O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 1007

O Cavaleiro em Eterna Regressão

1007. Palavras ditas tornam-se uma fonte de força.



— Mate-me!

A pele pálida e os pontos que costuravam o rosto em vários lugares davam-lhe uma aparência grotesca. Rem encarou o suj[?25heito que exibia um comportamento tão bizarro sem sequer piscar.
Será que, pelo menos, não era tarde demais?
Ele viu pessoas reunidas de um lado, subjugadas pela intimidação e pela presença imponente. Além de tremerem violentamente, mal conseguiam respirar direito.
Algumas delas arquejavam em busca de ar, parecendo que morreriam a qualquer momento.
Rem não achava exatamente que se importava com todos que via, mas, mesmo no meio disso, uma mulher com as unhas quebradas rastejando pelo chão chamou sua atenção.

— Ah... f... fi... meu fi... p... por...

Entendi o que estava sendo dito. Devia ser a mãe da criança que eu segurava nos braços naquele momento.

— Ugh!

A criança cuspiu sangue. Embora seu corpo não tivesse sido partido pelo corte da lâmina, o impacto o havia atingido em cheio.

— Só um momento.

Trimache se aproximou, pegou a criança e afagou suas costas.

Está tudo bem.

Ele havia cuspido sangue, mas seus órgãos internos não estavam rompidos e não havia fraturas em lugar nenhum. Não parecia ter mais do que treze ou quatorze anos; como acabou nesse e[?25lstado totalmente sozinho?



— E a água do monstro?

Enquanto isso, a criança abriu os olhos e fez uma pergunta, com um brilho no olhar como se guardasse estrelas. Era uma criança extraordinária.
De olhos verdes suaves e[?25h orelhas arredondadas. Embora fosse menos de um quarto, o sangue das fadas corria em suas veias.

Está tudo bem.

Enquanto Trimache respondia, a criança respirou fundo com dificuldade e perguntou novamente:

— Como está a minha mãe?
— Ela está bem. Não morreu.
— Ah.

Só então a criança desmaiou. Era um milagre que tivesse permanecido consciente até agora.

Deveria chamar isso de uma força mental extraordinária?

— Que garoto fascinante.
Rem, que estava observando, achou que a criança não era comum. Foi apenas um pensamento passageiro. Aquele não era o foco deles no momento.
Ela viu Trimache acalmando a criança, mas a fada parecia não ter intenção de se mover, apenas cuidando do garoto. Sinar e Temares também apenas observavam o inimigo como espectadores. Esther olhou para frente, depois de relance para Rem. “Devo fazer isso?”, a bruxa perguntou com os olhos. Rem balançou a cabeça com um gesto negativo.

De qualquer forma, o trabalho problemático é a minha função.

Rem, pensativamente, protegeu com suas costas aqueles que haviam sido subjugados pela intimidação.
— Agora, apenas olhem para as minhas costas.

A intimidação e a energia que emanavam do pálido cavaleiro fada costurado não conseguiram superar Rem e foram despedaçadas.
Embora nada fosse visível, parecia que uma tenda maciça estava envolvendo e protegendo a todos. Com isso, todos finalmente conseguiram respirar aliviados.

— Flammel, Flammel.

A mãe da criança, que estava prestes a dar um passo à frente, de repente se levantou.

— Ele não está morto. Se você for lá agora, vai morrer antes dele, então fique onde está.

Rem retrucou. Enkrid estalou o pescoço de um lado para o outro. Não havia necessidade de ele demonstrar tal resistênc

cia como cavaleiro. Era puramente um gesto provocativo.

— Você será um grande cavaleiro, não será? Aquele que honrará o meu fim?

O cavaleiro fada que não podia morrer perguntou.

— Não, sou apenas um passante.

Que tipo de grande cavaleiro um cara que brande uma espada contra uma criança está procurando?
Enkrid sabia que o

 mundo era um lugar perigoso. É por isso que ele odiava caras assim ainda mais. Então, aquilo não era raiva ou fúria, mas

s sim irritação.

Pare de falar bobagens enquanto age puramente por sua própria vontade.

Enkrid murmurou enquanto cerrava e abria o punho. A manopla, tecida de metal e couro, ajustava-se confortavelmente à

 sua mão como uma mandíbula perfeitamente encaixada. Aquilo também fora feito por Eitri.

Você também usa os punhos, não usa?

Esse fora o item que ele me entregou ao dizer essas palavras. Era um pouco exagerado dizer que combinavacom a roupa

 de hoje, mas era um excelente equipamento. Fora feito inteiramente de metal negro e couro de monstro.

— Fico curioso para saber por que ele deu um presente desses para você, irmão, e não para mim.

Audin demonstrara puro ciúme.

— Porque você já tem o seu?

Claro, Enkrid retrucou sem hesitar por um segundo.

— Traga-me um cavaleiro excepcional para me matar. Não quero mais matar ninguém.

Um rosto pálido, olhos cheios de uma leve expectativa — observando aquilo, Enkrid pensou: “Esse cara está agindo de u

um jeito realmente nauseante.”
Suas palavras e ações eram contraditórias. O elfo que empunhava a espada montante falou

u, girou-a por trás das costas e a desceu com todas as suas forças.
Embora os dois estivessem a mais de dez passos de

 distância, o espaço entre eles encolheu no instante em que aespada desceu.
O cavaleiro elfo, de pele costurada, move

era o pé para que aquilo acontecesse. A intimidação atingiu primeiro, seguida pelo vento que agarrou seus membros como co

orrentes. Então a espada caiu.
A forma da intimidação era a de um gigante do vento. Seu corpo era tão colossal que um

 único gesto varreria a todos. Pois era um monstro que forjava tufões e usava tempestades como armadura.

— Eu sou o rei que controla o vento!

A fada gritou. Não, não gritou diretamente. Era uma mensagem transmitida pela vontade contida na intimidação.
Enkr

rid cruzou os braços para bloquear a frente, colocou força nos pés e dobrou os joelhos.

Boom!

Ele bloqueou a lâmina com a parte metálica da manopla que envolvia seus braços cruzados, e simplesmente suportou a pr

ressão do vento misturada com a intimidação e o ímpeto.

— ...Hmm.

O cavaleiro fada soltou um gemido abafado ao descer a espada montante. Era algo que poderia ter sido bloqueado ou esq

quivado. Ele
era o primeiro a ver alguém simplesmente suportar aquilo com o próprio corpo. Deveria chamar isso de igno

orância ou de audácia?
Era ambos. Uma joia azul gélida emitiu luz entre seus braços cruzados e a espada montante.



— Vento!

O Cavaleiro Elfo gritou. Tendo dominado a arte de empunhar a essência do vento ao extremo, as rajadas giratórias semp

pre o ajudavam.
Num instante, o vento se transformou em um punho para atingir o estômago de Enkrid, enquanto outra cor

rrente de vento se coalescia para servir de apoio para o Cavaleiro Elfo. O Cavaleiro Elfo saltou para trás, golpeando com

m sua espada montante.

Kagagak!

Faíscas voaram entre a manopla e a espada montante, sendo arrastadas pelo vento rodopiante e voando em todas as direç

ções. Um turbilhão se formou a partir das faíscas.
O vento atingiu sua barriga e a espada montante cortou sua manopla,

, mas Enkrid resistiu e bloqueou tudo antes de avançar.

— Você continuará avançando não importa qual barreira esteja em seu caminho? Sério?

O barqueiro perguntou.

Sim, provavelmente esse é o caso.

O coração de Enkrid permaneceu inalterado, fosse na primeira repetição deste dia ou agora.
Além disso, considerand

do as dificuldades infligidas pelo barqueiro, pelo mundo e pela própria vida, aquele mero vento não passava de uma parede

e. Era apenas uma brisa passageira.
Enkrid juntou as palmas das mãos, depois as afastou e saltou para a frente. Mesmo

 sem uma espada, ele podia simplesmente fazer de suas duas mãos suas duas espadas.
Agora, ele tinha duas espadas. O qu

ue ele deveria fazer?

Bloquear e bloquear de novo!

A essência do vento se transformou em maças pesadas, lâminas e pontas de lança para bloquear seu caminho, mas ele as

 desviou, rebateu e esquivou uma a uma com as mãos.
Boom, bang, crash, clang! Tais sons irrompiam em sucessão.
Enkr

rid, tendo cortado o vento e se aproximado, transformou sua mão esquerda em uma maça. Se você dobra os dedos para fazer u

um punho, o que mais poderia ser senão uma maça? He golpeou a lateral do cavaleiro fada com ela.

Boom!
Vupt! Crash, bang! Crash, poof! Estrondo!

O ritmo era semelhante ao de antes, mas um som diferente ecoou. Uaaah! Uma onda de choque explodiu atrás de Enkrid qu

uando ele terminou seus socos. O cavaleiro
elfo, enviado rolando e quicando para o lado como uma boneca arremessada, c

colidiu com uma casa construída de barro e pedra, desmoronando-a ao cair.
Ele morreu? Não, ele não poderia morrer com

 algo assim.

— Sem esgrima!

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, a voz de um monstro veio de dentro dos escombros da casa desmoronada. A

 criatura, tendo se levantado enquanto quebrava os detritos com um estrondo, apontou sua espada montante para a frente.###TAG###

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— Você vai continuar atacando sem usar esgrima?

O sujeito perguntou. Enkrid sentiu-se estupefato.
— Do que você está falando? Foi você quem fincou a minha espada

 no chão.
Será que aquilo era algo que o cara que se esforçou tanto para selar temporariamente a arma gravada, chegand

do a derramar sangue, deveria dizer?
E ele não fora derrotado momentos atrás, mesmo tendo usado as duas mãos em vez da

a espada? A cabeça daquele desgraçado não é normal.
Além disso, embora tivesse derramado sangue e feito todo tipo de c

coisa antes, sua espada não ficaria presa por aquilo. Uma arma gravada deve se parecer com seu dono.
Enkrid caminhou a

até o ponto onde havia fincado Onul, segurou o punho enterrado no chão e o puxou.
A espada saiu com um suave "vupt". O

Onul murmurou e falou com ele.

Você não pode me prender assim.

É uma reação natural, sabe. Como não era uma espada consciente, Enkrid apenas sentiu isso; ela não disse de fato.



— Você quer morrer?

Enkrid ergueu a espada acima da cabeça enquanto perguntava. Deve ter sido obra desse desgraçado o que destruiu a vila

a anterior.
Tudo bem, o quê? Você quer que eu pague o preço? Eu pagarei. Pagarei esse preço cravando minha espada na s

sua cara.
Com a espada ainda em punho, Enkrid avançou contra o Cavaleiro Elfo com um golpe rápido. Seus passos eram tã

ão ágeis e velozes que um longo rastro de imagem permaneceu nos olhos de Rem. O
Cavaleiro Elfo, com o rosto virado, po

ossuía uma armadura que desviava feitiços e fora um dos Cinco Dedos dos Cavaleiros Imperiais, um nome renomado na era ant

terior.
Sim, esse era
o caso na época. No entanto, o tempo é um rio implacável, e aqueles que não sobrevivem à corr

renteza estão fadados a ficar para trás.
Mesmo os Cinco Dedos, o título que representava os Cavaleiros Imperiais décad

das atrás, mostravam uma diferença brutal de habilidade em comparação com os cavaleiros que representavam o presente.

>Embora sua espada montante ainda emanasse uma aura intimidadora que pesava sobre todo o seu corpo, havia muitos cavaleir

ros com essa especialidade. Aesia não usava uma técnica parecida, por sinal?

Ela se tornou uma cavaleira?

Se não funcionasse, não seria uma má ideia continuar batendo nele até funcionar. Quer Aesia concordasse ou não.
El

le empurrou a espada montante que caía e depois a puxou de volta. Prendeu a espada com uma trava, girou o corpo e golpeou

u o elmo do sujeito com o cotovelo.
Cada movimento fluía naturalmente, parecendo uma das técnicas de esgrima que ele p

praticava, mas era um único golpe que adicionava variação sobre variação.

Droga.

O elmo se partiu e sangue negro escorreu como cabelos desgrenhados. O sangue em forma de cabelo continuou a se alonga

ar em gotas, tocando o chão.

— O que é você?

O cavaleiro fada perguntou. Como eu deveria responder nessa situação?

— Um solucionador de problemas de longa data?

Falei as palavras que de repente me vieram à mente. Eu apoio aqueles que têm sonhos. É por isso que eu estava torcend

do pelo sonho daquele cara também.

— Você não disse que queria morrer?

Quando perguntei isso, os cantos dos olhos da fada se curvaram em um ângulo anormal.

— Isso acertou na mosca. As palavras proferidas pela própria boca tornam-se uma fonte de força, de modo que, se ditas

s levianamente, tornam-se uma faca que me apunhala. Esse é o poder das palavras.

Temares falou. O dragão leitor de mentes percebeu que o sujeito que estivera dizendo que queria morrer antes estava l

lutando desesperadamente para viver por mais um dia sequer. Ele era um tipo de duas caras. Temares odiava pessoas assim.###TAG###<


No momento em que Enkrid ouviu as palavras de Temares, vários pensamentos de repente se sobrepuseram em sua mente.

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Aumentar a pureza?

Eu não devo enganar o inimigo a ponto de trair minha própria vontade. Não é uma esgrima enraizada no engano, mas sim

 falar e agir a ponto de enganar a própria vida que prejudica a pureza da Vontade.
Portanto, um cavaleiro cumpre seu j

juramento e sua promessa.

A arte de refinar a pureza.

Trata-se de percorrer com todas as forças o caminho que se acredita ser o correto. Então, tudo o que resta é continua

ar fazendo o que sempre fez.
Ao mesmo tempo, lembrei-me do momento em que me libertei da magia verbal usada pelos drac

conianos, e compreendi a parte que Temares acabara de explicar.
É por isso que, agora.

Pare.

O sujeito, que fingia brandir sua espada montante, estava prestes a recuar de repente. Ele não teria sido capaz de es

scapar mesmo se fosse deixado sozinho, mas ele parou.
A palavra tornou-se um grilhão e o deteve.
A palavra tornou-s

se uma corrente e envolveu seu corpo.

Lute até o fim pelo que você quer.

Diante dessas palavras, os olhos do elfo reviraram. Ele mobilizou tudo o que lhe restava e desceu a espada montante.

 Foi um golpe vertical direto.
Enkrid ergueu sua espada diagonalmente para aparar o golpe, desviou-o e avançou, atingi

indo o flanco do cavaleiro elfo ao passar por ele.
A lâmina de hoje, sua arma gravada, agora irradiava uma luz pratead

da. Mais furiosa e afiada do que nunca, a lâmina cortou a armadura do cavaleiro elfo como se fosse lama, rasgando pele e

 osso.
Mais da metade da parte do corpo que conectava o tronco às pernas foi decepada. O corpo da criatura inclinou-se

e bruscamente para o lado e caiu. Isso porque sua cintura fora cortada ao meio. Apoiando-se com as mãos no chão, a criatu

ura murmurou:

— Você está dizendo que eu vou morrer?

É uma criatura invocada. Portanto, não pode morrer. É imortal enquanto a magia da bruxa continuar.

Por quêêêêê.

O espírito maligno, que gritara que queria morrer e lutara desesperadamente para sobreviver, morreu. A luz em seus ol

lhos se apagou, um fedor imundo emanou de seu corpo restante e larvas de repente fervilharam lá dentro. Tudo, incluindo s

sua armadura e espada, apodreceu e desmoronou em um instante.
Se alguém soubesse disso, choraria de alegria. Pois eram

m realmente muitos os que haviam perdido entes queridos para aquele mesmo homem que Enkrid matara.
Trimache tremeu ao

 colocar a criança inconsciente de volta nos braços da mãe.

Isso é o bastante.

Ele não está no mesmo nível dos Quatro Grandes Cavaleiros do Império?
Excluindo o Ceifador de Cevada, os outros qu

uatro cavaleiros da Ordem dos Cavaleiros Imperiais são considerados os quatro mais habilidosos, e ele tem a capacidade de

e competir com eles.

Não, se fossem eles, ainda assim...

Afinal, os Quatro Grandes Cavaleiros do Império estão em um nível completamente diferente.
Ela julgou que eles não

o estavam em um nível que ela pudesse avaliar com suas próprias habilidades.
Rem, que estava observando, cerrou e abri

iu o punho. Bem, só de olhar para isso, um desejo de lutar ferve dentro de mim.

Vamos procurá-la.

Enkrid disse a ela:

— Você é realmente atraente. Minha noiva.

Será que Rem era a única a sentir o desejo de lutar? Até Sinar, um elfo cujo forte era a calma, estava com o rosto tr

ransbordando de sangue fervendo. Seu olhar era extraordinário.
No entanto, ninguém havia esquecido o que precisavam fa

azer.

Tenho que terminar o que estava fazendo.

As palavras repetidas de Enkrid foram a resposta. Todos vagaram pela floresta novamente. Se um cavaleiro fada imortal

l havia aparecido ali, significava que uma bruxa estava por perto. Afinal, era óbvio que o invocador estaria perto de sua

a criatura invocada.
Esther semifechou os olhos e conjurou um feitiço. Olhando para o cadáver em decomposição, alguns

 feitiços que valia a pena tentar ao gastar mana lhe vieram à mente.

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