
Volume 3 - Capítulo 86
Life Hunter
— Como? — Arimane perguntou a Moria, um pouco ansioso.
— Bem, obviamente… — Moria caminhou até um armário no dojo e tirou algo antes de jogá-lo rapidamente para Arimane, que reagiu rapidamente e agilmente o pegou. Essa ação simples chamou a atenção de todo o esquadrão. Esse tipo de velocidade de reação não era algo para se zombar.
Arimane olhou para o que estava em sua mão, confuso. Era apenas uma faca fictícia cuja borda havia sido manchada com tinta vermelha. Ele olhou para Moria com um olhar cheio de perguntas.
— Você vai primeiro treinar com seus veteranos, então vamos fazer um pequeno teste. Se você se sair bem nesses dois, você pode se juntar ao esquadrão sem nenhum problema — Explicou Moria.
Arimane refletiu, mas não ficou surpreso, já que era uma instalação militar. Ele olhou para as outras pessoas por um momento e depois pensou — “Posso ganhar…? Eles provavelmente são mais treinados do que todos os outros no orfanato. Mas… se eu confiar um pouco no meu corpo, talvez eu tenha uma chance.”
Ele não estava sendo vaidoso, estava apenas ciente de que realmente havia uma diferença na capacidade física. Embora tivesse apenas dez anos, ele poderia reunir a força de um homem adulto totalmente treinado que não tinha Nanomáquinas.
Enquanto ponderava, Arimane começou a brincar com sua faca. Ele fez girar e girar em torno de sua mão, então ele mudou seu aperto em menos de um segundo sem manchar suas roupas ou mãos com a tinta que estava nele. Ele fez tudo isso de uma só vez, sem falhar.
Tanto o esquadrão quanto Moria olharam surpresos para ele. Não era tão difícil fazer truques como esse com suas facas, mas era necessária muita familiaridade e prática.
— Alta velocidade de reação e alta destreza, hein? — Moria murmurou e sorriu — Este garoto é adequado para ser um assassino. — Observou ele sem deixar a pessoa em questão ouvi-lo.
Quando Arimane estava pronto, ele foi para o meio do dojo e um cara de 16 anos o seguiu. Ele tomou uma posição regular com a faca apontada para seu oponente.
Arimane sorriu amargamente enquanto olhava para ele. A pequena criança tentou imitar a postura de seu adversário no início, mas descartou a ideia quando sentiu que era muito desconfortável. Ele olhou para a faca e mudou o punho para um reverso. O esquadrão o observou com um sorriso zombeteiro quando ele fez isso, mas o que aconteceu depois fechou a boca de todos.
Arima ergueu a faca e apontou a borda da lâmina em direção ao oponente. Sua mão esquerda foi colocada na frente de seu peito e seu pé esquerdo colocado um pouco atrás.
Moria ergueu uma sobrancelha quando viu isso — “Ele tomou essa posição apenas por instinto?”
A postura de Arimane parecia ser extravagante no início. Muitos eram aqueles que gostavam de usar um aperto reverso. Mas no momento, a lâmina em sua mão direita cobria sua garganta, sua mão esquerda estava pronta para contra-atacar ou proteger, e seu equilíbrio também era bom. Claro, havia alguns lugares para melhorar. Mas para uma primeira tentativa, foi muito impressionante.
— Kile Walker! — O membro do esquadrão abriu a boca.
— Arimane.
Moria olhou para os dois e bateu palmas. Esse som foi explícito o suficiente para anunciar o início. Kile se moveu primeiro, ele era rápido e seus pés firmes. Arimane ficou instantaneamente abalado, ele nem sabia que as pessoas podiam se mover assim.
Mas, quando a lâmina de Kile estava prestes a alcançá-lo, Arimane instintivamente se moveu e empunhou sua faca para combater do lado oposto. Dentro de um segundo, os dois oponentes tinham emaranhado suas facas.
Kile foi pego de surpresa pela precisão que Arimane mostrou naquele confronto. Não era uma questão fácil aparar uma faca vindo em alta velocidade sem treinamento prévio.
Kile tentou dar um passo para trás para tomar um pouco de distância. Ele previu que Arimane não era realmente experiente e definitivamente mostraria aberturas se ele recuasse um pouco antes de atacar de um ângulo morto.
Mas enquanto pensava nisso, uma mão agarrou abruptamente seu ombro. Seus olhos se estreitaram e ele entrou em pânico. Arimane puxou-o para trás e conseguiu pressionar sua faca contra sua garganta antes que ele pudesse reagir.
Os movimentos de Kile congelaram. Ele não conseguia acreditar. A força de seu oponente era muito maior do que ele pensava. No final, sua derrota foi parcialmente devido a ele subestimar seu oponente e também porque ele simplesmente nunca imaginou que uma criança de dez anos poderia dominá-lo apenas com força bruta.
Os outros membros do esquadrão ficaram muito surpresos com esse resultado rápido. Moria riu. — A vitória é de Arimane. — Anunciou ele. Na verdade, nem ele esperava que Kile perdesse. Mas considerando o próximo teste, foi a situação perfeita.
Arimane suspirou. Por fora, ele parecia estar relativamente calmo, mas em sua cabeça, ele estava tão estressado que pensou que ia desmoronar no chão.
— Você é natural, ao que parece. — Moria elogiou e Arimane sorriu ironicamente. — Mas isso não acabou! — Acrescentou ele e olhou para Erin, que caminhou até o centro do dojo depois de pegar uma faca.
Ele chegou na frente de Arimane e assentiu levemente — Erin Walker.
A maioria dos órfãos aqui tinha ‘Walker’ como nome de família, já que era o nome da instalação. Havia apenas casos como Arimane, onde eles se recusavam a herdar o nome.
Arimane assentiu para Erin e repetiu seu nome com polidez. Depois disso, Erin assumiu sua própria posição. Ele estava enfrentando seu oponente de lado. Ele posicionou a mão segurando a faca bem na frente do peito e cobriu a garganta com o outro braço.
Naquele momento, Arimane se sentiu extremamente pressionado. Ele não apenas não conseguia encontrar nenhum tipo de abertura evidente, o brilho que estava recebendo e a concentração inquebrável que sentia o faziam sentir-se extremamente pequeno. Ele tinha certeza de que Erin era completamente diferente de Kile. Ele sentiu que poderia perder sem sequer saber como. No final, mesmo antes que Moria pudesse dar o sinal, Arima afrouxou seu aperto.
— Eu admito a derrota. — Disse ele e os olhos de Erin se arregalaram de surpresa. — Eu não sou precipitado o suficiente para tentar lutar contra alguém mais forte do que eu.
Moria riu e Erin sorriu ironicamente antes de dar de ombros. Ele largou a faca e se aproximou de Arima. Ele então estendeu a mão para ele. Arimane piscou com uma expressão vazia e olhou para a mão que parecia estar pedindo um aperto de mão.
— Eu reconheço suas habilidades e talento! — Disse Erin com um sorriso.
— Hã? Não foi o último teste? — Arimane inclinou a cabeça.
— A segunda luta foi o teste. Qualquer um pode ser um perdedor dolorido, mas é preciso talento para ser capaz de dizer ‘eu desisto’. Você passou no segundo teste. Bem, não é como se você precisasse ceder antes mesmo de começar a treinar, mas digamos que você tenha uma marca completa. — Respondeu Moria.
Arimane se sentiu iluminado e sorriu enquanto apertava a mão de Erin. — Eu estou sob seus cuidados a partir de agora, eu acho.
— Bem-vindo ao esquadrão! — A atitude de Erin tornou-se muito mais amigável em um instante.
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Voltando ao presente.
Arima teletransportou sua classe para uma vasta planície e apontou para Noturno. — Você vai supervisionar vinte deles. — Ele instruiu e, em seguida, virou-se — Karma, para você… — Ele fez uma pausa — Oh, bem, você cuida de mais vinte. Vou treinar os alunos que escolhi junto com Lanya. — Ele declarou e desapareceu com seus alunos sem deixar Noturno e Karma dizerem nada.
A expressão de Noturno era meio distorcida e sua boca continuava se contorcendo. Karma olhou para ele e riu.
— Ei, todos vocês, façam grupos com base em suas afinidades. Se você for se especializar em magia não elementar, diga-nos de antemão! — Ela falou alto o suficiente para os quarenta alunos ouvirem.
Noturno a observou com surpresa. — “Ela é inesperadamente boa… não, chocantemente boa.”
— Ok, eu quero que você experimente sua magia naquele cara sombrio ali. — Disse Karma abruptamente.
— Então ele vai avaliar com base no que sentiu. Entenderam? — Ela perguntou e os alunos assentiram em compreensão enquanto lançavam olhares para Noturno.
—…quê?! — disse Noturno, um pouco confuso.
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— Tudo bem. — Disse Arima quando eles pisaram no meio de um deserto. Ele olhou para seus alunos que ficaram atordoados com a mudança drástica de ambiente. — O treinamento de hoje será especial.
Arima fechou os olhos e sua aura explodiu por um segundo antes de diminuir. Em seguida, ele exalou — Enquanto estou contido no décimo nível, quero que todos me ataquem juntos. — Ele declarou e os ouvintes exclamaram em choque.
— Ao mesmo tempo, vou apontar seus erros — Arima acrescentou e conjurou uma katana feita de magia. Aquela espada parecia incrivelmente real. A lâmina ainda brilhava com um brilho metálico.
Arima estalou o pescoço e apontou para os alunos — Venham até mim, com todas as suas forças. Vai acabar quando um de vocês conseguir me ferir, mesmo que seja um simples arranhão. Lanya, você tem permissão para participar.
Os olhos de Lanya brilharam e escamas prateadas cobriram seu corpo. Arister riu, ele também foi suprimido para o décimo nível para tornar as coisas justas. Ele ainda deveria estar sob o disfarce de um estudante, afinal. Ele invocou a lança de Ares e correu primeiro, seguido por Lanya. Os alunos ainda estavam um pouco atordoados e apenas Ofia e Lena se moveram.
Arima desviou a lança de Arister com apenas dois movimentos. Ele mal moveu os pés e simplesmente girou o pulso — Você ainda estragou sua cognição de alcance. — Ele o corrigiu enquanto recebia os golpes seguintes de Lanya. Arister riu e balançou a lança mais uma vez.
Arima emaranhou sua katana com a rapieira de Lanya graças a guarda mão e deu um passo para trás para se esquivar de um feixe de luz voltado para ele. Ao mesmo tempo, o vento soprou e um pequeno tufão foi formado, tentando desequilibrá-lo. Essa combinação foi realizada pelo duo de princesas enquanto tentavam apoiar Lanya e Arister.
Para elas, era óbvio que Arister e Lanya seriam a chave crucial para ferir Arima.
Arima saltou e “cavalgou” o fluxo de vento. Lanya agarrou a oportunidade e apontou sua rapieira para ele.
— [Iluminancia] (Iluminação) — Ela entoou e sua espada brilhou. Uma esfera branca apareceu bem na frente de Arima, que acenou com a mão e ergueu uma parede de escuridão pouco antes de a esfera ser detonada com uma luz ofuscante.
Um segundo antes disso, Arister girou sua lança e a plantou no chão. — [Sub finibus tuis positi] (Sob o seu território). — Ele começou a cantar em alta velocidade.
— [Quod interitus cadunt] (A destruição vai cair) — [Crescere pulchra flores sanguinis] (Cultive lindas flores de sangue) — [Quinta Arte da Destruição, Spatium Horti] — Ele terminou seu encantamento em dois segundos, exatamente no momento em que Arima se protegeu da luz.
Uma esfera negra o prendeu instantaneamente. Flores vermelhas floresceram nele e uma tonalidade vermelha o cercou.
Depois de alguns segundos, a esfera se dispersou em fragmentos minúsculos. A figura de Arimane cruzando os braços se levantou. Havia uma luz azul ao seu redor e ele estava completamente ileso.
— Arister, sua magia não foi tão ruim, mas seu tempo poderia ter sido um pouco mais rápido. Lanya, como sempre, você corta demais e se esquece de esfaquear, a magia da luz que você usou deveria ter coberto uma área maior, de preferência, ao meu redor. — Ele comentou. — Lena, Ofia, suas ações foram bem calculadas, coordenadas e rápidas. Continuem assim.
Arister balançou a cabeça e sorriu ironicamente. Ele pegou sua lança de volta antes de voar em direção a Arima. Lanya desdobrou as asas e voou também.
Lena subiu e se preparou para dar apoio enquanto Ofia desdobrava suas asas de cocatrice e se juntava à luta aérea. Naquele momento, a areia já havia sido escavada de todos os lugares, criando uma tela de areia gigante ao redor da área. Os outros alunos começaram a emergir a partir daí. Finalmente se tornou um contra vinte e três.
Arima sorriu — Isso vai ser divertido. — Ele proferiu e trovejou. O céu escureceu e um raio roxo brilhou ao seu redor; às vezes atacando, às vezes defendendo e ocasionalmente destruindo projéteis mágicos. Era uma tempestade mortal onde você arriscaria ser atingido por um raio a cada passo.
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Enquanto isso, em um bastião subterrâneo muito escuro e frio, Karaskan estava sentado em uma mesa, examinando alguns dados projetados. Ele parecia estar decifrando uma espécie de mapa.
Em algum momento, ele abruptamente levantou a cabeça e fechou um olho.
— Alguém está abrindo um portão para o inferno? — Ele murmurou de surpresa.
— É o Caçador da Vida? — Ele se perguntava.
— Não, nem ele faria algo tão ousado de repente. Um humano que quer ir para o inferno…?
Quanto mais ele continuava pensando, mais confuso ele ficava. — Espere… — Então ele exclamou enquanto se lembrava de algo.
— Houve um incidente sobre um certo prisioneiro do Inferno… Qual era o nome dele mesmo? Ele franziu a testa e balançou a cabeça antes de retomar a decodificação.