
Volume 5 - Capítulo 252
Life Hunter
— Por que fez isso? — Sebas quebrou o silêncio ao escolher voltar a ser um velho mordomo.
As outras três Bestas Divinas também se transformaram. Jorga encolheu seu corpo para um tamanho muito pequeno pela primeira vez depois que ele se tornou Jormungand. Apana também se tornou pequena e foi descansar no ombro de Layla. Aergia foi a última. Ela parecia estar exausta depois de retornar à sua forma humana.
Arima virou-se para o velho mordomo que fez a pergunta. Sebas estava atualmente olhando para Arima com uma expressão sombria.
— Você é Sebasfiel Mendes — disse Arima e colocou os óculos. Os olhos de todos se contraíram, mas eles não fizeram nenhuma observação. — O pai de Karaskan e Baphomet, certo?
— Eu sou, de fato — Sebas assentiu. — Eu queria perguntar por que você deixou o Téra ir. Vejo que poderia tê-lo matado facilmente. Talvez com apenas um pensamento neste momento. Eu também sei sobre o rancor entre minha família e você. Eu pensei que você faria de tudo para detê-los.
Todos se reuniram e ouviram em silêncio. Alguns deles estavam cientes do que aconteceu com Arima no passado, enquanto ele ainda era um ser humano normal. Layla era uma delas enquanto fechava os olhos e esperava.
— Você sabe — a voz de Arima ainda estava calma e fria. — Sua família é muito especial. Aconteceu de eu confrontar seus dois filhos. Baphomet era um poderoso Deus Maligno, mas ao mesmo tempo, eu gostava muito dele. Eu posso ressuscitá-lo mais tarde. Embora seu corpo tenha sido destruído, eu recuperei sua alma.
Os olhos de Sebas tremiam e todo o seu corpo tremia. Que tipo de pai não gostaria que seu filho fosse salvo?
— Além disso, Sebasfiel, você é um idiota.
— Oh?
— A mensagem do seu filho para você — disse Arima e a expressão de Sebas se contraiu. — Quanto a Karaskan. — A atitude de Arima foi ligeiramente perturbada, mas, no final, ele apenas suspirou e encolheu os ombros. — Ele é uma existência bastante fascinante e rancorosa. Ele queria se tornar o mal. Ele criou as Sementes do Caos para torcer o destino e forçar alguém como eu a se levantar e vir até ele. E com isso, ele foi capaz de abrir Pandora, que ele havia preparado de antemão. Em conclusão, ele morreu, e os Téra nasceram, mas, o grande ‘mas’ nesta história, é que Karaskan não estava tentando acabar com o mundo, ele estava tentando torná-lo mais forte.
Sebas ficou chocado e não foi o único. Os companheiros de Arima, o resto dos Guardiões e Pilares, e até mesmo Ahura. Apenas Layla permaneceu impassível.
— Os Téra são monstros sanguinários, mas, ao mesmo tempo, eles não atacam pessoas com pouca força, mas pessoas que combinam com as suas. Esse cara só queria criar um senso de urgência em todas essas espécies preguiçosas e estúpidas e fazê-las lutar para amadurecer. Muitos morreriam, mas em certo sentido, muitos outros seriam salvos e ficariam mais fortes — Arima bufou e acenou com a mão. — De qualquer forma, você realmente não precisa saber por que eu deixei Téra ir. Eu revisei um pouco o código fundamental deles e os tornei mais úteis para mim — declarou ele e caminhou em direção a Layla. Quando ele estava na frente dela, ele suspirou e mostrou um sorriso raro e caloroso. — Por que você o usou no final?
Layla sorriu friamente em troca. Aqueles que lutaram com ela estremeceram, não foi por muito tempo, mas eles se acostumaram com sua expressão fria enquanto lutavam junto com ela.
— Eu fui meio forçada — ela encolheu os ombros e presunçosamente olhou para Arima com o canto dos olhos. — Foi você que demorou. Se eu não tivesse agido, teríamos sofrido algumas grandes casualidades, e sua irmã teria usado seu trunfo para matar os Téra antes de morrer.
Arima fez uma careta e balançou a cabeça. As pupilas de Ahura se arregalaram e, quando ele a encarou, ela desviou o olhar com uma tosse.
— De qualquer forma — ele estalou os dedos e todos sentiram algo estranho acontecendo ao seu redor. — É bastante irritante estar no espaço o tempo todo.
Quando eles ouviram essa linha de Arima, eles já estavam no prado de um certo planeta.
— Espera, isso é…?! — Exclamou Gilgamesh. Foi ele quem ficou mais tempo neste lugar quando os quatro portões foram abertos e todos foram embora. Após sua realização, os outros seguiram e baixaram a mandíbula.
— Puta merda, você acabou de reconstruir um planeta inteiro com um estalo?! — Raylein gritou, mas Arima o ignorou e sentou-se.
— Sentem-se — ele acenou para Layla fazer o mesmo. Ela obedeceu com olhos relutantes. Ela se sentou na frente dele.
— Você realmente precisa fazer isso? Eu aguento.
— Não, você não aguenta. — Arima retrucou indiferente e Layla estalou a língua.
— Eu não quero que você faça isso.
— Eu tenho meios mais do que suficientes para resistir a isso.
— Você diz isso, mas vai aceitar sem fazer nada. Não mexa comigo. — Layla bufou e Arima olhou fixamente para ela.
— Você mudou de personalidade de novo. Em quanto dessa vez? Na quarta? A quinta vez? — Layla corou e fechou a boca porque era verdade. — De qualquer forma, apenas cante junto. Será mais fácil para mim. — Arima disse e Layla suspirou.
— O que eles estão fazendo? Shakti perguntou enquanto os observava.
— Eles estão falando sobre o preço da magia de Layla. — Malum cruzou os braços e se encostou em uma árvore. — A técnica que ela usou é chamada Eius Vestigia. Em outras palavras, os passos do mártir. Uma certa magia que Arima fez exclusivamente para ela. Porque isso é algo que só ela pode usar.
Shakti franziu a testa quando ouviu esse nome sinistro.
— O que isso faz?
— É muito simples — Noturno se juntou a eles e respondeu em vez disso. — O significado de “mártir” no nome refere-se ao sacrifício que o conjurador deve fazer. Claro, é uma magia que trabalha com teorias temporais. É por isso que apenas Layla pode usá-lo porque seus olhos são a chave.
Karma entrou logo depois.
— Normalmente, ela só é capaz de ‘ver’ as diferentes linhas de tempo que podem ser produzidas no tempo presente. Por exemplo, ela sabia o que fazer quando a Téra estava se fundindo porque ela tinha visto muitas alternativas diferentes no futuro. Eius Vestigia permite que ela leve esse poder para um novo reino. Ela pode fazer mais do que “ver”.
Os olhos de Shakti se arregalaram quando ela entendeu o significado disso. Malum encolheu os ombros.
— Agora você tá falando a minha língua. Basicamente, ela é capaz de experimentar o futuro que ela prevê. Nenhum de vocês percebeu, mas junto com a frieza que ela ganhou, sua idade e experiência de batalha dispararam. Tenho certeza que ela deve ter morrido muitas vezes durante a ativação de Eius Vestigia. Agora, ela é uma verdadeira potência com a experiência para apoiá-la.
— É isso que Arima quis dizer com mudar a personalidade. Eles testaram essa magia antes em pequena escala, Layla acabou tendo sua personalidade alterada por causa de alternativas futuras e isso a forçou a reformulá-la até que ela voltasse ao normal. Por mais estranho que possa parecer, foi o que aconteceu. Essa magia pode literalmente mexer com seu cérebro se ela não for cuidadosa.
— [Primeira Arte Críptica, Foedere Vitae et Sanguis] — Arima e Layla cantaram ao mesmo tempo. Uma luz quente cobria seus corpos. — Solte agora. — Arima instruiu e Layla assentiu. Ela fechou os olhos e respirou fundo. Os olhos de Arima se contraíram e ele gemeu levemente. Ele cerrou o punho.
— Qual é o peso disso então? — Ahura perguntou. Ela parecia um fantasma atrás do grupo de Malum.
— Não muito grande, mas extremamente grave ao mesmo tempo — respondeu Noturno. — Em suma, é uma distorção física. Os restos que ela deixou nas outras linhas do tempo enquanto as vivenciava voltarão para ela sem falhar. Quando isso acontecer, seu corpo será atacado pelas Leis do Tempo e será destruído. É uma magia perigosa no final.
— E a única razão pela qual Arima criou essa magia para ela foi que ele sabia que poderia usar a Primeira Arte Críptica para salvá-la — acrescentou Malum. — A Primeira Arte Críptica é uma conexão entre ele e Layla. Uma vez que a Arte seja conjurada, não importa onde estejam, quão distantes estejam, todo tipo de ameaça física ou etérea será transferida para um deles sozinho. Nesse caso, Arima.
Para provar suas palavras, Arima começou a sangrar um pouco. Uma gota de sangue saiu de sua boca e muitas pequenas quantidades de sangue mancharam suas roupas em outros lugares. Para alguém como Arima, que absorveu a força vital dos guerreiros mais fortes e agora era um Deus Verdadeiro, isso não era nada. Além disso, mesmo que ele estivesse sangrando, ninguém podia ver de onde vieram os ferimentos. Eles estavam simplesmente fechando em menos de um milissegundo de cada vez.
Claro, se fosse Layla sofrendo esse retorno, ela teria sido gravemente ferida e talvez aleijada, mas não significou nada para Arima, que tinha Natus para apoiá-lo.
Ele suspirou e a luz que o cobria e Layla foram embora.
— Está feito — ele afirmou e limpou o sangue nele com um único pensamento. Ele se levantou e Layla seguiu com um sorriso irônico. Ela estava olhando para algo em particular. O sangue que caiu no chão.
— Você realmente se tornou uma espécie de monstro da natureza.
— Ei, ei, eu sou tecnicamente um Deus agora. Não diga isso. — Arima retrucou e tirou um frasco de vidro de seu depósito. — Peguem isso — ele também tirou muitos outros e os jogou para o resto do grupo; um para cada um.
Flavio pegou e não ficou surpreso, pois já sabia o que era, mas ele era o único. Malum ergueu o frasco para os olhos e observou o líquido dentro. Era um líquido muito bonito que parecia cristal derretido. Ela brilhava lindamente toda vez que era iluminada pela luz do sol.
– Pra que isso? — Noturno perguntou e Arima riu. Eles não podiam vê-lo antes e é por isso que eles não sabiam o que era.
— É o meu sangue.
— O quê?
— É o meu sangue. E também, o que você pode chamar de Elixir — disse Arima e a área ficou em silêncio. Até Deva, que estava dormindo, ergueu a cabeça e piscou como um animal burro.
— Não precisam pensar muito sobre isso — ele acenou com a mão. — Se você acabar em uma situação crítica, beba uma gota disso. Vai te curar. Especialmente você, Ahura.
Ahura, que estava inspecionando o frasco com os olhos bem abertos, estremeceu. Ela virou os olhos para olhar para Arima.
— O que quer dizer?
— Achou que eu não sabia? Você não é como eu. Angra Mainyu criou os Caçadores da Vida para que alguém no futuro pudesse manter seu poder; Caçadores da Morte, mas você usou um humano para se reencarnar. Uma raça que poderia sobreviver, mas muito fraca em média. Apenas admita, seu corpo atual não permite que você use todo o seu poder, ou você morrerá, mas com o meu sangue, você deve ser capaz de fazê-lo se você usar uma gota de antemão.
Ahura bufou, mas ainda guardou o frasco como se fosse seu tesouro mais precioso.
— Obrigada.
— De nada — Arima riu e empurrou os óculos. — Agora, é hora de realizar uma pequena reunião. Temos um trono para conquistar.
— Por que você está empurrando seus óculos para cima? Eles nem estavam caindo. — Krynox comentou e a mão de Arima congelou.
— Krynox.
— Sim?
— Nunca mais, sob nenhuma circunstância, fale sem ler o clima antes.
— Peço perdão.
…