O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 923

O Cavaleiro em Eterna Regressão

923. Sobrepujado

À medida que a escuridão recuava, a luz azul do amanhecer começava a surgir ao redor deles.

Uma névoa cinzenta rodopiava em torno dos ombro[?25hs de Rem, parecendo envolver o ar azul. O vapor que subia de seu suor esfriando fazia parecer assim.

Mesmo antes da luta, seu corpo já estava aquecido. Era a prova de que seus passos não eram leves.

Encred caminhava no mesmo ritmo que Rem, de frente para ela.

Em vez da Alvorada Quebrada, ele segurava Penna na mão. Ele empunhou Penna com as duas mãos, erguendo a espada perpendicularmente ao chão, e então apontou a ponta levemente em direção à sua oponente.

Os preparativos estavam concluídos.

Um ar frio soprou entre eles. Rem começou. No momento em que ela atingiu o chão, um mundo de silêncio se abriu. Não havia som, e o ar estava pesado.

Para superar esse peso, era preciso recorrer ao poder mágico que fervilhava dentro de si. E foi exatamente o que Rem fez. Aquele não era o treino brincalhão de sempre. A intenção assassina em seu machado era real.

Se não desviasse, morreria. Como a lâmina do machado estava imbuída de magia, não seria nada divertido bloqueá-la.

Bang!

Suas armas se chocaram e depois se separaram, e uma forte explosão irrompeu. Um fluxo de fogo disparou entre eles, estendendo-se em direção ao céu.

Era uma labareda tão larga quanto o corpo de um homem. Foi uma explosão estrondosa, tão alta que qualquer pessoa por perto dificilmente deixaria de ouvir.

— Bloqueou?

Rem, que havia se chocado contra ele e depois se afastado, murmurou.

Em vez de responder, Encred girou o pulso algumas vezes, inclinou Penna e depois a endireitou.

Ele estava recriando o choque de antes.

Ele havia inclinado a espada no mesmo ângulo em que bloqueou o machado dela, e então a endireitou.

— O que você está fazendo?

— Recuperação.

— Lutando comigo?

— Porque estou com vontade de fazer isso agora.

Ignorando-a? Não. Os olhos de Encred brilhavam mais do que nunca.

Sim, é assim que se torna um líder.

Rem pensou, infundindo uma nova alma no machado em sua mão direita.

Apenas alguns momentos atrás, ela o havia brandido com a alma de um demônio das chamas, mas ele o rebateu, enviando-o para o alto. Rem reconheceu a totalidade do confronto, mas não o compreendeu.

‘Bloquear e golpear.’

Era um movimento simples, mas parecia que ela estava vendo uma articulação se dobrar de forma anormal.

‘Como ele fez isso?’

Ela não sabia. E só porque não sabia, deveria perder?

— Desta vez, serei um pouco mais séria.

Enquanto falava, ela se abaixou ainda mais. Parecia um tanque avançando com dois machados na liderança. Ao dar um imp

pulso no chão, o corpo de Rem, como um pós-imagem, desenhou apenas uma linha cinzenta, alcançando o nariz de Encred.

Encred também acelerou seus pensamentos e moveu seu corpo conforme sua Vontade.

‘Um mundo de silêncio.’

Alcançar um mundo sem som. Agora, é um estilo de luta ao qual me acostumei.

‘O ar está pesado.’

Para ser preciso, ele pesa sobre os ombros.

É um momento em que você sente o peso do ar que esteve pairando ao seu redor.

Superando essa pressão e se movendo, alcança-se uma esgrima que, vista de fora, é invisível, restando apenas um pós-i

imagem.

É um reino no qual ninguém ousa se aventurar, a menos que sejam cavaleiros.

‘Todos se tornam iguais ao entrar nesse reino?’

Encred perguntou e respondeu a si mesmo.

‘Não.’

Você não experimentou isso em primeira mão?

O gênio que você conheceu na primavera do seu vigésimo sétimo ano estava mais rápido e mais forte do que você quando

 o reencontrou.

‘Como?’

Finalmente encontrei a resposta. Foi a partir daquele dia, quando mal escapei com a ajuda de todos, que despertei.###TAG###

p>###TAG###

‘A Vontade se move.’

É um rio que corre sem parar. Se Uske é um poço que nunca seca, Indules é um riacho que nunca para.

‘Se você o estreitar, torna-se um pequeno riacho.’

Expandindo-o, torna-se um rio. Encred fez romper o riacho que normalmente gotejava.

A Vontade estava em constante mudança. Por manter esse estado de mudança contínua, ele conseguia golpear de forma mai

is rápida e pesada do que seu oponente a qualquer momento.

A chave era a velocidade de mudança da Vontade.

Por estar fluindo constantemente, a mudança era muito mais rápida.

Encred brandiu sua espada mais rápido do que o machado de Rem. Se ele tivesse se aproximado daquele jeito, a cabeça d

de Rem teria sido perfurada.

No reino silencioso, a esgrima intuitiva era mais eficaz do que técnicas espalhafatosas.

Afinal, ambos os lados tinham que lutar enquanto superavam a pressão.

Rem não ficou parada. Ela inclinou a cabeça para o lado, colocou força no pé esquerdo, rotacionou a cintura e chicote

eou com o braço esquerdo.

Mesmo no reino silencioso, seu braço parecia[?25lse curvar.

‘Um espaço preparado.’

Talvez, antes mesmo de avançar, ela tivesse apostado tudo em um único golpe com o machado em sua mão esquerda.

[?25h

Foi uma tática e execução notáveis.

Ela começou inflamando o machado em sua mão direita, deixando-o tenso, e então avançou, fazendo-o ficar atento ao mac

chado na mão direita.

‘Esperando uma estocada, golpee com meu machado esquerdo.’

Ela provavelmente não calculou tudo. Essa não era a especialidade de Rem. Ela só tinha o panorama geral em mente e re

eagiu no momento, planejando tudo até aquele ponto.

Ainda assim, foi surpreendente.

Ele recuou e soltou Penna, que estava desferindo a estocada, enquanto o machado esquerdo dela voa[?25l[?25lva em uma trajetória

a curva.

A Vontade que fluía por seu corpo transformou-se instantaneamente em uma qualidade suave e macia. Penna, ao encontrar

r a lâmina do machado em resposta, abstorveu a força e a fez desviar.

Encred soltou Penna imediatamente e deu mais dois passos à frente.

Com isso, ele fechou o punho e mergulhou no abraço de Rem. Ela também reagiu ali, esquivando-se para o lado para bran

ndir seu machado direito.

No entanto, ela não conseguiu se esquivar do soco de Encred, que ele desferiu enquanto girava a cintura apoiado no pé

é esquerdo.

Taaaaaaaah!

O silêncio terminou, e um som abafado foi o último. A cabeça de Rem foi jogada para trás, curvando sua coluna até a c

cintura. O machado em sua mão direita cortou o ar inutilmente, passando pelos cabelos pretos de Encred. O punho direito d

de Encred desferiu um golpe cortante. Encred, que havia assumido uma postura de combate com o punho fechado em frente ao

 rosto, parou para observar Rem.

— Phuhuuuuu.

Rem expirou, endireitando as costas e a cabeça, que haviam sido jogadas para trás. Temporariamente sem forças nas per

rnas, ela apoiou um joelho no chão. Sangue escorria de seu nariz.

— O mundo está girando em círculos, isso é um sinal de destruição?

Rem perguntou, apoiada em um joelho.

— Não, é porque eu te acertei com tanta força no maxilar que sua cabeça está girando.

— Se você perder para qualquer outra pessoa que não seja eu, eu te mato sem falta. Não se esqueça disso.

Rem respirou fundo, levantando-se apenas depois que o impacto se dissipou.

A diferença de habilidade era evidente. Os resultados falavam por si. Ele não a esfaqueou nem a cortou em lugar nenhu

um, apenas atingiu o queixo e recuou.

Isso não provava tudo?

— Próximo — disse Encred.

Rem era o começo, não o fim. Ele não era o único que havia acordado ao amanhecer e esperado.

— Eu não compreendo.

Essas palavras poderiam ter um significado diferente se ditas por um humano, mas vindo de uma Prok, eram um grande el

logio. Luagarne, que assistia a tudo, murmurou aquelas palavras. Enquanto ela falava, cheia de admiração, Sinar colocou-s

se diante de Encred.

— Você vai primeiro? — perguntou Encred, pegando Penna, com a qual estivera prestes a desferir um soco.

— Eu gostaria de lançar um ataque surpresa, mas não acho que isso funcionaria.

Foi o que ela disse ao vê-lo pegar a espada. Os olhos da fada eram frios, avaliando detalhadamente a situação. Ela se

entia que Encred estava diferente de antes, mas não conseguia compreender.

Não havia como saber sem enfrentá-lo diretamente. Essa foi a sua conclusão.

— Não sei. Você tem que tentar de tudo para descobrir — respondeu Encred.

Era difícil encontrar uma abertura na postura de Encred. Ele simplesmente se abaixou, pegou a espada e se levantou, m

mas não importava como ela atacasse, ele contra-atacaria. Ela olhou para o horizonte, observando.

‘Como?’

Ela nem conseguia visualizar o método.

No entanto, a resposta estava definida.

De alguma forma.

A intuição entrou em ação, prevendo claramente o resultado.

Agora, a razão para essa intuição foi revelada.

Sinar desembainhou sua espada, transformando-a em uma agulha e golpeando. Era a estocada do inverno. Era a mais rápid

da das quatro estações, e era difícil para o oponente reagir.

Encred brandiu Penna, desviando a espada, e então a moveu suavemente para frente. Sinar, tomando uma decisão em uma f

fração de segundo, abaixou-se, desviando da espada, e atingiu a coxa de Encred com sua lâmina.

A mão da fada podia parecer branca e delicada, mas era a lâmina de um cavaleiro. Ela podia rasgar até metal com um ún

nico golpe.

Encred não se deu ao trabalho de esquivar. Em vez disso, sua vontade tornou-se uma rocha pesada e sólida, concentrand

do-se em sua coxa.

Bang!

A luta foi decidida quando a lâmina da fada atingiu a coxa dele. Encred ofereceu a coxa e, simultaneamente, atingiu a

a nuca da fada com sua lâmina.

O som retornou, e os olhos de Sinar se arregalaram após ser atingida na nuca por Encred.

Encred envolveu a cintura dela com um braço. Sinar, mal conseguindo manter a consciência antes de desmaiar, falou.###TAG###

p>###TAG###

— Segurar minha barriga? Isso é um pedido de casamento?

— Você está brincando comigo em uma situação dessas?

Encred retirou a mão da barriga de Sinar, e a fada, com um senso de equilíbrio notável, levantou-se de sua posição in

nclinada e caiu para o lado. A vez dela havia acabado. Em uma luta até a morte, sem qualquer misericórdia, suas vértebras

s cervicais teriam sido quebradas.

— Eu sabia que algo assim aconteceria, mas é realmente surpreendente, irmão — disse Audyn.

Sinar, que havia se afastado, acrescentou uma palavra.

— É, isso me lembra da primeira vez que te nocauteei com artes marciais. Acho que eu deveria ter te levado para a cam

ma naquela época.

Naturalmente, ninguém respondeu às palavras de Sinar.

Encred viu um homem que se assemelhava a um homem-urso, cerrando os punhos.

— Você derrotou o irmão selvagem e a velha irmã fada.

Com as palavras de Audyn, as sobrancelhas de Sinar se franziram de uma maneira incomum. Era um feito notável consegui

ir provocar tal mudança de expressão no rosto de uma fada.

— Artimanha?

Audyn não olhou para trás. Ele estava fazendo o melhor que podia para controlar seu corpo, evitando que suas mãos sua

assem. Não tinha tempo para se concentrar em mais nada.

— Aconteceu por acaso.

Encred respondeu, sacudindo Penna. Os dentes da lâmina estavam ligeiramente lascados.

Embora fosse um tesouro dos elfos, não era forte o suficiente para resistir à estocada obstinada do cavaleiro.

[?25h

Encred calmamente guardou Penna de volta na bainha, afrouxando o cinto que a mantinha no lugar e deixando-a de lado.###TAG###<



###TAG###

— Você vai usar armadura? — perguntou Audyn.

— Ah, eu a tirei porque estava sendo consertada. Fazia cócegas sempre que o couro se movia.

A armadura de couro do Balrog era um artefato de autorregeneração. Encred agora sabia por que ela tinha buracos e sab

bia como lidar com isso.

Ele já havia retirado sua armadura e sua capa élfica, restando-lhe apenas a túnica.

A brisa fria do amanhecer rapidamente secou o suor, mas ele não estremeceu.

Encred chegou a tirar a túnica. Seus músculos se dividiam e se fundiam, revelando um corpo bem delineado. Aquele corp

po também poderia ser chamado de uma obra de arte.

— Você não está baixando a guarda, não é? É uma honra.

Ao lutar contra Audyn em combate corporal, usar roupas com gola era uma desvantagem. Era uma lógica simples.

[?25h

— Não há necessidade de lutar estando em desvantagem.

Encred falou e posicionou-se de frente para Audyn.

Audyn riu e rasgou a própria camisa com as duas mãos.

Ploc, ploc, ploc.

Os botões caíram, revelando seu corpo. O dia amanhecia lentamente. O sol surgiu, lançando um brilho amarelo suave sob

bre os arredores.

O corpo de Audyn, sombreado pela luz que caía, parecia a estátua de um herói mítico. Grande e robusto, com músculos d

definidos escondidos por toda parte, ele não deixava nenhuma brecha em seu corpo.

— Não vou pedir para você pegar sua espada, irmão.

Mesmo enquanto rasgava suas roupas e falava, seus olhos nunca deixavam Encred. Ele não podia baixar a guarda. Pela pr

rimeira vez em sua vida, Audyn sentiu como se tivesse encontrado algo esmagador.

Um sentimento que ele nunca havia sentido desde a infância, mesmo agora, invadiu sua mente.

Era uma pressão que ele nunca sentira antes, nem de seu pai adotivo, o chamado Santo Maltrapilho, nem de nenhum dos C

Cavaleiros da Ordem.

‘O Mestre está completamente fora de cogitação.’

O mestre secreto a quem ele servia lhe veio à mente.

Não tinha sido assim quando ele enfrentou o leão demoníaco com as próprias mãos, e era uma pressão que ele não sentir

ra nem mesmo diante de um monstro de nível superior como a Mantícora.

Encred não demonstrava nenhuma intimidação ou intenção assassina em particular.

Para ele, aquilo era apenas um treino. Mas Audyn achava difícil avançar com uma atitude tão passiva. A cautela era um

m luxo.

Ele liberou o instinto de luta que fervia dentro de si.

Bam!

O chão se abriu, e seu corpo massivo avançou, rasgando o espaço. Do ponto de vista de Encred, ele parecia correr em s

sua direção com os dedos curvados, e as mãos de Audyn pareciam dez vezes maiores do que o normal.

‘Qual é a resposta?’

O pensamento acelerado ditou o curso de ação. Encred agiu.

Ele estendeu a mão para agarrar ambas as mãos de Audyn, depois levantou o pé esquerdo que mal tocava o chão e chutou

 de dentro para fora.

Ele tentava se equilibrar em apenas um pé contra um oponente cuja força física ninguém entre os Cavaleiros conseguia

 igualar, mas Encred não hesitou.

Embora a resposta habitual de Audyn fosse avançar, ele mudou o objetivo de seu movimento, agarrando o pulso esquerdo

 de Encred com as duas mãos e puxando-o. Ele pretendia puxá-lo para seus braços de uma só vez e usar uma chave de articul

lação para garantir a vitória.

Ser mais rápido e mais forte não significava que ele pudesse atacar suas articulações. O julgamento de Audyn estava c

correto. Mas a escolha de Encred estava um passo à frente. No momento em que seu braço esquerdo foi capturado, ele usou o

o pé que pretendia usar para chutar para pisar no pé de Audyn e, em seguida, enterrou o punho direito no estômago dele.###TAG###

/p>###TAG###

Bam!

Essa luta também foi breve. As costas de Audyn se dobraram e seu corpo se curvou. Sua espinha se projetou e depois ce

edeu, como se ele fosse um corcunda.

— Ugh.

E então ele até cuspiu sangue.

— Isso vai funcionar?

Rem, que assistia, comentou. Encred o derrubou, mas não conseguiu soltar o próprio braço esquerdo.

Crack.

Antes mesmo de conseguir estender o punho, ouviu-se um estalo. A dor irradiou de seu cotovelo, que começou a inchar.###TAG###<



###TAG###

— Mas eu ainda levei um braço.

— Admito a derrota — disse Audyn, deitado de bruços no chão. — Se eu tivesse continuado o ataque, Encred teria vencid

do, então estou admitindo a derrota.

Mas, ao mesmo tempo, ele disse que havia quebrado um dos braços dele, então tinha valido a pena.

— Aquele garoto — resmungou Rem.

Ela bufou. Desde o início, ele não tinha a intenção de vencer, apenas mirava no braço.

— Se fosse um duelo, eu teria morrido.

— Como é um treino, devemos tirar vantagem disso, irmão.

Com isso, Audyn alcançou o maior sucesso entre eles. Deixando os dois para trás, Encred examinou seu braço esquerdo.###TAG###<



###TAG###

‘Não vai melhorar em um dia.’

Ele vestiu o casaco de qualquer jeito e prendeu o cinto. O peso da espada repousava em sua cintura, trazendo-lhe uma

 sensação de estabilidade.

— Está dizendo que está tudo bem mesmo sem um braço?

Ragnar perguntou. Encred vestiu suas roupas e reajustou a espada. Seu ímpeto permanecia inabalável.

— Acho que posso lutar se eu melhorar — disse Encred com naturalidade.

Ragnar finalmente desembainhou sua espada.

Seus olhos se encontraram. Encred desembainhou Penna novamente.

Chiriring.

A lâmina desembainhada refletiu a luz do sol nascente. A luz iluminava metade do rosto de Encred, enquanto a outra me

etade ficava na sombra. O tempo passou enquanto eles permaneciam um de frente para o outro após desembainharem suas espad

das.

As sombras no rosto de Encred gradualmente desapareceram, e a luz aumentou aos poucos.

Ragnar franziu a testa.

‘Devo dizer que ele se tornou um monstro?’

Era exatamente o que ele estava pensando.

Comentários