
Volume 3 - Capítulo 87
Life Hunter
Arima disparou seu sigilo e uma enorme bola de fogo feita por um grupo de estudantes foi atingida por um raio roxo e espalhada. Ele então cortou a lança de Arister e o florete de Lanya em um único golpe. O professor infundiu sua arma com mana e um raio explodiu da katana.
A areia volátil começou a se mover estranhamente e de repente se tornou uma boca gigante que tentou comer Arima. — Melody, hein? — Ele murmurou e conjurou cinco bolinhas de gude comprimidas em sua mão. Em seguida, jogou-as em um círculo ao seu redor e o vento interior explodiu, soprando a areia para longe.
Ao mesmo tempo, uma forte chuva repentinamente chegou e Arima olhou para o céu com surpresa. Suas nuvens de trovão foram as que causaram aquela chuva.
— “Mas eu não adicionei nenhuma água… Isla? Ela realmente conseguiu sobrescrever minha magia e usar minhas nuvens? Aquela garota é realmente um prodígio…” — Ele pensou enquanto a tela de areia caía lentamente enquanto os grãos ficavam mais pesados com a água. Arima acabou cercado por toda a classe quando sua visão ficou clara. Todos tinham terminado sua preparação para uma magia e a lançaram ao mesmo tempo.
Tanto Lanya quanto Arister prepararam a quinta arte azul e prontamente a lançaram. Arima sorriu e começou a cantar também. Mas o que aconteceu era inexplicável. Sua velocidade de canto era muito rápida, era totalmente desumana. Era como se alguém tivesse pressionado o botão de reprodução rápida.
— [Et erraverunt] (Você se desviou).
— [Ecce ego pronuntio] (Aqui eu me declaro).
— [Sine condicione erga dominum tuum] (Seu mestre incondicional).
— [Revertere ad me] (Retorne para mim).
Isso passou extremamente rápido, mas Lanya e Noturno reconheceram facilmente a magia. — A quarta arte vermelha! — Ambos exclamaram ao mesmo tempo.
— Todos, retirem-se! Nem se incomodem em tentar segurar sua magia! — Lanya gritou e todos os alunos assentiram antes de recuar.
— [Quarta Arte Vermelha, Nativus Dominare] (Regra Elemental). — Arima terminou de cantar e toda magia voltada para ele parou. Os espinhos vindos do chão, a água e as lâminas de gelo voando para ele, o fogo ardente, até Luz e Escuridão foram interrompidos enquanto os ataques espaciais eram desviados por uma simples rotação do sigilo de Arima.
Ele acenou lentamente com as mãos e, de repente, toda magia mudou de alvo e foi devolvida em direção ao seu conjurador, causando inúmeras explosões ao redor de Arima, elevando mais uma vez a areia seca.
Felizmente, Lanya, Noturno e Balan, que podiam fazer barreiras resistentes, protegiam a todos.
— Quem fará isso? — Lanya bateu uma asa para limpar a areia e de repente perguntou a Arister quem estava ao lado dela.
— Você vai. Farei o meu melhor para segurá-lo. — Ele respondeu e seu corpo ficou vestido com uma armadura espartana completa. Ele sorriu e olhou para Irian, que não estava tão longe. Arister lembrou o quão forte fisicamente era aquele garoto.
— Ei, você quer ajudar? — Arister perguntou casualmente e Irian assentiu com firmeza. Seu companheiro sorriu e contou o plano por telepatia.
— (Entendi!) — Respondeu Irian e seu corpo começou a se expandir. Depois de alguns segundos, seu corpo agora era semelhante ao de um urso, apenas a pele era diferente, pois era de uma cor vermelha profunda. Era o contrato de alma que ele escolhera.
O Urso Demoníaco, também chamado de Carmesim, é uma besta conhecida por sua loucura em combate. Sua capacidade de cura, que não deve ser subestimada, e sua força bruta esmagadora.
Seguindo-o, cada aluno começou a se transformar com seus respectivos contratos de alma. Quase todos eles já tinham feito um contrato. A única exceção era Lena, que tinha uma besta de alma real, que era uma grande Águia Real.
— Continuem atacando! — Arister berrou antes de chutar o chão e correr diretamente em direção a Arima, que sorriu enquanto os observava.
— Parece que você tem um plano. Eu não vou ter tempo para apontar cada detalhe, então eu vou fazê-lo no final. Boa sorte. — Arima preparou sua katana e um raio cobriu o céu. Ao mesmo tempo, Arister balançou sua lança e entrou em confronto com seu adversário.
Arima foi surpreendentemente empurrado para trás por esse golpe único. Seus olhos se arregalaram e o canto dos lábios se ergueu — Entendo, você já está empurrando para 100, hein? Assim sendo, eu não vou me segurar! — Ele disse e seus braços incharam um pouco e o vapor escapou de sua boca. Ele então rebateu Arister, que estava sorrindo e atacando muito mais ferozmente do que antes — Parece que você começou a usar essa armadura em todo o seu potencial. — Parabenizou Arima, com o tom casual de sempre.
— Sim, obrigado, eu acho. — Respondeu Arister.
Arima riu e abruptamente sentiu uma enorme pressão pesando sobre si. Ele lançou um olhar para o lado e viu Melody. Sua aparência atual era semelhante a uma dríade com seu cabelo que ficou verde brilhante e suas orelhas pontudas. Mas a garota também parecia ter alguns chifres crescendo em sua cabeça. Ela estava agachada com as palmas das mãos apoiadas no chão enquanto olhava para Arima.
— “Ela fez um contrato pacífico com um Cervo da Natureza, hein?” — Arima pensou.
— O Cervo da Natureza é uma fera muito rara que vive em lugares cheios de vida e vegetação. Diz-se que os cervos têm uma enorme afinidade com a natureza, ainda mais do que os elfos, e sua reserva de mana é conhecida por sua alta qualidade e tamanho. — Disse a garota, um tanto orgulhosa de sua escolha.
— “Verdade, para usar a gravidade tanto assim para me impedir, você precisa de uma quantidade significativa de mana.” — Comentou Arima interiormente.
Arister então balançou sua lança verticalmente, colocando ainda mais pressão sobre ela. Ele estalou a língua e uma luz negra de repente brilhou em sua mão esquerda. Antes que Arister pudesse perceber, Ira já estava apontada para Melody. Claro, Arima não pretendia machucá-la. A bala foi infundida com magia da alma para perturbar seu contrato e terminar com força a ressonância.
Em última análise, ele foi capaz de pressionar o gatilho antes que Arister pudesse detê-lo, mas surpreendentemente, uma espécie de túnel azul escuro apareceu na trajetória e absorveu a bala. Arima franziu a testa quando viu isso e prontamente descarregou uma enorme quantidade de relâmpagos para fugir de Arister. Meio segundo depois, a bala que ele atirou passou bem na frente dele. Saiu de um segundo buraco azul escuro no ar.
Arima olhou para trás de Melody e viu Balan sorrindo enquanto desenhava um círculo mágico. O professor então comandou suas nuvens e um raio caiu. Mas a mesma coisa aconteceu e um buraco de minhoca redirecionou seu ataque para ele.
Ele riu e se concentrou em Arister, que preparou muitas formações de buracos de minhoca com antecedência. — É uma perda de tempo e de energia — Arima determinou que não poderia atirar em Melody.
No final, ele foi lentamente empurrado contra um canto por Arister por causa da gravidade. Este último era herdeiro de Ares e estava fazendo bom uso do poder que recebeu graças a esse título. Mesmo que fosse Arima, uma vez desacelerado, ele tinha boas chances de dominá-lo.
Enquanto Arima estava lutando, ele continuou observando seus arredores e o fato de que havia apenas Arister, Melody e Balan se opondo a ele era honestamente confuso. Mesmo que houvesse algumas magias atacando-o de vez em quando, elas eram de longo alcance e ele não conseguia identificar os conjuradores.
Ele tentou se concentrar e sentiu a presença do resto do grupo. Os alunos estavam mirando nele enquanto cercavam Lanya. Arima se concentrou nela e viu que ela estava se preparando para lançar algo.
Ele não conseguia ouvir o que eles estavam falando, mas, por outro lado, percebeu qual era a magia sendo preparada. — “A Terceira Arte da Destruição.” — Arima fez uma careta — “Pode ser problemático.”
— [Adolebitque in aeternum] (Queime pela eternidade). — Ele iniciou um novo encantamento e Arister estremeceu. Arima estava lutando contra ele em combate corpo a corpo, controlando o relâmpago e agora cantando por uma magia, tudo ao mesmo tempo. Ele ficou sem palavras.
Então ele se lembrou de outra coisa. — Ei! Você não nos ensinou sobre mentes paralelas! — Ele gritou e Arima sorriu enquanto continuava seu canto.
— [Ipsam mundi] (Queime o mundo) — [Erumpant ex religiosae vitae] (Erupção do nível mais profundo) — [Et haec stultum esse cremari] (E cremar esses seres tolos) Arister estalou a língua. Ele sabia o que estava vindo. Ele trocou golpes com Arima uma última vez, então recuou apressadamente antes de plantar seu escudo no chão, que então cresceu exponencialmente em tamanho para se tornar uma grande esfera abrigando seu dono.
— [Quarta Arte Azul, Huius Ignem Inferni] (Chama do Inferno). — No mesmo momento, Arima terminou seu canto e a terra começou a tremer e rachaduras apareceram por todo o chão. A areia cintilante flutuou dentro das fissuras e desapareceu na escuridão. Então, a temperatura aumentou muito.
Melody parou o impulso da gravidade e ofegou um pouco. Balan usou o círculo que estava desenhando mais cedo para teletransportar os dois para longe. O grupo de Lanya também se distanciou um pouco, embora já estivessem muito longe.
Chamas carmesim de repente irromperam das rachaduras e lava fluiu para fora. O fogo se reuniu no ar como se estivesse vivo e formou uma espécie de disco imenso. Esse disco brilhou e o fogo se condensou em um pilar que caiu no escudo de Arister. Parecia um raio de luz concentrado vindo de um laço gigante. O escudo do herdeiro de Ares brilhava em luz dourada brilhante enquanto resistia às chamas viciosas.
Ocorreu uma explosão que primeiro endureceu a areia e depois a destruiu. A onda de choque se espalhou por quilômetros. Arima, no meio de tudo isso, correu em direção à posição do grupo de Lanya sem qualquer atraso.
Quando ele chegou, seus olhos brilharam e se estreitaram logo depois — Ilusões espirituais, aqueles pequenos… — Ele murmurou e depois sorriu com orgulho para seus alunos. Qualquer um se sentiria assim se visse alguém usando o que ensinou.
Arima fechou os olhos e examinou todo o deserto em um segundo, antes de examinar ainda mais. Quando ele descobriu a posição de Lanya, concluiu que ela já havia começado a cantar e estava totalmente preparada.
— Isso será um problema. — Arima sorriu ironicamente — A terceira arte de destruição é muito especial. — Disse ele enquanto voava em direção a seus alunos enquanto quebrava a barreira do som, deixando Arister, que estava resistindo ao fogo e à lava, para trás.
Dentro de seu escudo esférico, Arister suspirou enquanto desenhava um círculo de teletransporte. Ele já estava suando por causa do calor. — Ok, estou fora… Acho que não vou conseguir sair a tempo. Não estraguem tudo, todos vocês.
Em uma floresta, fora do deserto, Lanya estava segurando um livro branco e preto em suas mãos. Aquele livro estava brilhando com uma luz peculiar. Ela abriu e a primeira página estava completamente em branco. Enquanto segurava o livro com uma mão, colocou a outra na página.
Os alunos observavam curiosamente. O livro que Lanya tinha na mão apareceu muito rapidamente e eles estavam se questionando sobre o que poderia ser. Especialmente quando Lanya disse que era a magia mais forte que Arima já lhe ensinou.
— [Auribus percipite verba mea] (Ouça minhas palavras).
— [Voluntatem meam] (Manifestar minha vontade).
Enquanto Lanya cantava, palavras indecifráveis apareciam nas páginas do livro.
— [Summone gloriam meam] (Invoque minha ambição) — [Et meam impleat votum] (E cumpra meu desejo).
— [Secundum iudicium tuum] (De acordo com o seu julgamento,) — [Et implerem] (Realize-o).
As palavras nas páginas brilhavam com uma luz forte e uma aura ameaçadora e arrogante se espalhava.
— [Arte da Terceira Destruição, Pars Impios] (Tomo Sem Lei).
Quando Arima chegou, já era tarde demais. Ele só podia assistir enquanto o livro se transformava em um feixe de luz branca e negra que voava em direção ao céu. Logo depois, ocorreu um segundo terremoto, muito maior do que o causado pela quarta arte azul, e uma grande sombra cobriu a floresta.
Arima lentamente olhou para cima e sua expressão se contraiu. — Ei, você, livro de merda. Foi isso que você escolheu? Temos sorte que esta é uma outra dimensão… — Arima resmungou e instantaneamente tentou fugir.
Uma das particularidades dessa arte era que ela nunca machucaria outra pessoa além do alvo definido pelo conjurador. Então Arima não precisava se preocupar com Lanya e os alunos.
Enquanto pensava nisso, ele esbarrou em uma parede invisível e foi jogado no chão. Arima pousou habilmente, mas sua expressão não era tão boa. Ele olhou para onde esbarrou em algo e viu uma parede fina e azul.
— Sério…? — Arima murmurou enquanto olhava para o enorme objeto escuro caindo do céu como se estivesse vindo da estratosfera. Não era um meteorito ou qualquer coisa do tipo. Se uma comparação fosse realmente necessária, algo como uma prensa gigante seria muito mais preciso.
— É uma armadilha mortal! — Arima bufou. Uma barreira cilíndrica estava confinando-o, forçando-o a enfrentá-lo de frente. A terceira arte de destruição foi provavelmente a magia mais única e ‘caprichosa’ que Arima já criou. O livro seria ativado com base na vontade do conjurador, mas é o próprio livro que escolheria como o desejo do conjurador deve ser respeitado.
Arima até inseriu a teoria das Leis do Mundo Original nela. Se não fosse pelo fato de que o livro era muito peculiar e o poder que poderia exercer era limitado, seria facilmente a primeira arte. Mas mesmo assim, o Tomo Sem Lei ainda é muito polivalente. Ele pode fazer literalmente qualquer coisa que o conjurador possa imaginar, desde que o resultado final não seja mais formidável do que o poder total do conjurador.
O livro também consome uma enorme quantidade de mana. Você poderia dizer que essa magia era a mais forte do mundo, mas terrivelmente defeituosa e ineficiente.
— Maldito livro. Você teve que escolher isso? Eu sou o seu criador, droga. — Arima reclamou enquanto sacava Superbia. Ele tirou uma bala preta. Ele a carregou na câmara do rifle antes de puxar o ferrolho. Arima carregou Superbia com um carregador estranho cheio de uma substância escura exalando enormes quantidades de energia.
Arima sorriu e apontou para a prensa gigantesca caindo sobre ele. — Vamos ver se você aguenta essa bala.