Life Hunter

Volume 5 - Capítulo 196

Life Hunter

Layla atacou sem hesitação desde o início, ela nunca parou nem por um segundo. Seu florete sempre apontava para os sinais vitais de Arima, não importava o quê.

Em contraste, ele continuava se esquivando dos golpes e dissipava a magia da luz com a sua própria como se não fosse nada, mas o estranho é que Arima não retaliou nenhuma vez. Sua expressão ainda era tão sombria e impassível quanto o início, mas ele não parecia querer contra-atacar.

Em algum momento, Layla parou de empurrar sua arma e começou a balançá-la. Esse fato por si só o surpreendeu, o que provou o quanto ele não estava levando essa luta a sério.

— Você disse que estava se segurando — Layla começou a falar enquanto seu florete estava emaranhado com SuperIra e Arima franziu a testa ligeiramente. — Mas você não está — acrescentou ela e suas escamas brilharam com luz prateada. Sua figura ficou embaçada e sua arma se moveu estranhamente.

Arima não conseguiu reagir a tempo e foi atingido diretamente no ombro. Ele foi pego de surpresa novamente e voou de volta para bater entre as videiras. Sua expressão não sofreu nenhuma mudança quando ele se levantou novamente. Ele olhou para o ombro sangrando e tentou levantar o braço esquerdo. Layla tinha mais uma vez apontado para um lugar no qual ela nem sequer deu uma olhada antes.

— Você não pode se conter se nem estiver lutando — declarou ela e Arima imediatamente disparou SuperIra contra ela. Ela bloqueou a onda de energia preta e azul com magia de luz e depois pulou para trás.

Ela bateu as asas e estava preparada para atacar novamente, mas quando ela escapou da explosão causada pelo disparo de SuperIra, ela viu Arima desaparecer. Ele abriu as asas por um segundo e instantaneamente chegou atrás dela.

— O que você quer dizer com isso? — antes que ela pudesse se virar, Arima a atingiu pelas costas e a fez voar em direção ao chão, mas a força por trás do golpe não era tão grande e ela facilmente impediu sua queda. Ela olhou para cima e seu sigilo brilhou. Uma formação mágica em forma de estrela se formou no céu. Ele girou e liberou uma onda gigante de energia luminosa.

Arima encarou sem expressão e estendeu a mão. Seu corpo começou a se expandir e quando a luz estava prestes a atingi-lo, uma enorme sombra agarrou a luz e a esmagou.

Ele lançou uma onda de choque que sacudiu o reino e rasgou as videiras. Era importante notar que este lugar era pelo menos cem vezes mais resistente do que uma Terra Original. Uma força grande o suficiente para cortar essas videiras seria suficiente para acabar com uma montanha no mundo normal.

Quando a luz desapareceu, um enorme dragão negro foi deixado lá, olhando para Layla. Seus olhos eram evidentemente maiores e mais assustadores enquanto suas pupilas vermelho-douradas brilhavam.

Layla mordeu o lábio. Ela não conseguia sentir nenhuma emoção daquele olhar. Ela suspirou, mas sorriu enquanto verificava o estado de seu corpo.

— O que quero dizer é muito simples: não é que você não quer revidar. Em vez disso, você não pode.

A expressão de Arima se contraiu. Relâmpagos trovejaram ao redor dele e ele se teletransportou bem na frente dela. Seu corpo gigante lançou uma sombra sobre ela, mas ela não vacilou.

— Você esqueceu em qual domínio Lilis reinou? — ela perguntou e Arima franziu a testa.

— Emoções mundanas.

— Exatamente — Layla assentiu e sorriu. — Você sabe que eu também tenho uma Manifestação passiva? É o que Lilis usou para impedir Pandora — disse ela e Arima de repente se lembrou. Ele nunca tinha visto a Manifestação de Lilis em ação. Ele só tinha aprendido sobre isso através das memórias de Layla. — Ênfase emocional. Esse é o poder da minha primeira Manifestação — Layla riu. — Eu posso estar trapaceando, mas no final, não estou fazendo você sentir nada. Estou apenas mexendo um pouco com suas emoções.

Arima bufou. Ele já sabia aonde ela queria chegar.

— Mais cedo — ela falou novamente. — Quando você me bateu pelas costas, não apenas reduziu sua força, mas também evitou qualquer ponto vital. O fato de que você não me bateu com tudo o que tem pode ser normal, já que, pelo menos, eu sei que você não quer me matar, mas o fato de você nem querer me machucar é toda a prova de que preciso. Você não está sendo legal porque eu sou uma mulher ou algo assim. Eu vi você decapitar aquela súcubo quando conhecemos ela. Você não se importa com o gênero do oponente em uma luta — Layla sorriu. — Basicamente, eu já estou dentro da sua cabeça. Estou provando isso para você e continuarei a lutar até que você reconheça — ela proferiu e seus olhos brilharam. Sua aparência voltou ao normal e seu vestido esvoaçou. Ela sorriu calmamente e todo o seu corpo se transformou em partículas brancas.

Arima olhou em volta e caiu no chão. Ele fez com que uma nuvem de poeira se formasse ao seu redor e, quando se dispersou, ele já estava de volta à sua forma humana.

Ao mesmo tempo, tudo ao seu redor se tornara branco puro. O oceano de seu reino da alma havia sido substituído por uma superfície branca e também o chão. As videiras não existiam mais e Arima notou que até mesmo algumas paredes pareciam distantes. Ele estava bem no meio de um cubo gigante.

A pintura logo apareceu na tela em branco e ilustrou o cenário pacífico de um prado. Arima suspirou e guardou SuperIra.

Seu sigilo girou e seu braço direito cresceu escamas negras enquanto ele acenava para a direita. Layla estava prestes a bater nele, mesmo parecendo que seria bloqueada, mas ela inesperadamente escapou da defesa de Arima e deu um soco no fígado dele.

Ele ofegou quando se viu quicando enquanto espalhava a dor em seu caminho. Ele bateu a palma da mão no chão para recuperar o equilíbrio e se levantou.

— Eu esqueci… — Ele murmurou. Ele certamente não estava se concentrando o suficiente para ignorar a habilidade mais perigosa de Layla. Seus olhos brilhavam como uma joia e suas pupilas de fenda eram incrivelmente ameaçadoras.

— Rodada 2 — ela anunciou e desapareceu quando a tinta a envolveu.

Arima grunhiu e aguçou seus sentidos. O que se seguiu foi unilateral. Este lugar oferecia uma enorme vantagem para Layla. Arima só podia se defender, já que se esquivar nem era uma opção graças a sua capacidade de ver o futuro. Ele não tinha usado nenhuma Arte até agora porque algumas das mais úteis haviam sido desperdiçadas por Malum e porque ele não se atreveu a usá-las e machucá-la por engano.

Mas, o mais importante, ele não poderia revidar, já que o poder de seus ataques seria devolvido a ele por sua Manifestação da Alma.

Arima se decidiu e começou a cantar baixinho. Um livro preto e branco se abriu na frente dele e lentamente percorreu as páginas. As intervenções do Tomo Sem Lei não produziam energia, era mais preciso chamá-los de ‘milagres’. Então, não poderia ser absorvido pela Manifestação de Layla.

— [Terceira Arte da Destruição, Pars Impios] — entoou Arima e o livro brilhou. Layla sorriu e acenou com a mão. Um grande pedaço de tinta emergiu do chão e tomou a forma de um livro.

— [Terceira Arte da Destruição, Pars Impios] — ela cantou e os olhos de Arima se estreitaram. Ela lançou a magia com antecedência e esperou que ele a usasse.

‘Não consigo interromper…’ Arima pensou enquanto olhava para o livro brilhante. Palavras estavam sendo escritas nele.

|| Erro. A teoria não permite dupla invocação. Fechando. Isenção. Solução: Destruição. || Isso era algo que talvez apenas Arima e Layla soubessem. Nem mesmo Noturno e Karma estavam cientes disso, já que nunca haviam sido informados.

O Tomo Sem Lei era um feitiço “único”. Não pode ser conjurado por duas pessoas diferentes ao mesmo tempo. Quando isso acontecesse, ele não funcionaria e destruiria ambas as instâncias.

Neste caso, os dois livros explodiriam em energia pura que era 100% absorvível pela Manifestação de Layla. Por isso que Arima estava um pouco nervoso.

Ele se transformou em um dragão novamente e se afastou do livro que acabara de invocar. Layla fez o mesmo, mas depois transformou seu corpo em partículas de luz. Ela poderia se tornar etérea neste lugar; a explosão não seria capaz de prejudicá-la.

Arima fez uma careta quando os livros começaram a rachar e soltar ruídos estridentes. Fugir não era impossível para ele, mas ele precisaria usar a Primeira Arte Destruição ou a Primeira Arte Azul para sair. Ambas eram muito perigosos.

Quando os dois livros explodiram, Arima cantou uma Arte sem exceção.

— [Terceira Arte Branca, Doppelganger].

A energia liberada pelos livros encheu a tela e foi prontamente absorvida. Logo depois, a energia atingiu a tampa e o aspecto final da Manifestação de Layla foi acionado. Quando ela usou aquele ataque contra Fafnir antes, ele teria morrido se não fosse pelo Sino de Mictlan, mas Arima não tinha um artefato como esse à sua disposição. Ele não teve escolha a não ser levar o golpe total.

Quando a Manifestação da Alma de Layla terminou, tanto ela quanto Arima foram expulsos do reino da alma. Um véu de luz cobria toda a Terra e acima do QG da Aurorae, duas sombras foram vistas. Layla pousou cuidadosamente no telhado e olhou para Arima.

Ele estava sangrando, mas seus ferimentos eram bastante estranhos. Seu braço havia sido cortado e era o único lugar de onde o sangue estava fluindo. O resto de seu corpo estava completamente ileso.

— Doppelganger… — Layla proferiu.

O aspecto oculto de Doppelganger era atípico. Não convocou uma cópia do conjurador. Arima não podia nem fazer isso, já que Malum havia quebrado os circuitos mágicos, mas o aspecto oculto era como uma estrada secundária.

Não tinha nome, mas sua propriedade era que poderia ditar o alvo das ameaças circundantes e redirecionar todos os danos. Nesse caso, Arima havia escolhido seu braço esquerdo.

Seu braço provavelmente levaria um mês para se regenerar, mas pelo menos ele havia evitado qualquer lesão crítica. Para ele, perder um braço era muito menos grave do que ter danos internos.

— Tudo bem, você ganhou — Arima levantou a mão restante enquanto se transformava em humano. Sua expressão também voltou ao normal. — Você está apenas me intimidando neste momento. Eu não posso mais fazer isso.

Layla riu.

— Entendeu agora?

— Entender? — Arima riu. — Admita, essa coisa toda foi uma piada. Você nunca estava tentando me convencer de que eu te amava. Você usou toda essa situação como uma forma de me influenciar. Para minha defesa, você estava meio que trapaceando, já que é impossível para mim não prestar atenção em você quando literalmente compartilhamos memórias.

Layla sorriu e estendeu a língua. Arima suspirou.

— Eu perdi um braço por isso… — ele resmungou e olhou para Layla. — 182.687 — ele disse e Layla inclinou a cabeça em confusão. — Esse é o número de vezes que eu poderia ter ferido ou matado você. — Arima explicou e Layla abriu bem a boca. Agora ela estava realmente suando. Isso foi muito assustador de ouvir.

Arima gemeu enquanto ele se esticava. Ele caminhou em direção a Layla e deu um tapinha na cabeça dela.

— De qualquer forma, entendi seu ponto. Eu ainda tenho sentimentos e anseios, mesmo com essa minha personalidade distorcida. E você conseguiu chegar ao topo da pilha — ele riu. — Parabéns.

Layla riu com ele e se virou para ele.

— Então, somos amantes agora?

— Segure seus cavalos, mulher. Preciso dormir agora. Estou exausto por sua causa. É tarde também, olha só isso — ele apontou para o céu e Layla viu a lua nascendo. Quando ela olhou para trás, Arima já havia desaparecido. Ela fez beicinho e se teletransportou também.

— {Finalmente! Essa coisa estava me deixando louco!} — Gritou Malum.

— Cale a boca. Você é o louco. — Arima retrucou.

— {Você tá de sacanagem, né? Olha quem fala!}

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