
Capítulo 407
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
Sophie abaixou a cabeça e seguiu Sam.
Ao saírem pelos portões da escola, ela hesitou. Como dizer aquilo?
Era como se ela tivesse reunido coragem, mas não totalmente, como um avestruz pronto para enfiar a cabeça na areia a qualquer momento.
Ela manteve a cabeça baixa, sem ousar olhar para ninguém.
Foi só quando embarcaram no ônibus que Sophie finalmente deu um suspiro de alívio.
Hoje, eles tiveram sorte; ainda havia assentos disponíveis no ônibus.
Bem no fundo, e Sophie não teve escolha a não ser sentar ao lado de Sam, já que não podia sentar na frente nem atrás dele.
Sam, sendo atencioso, disse: "Você pode sentar na janela".
Sophie não encontrou motivo para recusar. Mais precisamente, ela havia armado uma armadilha para si mesma, não sendo mais capaz de rejeitar esse garoto como costumava fazer.
Quem disse isso?
Quando você está sozinha, você pode ser tão livre quanto quiser.
Mas quando alguém especial entra no seu mundo, você começa a impor muitos limites a si mesma.
Aproximar-se é uma faca de dois gumes.
Você não pode negar o frescor e a alegria que a outra pessoa traz.
Mas você também não pode escapar da liberdade e da coragem que perde pouco a pouco.
Ela sentou-se na janela, enquanto Sam sentou-se no lado de fora.
O ônibus estava lotado, barulhento com o murmúrio de conversas. Com o feriado se aproximando, tudo parecia animado e alegre.
Sophie observou os flocos de neve na janela derreterem em gotículas, escorregando em rastros úmidos.
As cenas da rua lá fora estavam embaçadas, como as esculturas do tempo, o mosqueado dos anos.
Sophie parecia perceber só agora que mais um semestre havia passado.
E ela e Sam se conheciam desde o verão até o inverno.
Não um ano inteiro, mas parecia uma história completa em suas vidas.
Ela se sentiu um pouco atordoada, virando a cabeça para ver o cabelo levemente úmido de Sam.
"Como foi na sua prova?"
Sua iniciativa de perguntar surpreendeu Sam.
Em sua memória, ele era sempre quem começava as conversas. Essa garota era quase sempre passiva, e agora... naquele breve silêncio, ele não tinha planejado puxar nenhum assunto.
Ele só queria aproveitar aquela paz temporária, balançando com o ônibus, como um trem do tempo seguindo em direção a um futuro desconhecido.
Pego de surpresa pela pergunta dela, Sam reagiu rapidamente, sorrindo como sempre.
"Nada mal. E você?"
Sophie, sentindo-se sem jeito, lançou um olhar ao sorriso familiar de Sam.
Parecia um de seus raros momentos de coragem, fazendo contato visual bravamente.
"Desempenho normal."
Mas a coragem que ela reuniu dissipou-se rapidamente depois de dizer essa frase simples, como um balão murcho. Ela rapidamente virou a cabeça, evitando deixar o garoto ver seu rosto já corado.
Corajosa antes, arrependida depois — essa tinha se tornado a norma recente de Sophie.
E isso acontecia frequentemente quando ela estava com esse garoto.
Como agora, ela se arrependia.
Por que ela tomou a iniciativa de falar?
Isso a fazia parecer entediante... e ansiosa para falar com ele.
Ele acharia que ela era estranha agora? Mas até ela achava que era estranha...
Logo, a voz de Sam veio claramente.
"Se foi apenas um desempenho normal, talvez eu supere você desta vez."
Parecia um desafio.
Afinal, o maior orgulho de Sophie diante desse garoto era seu primeiro lugar na série.
Ela bufou suavemente.
"Meu desempenho normal garante o primeiro lugar. Não há como você me superar."
"Então... que tal uma aposta?"
Pareciam palavras familiares.
Eles não apostavam com frequência, a última vez sendo um mês de tarefas domésticas.
Parecia revisitar os velhos tempos, como se Sam estivesse dando a ela outra chance.
Sophie hesitou por um momento.
Ela deveria se envolver dessa maneira auto-enganosa para começar uma história inacabada? Não parecia valer a pena debater.
Era um passo oferecido por ele, e se ela aceitasse como antes, incapaz de resistir ao desafio, ela poderia reviver a maravilhosa experiência daquele mês.
Mas... ela estava realmente provocada?
É fácil enganar os outros, mas difícil enganar a si mesma.
Ela mordeu o lábio. "Sem aposta."
Sam suspirou, soando um pouco desapontado.
"Você é esperta, sabendo que perderia, então não apostou."
Sophie era esperta. Ela entendeu que Sam não estava zombando dela; ele só não queria que ela perdesse essa oportunidade.
Parecia ser a melhor razão que ele tinha para deixá-la interagir com ele mais normalmente.
Mas... ele era um tolo.
Sophie olhou para frente, notando quão lotado o ônibus havia ficado, com pessoas em pé, ombro a ombro.
Ela olhou para a multidão e disse suavemente: "Você tem planos para hoje à noite?"
A pergunta dela interrompeu os pensamentos de Sam.
"Não tenho nenhum plano. Por quê?"
Sam ficou confuso.
Ele não sabia aonde ela queria chegar, mas seu coração começou a disparar.
Parecia que seu coração estava sendo puxado por um fio do destino, levando a algum lugar... por que aquilo estava afetando seus batimentos cardíacos?
Ela não ousou virar a cabeça, apenas olhando para frente. Seu perfil já estava corado.
Ela nem sequer teve coragem de olhar para seu reflexo na janela.
Flocos de neve batiam na janela, o vento uivava lá fora.
O falatório, as buzinas nas ruas, tudo preenchia o ar.
Mas nada disso podia igualar o poder penetrante de sua voz suave.
"Se você não tem planos... venha à minha casa e cozinhe. Tudo bem?"
Ela controlou sua voz para mantê-la firme.
E tentou manter seus batimentos cardíacos e temperatura normais.
As pessoas acham que não podem controlar os outros, mas podem controlar a si mesmas.
Mas não podem controlar seus batimentos cardíacos, seu metabolismo ou um momento de rubor.
Sam entendeu o que ela quis dizer.
Ela não aceitou a aposta dele, não porque rejeitou o passo que ele ofereceu.
Mas porque ela estava dizendo a Sam à sua própria maneira.
Ele não precisava de uma aposta para ir à casa dela.
Ele poderia passar um tempo com ela como naquele mês.
Ela ainda era sensível, com medo de se machucar.
Mas ela estava dando a esse garoto a oportunidade de se aproximar dela.
O ônibus balançava, instável, mas ainda alcançando suas paradas.
Sam levantou-se de repente.
Sophie instintivamente olhou para ele, ignorando seu nervosismo.
Porque ele não tinha respondido, ele não tinha concordado.
Sam virou-se para Sophie.
"Eu vou comprar mantimentos. Você vai para casa e me espera."
O rosto da garota ficou ainda mais vermelho, como uma rosa florescendo fora de época.
Ela mordeu o lábio, pegou sua bolsa.
Sem ousar olhar para ele.
"Tá bom."
Essa única palavra destacou-se claramente no ônibus barulhento.