O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 1003

O Cavaleiro em Eterna Regressão

1003. O Problema do Império

Enquanto Enkrid estava fora, Krang ficou cara a cara com a Imperatriz, acompanhado por toda a Guarda Saxônica e a Guarda Real.
Assim que entraram no aposento da Imperatriz, os cinco Guardas Reais começaram a suar frio, mas aguentara[?25hm firme.
Eles tinham seu próprio dever, então não havia como não acompanhar. Além disso, Krang respeitava as obrigações da Guarda Real.
A Imperatriz e os outros simplesmente os aceitaram sem ordenar que se desarmassem, mas o olhar do Comandante dos Cavaleiros era estranhamente gélido.

Por que vocês estão entrando aqui?

Bem, acho que dava para dizer que era um olhar nessa linha.
Ainda assim, como ele não causou nenhum dano direto, Krang apenas observou. De qualquer forma, era a mesma sala que haviam visitado antes. A Imperatriz estava sentada em uma cadeira de madeira, e Krang permaneceu de pé na base da escadaria. Alguém poderia esperar vê-la em outro lugar ou que ela se apresentasse como uma serva, mas a Imperatriz não fez isso.
A conversa importante deveria acontecer aqui? Talvez. Ela devia ter um lado um pouco arrogante e gostava de olhar de cima.
Como Krang poderia saber suas reais intenções?
Assim como seu amigo próximo faz, ele é apenas fiel ao presente.

Eu recebi o presente.

Krang falou abruptamente. A Imperatriz assentiu. Qual era o presente? Era um pacto de não agressão.
Embora ela tivesse chamado aquilo de aposta, Bram Ritzer, o Grão-Mestre dos Cavaleiros, não saiu do lado da Imperatriz.
Em outras palavras, havia sido dado como um presente desde o início. Fora meramente apresentado como uma aposta.
Claro, examinando mais de perto, era possível ler a real intenção da Imperatriz: de que, se alguém não conseguisse lidar nem sequer com um assunto tão trivial quanto esse, ela não poderia conceder um pacto de não agressão. Krang havia dito efetivamente à Imperatriz que não era grande coisa, e que seu cavaleiro terminaria tudo sem pensar duas vezes.
Conversas entre aqueles que viveram como governantes inevitavelmente se tornam complexas e cheias de meandros. Ainda assim, isso não era difícil. Na verdade, dava para dizer que esta era uma conversa mais confortável.
Se alguém revelasse suas verdadeiras intenções tão claramente desde o início, provavelmente levantaria mais suspeitas.

“E então? Está satisfeito?”

A Imperatriz perguntou. Olhei para baixo e vi o corpo dela se inclinando levemente para a frente. Ela não cairia se se inclinasse um pouco mais?
Claro que não. Não sei por quê, mas o corpo dela está conectado àquela cadeira.

Às vezes é satisfatório, e às vezes não.

Krang respondeu.

“Pergunto a razão.”
“Meu objetivo era, claro, evitar ser apunhalado pelas costas pelo Império ao destruir o Espelho Demoníaco. Então, estou satisfeito. Contudo, como a Imperatriz está simplesmente o entregando, estou insatisfeito por não conhecer suas reais intenções.”

Foi desrespeitoso? Pelo menos a Imperatriz e o Comandante dos Cavaleiros não se importaram.
Embora pudesse ter sido ofensivo se o Lorde Donapa ou outros nobres imperiais tivessem ouvido.
O estranho era Krang. Ele olhava para a Imperatriz e falava e agia como se nada estivesse errado. Não demonstrava polidez excessiva, nem agia com arrogância. Era um mistério.
Na verdade, o próprio Krang achava essa parte intrigante, mas, por hora, estava deixando as coisas fluírem. Porque achava que isso era o natural.
A Imperatriz o tratava de forma mais confortável do que o esperado, e ela havia demonstrado favor ao lhe dizer para fazer o mesmo. Assim, ele não teve escolha senão obedecer.

É mesmo?

Será que a Imperatriz esperava que a conversa de hoje fosse agradável? Um sorriso surgiu em seu rosto.
Nem mesmo Krang poderia saber como ela se sentia. He falou exatamente o que tinha visto, ouvido e sentido. Havia conversado sobre i

isso e aquilo com a Executora Seriana no caminho para cá, e aprendera bastante desde que chegara.

O Império age de forma unilateral?

Um grupo pequeno e de elite de homens de ferro se move como planejado e pondera a importância dos assuntos de acordo

 com sua própria vontade. É assim que o Império opera.
Esse era um detalhe que até mesmo Enkrid não tinha percebido. S

Só é visível para quem ocupa a posição de líder político e possui o ego de um governante.
Bram Ritzer, o Comandante do

os Cavaleiros, estava ao lado da Imperatriz sem lançar um único olhar. Ele parecia um desocupado matando o tempo em um lu

ugar entediante.
Ainda assim, ele não bocejava nem coçava o ouvido; simplesmente ficava ali parado. Esse era o seu pa [?25l[?25lp

pel. É por isso que agia como se não pudesse ouvir o tom desafiador de Krang.

“Eu ajo da maneira mais racional.”
“Um consenso não seria melhor?”
“Então nos atrasaríamos.”
“Não é melhor s

seguir o caminho certo do que se atrasar?”
“Se nos atrasarmos, perdemos muita coisa. Acho isso um desperdício. Além di

isso, eu costumo estar certa na maioria das vezes, então deveria ser chamado de sabedoria, não de dogmatismo.”

[?25h

Em vez de repreendê-lo por agir como se soubesse de tudo sem ter visto muita coisa, ela o trata como um igual e engaj

ja na conversa. Só isso já tornava a conversa um sucesso, mas se ele tivesse se contentado apenas com isso, não teria che

egado tão longe.

Apenas significa que o processo desnecessário foi omitido.

Krang pensou assim. Será que a Imperatriz era mais maleável do que o esperado? Ele originalmente pretendia iniciar um

ma conversa com ela de várias maneiras para ficar em pé de igualdade, mas esse processo havia sido abolido.

Que estranho. Considerando isso, há um número considerável de pessoas por perto.

Se é autocrático, por que manter pessoas por perto? Isso era uma crítica.

“Sob quais critérios você acolheu as pessoas ao seu redor?”
“Fora os amigos que compartilham do mesmo sonho, reuni

i pessoas que seriam úteis e compartilhariam do mesmo propósito.”

Então é por isso que você está discutindo ideias brandas como o consenso.
A Imperatriz falou com o olhar e abriu a

a boca.

“Prefiro pessoas obedientes e altamente leais, tornando improvável que me traiam e imutáveis por toda a vida. Aqueles

s que me seguem de forma passiva, em vez de ativa — concedo minha graça a esses indivíduos e faço com que arrisquem suas

 vidas. Isso porque só assim eles aceitarão plenamente minha sabedoria e a propagarão.”

Foi uma declaração seca, mesmo com o Comandante dos Cavaleiros Imperiais, que presumia-se ser o mais leal, ouvindo be

em ao seu lado.
Era fria, arrepiante e como uma adaga.
O que alguém deveria fazer ao ouvir tais palavras? Deveria r

resistir, recusar e contra-atacar, mas Krang as aceitou.

“Ah? Isso também é bom. Ainda assim, prefiro alguém que compartilhe dos meus pontos de vista. Em vez de alguém que te

ente me controlar.”

“Você é você, e eu sou eu.”
Foi uma resposta genuinamente divertida. A Imperatriz caiu na gargalhada diante da ino

ocência fingida de Krang.

“De qualquer forma, se for feito assim, alguém não sofrerá por não ter sido escolhido por Vossa Majestade?”
“Supon

nho que sim.”
“Isso é aceitável?”
“Não tem jeito. Algumas coisas precisam ser sacrificadas.”
“Algumas pessoas ad

doram Vossa Majestade como um deus; isso é aceitável?”
“Não sou um deus. E nem vivi para me tornar um.”
“Então, pel

lo que você vive?”

“Se você sabe o que uma pessoa realmente deseja, pode deduzir suas ações. Também pode verificar sua vontade”, respond

deu a Imperatriz.

É a perpetuação do império.

É uma mentira, não, apenas meia verdade. A Imperatriz nem se deu ao trabalho de esconder sua falta de honestidade. Kr

rang seguiu o jogo.

“É certo que as pessoas sofram por isso?”
“É por isso que uso tudo o que tenho para aliviar o sofrimento delas.”###TAG###/p>###TAG###

Céus.
Só então Krang percebeu que a aposta da Imperatriz não era apenas um simples presente.

“Por acaso, existem problemas do Império na direção para onde meu cavaleiro foi?”

Essa era a pergunta-chave.

Existem muitos.

Diante da resposta da Imperatriz, o Comandante dos Cavaleiros assentiu com uma expressão satisfeita e falou.

[?25h

“Ele ainda não está no meu nível, mas parece um verdadeiro guerreiro. E ele tem uma vontade firme, não tem? Havia um

 sujeito antes que tinha talento, mas tinha o coração mole demais e acabou arruinado, e este parece o exato oposto. Ele n

nem parece transbordar talento, então estou curioso para saber como chegou até aqui.”

A Imperatriz perguntou, ainda com um rosto sorridente.

Seu cavaleiro tem compaixão pelas pessoas?

Krang respondeu com o melhor do seu conhecimento sobre Enkrid.

Muito mesmo.

* * *

Os problemas assolavam a parte ocidental do Império. Um deles era o bando de bandoleiros, e outro eram os bandos de c

ciclopes.
Na realidade, havia muitas outras coisas além delas que corriam soltas por esta terra, atormentando e matand

do pessoas.
O bando de bandoleiros fazia parte da Sociedade da Herança, uma guardiã de ruínas; se alguém os visse como

o parte do problema maior, então esse bando de monstros caolhos não era diferente. Embora monstros fossem relativamente e

escassos no sul do Império, no oeste, grupos de monstros ocasionalmente se uniam para causar problemas. O Império chamava

a isso de “Fenômeno de Malify”.
Derivado de uma palavra do idioma Gore que significa ato maligno, significava essencia

almente uma travessura, trapaça ou peça do diabo.
Algumas pessoas apontavam que a Sociedade da Herança também estava p

por trás disso, mas será que isso importa agora?
Há magos monstruosos que invocam e controlam monstros nesta terra, e

 monstros com habilidades e talentos únicos abundam.
Sob qualquer métrica, o Império não era uma terra perfeitamente s

segura. Bem, afinal, este é um lugar onde vivem pessoas.

“O que os Cavaleiros Imperiais estão fazendo?”

Enkrid não perguntou em um tom particularmente ressentido. Ele havia perguntado apenas por pura desconfiança, mas era

a perfeitamente possível interpretar aquilo como uma pergunta questionando por que agiam assim quando tinham todo o poder

r.

A Ordem está fazendo o seu trabalho.

A resposta de Trimache foi fria. Afinal, a linguagem das fadas, falando apenas fatos em voz baixa, inevitavelmente so

oa como se carregasse um tom gélido.
Contudo, não foi dita com emoção.
Enkrid conseguia distinguir isso muito bem,

 por isso não questionou. O importante era que uma caravana havia sido atacada por monstros. A atmosfera entre as partes

 ocidental e meridional do Império divergia drasticamente.

‘Como?’

Se os Cavaleiros estão fazendo seu trabalho, um de seus deveres deve ser salvar os celeiros que alimentam o Império.###TAG###<


Então, deve haver aqueles que guardam as fronteiras entre o Oeste e o Sul.
###TAG###Como eles estão mais focados em protege

er o Sul, o território do Conde Coty e os celeiros, sacrifícios estão sendo feitos deste lado.

A conclusão é que é impossível favorecer um lado de maneira significativamente maior do que o outro.

Como eu deveria colocar isso... suponho que se possa chamar de resultado de uma política eficiente.
Claro, isso nã

ão era da conta de Enkrid. Isso era algo sobre o qual Krang deveria estar falando.
No entanto, ele sentia que entendia

a por que o Império tentava acolher Zaun, chegando ao ponto de conceder a ele o título de “Duque Escudo”, e por que envia

avam recrutadores ao continente para atrair talentos.

Falta crônica de força.

O Império resolve a maioria das questões pela força. É por isso que um poder maior é exigido sempre que os problemas

 aumentam.
Fiquei pensando se o Império, assim como a pequena nação de Evergard no oeste do continente, operava como u

um país utópico em seu interior.

Luta, combate.

Eles estão fazendo o mesmo. Estão combatendo inimigos internos e provavelmente também lutarão contra inimigos externo

os, entidades desconhecidas que o Enkrid de hoje não conhece.
A criança, que não havia participado da conversa, olhou

 ao redor cautelosamente e falou.

Desculpe por falar de forma tão arrogante.

Ele perdeu imediatamente um conhecido que era como se fosse da família. Contudo, não chorou sem rumo.
Era uma cria

ança com uma vontade forte e determinação. Enkrid pensou que tinha conhecido muitas pessoas interessantes de várias manei

iras desde que chegara aqui.
O soldado chamado Klaus Müller também era uma delas.

“Ciclope?”

É a personificação do diabo.

Na resposta da criança, podia-se vislumbrar o monstro a partir da perspectiva dela. Enkrid sentiu como se tivesse ouv

vido as origens do diabo sem motivo aparente.

Como o Diabo Nasceu.

Será que fazer esse tipo de coisa fortaleceu seu ego e cultivou sua razão?
Eu matei aquele bastardo chamado Parasi

ita do Calor ou algo assim no outro dia. Embora Temares tenha sido quem desferiu o golpe final.
De qualquer forma, no

 processo, eu não tinha vislumbrado a maneira como ele viveu?
Ele é um ser que viveu por muito tempo pegando emprestad

do e possuindo os corpos de outros.
Aqui, também notei o que aquele Ciclope, o novo candidato a demônio, tinha feito.

 Ossos humanos, carne e órgãos internos foram esmagados juntos, transformando-se em uma espécie de papa disforme, e vi um

m cadáver do qual restavam apenas as pernas, com a parte superior do corpo desaparecida.
Observando a criança cavando

 o chão sozinha, todo tipo de pensamento passou pela minha cabeça.
A criança tentava recuperar os cadáveres para acalm

mar sua dor, e sua recusa em fugir era um ato mínimo de desafio contra o monstro que havia terminado suas travessuras e p

partido.
Enkrid encheu-se de desejo de amplificar ainda mais o nível daquele desafio.

“Para onde?”

Devia haver crianças entre os mortos. Enkrid realmente odiava monstros assim. Qualquer um saberia dizer que eles espa

ancaram pessoas até a morte por mera diversão e depois fugiram.
Os rastros deixados no chão pelos pertences da caravan

na de mercadores destruída eram nítidos. Vinho quebrado, vegetais frescos espalhados por toda parte.

“Hã?”
“Perguntei para onde ele foi.”

A criança apontou na direção por onde o monstro havia desaparecido. Eles conseguiriam encontrá-lo seguindo por ali?###TAG###br>Não seria uma tarefa fácil para pessoas comuns.

###TAG###

Rem, Esther.

No entanto, Enkrid não estava sozinho; ele estava acompanhado de pessoas extraordinárias.

“Eu.”

Esther respondeu e fechou os olhos. Satisfeita por o poder mágico reprimido no castelo da Imperatriz mover-se sem esf

forço ali, ela recitou um feitiço.

Olho de Noctua.

Noctua, um ser de outra dimensão, é uma coruja que anseia pela luz. Ele anseia pela luz porque não tem olhos. Ele é u

um ser cuja audição substitui sua visão.
Portanto, os olhos de Noctua são seus próprios ouvidos. Esther rastreou o som

m identificando algumas características do monstro conhecido como Ciclope.

Tum—

Ela capta um som tremendo o chão de uma distância considerável. É um ruído impossível de um humano produzir. Fica bem

m longe, mas eles não parecem estar correndo com força total. Com
os olhos semicerrados, seu dedo apontou para um lado

o.

Por aqui.

Era um pouco mais ao sul de onde a criança havia apontado.
Rem liderou o caminho, e Sinar carregou Esther nas cost

tas.

“Hmm?”

Enkrid, que estava prestes a carregar Esther, parou.

Eu a carrego.

Bem, não importava. Seria bom ter um cavalo, mas um cavaleiro é mais rápido do que uma montaria comum mesmo correndo

 sobre duas pernas. Poderia ser um pouco cansativo, mas também não era grande coisa.

Você vai matar aquilo?

A criança perguntou.

“Sim.”

Enkrid respondeu e correu. Ele não sabia qual era o sonho daquela criança, nem sabia se aquela criança era quem ficar

ria atrás dele.
No entanto,
as marcas de lágrimas nos olhos da criança, junto com os túmulos que ela vinha fazendo

 e os vestígios da crueldade do monstro, comoveram o coração de Enkrid.

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