
Volume 3 - Capítulo 129
Life Hunter
Depois que o esquadrão deixou a vizinhança da ilha destruída, eles contataram os outros dois e verificaram se haviam escapado da explosão a tempo. Tudo aconteceu rapidamente, então ninguém pensou em contatá-los e Moria os informou brevemente sobre o ataque aéreo.
Mas, felizmente, ambos os esquadrões escaparam sem problemas e o esquadrão Azer até conseguiu recuperar os dados contidos nos servidores antes de serem desligados.
— Senhor, posso falar com ele? — Arima perguntou a Moria quando ele acordou. Moria estava conversando com Haze através do telefone via satélite quando ouviu a demanda de Arima. Ele fez uma careta, mas ainda entregou o telefone.
Arima pegou o telefone. — Haze, sou eu, Arimane.
— Ah, é você. Você conseguiu sair vivo, bom. O que há de errado?
— Espere um segundo. — Arima olhou para Jin e sugeriu que ele abrisse o computador. Jin ficou perplexo no início, mas depois exclamou enquanto entendia o que queria dizer. Ele pegou seu computador e depois conectou o telefone de Arima a ele antes de levantar o polegar.
— Você está livre.
Arima assentiu e se dirigiu a Haze novamente — Eu queria perguntar a você; o que você vai fazer com esses dados?
Haze não respondeu imediatamente e suspirou. — Eu não sei. Não sei se devo dar ao país. Tenho certeza de que você notou que a instalação que acabamos de destruir não estava bem mobiliada contra intrusos. A partir dos dados, aprendemos que era porque este lugar existe há muito tempo e deveria estar perfeitamente escondido, então a segurança ficou frouxa. Mas a informação vazou de alguma forma, e fomos capazes de encontrá-la; anos após sua construção. — Explicou Haze.
— A razão pela qual eu estou dizendo isso é porque eu acho que o governo descobriu sobre isso através de um espião ou um agente duplo. Eles então nos comissionaram para invadir o local porque sabiam que seríamos capazes de nos infiltrar e eliminar a resistência. Basicamente, isso significa… — Ela fez uma pausa. — Fomos enviados aqui apenas para que eles adquirissem os dados e não para descobrir qual era a instalação. Bem, tenho certeza que eles não esperavam que destruíssemos toda a ilha com os FEBs como você fez. O bom é que podemos convencê-los de que a explosão foi causada pelo ataque aéreo e não por nós. — Haze riu um pouco e Arima riu.
— De qualquer forma, se eu der esses dados a eles, eles começarão a trabalhar nas sombras, preparando-se para atacar as outras duas grandes potências. Nesse ponto, haverá uma guerra mundial ou talvez uma segunda guerra fria estressante. Afinal, você sabe perfeitamente, tanto quanto eu, que o governo é sempre assim; oportunista e descuidadamente buscando supremacia e novas maneiras de obter poder. — Afirmou Haze e todos ao redor de Arima ficaram em silêncio.
Mas Arima de repente sorriu, para grande confusão de seus camaradas. — Temos duas opções. Dê-lhes esses dados ou. — Seu sorriso parecia estar aumentando se isso fosse possível. — Guarde-o e diga a eles que ele foi perdido permanentemente.
— Ei! — Erin exclamou, em choque — Não importa o quê, isso significaria traição, sabia?! — Gritou, mas Moria não disse nada.
— Isso… — Haze também ficou sem palavras. Era o mesmo para todos os outros. O problema não era que Arima não queria dar os dados. O problema era sua escolha de palavras, “manter” os dados em vez de “destruir” ou “excluir”. Ele realmente disse “mantenha”.
— O que quer fazer com eles? Não me diga que você quer ameaçar os três poderes… — Haze perguntou, mas sua voz baixou no final de sua frase.
— Haze. — Arima cortou. — Posso perguntar uma coisa?
— O quê? — Haze franziu a testa.
— Se você tivesse a chance de realizar esse sonho tolo, você o faria? — Arima sorriu e questionou.
— Que sonho tolo? — Haze respondeu completamente confusa. Mas ela também estava estranhamente curiosa.
Ao mesmo tempo, Tieria finalmente acordou ao ter Arima falando ao lado dela. Ela ergueu a cabeça do ombro dele e esfregou os olhos.
Ela olhou em volta e viu todos olhando para Arima. Ela estava um pouco confusa e olhou para ele também. As palavras que ele pronunciou depois a fizeram questionar o que diabos havia acontecido enquanto ela dormia.
— Erradicar a guerra.
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Quando o esquadrão voltou para o continente, Arima foi hospitalizado diretamente. Ele aparentemente tinha alguns ossos quebrados nas costas e alguns de seus órgãos internos quase se deslocaram para fora de lugar. O médico até disse que era bastante impressionante que ele não estivesse paralisado por causa do choque que sua coluna havia sofrido.
Afinal, Arima suportou o golpe de uma explosão e bateu as costas na água para proteger Tieria quando eles foram enviados voando pela onda de choque. Tieria se sentiu culpada, pois foi ela quem insistiu em segui-lo e, assim, permaneceu ao seu lado durante todo o período em que ele esteve no hospital. O que não foi muito tempo. Os médicos ficaram tão perplexos que verificaram a condição de Arima duas vezes antes de deixá-lo ir.
— Nós o curamos magicamente em algum momento? — Um dos médicos murmurou enquanto bebia seu café e seus colegas de trabalho sorriram ironicamente.
Quando Arima voltou para casa e abriu a porta da frente, uma Scatha selvagem saltou e de repente o puxou para um abraço.
— Estou bem, mãe… — Arima lutou para falar, mas ela ainda não o deixaria ir. Quando ele estava começando a ficar azul por falta de oxigênio, outra pessoa o salvou.
— Olá, senhora. — Scatha ouviu uma voz e olhou para a fonte. Lá estava Tieria, sorrindo com a interação entre a mãe e o filho. — Eu sou Tieria, prazer em conhecê-la — Ah, sim. — Sou Scathach Blade, mãe de Arima. — Scatha respondeu da mesma forma e depois arrastou a Arima tossindo com ela ainda mais para dentro da casa. — Quem é? Sua namorada?
Arima riu secamente e Tieria ergueu a voz. — Se eu puder perguntar, posso me mudar para cá?
— Quê? — Scatha congelou.
— Hein? — Arima reagiu ainda mais tarde. Foi ainda mais inesperado para ele. Ele não sabia por que ela diria isso tão de repente.
— Tem certeza de que ela não é sua namorada?
Arima cobriu a boca de sua mãe antes que ela pudesse terminar e esperou que Tieria continuasse.
— Eu só… não queria voltar para o orfanato. Se estiver tudo bem para você, eu gostaria de ficar aqui. Não acho que haja alguém mais próximo de mim do que você, Arima. — Ela explicou seu motivo e Arima abaixou a cabeça com uma expressão escura.
Scatha olhou para os dois e percebeu que não era hora de fazer algumas piadas. Ela olhou para Tieria com um olhar sério. — Eu não sei o que aconteceu, mas se você realmente quer ficar aqui, você pode. E Arima não pode recusar. — Ela sorriu e olhou para o filho. — Você não vai rejeitar uma garota que busca conforto com você, certo?
Naquele exato momento, Rocky saiu de casa e inclinou a cabeça enquanto olhava para Tieria e Arima.
Arima suspirou e desviou o olhar. — “Você tinha que dizer assim…)” — Ele resmungou interiormente e balançou a cabeça antes de olhar para Tieria nos olhos. — Claro, eu não vou recusar Tieria sorriu. — Obrigada.
Desde aquele dia, Tieria começou a viver junto com os dois e foi também durante o mesmo ano que Arima parou de ir à escola. Ele então começou a dedicar seus dias a algo completamente diferente. Sua rotina diária era, é claro, aprender sob a tutela de Scatha, passar tempo com Tieria e brincar com Rocky. Mas na maioria das vezes, ele estava fora de casa e quase ninguém sabia o que ele estava fazendo.
Mesmo Scatha não sabia para onde ele iria. Alguns meses depois, um dia, ela perguntou a Tieria se ela sabia algo sobre isso enquanto ambas estavam assistindo TV.
— Eu não tenho certeza. — Respondeu Tieria, mas ela parecia ser bastante casual sobre isso.
— Vamos lá, pensei que você estivesse mais perto dele do que isso. — Scatha brincou enquanto batia no ombro de Tieria.
Essa última sorriu ironicamente. — Não é como se eu não soubesse com que propósito ele sai todos os dias, mas eu nunca perguntei o que ele realmente faz.
— Hm. — Scatha cantarolou e pegou um punhado de pipoca e comeu. — Então, qual é o propósito?
Tieria não pôde deixar de sorrir quando pensou na resposta a essa pergunta. — Livrar-se da guerra no mundo. — Declarou ela.
Scatha ficou boquiaberta e um pouco de pipoca caiu de sua boca. Ela recuou e apertou os olhos como se algo estivesse suspeito. — Estamos falando da mesma pessoa?
Tieria riu e assentiu. — Nós estamos.
— Não posso acreditar. — Scatha suspirou e a deitou no sofá. — E então, como ele está fazendo isso? Conhecendo-o, ele deve ter um plano.
— Hm. — Tieria assentiu novamente. — Ele deve ter um. Mas tenho certeza de que ele também escolheu o mais realista. — Alegou ela e Scatha concordou imediatamente. — Acho que é por isso que ele não está nos contando os detalhes. — Acrescentou ela e a expressão de Scatha se tornou solene.
— De qualquer forma, se estamos falando da mesma pessoa, tenho certeza de que tudo ficará bem. — Scatha encolheu os ombros. — Talvez eu não tenha mais que trabalhar quando não houver guerra. — Ela proferiu e Tieria riu.
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— Então, basicamente, seu plano é criar um Império. — Disse Haze enquanto olhava para Arima. Ambos estavam sentados juntos em uma sala de reuniões no topo de um prédio alto.
— Não fale assim. Parece que eu sou um cara mau tentando conquistar o mundo. — Arima retrucou e continuou a digitar em seu laptop. — Tenho certeza de que você entende que precisamos nos tornar uma força independente para fazer este plano funcionar.
— Sim, eu entendo isso. — Respondeu Haze. — Você quer criar um país por conta própria. Deixe-me ser honesta com você, isso é meio louco. — Disse ela. — Mas, bem. — Ela olhou para as ruas através da janela larga. — Chegar até aqui em três meses… isso é realmente assustador. Como você conseguiu criar uma empresa e possuir este prédio tão rapidamente?
— Bem, primeiro, você precisa começar um negócio por conta própria, mesmo que não seja realmente grande ou qualquer coisa. Contanto que você tenha dinheiro suficiente, você pode fazer o primeiro passo. Pessoalmente, acabei de usar o dinheiro que roubei dos alvos de nossas missões anteriores. — Explicou Arima.
— Isso é um crime você sabe…
— O próximo passo também é simples. — Arima ignorou e retomou. — Você só tem que comer outras empresas e fazer a sua maior.
— Mais especificamente? — Haze perguntou.
— Bem, é claro, você faz uso do que tem, vai direto para o topo e os força a entregar a você tudo o que possuem. — Disse Arima com indiferença.
— Isso não é um crime também? — Haze ficou inexpressiva.
— Não, eu apenas visei aqueles que poderiam ser ameaçados. Eu apenas disse a eles que eu tinha provas do que eles tinham feito e, em seguida, os levei a uma armadilha onde eles só poderiam sobreviver, dando-me tudo.
— Você vai se criar um monte de inimigos assim. Eu diria que não é uma boa ideia a longo prazo. — Aconselhou Haze, mas Arima apenas sorriu para ela.
— Não se preocupe, eu sei. Não vou continuar assim para sempre. Mas mesmo que o fizesse, existem certos métodos que eu poderia empregar para fazê-lo funcionar. — Arima casualmente declarou e Haze estremeceu. A mente de Arima definitivamente não era algo que deveria pertencer a um adolescente de dezesseis anos.
— Certo. Nesse caso, quais são seus planos a partir de agora? Manter este negócio até que você seja grande o suficiente? Isso certamente não será simples.
— Bem, continuarei expandindo meus negócios, é claro. Mas nossa tarefa mais importante será outra coisa. — Arima ergueu um dedo. — O que um país mais precisa é de seu poderio militar. Vou criar uma segunda empresa. Uma de mercenários desta vez. — Arima anunciou e apontou para Haze. — Ambos os nossos esquadrões serão os primeiros membros.
— Hm. — Haze caiu em pensamentos profundos.
Arima levantou um segundo dedo. — E depois disso, precisamos de pessoas talentosas, principalmente no departamento de P&D, para fazer uso dos dados que temos. — Disse ele com um sorriso. — Claro, há uma última coisa que eu preciso para realizar esse sonho louco. Mas será para mais tarde.
Ele balançou a cabeça e suspirou. — Tudo bem, vou segui-lo nesse plano confuso. — Ela sorriu e estendeu a mão. Arima riu e sacudiu.
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De volta ao Jardim do Tempo, a água da lagoa que Lilis estava olhando tremia. Ao mesmo tempo, risos sinistros ressoaram no jardim.
Lilis engoliu em seco e percebeu que o que viria a seguir explicaria por que Arima foi tratado como um criminoso pelo próprio Jardim do Tempo. E também, por que todo o lugar parecia estar cheio de escuridão apenas rebobinando seu passado.
Por alguma razão, quanto mais Lilis observava, mais apreensiva ela ficava. Ela sentiu como se algo que pudesse até afetá-la estivesse se aproximando gradualmente.
Ela hesitantemente tocou a água da lagoa, sabendo que nas seguintes reminiscências, a vida de Arima mudaria drasticamente.