
Volume 3 - Capítulo 80
Life Hunter
— \Ano: 2039. Localização: Planeta Terra, NA/ Sob um céu estrelado, no meio da noite, um pequeno bebê estava dormindo em uma cesta de Moisés, que, por sua vez, estava situada em frente a um enorme edifício cercado por altas muralhas de aço.
Se você olhasse de perto, seria capaz de ver pontos vermelhos de luz piscando na metade superior das paredes. Esses pontos vermelhos discretos continuavam se movendo de um lado para o outro e alguns deles apontavam para o bebê pequeno como olhos que analisavam uma presa.
O vento frio da noite soprou e o bebê estremeceu inconscientemente. Ao mesmo tempo, uma das muralhas se moveu e se abriu como uma porta de correr. Uma mulher vestindo uma roupa de enfermeira se aproximou da cesta e olhou para o bebê.
Havia uma única placa de identificação com o bebê, dizia ‘Arimane’. Nada mais. A mulher contemplou. Ela olhou em volta e suspirou — Honestamente… deixar um bebê assim é muito antiquado. — A enfermeira murmurou e agarrou a cesta com o bebê.
— Ei, garotinho, me desculpe, mas você vai ter que suportar a gente. — A mulher sussurrou. Quando viu o bebê dormindo pacificamente, ela sorriu suavemente e o trouxe para dentro das muralhas.
Quando ela passou pela parede externa, os pontos parecidos com olhos pararam de olhar para o bebê e retomaram a inspeção dos arredores. Assim que a abertura da muralha se fechou, a enfermeira terminou em um belo jardim. Ela seguiu um caminho de pedra, passou por alguns lagos e chegou a uma espécie de edifício moderno. Parecia que a propriedade era bastante vasta e que o edifício era apenas um dos menores localizados nos arredores.
Quando a mulher entrou no salão bem iluminado, foi diretamente para a recepção. Ela cuidadosamente colocou o cesto sobre o balcão.
— Foi essa criança que foi vista pelos ‘guardiões’. — Disse ela ao homem sentado atrás do balcão, cujo olhar atento estava sob sua própria arma, enquanto ele se dava ao trabalho de limpá-la.
Ele se levantou e inspecionou o bebê — Quem abandonaria uma criança dessa maneira hoje em dia? — proferiu — De todos os lugares, justo na frente deste estabelecimento? — Ele balançou a cabeça e pegou a placa de identificação em sua mão — Devo considerar este como seu primeiro nome?
— Eu acho que sim. — A enfermeira sorriu e assentiu — Bem, eu tenho assuntos para resolver, por favor, cuide desta criança. — Ela se curvou e foi embora.
O homem encolheu os ombros e puxou o bebê para fora da cesta, depois o colocou em um cobertor que ele espalhou no balcão. Em seguida, pegou um pequeno dispositivo quadrado e o colocou acima do bebê.
Um pequeno círculo se abriu no dispositivo, como a lente de uma câmera. Um laser azul escaneou o bebê e, em menos de um segundo, a lente se desligou. Depois de alguns segundos, o outro lado do dispositivo projetou uma tela e o homem olhou para ela. Ele leu todas as informações.
— Oh! — Ele ficou bastante surpreso — Você é um garoto durão. É raro ver um bebê com esse tipo de resiliência corporal. É como se seu corpo estivesse alguns anos à frente. — Comentou ele e se virou para conectar o dispositivo a um computador na mesa.
Ele começou a digitar em um teclado muito fino que parecia ser tátil. Na tela fina, um registro apareceu com as informações sobre a digitalização do bebê e uma foto dele. — Quinze meses, hein?
Quando o caso de nome foi sublinhado na tela, o homem olhou para a placa de identificação mais uma vez antes de digitar o que estava nela. Quando ele registrou o arquivo, uma mensagem apareceu em sua tela. Parecia uma espécie de placa de metal.
Ele tocou na tela uma vez e uma máquina não muito longe começou a trabalhar, essa máquina era similar a uma impressora e, o que saiu foi uma pequena placa de identificação com algo gravado.
O homem o pegou, pendurou-o em torno de uma pequena corrente e colocou-o em volta do pescoço da criança. Depois disso, ele suspirou e colocou o bebê de volta na cesta e o levou para fora da mansão.
Enquanto ele o carregava, a tag no colar tremeu e foi iluminada pelo brilho da lua.
<14.12.2037 >
<Arimane>
<>
<AS. Forças PC> <Inscreveu-se: 18.03.2039> Era uma Dog Tag.
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— Um soldado, hein? — Lilis murmurou depois de olhar para a cena se desenrolar — “Bem, não é tão surpreendente… Esse estabelecimento; isso é algum tipo de orfanato ou algum tipo de instituição militar?” — Ela se perguntou — “Seus pais o deixaram lá de propósito?”
Ela continuou pensando enquanto continuava observando..
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O homem levou Arima para outro prédio. Este, por sua vez, era enorme em comparação com o anterior, e parecia uma espécie de castelo medieval com fachadas de pedra.
Quando o homem chegou às portas, bateu duas vezes. Então, um intercomunicador apareceu na parede ao lado das portas. Ele colocou a mão sob o objeto e abriu a boca — Meu nome é Moria. — As portas se abriram imediatamente e ele entrou.
Surpreendentemente, a entrada era muito pequena e levava a um corredor normal. O interior, porém, era muito mais limpo em contraste com o que o exterior poderia te fazer pensar. Depois de apenas alguns segundos, uma velha chegou de uma das portas e sorriu para o homem — Senhor Moria, o que aconteceu?
Moria mostrou a ela o berço que carregava consigo — Nós o encontramos durante o meu turno, então eu vim para entregá-lo. Eu também já o marquei. — Ele disse enquanto dava Arimane para a velha.
Ela recebeu a cesta com os olhos arregalados — Que intrigante… Por que alguém faria isso?
Moria encolheu os ombros — Não faço ideia! O mais estranho é que os guardiões só reagiram a ele e não há nenhuma imagem de alguém colocando-o na frente das muralhas. — Ele respondeu e a velha olhou perplexa para o bebê.
Moria virou as costas e se preparou para sair quando se lembrou de algo — Ah, certo. Ele tinha uma placa de identificação, estava escrito “Arimane” nela. Não sei que tipo de pais dariam o nome de demônio a uma criança. — Ele riu e deixou a mansão.
— Arimane…? — A velha murmurou enquanto olhava para o bebê — Ahriman, hein? — Naquele momento, o bebê abriu os olhos e olhou para a velha.
Ela ficou um pouco assustada com aqueles olhos. Não é como se estivesse afiado ou frio. Ele era apenas uma criança, afinal. Mas seu olhar era muito calmo. Aqueles olhos prateados não estavam olhando para ela com medo do desconhecido, mas estavam tentando investigar sua identidade. Era como um olhar de pura curiosidade!
Ela o pegou em seus braços e sorriu. — Você é uma criança muito inteligente, não é? — Ela falou e Arimane inclinou a cabeça, o que a fez rir.
— Vamos, então! — Ela declarou e o trouxe para uma certa sala do ‘castelo’. Em seu caminho pelos corredores, alguns funcionários, homens e mulheres, cumprimentaram-na educadamente e perguntaram sobre a criança que ela estava carregando. Enquanto isso, o bebê estava sempre olhando para eles como se estivesse tentando ver através de tudo.
Em algum momento, a velha chegou a uma sala específica, semelhante a um quarto com várias camas. Nesta sala havia crianças de várias idades, de um à quatro anos. Ela colocou Arimane em uma caminha vazia, ao lado de sua cesta. O pequeno Arima sentou-se e olhou em volta, totalmente confuso.
A velha mulher riu — Este lugar é um orfanato, um orfanato militar, feito para acolher crianças sem pais e transformá-las em soldados. Estamos vivendo neste tipo de mundo agora. Não se preocupe, a vida aqui é muito boa, mesmo que seja rigorosa.
Ela sabia que o menino não seria capaz de se lembrar de suas palavras, mas quando viu a criança olhando em volta com olhos estranhamente inteligentes, não pôde deixar de explicar.
Arimane olhou para ela uma vez antes de se deitar e fechar os olhos. Ela se sentiu divertida e silenciosamente saiu da sala. O garoto adormeceu logo depois.
No dia seguinte, uma jovem entrou na sala para acordar as crianças. Quando ela viu Arimane, ficou um pouco surpresa e rapidamente olhou para o documento que tinha consigo — Ah, então você é o novato.
Ela então trocou de roupa como os outros. Depois disso, as crianças que podiam andar foram orientadas a ir para o lugar de costume.
— Eu tenho que carregar os outros, hein? — A senhora reclamou, então olhou em volta e arregalou os olhos quando testemunhou Arimane perfeitamente de pé.
— Você, você tem apenas um ano de idade, certo? — Ela murmurou e Arimane inclinou a cabeça como se ele não soubesse de nada.
A mulher sorriu e balançou a cabeça — Siga-me então. — Disse ela enquanto carregava outra criança. Arimane meditou, então a seguiu cuidadosamente.
Depois de um minuto, eles chegaram a uma sala totalmente nova com uma vasta área e um telhado alto. Estava cheio de crianças, brinquedos e livros infantis. Havia até uma TV. Claro, também havia alguns adultos monitorando-os.
A mulher que trouxe Arimane largou a criança que tinha em seus braços em uma certa zona para crianças com menos de quatro anos de idade — Você pode se juntar a eles e brincar, as primeiras lições começarão em breve. — Disse ela a Arimane e saiu para buscar as crianças restantes.
Arimane olhou em volta com interesse e se aproximou de uma estante. Ele piscou e escolheu um livro antes de se sentar, deixando seu corpo cair no chão. Quando ele abriu o livro, viu letras e palavras, mas não conseguia entendê-las.
Mas acima de cada palavra, havia uma imagem. Ele olhou para cima e para baixo entre a palavra e a imagem inúmeras vezes. Era a palavra “cadeira” com a imagem correspondente. Arimane ergueu a cabeça e observou os arredores. Ele viu uma pequena cadeira exatamente como a que ele viu no livro.
Ele se levantou e tocou. A pequena criança inclinou a cabeça e continuou tocando-a com uma expressão confusa. Depois de um minuto de contemplação, ele finalmente decidiu sentar-se sobre ela.
Depois disso, ele reabriu o livro e continuou a lê-lo. Ele tinha certeza de que a palavra correspondia à imagem, mas não tinha ideia de como deveria pronunciá-la. Ele começou a memorizar as letras.
Não muito longe dele, uma mulher que estava trabalhando em alguns papéis observou o comportamento estranho da criança. Quando ela o observou por alguns minutos, sorriu gentilmente.
— Está olhando o quê? — Outro funcionário sentado na mesma mesa perguntou à ela.
— Aquela criança ali é muito engraçada. Ele está tentando ler e embora nunca tenha aprendido, recusa-se a desistir.
— Isso é impressionante! Ele deve ter cerca de um ano de idade, provavelmente deve ser muito inteligente.
— Sim, acho que sim.
Enquanto isso, Arimane continuou memorizando cada palavra e seu significado o máximo que podia, isso durou uma hora inteira. Ele fez a mesma coisa com dois livros diferentes antes que um homem de meia-idade chegasse à sala e montasse um quadro-negro no centro do cômodo.
O homem chamou a atenção de todas as crianças graças à equipe que cuidava delas. Todas as crianças tinham pelo menos um ano de idade. Elas não eram tão inteligentes, mas ainda sabiam quando ouvir. Claro que algumas ainda vagavam e choravam de vez em quando, mas a maioria prestava atenção.
— Eu vou ensinar a fonética, por favor, ouçam. — Anunciou o homem. As crianças mais velhas entenderam o que ele estava falando, mas as mais novas ficaram um pouco atordoadas.
Somente quando o homem começou a escrever letras no quadro que eles reagiram. Especialmente Arimane. Seus olhos brilharam quando o homem começou a emitir sons cada vez que apontava para uma letra ou um grupo de letras. Ele se sentiu iluminado e ouviu atentamente.
A mulher que o notou mais cedo sorria enquanto o observava. A velha senhora que o trouxe durante a noite também esboçava a mesma reação de divertimento, ela estava parada perto de uma das portas da sala enquanto o observava com atenção.
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Voltando ao presente.
No telhado da Academia, Arima tirou algo de seu pescoço, um objeto que tinha vindo para este mundo junto com suas roupas, e levantou-o em direção ao céu estrelado. Era sua Dog Tag com seu nome completo, ‘Arimane Blade’, gravado.
Havia um algo mais. Na verdade, era uma dupla tag. E na segunda placa, havia a informação de outra pessoa impressa, o nome da família era o mesmo.
Arima deixou que o luar refletisse sob o metal por um momento e, em seguida, colocou o colar por baixo da roupa. Embora o objeto estivesse estranhamente escondido pelos tecidos, Noturno o vislumbrou antes de realmente adormecer.