
Volume 3 - Capítulo 58
Life Hunter
No final, Arima retornou a Cidade Central e tudo aconteceu conforme ele previu.
— Estou entediado. — Reclamou Arima enquanto comia. Seus olhos estavam tão desfocados que parecia que ele cairia na mesa a qualquer momento.
Claro, os outros três o acompanhavam — Bem, é verdade que não há nada realmente interessante para fazer neste mundo por você quando não há conflito…— observou Lilis.
— Eu acho que é uma coisa boa ter alguns dias de descanso. — Lanya acrescentou e serviu um pouco de comida para Noturno, que estava ao lado dela — Quando você não faz nada além de lutar, relaxar nunca é uma opção.
Noturno viu como naturalmente Lanya lhe deu comida como se estivesse alimentando um animal de estimação e enrijeceu. Seus olhos ficaram brancos e ele ignorou totalmente o que eles estavam falando e apenas comeu a comida que ele tinha na frente dele com uma expressão inexpressiva.
Lilis bateu palmas — Então vamos tentar encontrar algo para fazer.
Arima lentamente virou a cabeça para ela — Se fosse tão fácil, eu não ficaria tão perturbado.
— Por que você não treina? — Lanya perguntou e Arima balançou a cabeça.
— Porque eu não quero. — Disse ele e começou a comer alguns doces. —Você sabe, é como escrever um livro. Você pode gostar de fazer isso, mas você é preguiçoso e nunca faz isso. Ou seja, você termina o livro em mais tempo do que deveria ter levado. E, agora, estou basicamente preguiçoso e entediado ao mesmo tempo. O que é uma situação muito angustiante. Então, eu preciso de algo interessante o suficiente para me motivar a me mover.
— Que maneira simples de pensar…— Lilis retrucou e depois meditou por alguns segundos. A certa altura, ela sorriu e olhou para Arima.
—O quê?
—Por que você não vai passear com Lanya? Poderia gastar seu tédio. — Sugeriu Lilis e Lanya congelou.
—Passear? — Arima franziu a testa — Eu já sei todos os detalhes sobre este lugar aos milímetros. Por que eu faria isso?
Lilis grunhiu — O ponto aqui não é sobre o turismo, mas o tempo que você passa com uma garota gentil e bonita. Entendeu? — Ela afirmou enquanto apontava para Lanya, colocando-a em uma situação ainda mais embaraçosa.
Arima olhou para Lilis, em seguida, olhou para uma Lanya com uma expressão indefesa — Claro, por que não? — Ele suspirou e Lanya sorriu enquanto Lilis começou a rir por algum motivo.
— Então, vou deixá-los sozinhos. Vou levar esse carinha comigo também. — Lilis agarrou Noturno ainda em branco e o segurou.
— Ann? — Quê? Ele saiu de seu atordoamento quando sentiu Lilis abraçando-o. Ele olhou em volta e então viu que estava lentamente se afastando de Arima e Lanya. Isso também significava que aquele que o carregava não era um deles. Ele olhou para quem o carregava e começou a entrar em pânico um pouco.
—Espere! Arima, não deixe que ela me leve! — Ele gritou —Merda! Por que não posso liberar minha forma? — Noturno amaldiçoou depois de tentar se transformar em um dragão e falhar. Ele instantaneamente assumiu que Lilis havia bloqueado sua magia de alguma forma.
Lilis o levou embora e, mesmo quando estavam chegando longe, Arima ainda podia ouvir Noturno uivando como um lobo. Arima e Lanya se entreolharam e sorriram. —Vamos?! — Ele disse e saiu da pousada com Lanya.
— Bem, para onde ir? — Arima pensou enquanto caminhavam pelas ruas —Há algum lugar que você queira ir?
Lanya tremeu um pouco e então começou a pensar —…Há algo divertido nesta cidade? — Ela perguntou hesitante, nem mesmo respondendo à pergunta.
Na verdade, ela estava realmente envergonhada demais para falar normalmente. Geralmente, se você tivesse que descrever Lanya, ela definitivamente não seria tímida. Mas a intenção óbvia que Lilis havia mostrado anteriormente só conseguiu deixá-la constrangida com toda essa coisa.
— Divertido, hein? — Arima riu — Agora que penso nisso, há algo que parece ser bastante interessante. Deve ser nessa direção. — Ele apontou para uma rua à esquerda e foi para lá com Lanya.
Lanya se sentiu estranha e olhou para Arima com uma expressão diferente. Ele percebeu isso e levantou uma sobrancelha — O que há de errado?
— Nada, mas…— Lanya balançou a cabeça —Normalmente, você se teletransporta para todos os lugares que você quer ir.
Arima sorriu —O quê? Você prefere que eu nos transfira diretamente para lá?
Lanya balançou a cabeça e sorriu docemente —Não, só fiquei surpresa.
Em sua caminhada, eles visitaram várias lojas. Lanya parava para observar roupas, jóias, e, às vezes, olhava para as armas. Embora ela soubesse que o florete que Arima lhe dera era provavelmente a melhor espada que ela poderia encontrar, ainda mais, se fosse uma arma da alma, ela ainda estava atraída por isso. Era um pouco como se um músico profissional ainda estivesse interessado em experimentar novos instrumentos.
Por outro lado, Arima a observou e a seguiu calmamente, sem ficar impaciente. Ele também comprou todo tipo de doce que chamou sua atenção e ofereceu um pouco para ela.
Lanya parecia aproveitar muito o momento. Embora ela não fosse tão falante, ela ainda expressava sua alegria facilmente.
Quando os dois passaram por uma vitrine de pedras preciosas, Arima pensou abruptamente em algo. Ele tirou uma enorme pedra de seu depósito e a fez aparecer nas ruas. O súbito aparecimento da rocha surpreendeu a todos ao redor.
Arima rapidamente puxou Karma e cortou a pedra em um monte de pedaços diferentes que ele então guardou.
Lanya curiosamente observou todo o processo —Essa era a trinita, certo?
— Sim. — Arima assentiu e um pedaço pequeno de trinita apareceu em sua mão. —[Verto] (Mudança) — Ele cantou e Karma, que estava em sua mão direita, começou a mudar de forma. Tornou-se cada vez menor antes de se tornar uma faca vermelha escura.
Ao mesmo tempo, o sigilo de Arima girou e uma chama negra acendeu a trinita. Tornou-se uma espécie de substância macia em um instante. Arima usou a faca para moldá-la a uma nova forma. Ele lentamente o transformou em um elipsoide enquanto prestava atenção para não endurecer as bordas. Então, ele esculpiu um tipo requintado de círculo mágico e a pedra brilhou.
Lanya observou fixamente. Arima continuou refinando-a com gravuras de todos os tipos, como rosas. Era uma obra de arte absolutamente deslumbrante que atraiu os olhos de muitas pessoas que passavam.
Depois disso, Arima tirou um pouco de mithril e misturou-o com a pedra. O objeto ganhou um fascínio metálico e uma moldura de prata, juntamente com uma corrente fina e elegante. Era um colar deslumbrante. Arima tirou um pouco de oricalco e desta vez, o colar começou a brilhar e as partes de prata se tornaram belas jóias azuis e a própria pedra ganhou um brilho de diamante.
Finalmente, para o último toque, Arima retornou Karma à sua forma original, e na lâmina, você podia ver algo como uma gota de líquido vermelho se formando na borda. A gota deslizou lentamente até a ponta da lâmina e caiu sobre o colar, fazendo-o —evoluir— quando duas pedras idênticas surgiram na corrente junto com um novo brilho roxo.
Quando isso terminou, Arima pegou o magnífico ornamento em sua mão e fechou os olhos. O colar se transformou em um raio de luz que voou em direção ao peito de Lanya e entrou em sua alma.
Ela arregalou os olhos e depois levantou a mão. Uma luz roxa e prateada brilhou e o colar reapareceu em sua mão. Ela ficou boquiaberta com Arima, que estava sorrindo.
Ele riu levemente — Esse é o melhor colar que você já encontrou. Eu tenho certeza.
Arima usou a pedra natural mais forte, uma liga mágica, oricalco que até mesmo os deuses usavam, e mais importante, uma “gota” de Karma. Além disso, foi ligado à alma de Lanya pelo próprio Arima.
Lanya parecia estupefata com o colar em sua mão. Era realmente lindo, mas, ao mesmo tempo, ela podia sentir o tremendo poder que continha. —…Isso é realmente para mim?
— Claro, eu não faria um colar assim para mim. Deixe-me ajudá-la.— Arima pegou o colar novamente e foi atrás de Lanya para colocá-lo em volta do pescoço. Lanya não se moveu. Não era que ela estivesse calma, mas sim porque estava tão nervosa que nem conseguia se mover.
— Está feito, vamos agora.— Quando Arima terminou, Lanya exalou e admirou o colar ao redor do pescoço. Ela sorriu e seguiu Arima, que foi um pouco à frente.
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Enquanto isso, Noturno estava sendo arrastado por Lilis como um animal de estimação. No final, ele desistiu e se agarrou ao ombro dela. Ele realmente não achava que ela era uma pessoa maliciosa, mas em sua cabeça, essa mulher era muito ‘travessa’ para ser deixada sozinha.
— A propósito, Noturno. — Ela chamou enquanto almoçavam em algum restaurante.
— O que foi?
—Você está pronto para seguir Arima em todos os lugares?
— Hã? Noturno estava confuso — Que pergunta estúpida é essa? Claro, eu o seguirei. Mesmo que eu tenha que morrer. — Ele respondeu com a maior sinceridade.
Lilis sorriu ironicamente — Bem, esse é o problema. Noturno, sua existência é realmente importante, você representa a maior força de Arima. Mas você é um ser vivo, e você pode morrer, se isso acontecer, Arima perderá pelo menos metade de seu poder total.
—O que você quer dizer?— Noturno franziu a testa; ele não estava gostando de onde essa conversa estava indo.
Lilis ergueu Noturno do ombro e o colocou na mesa bem na frente dela — Se o Céu realmente atacar Arima em algum momento, então o primeiro que eles tentarão eliminar é você. Porque eles sabem que uma besta da alma representa pelo menos cinquenta por cento do poder de um humano, se eles puderem se livrar dessa ameaça, então eles ficariam mais à vontade ao confrontar um Caçador de Vida.
Noturno ficou em silêncio —…Por que só me diz isso agora? Não é como se isso me ajudasse a sobreviver.
Lilis suspirou e deu um sorriso carregando mais do que simples empatia — A razão pela qual estou lhe dizendo isso é apenas para torná-lo consciente um pouco. Honestamente, não acho que Arima deixaria você ser machucado no lugar dele. Mas não é a única coisa que quero te dizer. Em certo sentido, eu gostaria de prepará-lo.
— Me preparar?— Noturno questionou com uma expressão duvidosa.
— Escute, vou lhe dizer qual é a coisa mais aterrorizante sobre os Caçadores de Vida e o porquê deles serem tão temidos pelos Deuses. Isso diz respeito à sua capacidade racial. Mesmo que eu não possa revelar para Arima, pelo menos não seria uma má ideia informá-lo. Cortei temporariamente todas as conexões telepáticas que você tem com ele. Depois disso, cabe a você manter isso em segredo.— Lilis explicou severamente.
Noturno não disse nada por um tempo antes de acenar com a cabeça — Diga-me.
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Enquanto isso, a dupla de namorados havia chegado a uma área completamente nova da cidade. As ruas e habitações não estavam mais à vista. Era apenas uma praça gigante cheia até a borda de pessoas. Havia atividade humana movimentada em todos os lugares.
Arima abriu caminho entre a multidão assustando um pouco as pessoas com sua aura. Aqueles que ousaram ter alguns pensamentos sobre Lanya desmaiaram instantaneamente. Em última análise, todos passaram a palavra — Não se aproxime desse casal!
— Aparentemente, este lugar é uma espécie de zona de compartilhamento público. Você vem, compra e vende o que quiser. Algumas pessoas vêm aqui para assistir a alguns shows também.— Disse Arima à Lanya quando encontraram alguma paz.
Os olhos de Lanya se iluminaram e ela começou a vagar pelo lugar. Ela olhou para algumas barracas e parou em uma delas. Ela escolheu um pequeno pingente que mostrava algumas asas de dragão realmente bonitas.
— Posso pegar isso para o mestre?— Ela se virou para Arima e perguntou.
Arima sorriu e encolheu os ombros —Faça o que quiser. Tenho certeza de que ele ficará feliz.
Lanya assentiu e comprou o pingente do vendedor. Aparentemente, custou uma prata branca que quase fez Arima engasgar. Ele até pensou se eles estavam sendo enganados, mas não queria levantar uma comoção e Lanya parecia estar feliz, apesar de tudo. Ele não queria estragar o clima e, além disso, ela parecia ser completamente indiferente ao preço.
Bem, afinal, Arima havia saqueado os tesouros de dois países. Ele era muito rico e já havia lhe dado um pouco disso antes.
Poucos minutos depois, enquanto Arima e Lanya caminhavam e discutiam juntos, ouviram um barulho alto se espalhando por toda a praça. Quando olharam para a fonte, viram uma carruagem grande e elegante que estava cercada por uma grande multidão.
Aquela carruagem estava a cerca de um quilômetro de distância de Arima, mas ele a inspecionou como se estivesse bem na frente de seu nariz. Ele distinguiu um brasão de família na carruagem e seus olhos se arregalaram.
“Esse emblema… se eu não estiver errado, é desta cidade…” – Os pensamentos de Arima foram interrompidos por uma súbita explosão de auras na multidão. A intenção de matar estava misturada neles e parecia ser dirigida à carruagem.
Observando essa cena, Arima sorriu —Bem, bem… isso não é uma coisa muito interessante?