Mago Prismático Genial

Capítulo 5

Mago Prismático Genial

#005. Um homem flutuando pelo rio (2)

— Eles estavam falando sobre arco-íris.

Viola.

No Setor 50, ela era a pessoa com mais marcas do tempo em seu rosto e corpo.

Corre o boato de que ela tem mais de 100 anos.

Não havia dúvidas de que ela era a pessoa mais velha da favela, embora não chegasse a tanto.

É por isso que ela era respeitada pelos moradores locais.

A expectativa média de vida nas favelas girava em torno dos 40 anos, e a longevidade, por si só, era uma prova de experiência e sabedoria.

Até os membros das gangues evitavam cobrar aluguel dela ou causar qualquer problema.

— Vejo que você me pediu para contar a história do arco-íris de novo.

— É. Essa é a história que você mais gosta. Não importa quantas vezes ouça, nunca se cansa dela.

Viola disse, rindo.

Ela contava histórias misteriosas para quem passava e recebia moedas baseadas no nível de satisfação das pessoas.

O principal público-alvo eram as crianças pequenas.

Uma moeda na lata.

Definitivamente foi Josephine quem a colocou ali.

Era uma moeda de um xelim[1], a menor denominação, mas provavelmente era a maior satisfação que uma criança pequena poderia proporcionar.

[1] - Xelim: Unidade monetária de baixo valor, aqui utilizada para denotar a pobreza extrema do local.

— História de arco-íris? Aquele que flutua no céu?

— Hehe. Isso mesmo. Quantas vezes ainda vou ter que ouvir a mesma história?

Ray lembrou-se do que Josephine havia lhe dito uma vez enquanto fazia um alvoroço.

— Irmão! Irmão! Tem um arco-íris em algum lugar do céu!

— O que é um arco-íris?

O garotinho explicou o arco-íris usando gestos.

Um clima pessoal depois que a chuva passa.

Há momentos em que uma fita longa e colorida chamada arco-íris se estende pelo céu.

— Nunca vi isso antes.

— Mesmo se a chuva parar, as nuvens se juntam rápido. Nós não conseguimos encontrar.

Donuts coloridos cortados ao meio, como se alguém tivesse dado uma mordida neles.

Essa foi a impressão que Ray teve do arco-íris após ouvir a explicação de Josephine.

— Não é lindo? Se você encontrar a ponta do arco-íris enterrada no chão, pode fazer um pedido! Qualquer pedido se torna realidade!

— A gangue Kruter já estava de olho nos meus donuts hoje. De longe, com olhos gananciosos. Isso não vai ficar assim. Vou descer o sarrafo neles amanhã.

— Ah! Escuta! Falando sério!

Ray saiu de seus devaneios.

Ele falou com um tom monótono.

— Não conte histórias para as nossas crianças. Se elas continuarem fantasiando sobre isso, terão dificuldade em se adaptar às ruas.

Fantasia.

Imagine um evento que não pode acontecer na realidade ou um objeto que não pode ser possuído.

Ray nunca havia fantasiado.

Como não tinha emoções, o garoto não tinha permissão para imaginar nada e sentir felicidade ou empolgação.

Eu só sabia disso.

Quanto mais você fantasia, mais difícil é sobreviver nas ruas.

Não havia uma única exceção.

Crianças que não conseguiam criar raízes na realidade e flutuavam por um mundo de fantasias geralmente morriam antes de se tornarem adultas.

Assim como um balão que sobe alto no céu, não consegue suportar a pressão do ar e estoura.

Viola sorriu abertamente.

— Se as crianças não fantasiam, quem vai?

— Primeiro de tudo, adultos não fazem isso. E crianças não deveriam fazer.

— Eu não penso assim. As crianças têm o privilégio de desenhar o que quer que lhes venha à mente.

— … … .

O olhar de Ray voltou-se para os olhos fechados de Viola.

Ela era cega.

Havia muitas histórias a respeito.

Ou talvez ela estivesse em uma aventura e teve seus olhos devorados por um corvo.

Dizem que eles relutam em mostrar porque têm olhos mecânicos.

De qualquer forma, pensei que ela não fosse alguém com um passado comum, considerando os anos que viveu.

… acima de tudo.

Porque sempre havia um mana roxo profundo no peito de Viola.

‘Ele deve ser alguém de fora do Setor 50.’

O mana roxo nunca fluía para os vasos das pessoas.

Apenas uma pessoa.

Exceto Viola.

Essa era a razão pela qual Ray não conseguia tirar os olhos da tigela no peito de Viola quando a conheceu.

‘Que emoção o roxo representa?’

Não era difícil descobrir as emoções correspondentes para diferentes cores de mana.

Havia muitos espécimes que continham mana, e as pessoas geralmente demonstravam suas emoções através de ações imediatamente.

Anos de observação.

No fim das contas, a maioria dos manas coloridos podia ser associada a emoções relacionadas.

Mas o mana roxo era diferente.

O espécime era apenas Viola.

E não dava para dizer o que ela estava pensando ou sentindo apenas olhando para ela.

Ray, que estava encarando Viola fixamente, virou-se e foi embora.

— É melhor você se mudar para outra rua. Pode haver uma guerra começando.

Deixando para trás uma palavra seca.

A lata brilhava sob a luz fraca do sol.

Nunca houve uma única moeda de Ray nela.


Tempo nublado, como de costume.

Tarde na Rua 17.

Nhec-nhec-

Ray atravessou a rua empurrando um carrinho de entrega de um armazém.

Era um trabalho que arrumei como diarista.

O mercado do Hector estava fora de serviço por enquanto, e o ferro-velho já tinha sido totalmente limpo durante a manhã.

Se você não trabalha, passa fome.

Essa era uma regra natural nas favelas.

— Hi-iik.

Um dos capangas de Ron olhou nesta direção a partir do beco e, quando nossos olhos se cruzaram, ele fugiu apressado.

Na luta que aconteceu no lixão alguns dias atrás, houve um claro vencedor e um perdedor.

‘Acho que não serei capaz de atacar você por um tempo.’

Se ele tivesse perdido a luta, a situação teria se invertido.

Para começar, provavelmente não teria conseguido um emprego hoje.

Não só haveria o risco de perder a ponte, mas também teriam que recuar de sua principal área de atividade, a Rua 17.

Nhec-nhec-

Ray empurrou o carrinho em silêncio, suando.

Eu não sinto dor ou sofrimento, mas, objetivamente falando, nada foi conquistado facilmente.

O bueiro finalmente estava pronto para ser usado como esconderijo após um longo período limpando o lixo que se acumulava embaixo.

A liberdade de movimento na Rua 17 foi conquistada através de dezenas de confrontos com outros grupos.

Essa era a razão pela qual Ray não podia deixar a Rua 17 e Guldari para escapar da guerra.

É extremamente ineficiente jogar fora o que você conquistou.

Nhec-nhec-

Na rua comercial vazia, apenas o som dos carrinhos sendo puxados podia ser ouvido.

Ou colocar uma placa de fechado.

Ou simplesmente remover a loja em si.

Havia muitos lugares assim.

Eles sentiram que a guerra estava chegando e fugiram rapidamente para uma rua numerada diferente.

Nhec- bang.

O carrinho parou na frente de um café decadente.

Quando Ray bateu na porta, um homem com aparência cansada apareceu.

— A entrega chegou. São 4 caixas de leite e 6 caixas de cerveja, certo?

— O quê? É você? Ron. Ele estava gritando que viria entregar na próxima vez.

Ron não pode sair.

Porque as duas pernas dele foram quebradas.

Ray engoliu suas palavras.

Perguntei ao dono da loja, que estava organizando seus pertences.

— Você não vai evacuar, senhor?

— Minha loja é aqui, para onde eu iria?

— Pedir tantos itens. Não é ineficiente? Não poderemos receber clientes por um tempo.

— Por que não posso aceitar? Ainda tem uma mesa sendo atendida. E há uma chance de que a guerra não aconteça.

Ray inclinou a cabeça.

Achei que era preciso muita coragem para tomar um drinque em um café durante um período tão assustador.

— Clientes de outros setores?

— Não. Tem gente aqui.

— O que você quer dizer com a guerra pode não acontecer?

— Se as coisas correrem bem, então é possível.

Então, o dono da loja olhou para dentro da porta e disse.

— Ah. Acho que a conversa acabou.

O dono da loja se afastou, empurrando um carrinho próximo à porta.

Logo, um grupo de homens saiu do café.

— Irmão. O fogo está aqui.

— Ok.

Chick-

No momento em que vi o rosto de um deles.

Ray instintivamente colocou seu capuz para cobrir o rosto e a cabeça.

Um homem com o rosto cicatrizado e uma expressão sinistra e maligna.

Era Hector, que ocupava metade do Setor 50 com Niles.

Ele também era o dono de um armazém de onde Ray periodicamente roubava comida.

— Hã?

Hector estreitou os olhos ao notar Ray.

Era um olhar que examinava e observava cuidadosamente.

Com certeza eles não teriam me pegado.

Porque na área de Hector, eu nunca mostrei meu rosto nem fiz nada que tornasse meu nome conhecido.

Mas nunca se sabe.

Se necessário, eu viraria meus pés ligeiramente em direção à rua para escapar.

— Irmão. Por que você está fazendo isso?

— Não. Só acho admirável que uma criança esteja trabalhando em um lugar onde todos os outros fugiram.

Hector, com a boca escancarada, aproximou-se de Ray e entregou-lhe algo.

— É. Você tem que viver tão duro. Duro. Com toda a sua força. É assim que você vai conseguir alguma coisa. Use isso para comprar alguns doces.

Era uma moeda. 1000 xelins.

Essa quantia compraria cerca de 10 sacos de doces baratos.

— Vamos.

— Sim.

O grupo de Hector seguiu em direção a um carro estacionado nas proximidades.

Então, o homem que seguia Hector olhou para Ray.

— …hmm.

Um careca com 1,90 metro de altura.

Humphrey, o líder silencioso da organização de Hector.

Seu olhar estava focado diretamente no lóbulo da orelha de Ray, dentro do capuz.

O dia em que a chuva negra caiu.

Foi o lugar onde ele se machucou durante uma luta no armazém.

— … … .

Ray pôde dizer intuitivamente enquanto observava os olhos de Humphrey se estreitando.

Isso foi descoberto.

Não há mais espaço para enganar o oponente.

Com o corpo todo tenso, Ray colocou as mãos nos bolsos e agarrou firmemente o cabo de sua faca dobrável.

Quantos segundos se passaram assim?

— Humphrey. Você não vem?

— Sim, eu vou.

Humphrey olhou para o rosto de Ray, depois se virou e seguiu em direção ao veículo.

Vrum …

O carro desapareceu pela rua.

Por que diabos isso aconteceu?

Por que você simplesmente fingiu não notar e passou direto?

Ficou claro que os sentimentos de Humphrey eram curiosidade e antecipação.

No entanto, ainda era difícil para Ray entender intenções baseadas em emoções.

Então, outra voz foi ouvida por trás.

— O que aconteceu?

— Eu escrevi.

Virei a cabeça e vi Niles falando com o dono da loja.

— Eles querem demais de você.

Niles pegou seu cigarro e acendeu-o com um olhar amargo no rosto.

Eu queria evitar a guerra, se possível.

Porque, uma vez que ela acontece, o dano às pessoas e às coisas é inevitavelmente severo.

O uso de uma arma contra os membros da gangue de Hector que invadiram a Rua 17 também foi uma espécie de aviso.

Um aviso e uma ameaça de que nunca recuaremos da guerra.

Mas Hector não recuou um milímetro nas negociações hoje.

O limite da área recém-estabelecida.

A taxa da taxa de proteção imposta em cada área de gestão.

Houve muita conversa, mas não foi substancial.

Hector exigiu condições irracionais que não eram diferentes de ‘absorção de organização’, e Niles não teve outra escolha a não ser a guerra.

O dono do café balançou a cabeça, entendendo o significado de Niles.

— Eles dizem que as negociações fracassaram.

— Terminou da pior maneira possível.

— Isso é uma pena. Se você tem que pagar taxas de proteção de qualquer maneira, seria melhor pagá-las à sua organização.

No setor 50, tirar e ser tirado é a lei natural.

De qualquer forma, você não pode fazer negócios sem a proteção de alguém.

Como a política operacional de Niles era de coexistência em vez de dominação, o que o dono do café acabara de dizer também era um pensamento comum no distrito comercial da Rua 17.

Niles, que estava perdido em pensamentos, avistou Ray mexendo em uma moeda.

Ele disse com uma risada oca enquanto olhava para o carrinho de entrega ao lado dele.

— Você ainda está com boa saúde? Você passou por tudo aquilo alguns dias atrás e agora voltou ao trabalho?

— A guerra está confirmada?

— Foi o que aconteceu. Não saia do esconderijo por um tempo. Você pode ser baleado e morrer sem motivo.

Ray assentiu.

Era um fato bem conhecido.

Há coisas neste mundo que estão destinadas a acontecer, não importa o quanto você lute.


Swaaa …

Era uma noite com chuva negra caindo.

Mesmo que não fosse pelo aviso que estava em vigor em toda a Rua 17, o clima era tal que era impossível sair.

— A guerra. Precisa acabar logo.

— Mas não vai acabar dentro de uma semana?

Pale e Ray conversavam enquanto observavam as gotas de chuva caindo do lado de fora da tenda.

Os irmãos dormiam dentro da tenda, amontoados, abraçando um ao outro.

Rua 17 e Rua 18.

Era o segundo dia que Niles e Hector estavam em um impasse através da rua.

A pólvora está pronta para ser acesa.

A qualquer momento, quando um lado mostrar uma abertura, os tiros soarão.

— Ray. Quem você acha que vai ganhar?

— Não sei.

O poder das duas organizações era tão igual que era difícil prever a vitória para qualquer um dos lados.

— Quem você quer que ganhe?

Se a pergunta tivesse sido essa, teria sido fácil responder.

Antes de sua amizade com Hector, Niles era um homem de moral mínima em comparação a Hector.

Matar ou não seus subordinados dependendo do seu humor.

Ou capturar órfãos das ruas e vendê-los.

Pelo menos ele não era o tipo de pessoa que faria algo assim.

— Eu só desejo que passe logo.

— Eu gostaria de poder fazer isso também.

Esta chuva cai pesadamente.

Mesmo nesta noite em que o ar pegajoso flui.

Esta guerra só terminará quando um dos lados for eliminado das ruas.

Todos eles, sem exceção.

Então eu poderei sair e encontrar comida novamente.

— Espere um minuto. Você ouviu isso?

— Eu ouvi.

Foi quando ouvi um som estranho.

Os dois garotos pararam de conversar e ouviram.

Goo-ung

Não eram os gritos, tiros ou a chuva que os meninos estavam acostumados a ouvir.

Era um som estranho.

Também soava como o ar dentro de uma máquina vazia.

Também soava como o uivo assustador de alguma fera desconhecida.

Era um som vindo da rua.

Comentários