O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 725

O Cavaleiro em Eterna Regressão

725. Você tem a oportunidade de escolher



Uma gota fria de chuva encharca o chão, e raios caem u[?25hm após o outro sob as nuvens escuras.

Urrrrrrrrrr.

Era o som de uma luz branca explodindo ao longe. Até mesmo os relâmpagos pareceram se afastar por um instante.

O estrondo do trovão era ouvido apenas à distância e não se aproximava.

O silêncio fluía através das gotas de chuva. Após uma breve pausa, Gaju abriu a boca.

— Eu assumirei todas as maldições.

— Isso é ridículo. O que eu faria com alguém que vai morrer de qualquer maneira?

Dmul não é tolo. Tempest Zaun brandira sua espada além de seus limites.

Se ele tivesse deixado para trás um dos guardas que enviara para matar o senhor por sugestão de Hescal, não teria sido tratado dessa forma.

Hescal astuto, Hescal raposa.

Será que o motivo de sua última tática ter sido tão medíocre era justamente porque ele queria isso?

‘Será que era mesmo isso o que você queria?’

Não há resposta. Os mortos não podem responder.

Além disso, seria inútil culpar os mortos agora.

A espada que Dmul sacou era extremamente afiada.

Deveria eu matar toda a minha família para salvar Encred, um forasteiro?

Minha família, incluindo minha esposa e filhos, meus amigos, meus companheiros? Todos eles?

‘As escolhas já estavam decididas desde o início.’

Dmul não falou apenas sobre a maldição.

Se o chefe da família capturar Encred e fazê-lo se ajoelhar, ele será amaldiçoado.

Mas será que ele ficaria quieto?

Se ele tentar capturá-lo lutando, muitas pessoas em Zaun terão que dar as mãos aos deuses da morte e brincar com o perigo.

‘No fi[?25lm, vocês acabarão matando uns aos outros.’



Quando Encred morrer, músicos e instrumentos seguirão para Zaun para tocar uma canção fúnebre para ele.

No fim das contas, Zaun cairá.

Era um plano[?25h para matar aquele sujeito irritante aqui e acabar com Zaun.

A julgar pelo fato de ter conseguido fazer isso em tão pouco tempo, Demul também era um homem extraordinário.

— Decida. Você vai me deixar fugir?

Dmul falou e, desta vez, embora a voz não tenha se sobreposto, soou como um raio para algumas das espadas de Zaun.

O coração de todos vacilou, mesmo que o vento e a chuva tivessem diminuído e a tempestade furiosa tivesse desaparecido.

Anahera e Riley se espalharam e formaram algo como um cerco. Eles agiram rápido. Não importava

qual escolha fizessem ou o que acontecesse, precisavam evitar o pior.

Se Encred partisse, estaria tudo acabado, independentemente da escolha.

Rhinox não conseguiu continuar falando e recuou.

Era o mínimo de sua consciência. Ele não atacou Encred, que estava de costas.

Ele havia lutado por Zaun. Tinha que respeitar sua honra.

Não parecia haver escolha. Tudo parecia seguir o plano de Dmul, mas alguém se aproximou arrastando as pernas e bloqueou

 o caminho de Encred.

A grande espada estava rachada ao meio e parecia prestes a quebrar a qualquer momento. Ele cravou a espadona no chão. Wh

hoosh, a chuva torrencial encharcou tudo ao redor.

Por entre seus cabelos loiros e molhados, seus olhos vermelhos lançavam um brilho afiado, contrastando com seu corpo deb

bilitado. A força de vontade e a determinação eram inabaláveis.

— Vá.

Era Ragna. Os olhos sem emoção do patriarca encontraram os de Ragna.

— O que você está fazendo?

O patriarca perguntou.

— Eu preciso deixar o capitão ir.

A resposta do filho foi imediata.

Ragnar, você talvez não tenha nenhuma preocupação.

Mas, se tivesse que escolher, seria esta.

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— Em vez disso, dedicarei todo o tempo que me resta àqueles que permanecem em Zaun.

O capitão seria salvo e as consequências seriamresolvidas. Esse foi o caminho que Ragnar escolheu.

Nem todos ficariam doentes. Aqueles que sobreviveram, aqueles na vila dos veteranos.

Eles herdariam a espada de Zaun.

O sacrifício de agora não é culpa do capitão, é?

Mas o mundo costumava exigir sacrifícios, houvesse culpa ou não.

O patriarca sabia disso.

— Quantas pessoas vão sobreviver?

Demul soltou uma risada abafada. Só então todos o viram como um demônio. A essa altura, seria justo dizer que ele não

o era apenas um monstro horrendo, mas a própria encarnação do diabo.

Ragnar conseguiria proteger Encred mesmo se bloqueasse o caminho?

Aqui, excluindo Gaju e Alexandra, os dois eram os mais gravemente feridos.

Os olhos sem emoção de Gaju se voltaram para Encred, e seus lábios se moveram algumas vezes.

Ele não demonstrava emoção, mas suas ações sugeriam um breve momento de hesitação.

Mas seria justo impor tal escolha a alguém que viveu por Zaun?

Além disso, Encred parecia já saber a resposta que Gaju daria.

Encred afastou o cabelo encharcado de chuva e se virou.

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— Não fuja. Você pode nos odiar pelo resto da vida e se tornar um espírito maligno para me atormentar. Mas, ah...



Riley interrompeu suas próprias palavras, com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Não foi por causa da intervenção de

 mais ninguém. Ela simplesmente não conseguia continuar.

As gotas suaves de chuva cobriam suas lágrimas.

O que significava isso para alguém que havia lutado por eles?

E quem sobrou? Se perguntassem a Riley o que era Zaun, haveria apenas uma resposta.

Família. Vida. Tudo.

— Eu não vou a lugar nenhum.

Encred falou com Riley, agindo daquela forma. Ele deu as costas e se colocou diante do dono daquela natureza podre qu

ue exalava um cheiro fétido mesmo enquanto morria.

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— Isso é uma maldi[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lção? Uma doença?

Se for uma maldição, não funcionará. Há o barqueiro.

Um tom calmo, sem vacilar o olhar sequer por um instante. Olhos azuis como pilares firmes encontram os olhos que já apod

dreceram por completo.

Mesmo sem o uso da Vontade, ele emana poder. Mesmo sem intimidação, um ser humano pode servir de exemplo para todos e fa

azê-los admirá-lo por meio de suas ações.

Exatamente como Encred está fazendo agora.

Isso tudo antes que o patriarca dissesse qualquer coisa, e antes que todas as espadas de Zaun fossem apontadas para o am

migo de ontem.

— ...Disseram que era uma maldição, mas é uma doença.

Demul falou sob pressão. Assim como o monstro lendário que afirmava ser um deus fora rebaixado com apenas uma palavra

a, desta vez a situação era semelhante.

A maldição negra, profunda e fétida que o demônio havia espalhado foi ofuscada pelas ações de um mero humano.
[?25h

Encred abriu a boca sem hesitar por um único segundo.

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— Isso é má sorte. Eu fico com ela.

Ter azar não é uma maldição, é uma doença. Ele não disse aquilo achando que alguém compreenderia.

— O que você planeja fazer?

Demuil perguntou de volta. Foi uma pergunta que surgiu naturalmente de tão absurda.

— Por favor, passe essa doença para mim. Em troca, a doença no corpo de todos em Zaun não se manifestará. Se isso não

o for mentira.

— Eu a mudarei reunindo meu último suspiro. Não se faz isso com magia, mas com um desejo. É também um ato de empenhar a

 minha própria alma.

[?25h

O livro de palavras douradas diz isso. Portanto, não há engano.

Dmul também fora um alquimista e mago que outrora debatera lendas. Suas palavras também carregavam intenções.
[?25h

Encred percebeu que seu oponente poderia usar algum truque. No entanto, pensou que ele não teria previsto tal situação n

nem preparado nada e, a julgar pela atitude atual dele, concluiu que era verdade.

‘Será que Demul esperava a derrota?’

Não seria esse o caso.

Ele se importava consigo mesmo, com Ragnar e com Anne, mas de qualquer forma teria previsto a vitória.

Caso contrário, não haveria razão para ele dar um passo à frente.

‘Não importa por qual processo, Demul sentiu a vitória e agiu.’

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Apenas não funcionou.

E se fosse um truque, embora tudo parecesse tão real?

— Posso viver o mesmo dia novamente?

O marinheiro na fantasia pergunta.

Encred responde que fará isso até que tenha vontade de parar.

— Você está falando sério? Vai salvar a todos em vez de si mesmo?

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Encred não era o barqueiro, mas se parecia com ele; contudo, este sujeito era definitivamente inferior ao barqueiro.###TAG###<


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O barqueiro não se rebaixava a uma feitiçaria tão barata.

Além disso, ele já havia feito essa escolha inúmeras vezes.

Quando não tinha forças, não tinha sequer a oportunidade de escolher, por isso o fazia apenas em sua mente. E, mesmo que

e desse um passo à frente, era empurrado de volta. Agora, porém, ele tinha a chance de escolher. O poder para realizar es

ssa vontade estava em suas mãos e preenchia todo o seu corpo.

O mesmo valia para Samcheol e sua vontade inabalável.

Por isso, ele o faria.

Como sempre acreditou, como desejava.

— Eu protejo todos que estão atrás de mim. Essa é a minha convicção.

Um cavaleiro desenvolve sua vontade através de juramentos. Encred, que possuía uma vontade inesgotável, não precisava

a arriscar a vida por seus juramentos.

No entanto, Encred sempre cumpria sua palavra arriscando tudo.

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— Então faça.

Não houve hesitação em suas palavras.

Ninguém esperava que aquele escolhido como bode expiatório fosse agir daquela forma.

Nem mesmo Demul ou Gaju.

— Você é realmente louco.

Demul ficou sem palavras diante de tamanho absurdo. Tudo o que pôde dizer foi que ele era louco.

— Ele é louco. Ele é louco.

Enquanto ele balbuciava, Encred tentou instá-lo a começar.

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— Isso é loucura.

Uma voz veio de trás. Anne, que saíra da mansão e viera até ali, assustou-se ao ver Demul e gritou.

A cabeça pequena de Anne se destacava ainda mais com o cabelo molhado grudado ao rosto, e ela carregava sua costumeira b

bolsa de couro sob o braço.

Ao lado de Anne, Grida colocou a mão na cintura e deu de ombros ao falar.

— Você não me ouve mesmo, Doutora.

— Ouviu dizer que se tratasse os feridos na retaguarda salvaria alguém prestes a morrer, então veio sem hesitar.

[?25h

Anne repreendeu Grida por isso, mas seus olhos nunca deixaram Demul.

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— É verdade? Aquele Demul?

Ela perguntou.

Não fazia sentido perguntar por que ela tinha saído.

Anne já havia saído, avaliara a situação com os próprios olhos e ouvira tudo o que acontecera até então.

— Ele realmente está vivo e com uma aparência tão boa.

De certa forma, aquele sujeito poderia ser considerado o inimigo direto de Anne. Demul encarou Anne com fúria.

[?25h

— Aquela garota que não se parece em nada comigo.

Encred esteve prestes a perguntar se ele estava blefando sobre quando a doença se manifestaria, ou se era apenas brav

vata, mas conteve-se.

Ele sabia. Demul não podia fazer mais nada. Não conseguia mover um dedo.

Tudo o que lhe restava era um fiapo de vontade, mal tendo forças para proferir poucas palavras.

Não havia sentido em provocá-lo. Não havia necessidade de distraí-lo.

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— Zaun, eu...

Quando Gaju se preparava para abrir a boca, Encred lembrou-se da cena que o barqueiro lhe mostrara antes.
[?25h

Era agora.

Ele havia lhe mostrado algo semelhante a uma visão antes de vir.

Nela, Anne morria ali, e Ragnar estava enfurecido.

Mas nem tudo o que o barqueiro lhe mostrara havia se tornado realidade.

Encred sabia a escolha de Gaju antes mesmo de ele dar um passo à frente.

— Não transmitirei nenhuma doença ou maldição.

Ele poderia ter dito isso.

Será que ele teria dado uma resposta diferente na situação que o barqueiro mostrara? Ele poderia ter escolhido a família

a porque suas convicções haviam sido quebradas.

Sempre há uma possibilidade.

Por isso Ragnar discutira, e Gaju dissera que aquilo era o melhor para ele.

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— Besteira.

O Ragnar da visão dissera aquilo, mas o Ragnar atual apenas permaneceu em silêncio diante de mim.

— Você está falando sério?

E pergunte-se isto:

— Você realmente acha que uma doença pode me matar?

Encred respondeu em tom leve. Ragnar não respondeu.

Agora, o que mais mudou?

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— Malditos desgraçados.

A situação entre Anne e Demul se inverteu. Demul piscou e continuou com seu último comando.

— Você sofrerá com a doença por toda a vida e depois morrerá. Eu sou o pai de todas as doenças. Sou o deus que criará

á uma nova ordem nesta terra!

O livro dourado se desfez, espalhando luz. Encred sentiu algo invisível penetrando em seu corpo.

Aquele era o fim.

Então ele soltou o ar, e seu suspiro veio misturado a um calor ardente.

Parecia que suas entranhas estavam queimando.

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— Hmm.

Com um gemido, as forças deixaram minhas pernas. Caí de joelhos e usei as barras de ferro como apoio, cravando-as no

 chão.

Parecia haver três barras de ferro cravadas no chão.

— Ugh.

Abri a boca sentindo náuseas, e um sangue vermelho jorrou.

— Mas que diabos!

Anne gritou.

Ragnar, que vomitara sangue ao mesmo tempo, em um péssimo momento, limpou a boca e falou.

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— Você disse que não fugiria de uma luta, então não fuja dessa luta também. Não ceda à doença, Comandante.

[?25h

Ah, isso é a mesma coisa. Ragnar dissera algo parecido em suas visões.

Encred resistiu, concentrando-se no som que ouvia. Era como se alguém estivesse queimando seu pescoço e entranhas com fe

erro em brasa.

— Que todos morram.

Enquanto Demul dava seu último suspiro e proferia suas palavras, Anne, que se aproximara sem que ele percebesse, grit

tou do fundo dos pulmões.

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— Você acha que eu vou deixar assim? Eu sou o Elixir, a Panaceia e o Remédio Universal.

O brilho nos olhos de Demul se apagou. Será que ele ouviu Anne? Talvez sim.

Na verdade, será que ele temia este momento e por isso tentara matar Anne?

Encred pensou até esse ponto e fechou os olhos.

Agora, if ele abrisse os olhos, seria uma repetição do dia de hoje? Ou não?

Isso era algo que ele não saberia até abri-los.

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