O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 1011

O Cavaleiro em Eterna Regressão

1011. O Vento do Imperador



— Aproveitando o embalo, você cuidaria das outras desgraças também?

Antes que alguém percebesse, a personalidade do Imperador tinha mudado de novo. Desta vez, era uma atitude astuta. Ele parecia um b[?25hartender instalado em algum beco escuro. Era um fenômeno que já tinha se tornado familiar a essa altura. Krang respondeu sem sequer molhar os lábios.

— Isso parece um assunto diferente. Parece um prejuízo ter recebido apenas um pacto de não agressão.

Eu venho conversando com o Imperador há vários dias. Embora não façamos refeições nem banquetes juntos, cruzamos caminhos frequentemente. Ouvi dizer que um nobre chamado Lorde Donapa está liderando a preparação do banquete,

então me disseram que não havia necessidade de me sentir desapontado.

— Um banquete?

Faça ou não faça.

Krang ainda estava extremamente curioso sobre o Imperador sentado lá em cima. Resolver os Três Vilões?

Se Enki fez isso, deve ter havido um motivo.

Ele deu uma grande ajuda na tarefa, e já que, no fim das contas, ela foi realizada graças a Enkrid.

Na verdade, o golpe final foi desferido por um dos Quatro Grandes Cavaleiros do Império, mas o Imperador atribuiu todo o crédito ao próprio Krang, em vez de ao Império.

— É tudo graças a você. Eu nunca esquecerei.

Não é basicame[?25lnte isso que está sendo dito?



— Por que você está me elogiando?

Krang vinha avaliando a atmosfera ao seu redor há dias. Ele era alguém que, se necessário, era tão observador quanto Kreis.

Antes de se tornar rei, ele trabalhou em uma g[?25huilda de mercadores por um tempo e serviu brevemente em uma guilda de espionagem.

Mudar-se entre vários lugares naturalmente melhora a percepção de alguém.

Juntando o que estou sentindo agora, é assim que eu vejo.

Em vez de alguém que me dá as boas-vindas.

Há muitas pessoas que não gostam de mim, mas ainda mais numerosos são os olhares desconfiados. É como se dissessem: "Quem diabos você pensa que é?"

Então, por quê?

As dúvidas permanecem. Krang tinha vindo aqui a convite do Imperador e estava recebendo uma hospitalidade inesperada. Independentemente de como os outros viam isso, a atitude do Imperador permanecia consistente.

Foi graças a isso.

Inveja?

Sim, eu vi alguns olhares assim. Sempre que um deles emanava uma aura particularmente ameaçadora, Saxony olhava fixa

amente para ele.

Mesmo no caminho para o Grande Salão do Imperador, energia feroz e olhares hostis foram trocados várias vezes.

Mesmo assim, o Imperador não o impediu e insistiu em ver apenas a mim.

O motivo? Apenas um me vem à mente.

Está me avaliando.

Tudo bem, eu entendo até aí, mas a questão épor que você está tentando medir isso. Não há necessidade disso, então

 por quê?

A diferença de poder entre o Império e o Reino, e entre o Imperador e você mesmo, é clara. Eu precisarei falar com Enkri

id para ter certeza, mas a julgar pelas atitudes da Guarda Real e de Saxony, é isso o que consigo sentir.

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— Não se afaste mais do que três passos de mim.

Estas foram as próprias palavras de Saxon. Tendo embarcado na missão de escolta com determinação, ele descartou qual

lquer outra opinião. Ele

tinha prometido proteger o Rei na ausência de Enkrid, então estava apenas permanecendofiel a essa promessa; ele fez iss

so porque acreditava que, de outra forma, não conseguiria proteger o Rei.

— Há um assassino no palácio real que está pelo menos no meu nível ou é melhor do que eu.

Esse é um julgamento baseado no que Saxony disse.

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O poder do Império supera facilmente o do Reino, embora isso não seja tudo.

Embora se diga que a grande maioria dos atuais Cavaleiros Imperiais sequer pode entrar devido a compromissos externo

os, a situação é tão grave assim.

Uma vez tomada a decisão de transcender a moeda e o idioma, e para que todos agora joguem sob o abraço do Império, e a b

batalha comece, quem poderia desafiar o comando do Imperador?

Existe algum reino capaz de lidar com esse poder agora?

Não existe.

Azpen, o Sul, Zaun.

Mesmo que esses grupos, renomados por seu poder de cavalaria, se reunissem para lutar, as chances de vitória não seriam

 altas. Mesmo sem ser um especialista militar, isso era óbvio.###TAG######TAG###

Supõe-se que um rei seja meio especialista militar por natureza.

Se lhe perguntassem quem mais estudou e pesquisou em Nowrilia, Krang tinha certeza de que estaria entre os três prim

meiros.

Como nunca havia recebido treinamento formal em assuntos como estudos imperiais ou ciência militar, ele se aprofundou em

m livros, fez perguntas, ponderou e agonizou com uma determinação desesperada.

Enquanto Enkrid se dedicava à esgrima todos os dias, Krang se dedicava a estudar e desenvolver seu pensamento.
[?25h

Todo o conhecimento que possuía, o olhar atento para discernir o que os outros desejavam e as artimanhas para alcançar s

seus próprios objetivos —

era uma afirmação nascida do próprio processo de pesar e revirar cada gota de seu potencial.

— O que é?

Estou perguntando sem rodeios. Não há outra opção senão perguntar diretamente e ouvir a resposta.

E se eles não derem uma resposta? Acredito que será hora de voltar. Pelo menos, já obtive o que precisava. Isto é, o pac

cto de não agressão.

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— O quê?

O Imperador pergunta novamente. O Comandante dos Cavaleiros simplesmente permaneceu em silêncio atrás do Imperador,

 sem fazer gestos ou intimidação.

— Por que você me chamou?

Será que era um pouco tarde demais? Krang pensou que sim. Ele deveria ter perguntado assim que chegou.

Claro, mesmo se voltasse no tempo, não seria capaz de fazer isso. Como poderia fazer uma pergunta tão desafiadora quando

o sabia quais eram as intenções do Imperador?

Não devemos entrar em guerra com o Império.

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Esse é o objetivo de Krang. Se eles se desentenderem com o Império, apagar o Reino Demoníaco se tornará uma tarefa d

distante.

Se Enkrid é alguém que dá um passo à frente para lutar.

É meu trabalho fornecer a ele um lugar para lutar.

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'Consegue.'

Ele daria um jeito de conseguir de alguma forma. Seu cavaleiro tinha matado Balrog e derrotado o demônio conhecido c

como o Senhor do Reino dos Espelhos.

Portanto, ele sentia que precisava cumprir seu dever também.

Embora ninguém fosse dizer uma palavra se ele falhasse, Krang era alguém que se cobrava a um nível cruel.

Honestamente, entre os que vivem no continente hoje e afirmam fazer a coisa certa, quantos realmente não fazem?
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Todos estão aqui porque experimentaram e superaram seus limites.

Até mesmo um Guarda Real chamado Leervan está aqui agora porque superou a si mesmo repetidas vezes no passado.
[?25h

Até o Marquês Marcus Vaisar, que parece ocioso preparando chá em seu escritório, tinha pesadelos três dias por semana e

 lutava todos os dias apenas para realizar algo.

De qualquer forma, agora que ele tinha a desculpa de ter resolvido um desastre, sua boca naturalmente se abriu.

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— É o dever ou a vontade que o guia?

O Imperador perguntou.

— Acho que são ambos.

Krang respondeu sem hesitação. Era uma extensão de sua forma habitual de pensar. Não era algo com que se preocupar.###TAG###<



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— Tudo o que me resta é um desejo.

Os olhos do Imperador ficam pesados. O tédio se instala onde antes estavam a astúcia e o sorriso. Krang não a conhec

cia. Por isso, o Imperador pretendia se apresentar a ele.

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— Meu corpo está subordinado a este castelo.

Era uma história difícil de entender, mas era apenas o começo. O Comandante dos Cavaleiros abriu a boca.

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— Dispense os guardas. Seria melhor reduzir o número de pessoas ouvindo o que está sendo dito agora.

Krang não perguntou por que tinha que fazer aquilo.

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— Todos vocês, saiam.

Ele simplesmente obedeceu às palavras. Normalmente, o curso de ação adequado seria questionar o motivo de ser daquel

la forma e explicar que aquilo também era benéfico para ele. Bram Ritzer, que estava falando, olhou para Krang com uma le

eve surpresa.

Ele parecia frívolo momentos atrás, mas agora estava agindo assim. Deveria dizer que eles eram de calibres diferentes?###TAG###

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O chefe da Guarda Real estava prestes a dizer algo, mas fechou a boca. Se ele pretendesse visar o seu próprio rei, estar

ria tudo bem mesmo que não fosse agora.

E Lorde Saxony permaneceu ao seu lado apesar daquelas palavras.

— Não.

Estou apenas expressando minhas intenções com firmeza.

— Ah, você fica.

Krang falou calmamente. Isso devia ser suficiente. Afinal, as palavras do Comandante dos Cavaleiros eram uma sugestã

ão, não uma exigência. Essa era a intenção revelada em seu tom de voz.

No momento em que o líder da Guarda Real estava prestes a abrir a porta e recuar, um grupo de companheiros bloqueou seu

 caminho.

Entre eles, Frock revirou os olhos e olhou para ele.

O que era isso agora?

No meio disso, Leervan avistou Enkrid e assentiu levemente.

— Não bloqueiem o caminho. Esses desgraçados estão do seu lado também? Por que você está levando um lixo tão inútil

 com você?

O tom de Frock era sem limites.

Não fora intencional, mas Enkrid tinha acabado de retornar enquanto a Guarda Real de Nowrilia recuava. Alguém
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poderia esperar que eles explodissem com as palavras de Frock, mas a verdade era a verdade. Todos, incluindo o Capitão d

da Guarda Real, não disseram nada. Eles simplesmente se afastaram.

Os dois escudeiros que guardavam a porta olharam para dentro da sala de recepção. Eles olhavam para o Comandante. Bram a

assentiu. Só depois que Frock e todos os outros entraram é que os dois escudeiros fecharam a porta.

O Capitão da Guarda Real restante ficou de costas para a parede, mantendo uma distância segura da porta. A parede irregu

ular parecia feita de pedaços de casca de árvore descascados e colados.

Parecia que o interior de uma grande árvore fora escavado e construído na forma de um castelo. Essa era a sensação.


Era um pensamento que distraía. E uma tentativa desesperada de não sentir a humilhação do insulto recebido momentos ante

es.

— Capitão, estamos apenas fazendo nosso trabalho. Se nos sentimos injustiçados, só precisamos focar no treinamento.###TAG###<



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Leervan falou abruptamente. O capitão estava em silêncio, então, com a observação, olhou para cima.

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— Sim, está certo.

Graças a um único comentário de Leervan, a atmosfera sombria se dissipou.

— Estamos apenas cumprindo nosso dever.

O capitão falou. Eles encararam a porta fechada. Cruzaram os olhos de um dos dois escudeiros por apenas um breve ins

stante.

Embora eles também não fossem cavaleiros, estavam ali com a determinação de proteger o Imperador. Estavam no mesmo dilem

ma, não muito diferentes uns dos outros.

Um lixo inútil? Ouvir tais palavras seria motivo para abater seus espíritos?

Enkrid.

Todos os Guardas Reais, sem exceção, pensaram no louco Comandante dos Cavaleiros. Eles conheciam suas origens. Foi g

graças a Leervan. Por isso seus espíritos nunca foram abatidos.

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A atmosfera está estranha.

Kahal falou mantendo a cabeça erguida enquanto olhava para o Imperador. Ele não parecia ter qualquer intenção de se

 ajoelhar. Tinha falado exatamente o que sentia, percebendo a atmosfera sutilmente desconfortável e, ao ouvir isso, o Imp

perador abriu a boca.

— Demorou muito tempo.

Era difícil ler qualquer emoção em suas palavras. Até mesmo Enkrid, que estava mais do que acostumado com o tom de u

uma fada, sentia-se da mesma forma que Temares, o leitor de mentes.

— Ele era muito bom em fugir. Eu o peguei graças a esse cara.

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Kahal falou, cutucando o antebraço de Enkrid, que estava ao seu lado. Embora fosse um dos Quatro Grandes Cavaleiros

 do Império, ele não deveria simplesmente entrar assim ao vir se encontrar com o Imperador. Isso só foi possível porque K

Kahal recebeu permissão para entrar a qualquer momento depois de resolver o fenômeno do aparecimento do monstro Malapais.

.

Nesse aspecto, Krang recebia um tratamento especial. Ele era livre para se encontrar com o Imperador quando quisesse. Er

ra por isso que havia quem o invejasse. De qualquer forma,

além de Krang e Saxon, que já estavam lá, Enkrid, Rem, Sinar e Temares estavam juntos. Esther permaneceu do lado fora da

a fortaleza interna.

Bem, se ela se sentia desagradável ou desconfortável toda vez que entrava,

Enkrid não pediu detalhes e a deixou fazer o que quisesse. Então, ela mencionou que visitaria a Torre do Mago sempre que

e tivesse tempo livre.

— Sobre o que vocês estavam conversando para estar tão tenso?

Rem perguntou, e Krang respondeu.

— Eu apenas perguntei ao Imperador por que ele tinha me convocado.

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Perguntar faz com que respondam? Eles responderam.

— Meu desejo é morrer. Você é quem concederá a minha morte. É por isso que eu queria ver você pessoalmente.

[?25h

Era algo completamente sem fundamento, contudo ninguém disse nada. Até Rem manteve a boca fechada e apenas observou.

.

O que ele está dizendo? Pedindo para ser morto? Era uma afirmação absurda.

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— Você parece ter o hábito de conversar de uma maneira que deixa margem para mal-entendidos. Então, com o que devo m

matar você? Existe, por acaso, alguma tradição de eu me tornar o Imperador do Império se eu matar o Imperador?

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Enquanto isso, disse Krang.

— Não existe tal coisa.

— Então suponho que não há razão para eu matar você.

O Imperador sorriu. Por que seu temperamento mudava em tempo real?

Era porque o Imperador havia vivido por muito tempo. Suas personalidades não eram apenas dezenas, mas passavam de centen

nas.

A vida é sofrimento? Eu não sei. Vivi por tanto tempo que me tornei insensível a isso.

No entanto, ela simplesmente não tinha esquecido o voto que havia feito a si mesma há muito tempo.

Aquele voto de pôr um fim a tudo isso quando chegasse a hora. Embora

ela não soubesse naquela época que demoraria tanto tempo.

O Imperador se levantou de seu assento.

Rangidoooo.

Atrás do manto esvoaçante, que era transparente mas opaco, um feixe de galhos marrons era visível para todos. Era um

ma visão surpreendente toda vez que se via. Conforme

ela estendia a mão, algo parecido com um boneco de madeira saiu debaixo das escadas, por entre as sombras.

Mal tendo o tamanho de um punho, tinha pernas curtas e uma aparência fofa enquanto andava cambaleando.

Se Esther estivesse aqui, teria ficado aterrorizada. Ela havia criado e comandado um golem de madeira sem o uso de quais

squer feitiços ou energia mágica.

Nem mesmo um feitiço de provérbio poderia fazer tal coisa. Era como se ela estivesse igualando o próprio lugar em que es

stava com seu próprio mundo de feitiços.

Como a assimilação é um conceito inteiramente diferente da projeção do mundo de feitiços,

o próprio fato de ela conseguir fazer isso com um único gesto era surpreendente. Felizmente, Esther não estava presente.

. Havia

um total de quatro bonecos. Um boneco desajeitado e de baixa estatura estava no centro, com um acima e dois abaixo.

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— Primeiro, você deve conhecer as condições da minha morte. Suba.

O Imperador falou com Krang. Krang se aproximou sem medo.

Com todos assistindo, o Imperador segurou as bochechas de Krang e pressionou suas testas juntas.

— Olhe.

Aquela voz foi ouvida apenas por Krang. Logo, Krang leu os desejos do Imperador e sentiu e viu uma parte de sua vida

a.

— Eu quero morrer.

Sonho, desejo, anseio antigo. Como quer que você chame, as palavras dela eram sinceras. Ela realmente desejava isso.

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