Mago Prismático Genial

Capítulo 182

Mago Prismático Genial

#182. História Esquecida (2)

As pessoas reagiram de maneiras diferentes à palavra "marido".

Veronica desviou levemente o olhar e encarou Ray.

Damper apagou apressadamente os planos de ter filhos que vinha desenvolvendo em sua mente.

Ray continuou fazendo perguntas em um tom que parecia bastante interessado.

— Você saiu para procurar seu marido?

— Estou preocupada porque as notícias frequentes que eu recebia através dos espíritos pararam.

Grinega olhou para o horizonte distante da região selvagem com olhos turvos.

— Será que algo aconteceu com você? Está passando por dificuldades em sua missão? Está se envolvendo com alguma mulher humana...?

— Missão?

— Sim. É uma missão. Quando mencionei a floresta mais cedo, você pareceu incrédulo. Eu entendo. É muito difícil para um lugar como uma floresta existir em um mundo onde cai chuva negra. Mas é possível.

— Como?

— Porque a Árvore do Mundo está na última floresta, onde nossa vila está localizada.

De acordo com Greene, a Árvore do Mundo é uma árvore sagrada gigante.

Seus galhos e folhas se espalham amplamente, bloqueando a chuva negra e proporcionando sombra.

Dizem que é uma existência preciosa que impede a poluição do solo e da vegetação ao redor através de sua ação purificadora infinita.

— Segundo os registros, a Árvore do Mundo existe desde os tempos antigos. Será que seu tempo de vida está chegando ao fim? Recentemente, sua influência tem enfraquecido gradualmente.

É por isso que Charon, marido de Greene, pegou as sementes da Árvore do Mundo e partiu para o mundo exterior.

Em busca de solo de qualidade que dará origem a uma nova Árvore do Mundo.

— A Árvore do Mundo cresce bem onde quer que seja plantada. No entanto, quanto mais estéril for o solo, menor será o limite de seu crescimento. O que queremos é solo fértil onde a Árvore do Mundo possa desdobrar seu potencial infinito.

Infinito.

A história era que, literalmente, não havia limites.

— O quanto ela cresce quando se desenvolve?

— Deixe-me explicar usando a Árvore do Mundo na última floresta como exemplo.

Greene pareceu procurar algo para comparar por um momento, então disse:

— A maioria dos setores ficaria coberta por sombras.

Todos, exceto Ray, ficaram boquiabertos.

A surpresa não parou por aí.

— Dizem que, nos tempos antigos, havia Árvores do Mundo por toda parte. Dizem que algumas delas eram grandes o suficiente para cobrir várias cidades enormes.

Enquanto todos estavam sem palavras, algumas palavras se formaram na cabeça do garoto.

Elfo, Semente, Viajante.

E.

— Carne.

— Hã? Carne?

— Eu ouvi notícias sobre Charon.

— Oh, Ray! Isso mesmo, é isso!

Veronica trouxe o vaso de plantas que ela havia fixado na parte interna da janela do ônibus.

Então, sementes verdes saíram da bolsa de pano que Ray tirou de dentro de suas vestes.

O rosto de Greene endureceu.

— ... Isso mesmo. Estes são definitivamente os brotos e sementes da Árvore do Mundo. Como você os tem?

— Comprei de um morador das favelas no Setor 48.

— Você é um morador das favelas?

Ray explicou calmamente como obteve as sementes.

Um viajante que desmaiou em um depósito de lixo e foi resgatado pelos moradores das favelas.

As sementes que o viajante deu ao morador em agradecimento foram compradas por ele, Veronica e Philip.

— Ele disse que sempre cobria as orelhas com um capuz. Ele cobria o rosto com uma máscara quando saía. Ele tinha uma aparência extremamente bonita. Ele também carregava cerca de dez adagas na cintura.

— ... Acho que é meu marido.

— E se não há carne, então você não comeu.

Greene, que balançava a cabeça enquanto ouvia, franziu as sobrancelhas levemente com as últimas palavras.

Após pensar por um tempo, ele disse o que havia concluído.

— Comer carne? Parece que você se acostumou com os hábitos alimentares do mundo humano.

— É verdade? Os elfos originalmente não comiam carne, eram vegetarianos e tinham uma dieta leve, certo?

Veronica exclamou com uma voz alegre, como se estivesse desabafando todas as mágoas que recebeu de Ray e Philip.

Greene respondeu.

— Não há razão para comer carne, já que as frutas e vegetais da floresta são suficientemente nutritivos. Os elfos vivem na floresta a vida toda, então nunca veem pratos de carne, e mesmo que vejam, não comem. Não combina com a dieta deles.

Veronica olhou para Ray como se estivesse chocada.

— Ouviu isso, Ray?

— ... ...

Enquanto Ray sentia um forte senso de traição em relação aos elfos, Greene abriu o pacote de carne seca que segurava e tirou um pedaço.

— Meu marido desfrutava de comida enlatada em todas as refeições. Carne e comida processada cheia de temperos... ...

Ela franziu a testa, talvez porque o cheiro fosse nojento, e hesitou em colocar a carne na boca.

Depois de ponderar por um tempo, ela engoliu de uma vez.

Crac.

Com um movimento natural das mãos, ela pegou o segundo pedaço do pacote e colocou na boca.

— Bem, então... bem... eu contei minha história até certo ponto... bem... você gostaria de contar a história do Ray?

Veronica parecia chocada com a cena.

Ray explicou brevemente por que deixou o Setor 50 e como obteve a gema amarela.

Depois de ouvir a história, Greene assentiu.

— A metade amarela do arco-íris estava enterrada no Setor 46. Imagino se foi lá que o Guardião Amarelo finalmente deu seu último suspiro.

— O Guardião Amarelo?

— Porque cada guardião protegia uma peça de cor diferente.

Dizem que os Guardiões, que sofreram grandes danos na guerra, foram dispersos, cada um com sua própria peça.

O Guardião Verde, que diziam ser um elfo, fugiu para a atual última floresta.

A joia verde é dita ser um objeto que foi passado de geração em geração desde então.

— ... ...

Ray encarou a gema verde na mão de Greene.

As ondas intermináveis e sinuosas de mana.

Vitalidade e dinamismo infinitos.

Eu podia ter certeza.

Aquele é o mesmo tipo de joia que possuo, e é definitivamente uma peça do arco-íris.

— Estou reunindo as peças para completar o arco-íris.

Greene sorriu alegremente para o discurso direto de Ray.

— Então, você planeja tirar esta joia de mim?

— ... ...

Não era isso.

Como Greene não tinha feito nenhum mal específico a este lado e não tinha más intenções, ele não podia tomar os itens.

‘Mesmo que lutemos, não podemos garantir nossas chances de vencer alguém cujo nível de poder militar é incerto.’

Enquanto eu hesitava em responder, ouvi a voz de Greene novamente.

— O que você vai fazer com o arco-íris completo?

— ... Há algo que desejo realizar.

— O que está acontecendo?

Desta vez, Ray também não respondeu.

Greene observou a cena com um sorriso profundo e então separou os lábios.

— Posso lhe dar a peça que tenho.

— Você pode me dar?

— Não acho que Ray a usaria para algo ruim.

O que você vê em mim?

— Como se ela tivesse lido o olhar de Ray — disse Greene.

— O espírito não faz um contrato com alguém que tem uma mente maligna. É porque eles são facilmente assimilados às emoções do portador do contrato. Existem exceções, mas na maioria das vezes, é assim. E outra coisa.

— ... ...

— É meu instinto. Ray parece uma boa pessoa.

Ray não reagiu muito ao elogio direto.

Em vez disso, os ombros de Veronica simplesmente subiram ao lado.

O garoto perguntou desconfiado.

— Não acho que você esteja realmente dizendo que vai me dar de graça.

— Isso mesmo. A condição é que você me ajude a encontrar terra para plantar a Árvore do Mundo com meu marido.

— As condições são mais modestas do que eu pensava.

— Bem, podemos chamar a tarefa de encontrar um novo lar para a continuação da espécie de simples?

— Por que você de repente está sugerindo isso para mim?

— Se você consegue manejar a mana da joia com tanta habilidade, significa que não é um mago comum. E eu ainda não estou acostumada com o mundo humano.

Ray pensou por um momento.

Aceitar a oferta de Greene significava que ela se juntaria ao grupo.

Os benefícios superam as perdas.

Seria uma escolha melhor manter a peça do arco-íris pela qual você trabalhou tanto para encontrar, em vez de deixá-la ir.

Um mago de 3 círculos e uma joia que contém mana infinita seriam uma grande força por si só.

Não havia razão para recusar, mas havia algo que eu queria ter certeza.

Ray trocou olhares com Veronica e abriu a boca.

— Aceitarei sua oferta.

— Oh, obrigada.

— Mas há uma condição.

— Quais são as condições?

— Eu vou ajudá-la, mas não posso fazer encontrar terra para Charon e a Árvore do Mundo minha primeira prioridade. Cada um do nosso grupo tem suas próprias prioridades.

— Quanto tempo levará para alcançar todos esses objetivos?

Ray pensou por um momento e então respondeu.

— Não posso garantir, mas, no mínimo, levará um ano. Talvez dois, três ou até mais.

— Oh, então tudo bem. Apenas espere um pouco. Depois que todos os outros tiverem alcançado seus objetivos, você pode me ajudar.

Posso apenas esperar um pouco?

Ray, que sentiu algo estranho por um momento, logo lembrou que os elfos eram uma raça com uma vida extremamente longa.

— Quantos anos você tem?

— Este é meu 224º ano vivendo neste mundo.

— Pff!

Damper, que estava inclinando uma garrafa de água porque sua garganta estava seca, de repente cuspiu a água e perguntou com uma voz em pânico.

— Bem, quantos anos os elfos geralmente vivem?

— Sei que eles crescem a uma taxa semelhante à dos humanos até terem cerca de vinte anos. Depois disso, envelhecem muito lentamente. Sua vida total é, no caso dos de vida longa, perto de mil anos.

Mil anos.

Veronica, que instintivamente tentou contar dobrando os dedos, logo percebeu que as unidades eram diferentes e desistiu.

Mesmo que todas as pessoas presentes hoje tivessem vivido juntas, não somariam nem mil anos, muito menos a idade de Greene.

Foi um momento em que realmente senti que os elfos eram diferentes dos humanos.

Damper abriu a boca cautelosamente.

— Eu te invejo. Os humanos não vivem nem cem anos, mas você tem uma vida de quase mil anos.

Um sorriso amargo surgiu no rosto de Greene ao ouvir essas palavras.

— Você está com inveja?

— Sim, é verdade. Com essa quantidade de tempo, você pode viver e fazer tudo o que quiser. Acho que é verdadeiramente uma bênção.

— Bem, eu acho que é uma maldição.

— Si-sim?

— Dizem que, nas guerras de antigamente, cada raça perdeu algo precioso. Dizem que o que os elfos perderam foi a ganância.

O ar frio da noite, impregnado de silêncio, foi sugado para a boca de Greene.

— Pense nisso. Uma rotina onde você repete a mesma coisa todos os dias por centenas de anos sem qualquer desejo de melhorar.

Foi cuspido de forma significativa.

Grinega olhou diretamente nos olhos de Damper e perguntou.

— Tal vida pode ser chamada de bênção?

— Sinto muito, falei sem pensar... ...

— Tudo bem. Qualquer um que não saiba melhor pensaria dessa forma.

Greene virou-se com um sorriso suave.

Ele continuou falando, olhando para o horizonte escuro no fim da região selvagem.

— Meu único desejo é descobrir por que os elfos foram amaldiçoados. Para fazer isso, preciso investigar a história dos tempos antigos. No entanto, há um limite para o que se pode aprender com as placas de pedra e os registros históricos preservados na Última Floresta.

Greene acrescentou.

Enquanto examinava as placas de pedra e os materiais históricos, tive a sensação de que alguém dos tempos antigos estava tentando obscurecer a história intencionalmente.

— Todos os livros estavam com partes importantes faltando. Eles foram danificados de uma maneira que parecia deliberada. As placas de pedra, talvez por causa de sua resistência, pareciam ter conseguido manter seus registros, mas não continham nenhuma informação significativa.

Ray lembrou da placa de pedra que tinha visto na Torre de Binjin.

Certamente, havia arranhões excessivos aqui e ali a ponto de ser difícil considerá-los meros vestígios da passagem do tempo.

— É por isso que decidi me juntar à expedição e seguir para as ruínas. Encontrar meu marido era importante, é claro, mas também me interesso por história.

— E se eu não obtiver informações suficientes do local?

— Tudo bem. Não estou planejando explorar um ou dois lugares, e a única arma que tenho é o tempo. E além das ruínas, há um destino — se o céu estiver assim, posso vê-lo. Ah! Ali está ele!

Todos seguiram o dedo de Greene e olharam para o céu noturno claro.

Entre as incontáveis estrelas, uma pequena massa não luminosa era visível.

Ray, que estava usando seus olhos para identificar o alvo, murmurou sem perceber.

— Terra...?

— Isso mesmo. Um enorme pedaço de terra. Dizem que há uma biblioteca onde toda a história dos tempos antigos está preservada.

O garoto sentiu um nó no estômago.

Mesmo que ele estivesse claramente correndo a toda velocidade, as fronteiras do mundo pareciam estar passando por ele a uma velocidade maior.

— ... ...

Mas isso foi apenas por um momento.

O aperto em seu peito desapareceu e foi substituído por uma variedade de emoções ardentes, incluindo o desejo de explorar.

Os lábios do garoto se abriram de repente enquanto ele olhava para a terra flutuando entre as estrelas.

— Se os elfos perderam a ganância, o que os humanos perderam?

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