
Capítulo 561
O Cavaleiro em Eterna Regressão
561
— Do que[?25h você está falando assim, do nada?
— Fiquei curioso.
Encred ainda não conhecia a identidade de seu oponente, mas parecia saber por que ele estava ali.
Era algo que se fazia sentir no campo do instinto e dos sentidos.
O velho o estava avaliando. Por isso, ele não fez nada. Não havia nada a esconder ou ocultar.
Não se ganharia nada escondendo ou ocultando aquilo.
Era um fato bem conhecido.
Cris, Saxon e Rem.
Então, Encred apenas o deixou agir como queria.
Deveria expulsá-lo, já que no momento ele não cheirava a sangue nem se preparava para matar ninguém?
Aquele velho podia ser o inimigo. Não era uma profecia ou previsão. Era apenas um pressentimento.
Mas por que não expulsá-lo?
“Quando o outro me olha, eu também consigo ver o outro.”
Foi o que Luagarne lhe dissera.
Ao observá-lo, Encred sentiu algo. Aquele velho também guardava algo no coração.
Devia ser semelhante ao que ele mesmo sentia.
E também semelhante ao de Krang.
Um objetivo muito grande e difícil, que as pessoas costumam chamar de sonho.
Os cínicos podiam chamar de ilusão, mas, se está no processo de ser realizado, não pode ser chamado de ilusão.
— Quando eu era jovem, queria mudar o mundo.
O velho falou primeiro, mas aquilo soou como uma mentira.
A intenção de mudar o mundo era sincera, mas não era algo de quando ele era jovem.
Dizer que tinha sido assim no passado era mentira.
Ele ainda queria fazer isso no presente.
Mesmo que a direção ou a forma fossem desconhecidas, a intenção era clara.
Uma vontade nítida emergiu, nada vaga como antes.
Algo parecia empurrar a luz do luar pelas costas do velho.
Ele expressou sua vontade sob a noite vigiada pela lua e pelas estrelas. Encred também parou de caminhar, pois sabia melhor do que ninguém que aquilo era sincero.
— Pode me dizer o que está tentando fazer?
Se era uma promessa e um juramento para proteger o que estava às costas do oponente, que assim fosse.
O sonho de se tornar um cavaleiro era outra história.
Encred ignorou as mentiras do velho e falou, já que não tinha nada a ocultar.
— Pretendo varrer a guerra do continente.
Encred falou com a calma de sempre.
Não era um discurso, nem uma demonstração de determinação. Era apenas a certeza absoluta de que aquilo seria feito.
Ele não canalizou sua Vontade[1], não colocou força em suas palavras e nem respondeu à sinceridade do velho.
Não apenas seu tom era indiferente, mas sua atitude e seus pensamentos também eram os mesmos[?25l.
Encred falou de forma simples e direta.
O tom de sua fala não era muito diferente de quem diz que comeria pão e sopa no café da manhã do dia seguinte.
[40;118H[?25hSoava óbvio demais.
— Isso é algo que ouço com frequência.
Ainda não era hora de todos acordarem.
Não estava tão frio, mas Rem, envolto em couro térmico como se fosse um manto, abriu a porta do dormitório e saiu.###TAG###
[39;120Hp>###TAG###O velho ignorou as palavras de Rem. Também ignorou Saxon, que secretamente tentava matá-lo.
Instead, he looked up at Encred with his eyes wide open and continued speaking.
— Você realmente acha que isso é possível? Acha mesmo?
O velho rebateu a pergunta, e Encred o encarou.
Mesmo curioso sobre a identidade do velho, Encred não perguntou. E, mesmo se perguntasse, ele provavelmente não respo
[39;120Honderia.
Embora fosse um velho cheio de segredos, havia muito a aprender observando-o e vigiando-o.
O velho era extremamente refinado no manuseio da Vontade.
Encred passou vários dias observando-o, duelando com ele e aprendendo com seus truques.
Se lhe perguntasse qualquer coisa, ele daria boas respostas.
Sob essa perspectiva, não importava para Encred quem era seu oponente ou a qual facção pertencia.
A começar pelo uso da Vontade por meio da ecolocalização e pelo aprendizado de várias técnicas, ele lucrou muito; mas
[39;120Hs o velho também observou Encred nesse meio-tempo e parecia ter muito a perguntar.
Ou talvez tivesse muito mais a dizer.
— Você não deve perder para os monstros conhecidos ou para os espíritos malignos chamados de desastres, e deve ser ma
[39;120Hais forte do que as feras desconhecidas que habitam o reino demoníaco. Isso é possível? De verdade?
Desta vez também, Encred apenas encarou o velho com um olhar vazio, sem responder. O velho continuou a falar com ferv
[39;120Hvor.
— Que tipo de herói alguém precisaria ser? Cauteloso, mas audaz; inteligente, mas também perfeito em força militar? Q
[39;120HQuem além de um herói de livros de histórias poderia fazer isso?
Existe uma pessoa assim?
Encred também não sabia. Mas ele podia dar a resposta. Ele disse que não precisava de[1Calguém assim.
— Eu farei isso.
O tom de voz continuava insosso.
— …Por que você pensa assim?
A cabeça do velho inclinou-se para o lado. Com a cabeça ainda inclinada, seus olhos sob as sobrancelhas brancas brilh
[39;120Hharam vermelhos, refletindo a luz do farol.
O velho perguntou o porquê, e o motivo era simples.
Porque ele nunca tinha visto mais ninguém fazer isso, exceto ele mesmo.
— Porque sou o único que vai fazer.
Encred respondeu.
Era um sonho grande e estúpido.
O velho pensou assim, mas percebeu que não podia ignorar o que o homem chamado Encred dizia.
[?25lEle sabia disso por estar observando-o há dias. Aquele cara não ia parar. Então, a única maneira de quebrar sua vo [40;118H[?25h[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25l[?25lnta
[39;120Hade seria matando-o.
Não que ele pretendesse mostrar sua aura assassina. Pensou nisso por um instante, mas logo desistiu.
O sujeito chamado Encred, no fim das contas, era como seu sonho. A direção era diferente, mas o resultado final seria
[39;120Ha o mesmo.
Isso era tão engraçado que o velho soltou uma risadinha e disse:
— Fiquei curioso. Ouvi dizer que você causou muitos problemas, então quis conversar pessoalmente.
— E então, se divertiu?
Rem intrometeu-se e perguntou.
— Ah, você ficou me vigiando o tempo todo em que estive aqui.
Desta vez, o velho rebateu as palavras de Rem com habilidade.
— É que o velhote exala um cheiro estranho.
Disse Rem, apoiando o machado no ombro. Se tentasse qualquer coisa ali, ele racharia sua cabeça na mesma hora.
[40;118H[?25hEnquanto Saxon sentia a anomalia do outro com seus sentidos, Rem farejava o cheiro ruim com seus instintos.
[40;115H[?25hNa verdade, Ragnar, Luagarne, Sinar e até mesmo Audin sentiam o mesmo.
Mas a razão pela qual não agiram foi por causa de Encred.
Porque o velho não se impunha de forma hostil, não o prejudicava e, além do mais, estava lhe ensinando algumas coisas
[39;120Hs.
— Aquele sujeito vive de olho em mim. É um cara bem divertido.
Aquele amigo era, logicamente, Saxon. Saxon continuou a encará-lo, sem se importar se era mencionado ou não.
[40;116H[?25hO velho falou e deu meia-volta. Eram os passos de alguém que partia.
— Nos veremos de novo.
Essas foram as palavras do velho ao se virar e partir. Saxon olhou para ele e pensou em agir, mas hesitou.
[40;114H[?25h— Deixe para lá.
Encred sabia instintivamente que o velho nunca havia colocado todas as cartas na mesa.
Ainda assim, havia muito o que aprender com ele.
A que lugar ele pertencia? Não sabia. Mas ele provavelmente não era um aliado. Ainda era o seu instinto dizendo.
[40;120H* * *
— Devo eliminar as preocupações do mundo. Esse é o meu sonho.
Em sua juventude, o velho clamava assim, e fez muitas coisas para alcançar seu objetivo.
E o trabalho ainda estava em andamento.
— É divertido. É divertido.
— Vale a pena viver bastante para ver coisas assim.
O velho, um dos apóstolos da Igreja Mágica, pensava assim.
Proporcionar a si mesmo esse tipo de diversão e alegria, logo ele que já vivera tanto e agora apenas esperava pelo di
[39;120Hia de sua morte.
Seu amigo Encred teve o prazer de testemunhar aquela vontade.
Ao ver Saxon reagir com suas habilidades, percebeu que ele não era nada comum.
O velho deixou a guarda da fronteira a pé. Passou a noite em claro e caminhou ao amanhecer.
Só porque pertenciam à Igreja Mágica, não significava que todos pensavam da mesma forma.
O velho, basicamente, seguia um caminho diferente daquele almejado pela igreja.
Mas só porque o processo ao longo do caminho era diferente, o destino final não seria outro.
Essa era a única diferença entre a igreja e o ancião.
Além disso, a diferença residia simplesmente nos valores de vida que o ancião buscava.
“Os sonhos pertencem a quem sonha.”
Era como se o velho ouvisse o eco das palavras que clamara na juventude.
Exatamente!
O velho caminhou pela noite, usando a ecolocalização. Diante de seus olhos havia apenas escuridão, então não importav
[39;120Hva se era dia ou noite.
Então, ele percebeu uma caravana vindo de longe. Era um grupo de mercadores muito diligentes.
Conforme avançava, o movimento ao redor aumentava. Enquanto caminhava, o velho esfregou os olhos de pálpebras brancas
[39;120Hs com as mãos. Em seguida, um pó branco começou a cair.
No ponto de interseção entre a caravana e o velho, a figura dele sumiu.
Desapareceu em um piscar de olhos, quer tenha subido aos céus ou afundado na terra.
* * *
— Eu o perdi de vista.
Entre os adagueiros de Geor, havia vários especializados em rastreamento.
Os dois membros da guilda que haviam se movido sob o comando de Saxon balançaram a cabeça.
Não havia sinal dele, nem estava à vista.
E assim, o velho desapareceu.
* * *
Pruuu.
— Por que você está bebendo isso?
Encred perguntou com uma expressão de absurdo. O caolho apenas balançou a cabeça e corou.
Depois que o velho partiu, Encred estava brincando com Olho Ímpar pela primeira vez em muito tempo, quando aquele suj
[39;120Hjeito de repente o atacou.
Ele pensou que o outro queria apenas brincar e se divertir, mas o sujeito de repente tirou do peito uma garrafa de vi
[39;120Hidro com água sagrada da fonte, quebrou-a e a bebeu.
— …Você não deveria engolir cacos de vidro.
Encred não achou que fosse um desperdício, já que não sabia que utilidade aquela água da fonte poderia ter.
[40;115H[?25hEle se perguntou como o caolho sabia daquilo e a bebeu.
“Não deve ser nada.”
Era algo absurdo, mas ele resolveu não dar importância.
Depois de encontrar o caolho e dar tapinhas em suas costas após muito tempo, sentiu que sua espinha estava um pouco s
[39;120Hsaliente.
Ficou preocupado que ele pudesse estar doente, mas o sujeito parecia bem disposto depois de beber a água da fonte e c
[39;120Hcorrer bem, então parecia não haver problema.
Na verdade, he parecia estar correndo melhor do que o normal.
Ele pisava no chão com tanta força e rapidez que quase parecia que seus pés estavam flutuando levemente.
— Curaaaaaa!
O caolho quebrou a garrafa de vidro e bebeu apenas a água, como se estivesse buscando a água sagrada da fonte, e segu
[39;120Huiu seu caminho, deixando para trás apenas os cacos do vidro quebrado.
— Eu não vim aqui para beber água.
Bem, foi algo que simplesmente aconteceu.
Depois de treinar como de costume e encontrar aquele idiota no caminho, Encred voltou para os seus aposentos e viu um
[39;120Hma carta caída ali. Era algo que o velho havia deixado para trás.
“Eu sou um apóstolo.”
A carta continha a confissão do velho.
Junto com as palavras: “Um membro da Igreja Mágica”, vinha uma proposta explícita.
“Quem sabe você não compartilha das minhas opiniões? Quando olho para você, lembro-me dos meus dias de juventude.
[39;120H. Especialmente do seu rosto.”
“O que quero dizer é que não desejo lutar contra você.”
“Por isso, por favor, refugie-se na Igreja Mágica.”
— Ele escreveu as baboseiras desse cachorro com muito capricho.
Rem aproximou-se, olhou para a carta e comentou.
— Seita?
Luagarne demonstrou raiva por um instante.
Saxon murmurou que deveriam matá-lo.
Encred não tinha nenhum pensamento em especial sobre isso.
Ele não sabia que o outro era membro da seita, e muito menos que receberia tal proposta deles.
Mas isso era apenas o começo.
A reputação dele mudou, e convidados começaram a fazer fila para ver quão grandioso havia sido o feito de Encred.
[40;120H— Sou Bianca Conti. Por favor, me chame de Condessa.
Os falcões vieram do império.
E, no dia seguinte, um visitante veio em segredo trazendo uma carta.
— Vim vê-lo porque me pediram para entregar uma mensagem e uma carta.
Era um mercador de olhos afiados que passava a impressão de ser inteligente.
Não se sabia se eram de linhagem nobre, mas suas roupas eram luxuosas e sua fala era refinada.
O que ele trouxera era uma carta e uma mensagem do rei de uma grande nação do sul.
O mercador vinha do Sul, e suas intenções não pareciam diferentes das dos falcões.
Além disso, chegou um convite da cidade comercial.
Diziam ter decidido criar um dia para celebrar o outono, que deveria ocorrer antes da chegada do inverno.
[40;113H[?25hParecia que, desta vez, estavam seguindo o Dia do Guardião da Guarda da Fronteira, criado por Cris.
E Encred.
— Um pedido?
Basicamente, a Guarda da Fronteira era um território direto do reino e suas tropas também eram uma força direta do re
[39;120Heino, mas isso era apenas no papel; na realidade, tratava-se de uma unidade sob o comando de Encred.
Com os Cavaleiros Loucos, era ainda mais o caso.
Krang não exercia nenhuma autoridade sobre os Cavaleiros.
Em tempo de dar ordens separadas, ele apenas os deixava agir como bem entendessem.
Em vez disso, simplesmente utilizavam o sistema de mercenários para as tarefas de que precisavam.
Desta vez não foi diferente. Krang solicitou um favor.
— A Santa?
Encred ouviu o que Cris tinha a dizer e perguntou novamente.
O continente estava em alvoroço. A santa havia sido sequestrada, e o povo exigia o seu resgate.
A Nação Sagrada solicitou oficialmente a ajuda de Naurilia, e a santa sequestrada e o culpado estavam atualmente dent
[39;120Htro das fronteiras de Naurilia.
Havia muita politicagem misturada ali e, pensando bem, não era algo em que Encred devesse se envolver.
Era assim que parecia para Cris. No entanto, Krang insistiu em solicitar a Guarda da Fronteira.
— Eu vou.
Quando Encred deu um passo à frente, Audin o seguiu.
— Vamos juntos, irmão.
Fosse por curiosidade sobre a santa ou por ter outros planos, Encred não impediu Audin.
— Ei, vê se não apanha por aí quando eu não estiver por perto.
Rem estava ocupado com o treinamento da unidade, mas parecia querer escapar daquilo porque parecia divertido.
[40;117H[?25hEm seguida, Ragnar deu um passo à frente, mas ele não pôde levá-lo.
— Precisa de um guia?
— Descanse.
Houve quem recusasse de maneira bastante polida.
— Se você me deixar para trás desta vez, eu te corto.
Sinar intrometeu-se com a brincadeira. Ele não especificou onde iria cortar.
Em meio ao caos provocado pela chegada dos dois convidados do Império e da grande nação, que eram falcões ou algo par
[39;120Hrecido, Encred escapou.
— É sério? Você vai simplesmente ir embora? Ei, Enki, seu moleque. Temos que lidar com esses dois antes de ir.
[40;118H[?25hCris, que ficou para trás, reclamou, mas sua voz não pôde alcançar quem já havia partido.
Não era uma boa notícia para o Império nem para os convidados do Sul.
E o que queriam que ele fizesse?
Encred também pensava assim.
— Foi uma ótima atitude.
Após ouvir sobre a situação, Sinar ficou do lado de Encred.
[1] - Vontade: Manifestação de poder ou energia espiritual comum no universo da obra.