
Volume 3 - Capítulo 79
Life Hunter
— Há algumas pessoas que escolhem sua alma, corpos ou até mentes para criar um armazenamento separado. Claro, não é impossível. É uma boa opção especialmente para a alma. Na verdade, eu hesitei em usá-la… No entanto, devo dizer que é mais seguro e eficiente. Além disso, o tamanho depende apenas do tamanho da sua alma…
— O único problema é que você não pode colocar muitas coisas nele, pois isso vai sobrecarregá-lo além de um certo limite. Por outro lado, com a mente a história é outra, se você errar, pode acabar com uma dor de cabeça perpétua. Mas é realmente possível derivar um armazenamento da teoria do espírito.
— O verdadeiro problema é com o método do corpo. Há muitas pessoas pensando que é uma boa ideia imaginar seus corpos como o armazenamento separado ou um portão para conseguir armazenar, porém eles não sabem como funciona. Quando armazenam algo em seus corpos, os objetos literalmente aparecem em seus corpos, só que numa forma de miniatura.
— No final, quando há muito… — Arima abriu os braços — Boom! — Ele casualmente sorriu e os alunos empalideceram — Se alguns de vocês estão usando isso, deveriam reconsiderar as suas escolhas. A menos que vocês queiram que alguns objetos bloqueiem suas veias ou artérias, danifiquem seus órgãos, e, em seguida, recuperem seu tamanho original e acabem com seus corpos por dentro.
Arima disse e todos balançaram a cabeça loucamente. Aqueles que usaram esse tipo de armazenamento alguma vez estavam suando e tirando tudo o que poderiam ter armazenado.
— Não façam bagunça, por favor! Mas, bem, esse método pode ser útil de uma certa maneira. Se você for ousado o suficiente, pode tentar miniaturizar materiais resistentes para agir como uma espécie de escudo interno. Ok, eu não vou falar mais sobre o espaço. Eu praticamente já mencionei tudo o que havia para saber. Além do mais, é o fim deste período de qualquer maneira. — Arima se levantou e os alunos assentiram enquanto arrumavam seus livros, exceto os estudantes que o professor havia reunido até agora, os outros quarenta partiram.
Quando as pessoas estavam saindo, uma garota-gato do grupo de Arima levantou a mão — Você tem uma pergunta, Melody? — Arima olhou para ela e perguntou. Ela era um dos talentos que Arima havia adquirido, uma especialista em magia da Terra e uma garota muito gentil.
— Hm, eu queria falar com o senhor sobre algo. — Ela respondeu timidamente.
Arima olhou para ela — O que foi?
— Eu queria perguntar se o professor tem ouvido falar sobre os últimos rumores.
— Rumores? — Arima franziu a testa e inclinou a cabeça – Quais? Sinto muito, mas eu não prestei atenção nas notícias.
— Oh, você está falando sobre esses ‘desviantes’? — Arister exclamou e Arima olhou para ele. Karma, Lanya e Noturno também começaram a ouvir.
— Sim! — Melody assentiu — O boato diz que, ultimamente, há aparições de criaturas estranhas à noite e que elas atacam pessoas inocentes. As pessoas começaram a chamá-los de desviantes. — Ela explicou e os outros alunos assentiram, pois eles ouviram a mesma coisa.
— Um dos cavaleiros sob o comando de meu pai fez um relatório sobre esse rumor. Mas não temos nenhuma prova. — Disse Ofia.
Arima circulou sua mesa e sentou-se na cadeira, o que ele raramente fazia. — Tem certeza de que não é uma brincadeira ou uma farsa que saiu do controle?
Foi Lena que o refutou — Não, acho que não. — Arima ficou um pouco surpreso e olhou para ela — Para que um rumor simples se espalhe assim, não é algo aleatório e não pode ser negligenciado. — Disse ela com um tom grave, a garota parecia possuir um forte senso de justiça.
— Mas se é assim, então a família real deveria ter enviado pessoas para investigar, certo? — Isla compartilhou seus pensamentos e Ofia assentiu.
— Nós o fizemos, mas por enquanto, não há resultados. Como eu disse, nunca encontramos uma prova de que esse boato é verdadeiro ou falso… Professor, quais são seus pensamentos? — Ela perguntou e todos se concentraram em Arima, que suspirava — Bem, pelo que acabei de ouvir, posso deduzir três coisas…
— Em primeiro lugar, esse boato tem uma grande chance de ser verdadeiro, já que se espalhou muito rápido, como você mesma disse. Também podemos considerar que já há muitas vítimas. Para que um boato se espalhe, você precisa que as fundações sejam sólidas, o que significa que há desaparecimentos suficientes para que um boato tão grande apareça.
— Em segundo lugar, se é verdade, então eles não estão agindo sem pensar. Espalhar um boato dessa forma, mas não encontrar uma única dica sobre a fonte é muito estranho. Isso significa que alguém está apagando todos os vestígios e eliminando quaisquer testemunhas. Aparentemente, eles também têm a capacidade de evitar soldados.
— Em terceiro lugar, se tudo isso é verdade e o ponto anterior é realmente válido, então isso significa que há um motivo. Isso significaria que há alguém por trás das cortinas para o qual a matança de inocentes tem qualquer tipo de benefício. Se é para gerar pânico, seria completamente estúpido apagar seus traços, então não é isso.
Até este ponto, os vinte alunos já estavam surpresos com a análise de Arima.
— A segunda coisa que poderíamos considerar seria um louco assassino. Embora não seja como se pessoas assim não existissem, mas é muito improvável. Então, a última ideia que posso ter é que há alguma razão, uma vantagem ou um lucro, em matar essas pessoas. Talvez seja também uma maneira de fazer alguma coisa.
— Você disse monstros estranhos. Não podem ser ‘monstros’ reais, já que é muito difícil controlá-los. Mesmo se você fizer isso com a magia da Mente, é impossível não deixar vestígios como este. Então, vamos chamá-los, como você disse, de desviantes. Existem diferentes maneiras de criar esse tipo de criatura. Magia das trevas, magia da morte, magia da vida e magia da alma. Essas são principalmente coisas sobre as quais eu ainda não ensinei, mas posso dizer que é possível criar tais criaturas com isso.
— Com a magia da Morte, é possível amaldiçoar um corpo para transformá-lo em outra coisa, não necessariamente um morto-vivo. Por outro lado, com a magia da Vida, pode-se alterar ou criar um corpo. Já no caso da magia da Alma, é possível fazer uma inteligência artificial e transferi-la para um cadáver ou uma boneca. E, por fim, no caso da magia das Trevas, é comum usar a teoria do que as pessoas gostam de chamar de submundo.
Os olhos de Arister se estreitaram — O inferno? — Ele murmurou e os alunos estremeceram. A menção dessa palavra neste contexto foi aterrorizante.
— Sim, essa é uma opção. — Respondeu Arima — Eu não sei se o lugar que chamamos de inferno realmente existe, mas se o céu é uma coisa, então o oposto não é impossível. Em qualquer caso, a magia das Trevas, a magia da Morte e, provavelmente, a combinação delas, poderia formar um caminho entre aqui e ali. Não precisa ser o Inferno em si, mas com esse tipo de teoria, você poderia muito bem convocar monstros e demônios imaginários.
— De qualquer forma, se esse rumor for realmente verdade… — Os olhos de Arima caíram sobre Ofia — Todos vocês têm um grande problema em suas mãos. Isso significaria que alguém está planejando um ritual em larga escala e poderá atacar esta cidade por dentro. — Arima sorriu e olhou para ela de forma significativa — Diga-me, quem eram aquelas pessoas que te atacaram da última vez?
Ofia tremeu e instantaneamente se levantou — Por favor, desculpe-me. — Ela se curvou e saiu diretamente da sala de aula com pressa, Lena a seguiu.
Depois, Melody, junto com todos os alunos, Lanya, Arister e Noturno olharam para Arima. Apenas Karma, que era meio descontraída, pareceu não se importar.
Arima riu levemente e acenou com a mão — Não se preocupe, tenho certeza de que eles vão cuidar disso a tempo. De qualquer forma, enquanto eu for professor, esta escola nunca cairá, também posso afirmar que nenhum dos meus alunos se machucará. Não se importem. — Disse ele para acalmá-los.
— Bem, é hora do próximo período! — Declarou Arima.
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No mesmo dia, na pousada.
— Arima, talvez eu precise te dizer. Quando recebi a herança de Ares, aprendi sobre o Inferno. — disse Arister de repente.
Os olhos de Arima se arregalaram — Está falando sério?
— Sim! — Afirmou Arister e todos olharam para ele.
— O inferno realmente existe? — Lanya perguntou.
— Sim! Ares conseguiu deixar uma herança com um pouco de seu conhecimento, então posso dizer que existe. Mas não é como você pensa que é. O inferno não é realmente um lugar para onde os mortos vão, nem é um lugar para a redenção. — Ele fez uma pausa. — Bem, na verdade, pode ser mais próximo da última opção…
— O que você quer dizer? — Instigou a garota, um tanto curiosa.
— Aqueles admitidos no Inferno são pessoas atípicas que possuíam algum poder enquanto estavam vivos ou tiveram muita sorte de serem pegos pelo Inferno.
— Sorte? — Lanya perguntou, em um misto de choque e confusão.
— Sim. Se alguém tiver sorte, ou, bem, azar o suficiente para ter sua alma e mente salvas pelo Inferno; é possível ressuscitar. Mas a maioria fica louca por causa do ambiente. No fim das contas, aquele lugar não é chamado de inferno atoa. Aparentemente, é uma terra infinita de desespero. A lenda diz que se você sobreviver tempo suficiente lá, terá a chance de ser revivido. — Explicou Arister.
— Ares foi parar lá? — Noturno perguntou.
— Não, ele recebeu essa informação de alguém que alegou ter escapado do Inferno. Essa pessoa disse que teve sorte. Ela não estava no inferno há muito tempo, mas um portal se formou não muito longe de onde estava, o que lhe permitiu escapar.
— Entendo. — Pensou Arima — Então, um portal para o submundo é realmente possível, hein?
— Sim, provavelmente.
— Bem, desde que seja um lugar existente em algum canto deste plano, estou confiante em alcançá-lo com a segunda arte branca. — Afirmou Arima e encolheu os ombros.
— A segunda arte branca? — Lanya e Arister levantaram a voz ao mesmo tempo.
— É basicamente uma magia de teletransporte de alcance inimaginável. Os lugares para onde ela pode levá-lo são limitados apenas pela sua imaginação. Mas ainda é muito perigoso para vocês lidarem. — Explicou Noturno.
Arima ponderou por alguns segundos e, em seguida, convocou um pequeno gato na palma da mão — De qualquer forma, por enquanto, vou mobilizar alguns familiares em toda a cidade. Em breve saberei o que são esses desviantes.
Karma riu — Como esperado de você. Sempre tão prático.
— Isso é um elogio?
Ela riu — Com certeza é.
Arima revirou os olhos e se levantou — Vou passear pela cidade por um tempo e colocar cerca de dez mil familiares, isso deve ser o suficiente. — Lanya e Arister quase caíram de seus assentos quando ouviram esse número.
— Como você planeja controlar tantos familiares? — Arister perguntou com uma expressão contorcida.
— Eu desenvolvi um pensamento mágico paralelo recentemente. Embora as “mentes” criadas não possuam uma grande capacidade em comparação com a original, elas devem ser suficientes para controlar os familiares.
— Ensine-me essa magia! — Lanya e Arister gritaram.
— Claro, da próxima vez. — disse Arima e se teletransportou.
Por uma hora depois disso, Arima visitou todos os cantos da cidade, deixando alguns familiares para trás. Na sequência, ele construiu numerosas mentes paralelas e as uniu. Os familiares eram todos pequenos animais ou insetos capazes de camuflagem. Gatos, cães, ratos, ratos, aranhas, pássaros e muitos outros. Exceto alguns, especialmente centopeias. Cada familiar ordenado a destruir completamente os desviantes, caso o encontrassem.
— Você percebe que está intimidando alguns insetos que não fizeram nada com você? — Noturno comentou enquanto descansava no ombro de Arima.
— Eu não me importo. — Ele respondeu e Noturno suspirou em desamparo — Isso deve ser o suficiente. — Arima murmurou e sentou-se no telhado. Ele se deitou de costas e olhou para o céu, admirando as estrelas. Noturno pulou em seu peito e sentou-se lá.
— O que? Você está olhando para as estrelas agora?
— Bem, era um hobby meu. — Arima respondeu e fechou os olhos — Eu vou dormir aqui hoje. Os familiares vão me alertar se algo acontecer. — Ele acrescentou e Noturno assentiu antes de ir dormir.