O Cavaleiro em Eterna Regressão

Capítulo 593

O Cavaleiro em Eterna Regressão

593. Cinco cortes

Foi em frente à porta da estalagem que o administrador deixara aberta. Do lado de fora, uma figura encapuzada foi avistada. A figura parecia familiar. Ao observar melhor, parecia ser uma das pessoas que o vigiava com cautela quando ele entrou na cidade.

Encred olhou para ele com indiferença.

O administrador falou sem olhar para trás.

— Não, você não pode. Tem muita gente lá fora mirando nos VIPs. Vá para a mansão agora mesmo.

— Vai se foder. Seu bastardo.

O homem do capuz rangeu os dentes para o administrador. Eles não pareciam ter um bom relacionamento.

Então olhei para Encred novamente, e o olhar do administrador continuava o mesmo de antes, não importava o que dissessem.

Dois pares de olhos estavam fixos em Encred, como se o forçassem a fazer uma escolha. Eles também pareciam duas bifurcações na estrada.

Na verdade, talvez não fosse uma encruzilhada.

E se eu fizer a escolha errada agora, acontecerá algo como o barqueiro disse?

Encred pensou brevemente sobre isso, mas não hesitou. Qualquer que fosse o caminho que escolhesse, seria sua própria decisão.

A princípio, eu estava mais interessado no que o homem do capuz estava dizendo.

Por outro lado, quando viu o administrador, sentiu algo martelando em sua mente. Mas ele não ia agredi-lo de imediato. Encred saiu e deu um tapinha no ombro do administrador.

— Vou conversar sobre isso e venho te ver à noite.

— Kyung.

O administrador de olhos de serpente chamou Encred, mas ele a deixou para trás e saiu. Luagarne o seguiu.

Vá lá fora e fique na frente do homem encapuzado, disse o capuz.

— Os administradores não se importam com a cidade, eles se importam com seus próprios interesses.

A voz era alta demais para o administrador não ouvir.

— Você poderia falar com mais confiança?

Encred disse.

— Agora é hora de se esconder. Siga-me.

O homem falou apressado, virou-se e caminhou rapidamente. Sem qualquer hesitação, ele entrou no beco. Mesmo com o sol já alto, o interior do beco estava sombrio.

Estava frio por ser inverno, mas parecia que o ar era ainda mais gélido dentro da passagem. Não importava para onde se olhasse, a atmosfera era sombria e sinistra, mas Encred seguiu o encapuzado a passos largos.

— Depressa!

O homem insistiu, e Encred obedeceu com frieza.

— Esse caminho é perigoso!

O administrador gritou lá de trás. Encred o ignorou e continuou caminhando. Depois de andar por um tempo, aquela sensação de desconforto de sempre voltou. Era como se alguém estivesse olhando para ele, mas não conseguia encontrar quem fosse.

— Você não sente como se algo estivesse te observando?

Encred perguntou enquanto caminhava. Ele não estava correndo, mas seu ritmo era rápido o suficiente. Luagarne respondeu, estufando as bochechas levemente.

— Não.

Será porque sou sensível? Ou é a atmosfera da cidade?

Era algo que eu não sabia.

— Merda.

O homem que caminhava à frente parou de repente. Ao atravessarmos o beco, a estrada tornou-se bastante larga, o suficiente para cinco pessoas caminharem lado a lado.

Foi quando passei por aquela estrada e cheguei a um lugar relativamente grande, parecido com uma praça.

Havia muitas pessoas, mas o homem parou de andar quando as viu.

Encred agarrou o homem encapuzado pela capa e perguntou:

— Uma armadilha? Você é um cultista?

O homem encapuzado respondeu, tirando o capuz.

— Eu sou o lorde!

Por que o lorde está aqui?

O homem tinha trinta e poucos anos e cabelos castanhos claros. Ele olhou em volta.

— As coisas estão muito ruins. Vamos sair daqui, nós abriremos o caminho.

Ao ouvirem as palavras do homem que dizia ser o lorde, dois homens com capuzes puxados sobre a cabeça correram de um lado. Ambos seguravam lanças individuais e pareciam ser bastante habilidosos com elas.

Se bem cuidado, talvez ele pudesse ingressar na reserva da Guarda de Fronteira.

Claro, o treinamento básico teria que ser refeito. Mesmo agora, ele estava pulando para frente e seus pés estavam tremendo. Encred pensou que a razão era que a parte inferior de seu corpo era fraca.

Na verdade, esses dois não tinham conseguido descansar adequadamente por vários dias, pois estavam vigiando o povo da Guarda de Fronteira.

Observei-os e comecei a me mover depois de ver os movimentos dos atacantes, mas os inimigos eram mais rápidos do que eu.

O lorde tinha sido expulso por algum motivo, mas não queria morrer nem deixar a cidade.

Para escapar dessa situação, uma força externa era necessária, mas não era fácil evitar as mãos daqueles que controlavam a cidade.

Enquanto eles tentavam de alguma forma reunir suas forças e resistir, reforços da Guarda de Fronteira chegaram.

Agora, depois de informá-los sobre o estado atual da cidade, ele queria pedir ajuda para se livrar dos mentores que a mancharam com prostituição, drogas e jogos de azar.

Mas, para que isso acontecesse, eles não teriam que sair da cidade com suas duas pernas intactas?

Antes disso, eles teriam que acreditar em mim.

Assim que estavam prestes a agir, um grupo criminoso dentro da cidade agiu primeiro.

Nem mesmo o próprio lorde tinha ideia de como eles se moviam tão rápido. Quando pensava sobre isso, eles estavam sempre um passo à frente dele.

— Vejo que você é o lorde do castelo e tem um relacionamento com o funcionário administrativo.

Encred disse calmamente, sem saber da velocidade.

— Aquele autor não está do meu lado!

O lorde falou como se estivesse gritando. Sua voz aumentou de volume por frustração. Ele olhou ao redor e sacou sua espada curta também.

Clang.

Consigo sair? A situação era péssima, estava muito ruim.

— Meu Senhor, eu comprarei algum tempo para você.

Um dos homens que segurava a lança falou. Quando o lorde olhou para trás, viu que já havia pessoas rondando o caminho por onde tinham vindo, bloqueando sua passagem.

Havia inimigos por todos os lados. O número devia passar de cem.

As três pessoas no centro olhavam para o lorde e os dois guardas de fronteira com peso alto.

Eram três: uma fada mestiça com uma orelha cortada, pele marcada por varíola, nariz torto e boca retorcida, e uma promotora silenciosa.

Uma inspetora, em particular, destacava-se, vestindo uma armadura que realçava seus seios volumosos.

Ela era uma mulher atraente, com cabelos ruivos cacheados e um sorriso tímido.

Embora sua aparência não fosse particularmente notável, seu corpo e sorriso combinados a tornavam uma mulher atraente da qual era difícil desviar o olhar.

— Para onde você vai, Nari Seongju [1]? Acho que o homem com o porco ali é meu convidado.

[1] - Seongju: Termo coreano para "Lorde do Castelo" ou "Governador da cidade".

O homem com uma orelha cortada falou. Ele era o homem chamado Lâmina de Vento que governava a cidade.

Ele tinha uma cimitarra na cintura e, quando ela era sacada e um vento soprava, ele cortava em um instante, por isso era apelidado de espada de vento.

Era um mundo onde era natural que as pessoas recebessem vários apelidos se fossem minimamente famosas, assim como os cavaleiros recebiam alcunhas.

A fada ao lado dele bufou para Encred com um olhar sinistro.

Ele usava veneno e, desde que era jovem e ficou desfigurado pelo veneno que manipulava, sentia-se enjoado sempre que via alguém minimamente bonito.

Sempre que encontrava pessoas assim, sentia-se melhor depois de cuspir maldições ou envenená-las, mas com alguém como aquele, sentia que só se sentiria melhor se o matasse.

— Uau, ele é bonito.

Foram as palavras da mulher vestindo uma armadura reveladora que expunha seus ombros e decote.

Ela aprendeu uma magia especial quando jovem, usando seu corpo e sorriso para encantar as pessoas. Ela ainda estava praticando para testá-la.

Tudo o que era necessário era que o oponente olhasse para ele e roubasse seu olhar, fosse pelo seu corpo ou rosto, mas Encred podia se ver olhando para ela com indiferença.

Embora seus olhos fossem um tanto indiferentes, era um feitiço que a pegaria assim que ele visse. Ela sabia disso.

— Vocês!

O lorde gritou surpreso ao ver os três. Não poderia ter sido de outra forma.

Aqueles três não estavam lutando entre si, chamando um ao outro de inimigo, até agora?

Era impossível não ficar surpreso, já que os três que lutaram tão ferozmente para assumir o controle da cidade estavam reunidos ali e esperando por ele.

— Esse não é o meu estilo.

A mulher disse, colocando a língua para fora. Ela era realmente fofa, mesmo sendo inimiga. O lorde balançou a cabeça. Por um momento, sentiu que ia enlouquecer.

— Não vai funcionar. Eu vou abrir um caminho de alguma forma, então voltem para a Guarda de Fronteira e contem a eles sobre a situação na cidade. Ouvi dizer que o General Abnayer está lá. Se ele souber da situação aqui, não virará as costas.

O lorde estava determinado. Mesmo que eu tenha que desistir da minha vida aqui, vou me livrar dos bastardos sujos que tomaram esta cidade.

Ele fortaleceu sua determinação e sacou sua espada.

— Eu morrerei aqui. Este é o fim da minha força de vontade. Deusa da Fortuna, ajude a Guarda da Cruz e tenha piedade do homem.

Luagarne ouviu essas palavras de lado e pensou que seu poder de informação era realmente pobre.

‘Ninguém parece saber quem é Encred.’

Encred tinha pensamentos semelhantes.

Os três eram iguais, o líder dos bandidos ou algo assim. Eles não sabiam quem era a pessoa parada diante deles.

— Suas habilidades não são ruins. Você não planeja ficar aqui? Eu vou levar você sob meu comando. De agora em diante, chame-me de Mestre.

O homem chamado Lâmina de Vento disse. Não importa o quanto Encred avaliasse seu oponente, ele ainda era considerado um escudeiro.

Na verdade, essa foi uma estimativa muito alta. Mesmo tendo a habilidade atlética única dos Su-in, seria difícil ir além disso.

Havia três caras que tomaram uma cidade, e todos os três eram mais fracos do que o esperado.

Existe mais alguma coisa? É porque tem muita gente?

Eu não acho que esse seja o caso também.

Havia um homem ao lado dele que dizia ser o lorde, então era algo que ele poderia ter acabado de perguntar.

Se tudo isso foi resultado da luta pelo poder entre os lordes, eu não tinha intenção de tomar partido.

Mas havia um garoto louco que tentou se matar e depois me disse para descer, e havia um cara que brincou com a comida. Então, vamos ter que fazer algo a respeito.

Encred perguntou, levantando a mão direita levemente.

— O cara que pregou uma peça no dono do restaurante hoje?

À primeira vista, era uma atitude calma, longe de estar com medo ou nervoso.

Os três chefes das guildas criminosas que governavam a cidade franziram a testa.

O que diabos faz ele agir assim?

Você não consegue entender a situação?

— E se eu souber?

A fada mestiça retorceu os lábios enquanto falava. Aquele era um sorriso. Para alguém que não sabia, parecia que ela estava fazendo bico de raiva. Claro, não era uma visão agradável.

— Não brinque com sua comida.

Encred disse.

— Você não gosta?

Enquanto falava, a fada acenou com a mão. Enquanto ela acenava com a mão de baixo para cima, agulhas especialmente criadas voaram em direção aos olhos de Encred.

Era uma agulha, mas eu tive que pensar nela como algo parecido com uma lâmina grossa.

A habilidade de arremesso era excelente. Não é fácil mirar em uma parte pequena do corpo como o olho.

— Cuidado!

O lorde gritou. Encred sacou a espada curta que Eitri lhe dera e a agitou rudemente na frente de seus olhos. Era um gesto como se ele estivesse enxotando uma mosca.

Ting.

Duas agulhas grossas voaram e atingiram a lâmina, e ninguém ali conseguiu descobrir como aquilo aconteceu. Era simples, na verdade.

Como eu podia ver claramente a agulha voando, só precisei apontar a lâmina para sua trajetória.

O movimento não exigiu nenhuma habilidade ou técnica especial.

Encred golpeou a agulha e olhou para frente, e atrás dos homens que bloqueavam seu caminho, ele viu um prédio baixo e, além dele, um céu azul. O tempo estava bom. Era um céu de inverno claro, sem uma única nuvem.

Era um dia em que o frio do início do inverno estava no ar.

O céu estava claro e limpo, mas não era uma cidade. Era fedorenta, suja e cheia de imundície.

— Você conhece a Guilda Gilpin? Alguém daquele grupo veio aqui e depois perdeu o contato.

Encred olhou para o céu distraidamente e disse.

— ...Eles até detêm pessoas.

O lorde olhou em volta e respondeu. Olhando para o céu limpo, Encred viu que a situação atual não era ruim.

Eu estava planejando me envolver de qualquer maneira, mas como todos eles se reuniram e me atacaram, não havia nada de que eu não pudesse gostar.

— Lua.

— Ok. Vou ficar de guarda.

O objetivo era proteger o homem chamado Seongju.

Enquanto Encred avançava, Lâmina de Vento sacou sua arma.

Slurp.

A lâmina larga dividiu a luz, revelando seu corpo. Sua especialidade era balançar sua espada tão rápido quanto o vento. Mas Encred nem mesmo olhou com atenção. Ele deu uma olhada rápida e depois espalhou seu olhar amplamente.

A fada colocou seis dardos envenenados entre os dedos de ambas as mãos, uma técnica que ela praticou toda a sua vida.

A mulher com armadura aproximou-se de repente de Encred com um sorriso.

Ela já estava lançando um feitiço. Sua especialidade era encantar as pessoas com seu corpo e sorriso.

Era uma técnica que nunca a traiu antes. Ela se aproximou de Encred como se fosse encontrá-lo.

Seus passos leves fizeram meu coração palpitar. Qualquer homem teria sido cativado por seu olhar.

— Oh, céus, meu rosto parece tão...

Ela não conseguiu terminar a frase.

Encred caminhou até ela e balançou sua espada, partindo a cabeça da líder da guilda feminina.

Naquele momento, um dardo revestido com veneno de sangue voou.

Encred notou que apenas a ponta do dardo estava envenenada. A fada mestiça estava de mãos vazias, exibindo seus dedos longos e brancos. Ela não tinha equipamento para envenenamento.

É isso mesmo. A fada mestiça tinha um rosto feio, mas tinha orgulho de seus dedos bonitos durante toda a sua vida, então odiava cobrir as mãos. É por isso que ela costumava jogar dardos com veneno apenas na ponta.

Encred pegou os dardos que voavam um por um. Eram ferramentas que podiam ser capturadas sem danos, contanto que você evitasse as partes envenenadas.

Pode não ser visível aos olhos de uma pessoa comum, mas era uma tarefa muito fácil para Encred.

Cavaleiros eram aqueles que transcendiam fronteiras, aqueles que eram chamados de desastres, aqueles que cortavam o tecido sozinhos.

Essa não poderia ter sido uma luta desde o início.

Quando Encred agarrou o dardo no ar, a meia-fada ficou tão surpresa que não conseguiu dizer nada, e Lâmina de Vento instintivamente pulou para frente e balançou sua espada paralelamente ao chão, mas Encred levantou a espada verticalmente e golpeou com indiferença, cortando a arma que continha a Lâmina de Vento e cortando seu peito. Com um estalo, seu coração estava visível dentro dos músculos do peito rasgados.

Luagarne virou o rosto por um momento diante da cena horrível.

Eu até rasguei o coração dele com minhas próprias mãos, mas isso era inevitável ao lidar com Prock. Não foi uma experiência agradável ver seu coração batendo daquele jeito.

— Vocês vão fazer mais alguma coisa?

Encred perguntou depois de matá-los ambos de uma só vez.

— Matem-no!

A aterrorizada fada mestiça gritou. A maioria deles correu para cima dela sem nem saber quem estavam enfrentando.

Entre eles havia muitos que estavam drogados. Encred sacou sua espada e balançou-a.

O primeiro a correr tinha uma tampa no crânio, e o segundo levou um soco e perdeu os olhos, nariz e boca. Eles afundaram, estouraram e quebraram.

Houve mais algumas facadas depois disso, mas era embaraçoso até chamar de luta. Exceto por alguns caras que estavam sob o efeito de drogas, ninguém realmente atacou.

Os aterrorizados fugiram um por um. Foram necessários cinco golpes para os homens que corriam por aí desaparecerem. Encred balançou sua espada no ar.

O sangue na espada caiu no chão.

Disseram que a misturaram com tinta, então a espada ficou mais pesada do que antes e o gosto do corte era diferente.

Também era bom para usar um golpe pesado e poderoso.

Agora mesmo, ele tinha cortado duas pessoas de uma vez, e a espada parecia passar por elas com um movimento afiado. Nesse nível, não seria exagero chamar de espada famosa. Parecia que a habilidade de Eitri estava ficando melhor a cada dia.

— Então, você disse que era o lorde?

Quando Encred se virou, havia um homem com a boca aberta, parecendo que ia babar.

— Oh, uh, é isso mesmo. Eu sou o lorde.

Ele respondeu.

Sua expressão era mais do que apenas surpresa; era como se ele tivesse perdido as palavras.

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