Life Hunter

Volume 3 - Capítulo 56

Life Hunter

Na biblioteca, Arima ficou boquiaberto com um certo livro em suas mãos.

— Eu realmente nunca procurei antes… Mas acreditava que eu sabia mais ou menos o que estava me esperando. Mas, diabos, é muito grande! — Ele exclamou e Noturno também concordou enquanto olhava para o livro.

Esta Terra Principal tem uma superfície de mais de cento e cinquenta milhões de quilômetros quadrados. Não é de admirar que eles o chamem de ‘principal’. Nesse ritmo, meus falcões terminarão de escanear este continente em dois dias ou mais. — Arima colocou o livro de volta em sua prateleira e começou a procurar outros registros que pudessem interessá-lo.

— Você está procurando algo em particular? — Um membro da equipe perguntou quando viu Arima navegando pelos títulos de todos os livros que ele passava.

— Oh! — Arima se virou — Bem, se você puder me contar sobre as coisas interessantes neste continente, isso seria bom.

— Interessantes? — O membro da equipe murmurou e avaliou Arima —Você é um mercenário?

— Verdade! Cheguei à Terra Principal recentemente.

— Agora eu entendo. É raro ver mercenários viajando tão longe. Então, para alguém como você, além do QG da guilda, o que mais atrai mercenários são masmorras.

— Masmorras, hein? — Murmurou Arima.

— O que é isso? — Noturno levantou a voz, mas a mulher da equipe não ficou surpresa; era como se soubesse que ele era uma besta da alma.

Ela sorriu — Se você quiser aprender mais sobre masmorras, você pode tentar aquela prateleira ali. — Ela apontou para uma fileira de livros que não estavam tão longe deles.

— Obrigado. — Arima agradeceu e foi até lá imediatamente. A mulher sorriu, curvou-se ligeiramente e saiu.

Arima escolheu o livro mais relevante e começou a ler. Aparentemente, uma masmorra era uma estrutura artificial criada por humanos. A masmorra em si pode ser comparada a uma criatura artificial ou algo como um homúnculo. As masmorras são capazes de atrair monstros liberando uma natureza de mana que eles gostam e atraindo-os com diferentes odores e sons.

Uma vez que estão dentro, não podem sair; a menos que sejam fortes o suficiente para quebrar a matriz mágica em torno dela. Então, no final, elas se tornam algum tipo de ninho. Mas também é verdade que as masmorras precisam ser “limpas” com frequência. Se houver muitos monstros ao mesmo tempo, há um risco de transbordamento, que colocaria os assentamentos humanos próximos em grave perigo.

Matar os monstros nessas masmorras é o trabalho principal dos mercenários deste continente. Arima deliberou um pouco e depois pegou outro livro que dava a localização de todas as masmorras na Terra Principal. Aparentemente, apenas uma poderia ser construída a cada década e eles começaram a fazê- las cerca de quinhentos anos atrás. Então, havia aproximadamente cinquenta delas em todo o continente.

Havia algumas que eram mais perigosas do que outras e elas eram sempre mantidas sob controle. Algumas eram tão inseguras que só eram visitadas pelos mercenários mais fortes ou pelo exército. Você também pode encontrar masmorras que foram usadas especificamente como campos de treinamento para jovens soldados e estudantes.

Arima fechou o livro e o colocou de volta — Bem, vamos para a Cidade Central a seguir. Embora o nome seja insípido, é a maior cidade do planeta. O QG da guilda também está lá, vou passar antes de experimentar uma masmorra.

— O que você vai fazer antes disso? Você disse que seus falcões precisarão de dois dias.

— Bem, amanhã tenho certeza de que eles terão terminado a varredura até Cidade Central, pelo menos. Quanto ao que vou fazer enquanto espero…— Arima riu — Eu vou, é claro, ver por mim mesmo que tipo de doces esta cidade tem para oferecer. — Disse ele e deixou a biblioteca de bom humor enquanto Noturno suspirou profundamente.

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Cinco horas depois, já era tarde, Arima estava comendo tranquilamente em um restaurante com Noturno deitado na mesa. Ele sentiu algo acontecendo em sua dimensão e ficou um pouco surpreso — Oh, Lanya já rompeu o nono nível.

Noturno rolou sobre a mesa e se levantou. Ele mastigou um pedaço de carne e olhou para Arima — A propósito, você nunca explicou as palavras que disse quando conhecemos Lanya.

— Quais palavras?

— Você disse que era parecida… Não importa o quanto eu pense sobre isso, vocês dois não são nada parecidos. — Noturno respondeu e se sentou.

— Ah… isso— Arima exclamou — É literalmente o que significa. Quando a vi, senti como se ela se parecesse comigo quando eu era mais jovem, muito mais jovem.

Noturno inclinou a cabeça — Eu não tenho certeza se eu entendo.

Arima riu — O que eu reconheci nela não era apenas seu ódio, mas um sentimento realmente peculiar. Aquele que você tem quando mata seu pai. — Disse ele com um tom sombrio e a expressão de Noturno escureceu.

Arima deu um tapinha nele — Não se importe. Eu superei isso desde então. E para ser justo, eu não matei minha mãe por vingança ou algo assim, nem fui eu diretamente quem fez isso. — Acrescentou ele.

—…Pare de me acariciar. — Noturno gemeu e Arima riu.

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Dezoito horas depois, Lanya e Lilis finalmente saíram da dimensão. Lanya havia alcançado a classe alta do nono nível. Arima poderia ter mantido a dimensão ativa por mais tempo, já que ele tinha mais mana do que antes, mas ainda disse a elas para parar o treinamento por enquanto.

Elas passaram a noite na cidade em que estavam e saíram diretamente no dia seguinte, quando os falcões de Arima terminaram de escanear a Cidade Central.

Arima primeiro se teleportou acima da cidade para observá-la com seus próprios olhos — Isso é realmente enorme, afinal.

— Como esperado da maior cidade do planeta — comentou Lilis.

Se você olhasse de longe, o tamanho e as “cores” desta cidade poderiam ser comparados a uma cidade moderna. Mesmo que, olhando mais de perto, os edifícios e as casas pareciam realmente limpos e, se não fosse pelas ruas um pouco antigas, tudo seria muito semelhante às habitações modernas. Mesmo aqueles veículos motorizados estavam presentes.

Arima também podia ver quatro edifícios importantes de onde estava. Um era uma igreja, outro era um enorme castelo no meio da cidade, o terceiro era um edifício de pedra limpa que também possuía um grande domínio e o último parecia ser o QG da guilda; uma estrutura de madeira grandiosa de três andares cheia de vestígios de magia espacial.

— Vamos! — Arima falou e teletransportou seu grupo para um dos portões da cidade. Como antes, Arima deu seu cartão de ouro prateado a um soldado e este se curvou antes de deixá-lo passar. Ele sabia que a notícia de que o ‘Demônio gentil’ entrou na cidade provavelmente se espalharia para os figurões em pouco tempo, mas Arima não se importou.

Lá dentro, Arima observou seu entorno e quando começou a ouvir as conversas das pessoas nas ruas, lembrou-se de algo — Lilis, o fato de eu ser capaz de entender a linguagem deste mundo, é graças a aquele velho?

— Ah, certo. Eu não te disse. Eu me esqueci. Azes realmente não fez você aprender a língua ou qualquer coisa, ele realmente transmitiu a você a ‘línguagem dos deuses’.

— A linguagem dos deuses?

— Sim, nossa língua é algo universal. Você entenderá todas as outras línguas e todos entenderão você. É também por isso que você pode entender o significado dos cantos dos outros. Quando você escreve algo, a linguagem dos deuses faz você escrever as palavras certas inconscientemente. A razão pela qual você entende tudo como inglês é porque foi especificamente essa linguagem que foi substituída.

— E, finalmente, a razão pela qual as pessoas não conseguem entender seus encantamentos é que você, quando canta, começa a pensar e falar em um idioma diferente do inglês real, que foi substituído pela linguagem dos deuses. — Explicou Lilis enquanto caminhava.

— Então, foi isso… Agora faz sentido.

Lilis sorriu — Bem, neste mundo existem apenas duas línguas diferentes que são comumente faladas. Você tem todas as línguas rúnicas que são usadas para cantos. Então, você não pode realmente usar nossa linguagem em todo o seu potencial.

Enquanto conversavam, eles coincidentemente passaram pela igreja que tinham visto antes. Arima olhou para ela, a fachada era extremamente bonita, com esculturas, estátuas e vitrais. Mas ele sentiu algo realmente desconfortável emanando disso e não conseguiu identificar a causa.

Quando Arima passou em frente à igreja, seu campanário vibrou e o sino começou a tocar. O som ecoou fortemente nas ruas. Mesmo Arima, inconscientemente, cobriu seu ouvido. Depois disso, uma enorme quantidade de magia de luz se reuniu ao redor do campanário.

Uma aura dourada foi invocada e rapidamente se transformou em um pilar ameaçador que caiu diretamente sobre Arima, que agarrou Noturno e o jogou antes de ser atingido. Ele tinha uma expressão extremamente inquieta quando a luz dourada o atacou, a estranha impressão que Arima sentiu estava piorando e sua cabeça começava a doer.

A área foi iluminada pelo pilar e todos nas ruas se afastaram dele, exceto seu grupo.

Arima tossiu sangue e abaixou o corpo com os olhos arregalados. O chão rachou enquanto ele fazia o seu melhor para continuar de pé. Ele cerrou os dentes enquanto seus pés estavam enterrados. Mas, estranhamente, não estava revidando. Parecia que o som do sino que ainda estava ressoando estava deixando-o em uma espécie de estado atordoado.

— Hey, Arima! — Noturno gritou para acordá-lo e Lilis e Lanya já estavam se preparando para tirá-lo de lá.

Ao grito de Noturno, as pupilas de Arima se estreitaram e ele ficou com uma expressão irritada. Ele olhou para a torre da igreja e seu sigilo fez uma curva. Uma única nuvem de trovão apareceu no céu e disparou um raio que destruiu o campanário.

Foi só depois que o pilar desapareceu que Lanya e Lilis relaxaram. Depois que a luz se apagou completamente, Arima balançou a cabeça e esfregou suas têmporas.

— Merda…— Ele amaldiçoou e chamou Karma. Ele ficou furioso o suficiente para destruir aquela igreja. Além disso, mesmo depois de destruir o sino junto com a torre, havia ainda mais magia que estava sendo coletada por toda a infraestrutura da igreja.

— Espere! Por favor!— Quando ele estava prestes a desembainhar Karma e destruir o prédio à sua frente, uma voz de pânico vinda da igreja em questão o fez parar. Um velho em uma túnica branca apareceu com um brilho na entrada da igreja com uma expressão rígida. Ele acenou com a mão e um certo objeto apareceu em sua mão, uma espécie de chave que fez a igreja parar de reunir energia.

O velho patriarca suspirou e virou-se para Arima — Eu não sei o porquê do sino sagrado atacar você. Mas se você superou isso, só pode significar que seu poder é impressionante. Por favor, para provar sua sinceridade e que o sino cometeu um erro, não libere sua raiva aqui.— Ele implorou com um tom educado e respeitoso.

Arima ficou tão surpreso com a atitude que o homem mostrou que perdeu toda a sua frustração em um instante. Ele estalou a língua e guardou Karma —…Tudo bem. Não vou fazer isso. Acho que a culpa é minha, afinal. Não adianta ficar com raiva. — Arima respondeu e, em seguida, saiu com Noturno, que pulou de volta em seu ombro.

O patriarca da igreja suspirou de alívio. Ele estava perfeitamente ciente de que, se não tivesse impedido Arima, sua igreja teria sido arrasada. Ele olhou em volta e notou muitas pessoas olhando de longe. Ele se curvou para eles para manter sua imagem — {Desculpe pelo inconveniente. Por favor, tenham um bom dia.} — Ele se desculpou telepaticamente a todos e desapareceu com um flash.

Depois desse incidente, Arima foi diretamente para o QG da guilda. Quando entrou, ele reconheceu a configuração habitual da guilda. Muitas recepções administrativas no térreo. O restaurante e os avisos de missão estavam logo acima, já no topo, o andar do mestre com as missões de classificação SS e SSS nessa cidade.

Quando Arima exibiu seu cartão no primeiro andar, alguém apressadamente o levou para o andar do mestre e levou seu grupo para uma certa sala.

— Bem-vindo. Você é o Demônio Gentil, Arimane Blade, correto?— Dentro do quarto luxuoso, um homem corpulento de meia-idade cumprimentou Arima e este fez uma careta com a menção de seu título antes de assentir.

— É um prazer conhecer você. Por favor, sente-se. — O mestre da guilda apontou para um grande sofá na sala para o grupo de Arima se sentar.

O mestre sentou-se na frente deles e sorriu — O que traz um rank Z recém-nomeado como você aqui?— Ele perguntou enquanto servia algumas bebidas e aperitivos. Noturno pulou sobre a mesa para fazer um lanche e as duas meninas também não se contiveram. Arima acabou de pegar um pirulito e não tocou em nada na mesa.

— Bem, estou aqui para matar o tempo enquanto espero por uma determinada coisa. Eu estava procurando algo divertido para fazer e, então, pensei que a guilda talvez pudesse me oferecer algo interessante para fazer, como masmorras. Por isso, vim aqui — Arima respondeu casualmente.

O mestre da guilda sorriu ironicamente — Desculpe, mas não há masmorra que exija o envolvimento de alguém tão poderoso quanto você agora.

— Então, você tem algo digno de nota para fazer? Como parar uma guerra em outro continente ou matar um monstro forte?— Arima perguntou em branco depois de pensar sobre o que havia feito desde que chegou a este mundo.

O mestre da guilda meditou um pouco e teve uma ideia — Eu tenho algo que pode ser interessante. Eles especificaram que apenas mercenários de rank SS ou superiores poderiam conseguir. Mas, por enquanto, ninguém aceitou e estou em má posição para recusar o pedido. — Ele murmurou e abriu uma gaveta, pegou uma pasta e entregou para Arima.

Arima a agarrou e olhou para a primeira página, as primeiras linhas que ele leu foram: ‘Academia Providência’.

Arima franziu a testa —…Huh?

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