sons e sinto sua intenção, e não é ‘ Verach’. — Ela teve o cuidado de evitar a acusação em seu ritmo e um andamento constante, em vez de batidas rápidas. — A Pod faz barulho e a Bracelete me diz meu nome. Você faz barulho e a Bracelete me diz meu nome. Nenhum dos dois está correto, e nem o meu nome. Não posso, não irei regressar à minha colônia ou, eventualmente, ao meu mundo, e dizer-lhes que fomos visitados por seres de além dos limites da criação… que se autodenominam ‘hoo- mahns’. Não é um nome. Não é uma espécie. Você pode traduzi-lo para algo mais atraente, pois está ao seu alcance.
— Você percebe, sim, que quando ‘cantam’ um para o outro, vocês usam membros que não tenho e cheiros que não posso produzir? — Ela verificou se havia ofensa. O humanitário ainda abriu o rosto e ficou relaxado. Não era raiva. — Estou fazendo o melhor que posso com isso. O tradutor *^&* pelos erros.
Apontando para o buraco em sua cabeça, a folhagem flácida de dentro se contorceu quando ele abriu mais a lacuna na ilustração. Repulsa, embora divertida, ela juntou as antenas enquanto sua risada enchia a sala. Seus olhos, pela primeira vez, realmente se afastaram da imensidão da realidade à sua direita, para focar em algo tão simples e totalmente irrelevante abaixo dela.
— Diga isso de novo. O meu nome. — Seu bracelete falou ‘ Verach’ e ela o ignorou. Observando, mais duas vezes, o humanita se atrapalhar e mexer como fez com sua designação mal refinada e sem graça. Observou com fascínio mórbido a formação do triângulo gorduroso enquanto ele avançava pelo interior escorregadio, até que se convenceu de que era um esforço mais bem feito. — Eu entendo agora, Comandante Hathan.
— Obrigado, Svera Posso fechar minha boca agora?
— Essa coisa é a sua boca?
…