
Capítulo 406
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
A prova foi tranquila.
É difícil encontrar qualquer coisa que não seja tranquila para o Sam hoje em dia.
Qualquer conhecimento que passa por seus olhos pode ser rapidamente digerido, entendido e retido com uma clareza duradoura.
O aumento na inteligência tem suas vantagens, o suficiente para mudar o destino de uma pessoa comum. Mas, para Sam, essas coisas já não causam muita surpresa.
Após terminar a prova, Sam pousou a caneta, sendo, mais uma vez, o primeiro da turma a concluir. Muitos colegas já não se surpreendiam com isso.
As notas de Sam costumavam ser medianas, e seu salto repentino no desempenho exigiu um tempo para se acostumar. Mas agora, isso era visto como um "despertar" normal que acontece com garotos no ensino médio.
Ao sair da sala de aula, ainda nevava lá fora.
Apesar do tempo sombrio, a empolgação com a aproximação do feriado era palpável.
Embora as provas não tivessem acabado, muitas salas de aula já estavam cheias de barulho.
Mas nada disso preocupava Sam. No último dia do período, ele naturalmente se dirigiu à sala do clube.
A familiar Sala 103.
Parado à porta, Sam inclinou a cabeça levemente, vendo as outras salas de clube já movimentadas com pessoas.
Trocando cumprimentos, desejando uns aos outros um Feliz Natal adiantado.
— Sam, Feliz Natal!
Uma garota de óculos grossos, corando, acenou vigorosamente de longe, como se tivesse visto uma celebridade.
Sam sorriu.
— Feliz Natal.
Ele não sabia quem ela era, mas ela sabia o nome dele.
Após cumprimentá-la, Sam abriu a porta e entrou na Sala 103.
De longe, ele ouviu a voz animada da garota.
— Ai meu Deus, o Sam me desejou Feliz Natal! Que sorte a minha!
Mas, será que Sam realmente merecia tanta expectativa?
Sam fechou a porta atrás de si.
A sala estava silenciosa como sempre, mas não vazia.
Havia uma garota, perfeitamente em harmonia com o ambiente — Sophie.
Ela estava sentada em seu lugar habitual, segurando um livro familiar.
— Por que só você está aqui?
Sam pousou a mochila e sentou-se à frente dela. Embora estivessem apenas os dois, sentar-se logo ao lado dela não era uma boa escolha.
Afinal, a interação humana não é apenas sobre se aproximar; às vezes, manter uma distância também é uma maneira de preservar a beleza.
Além disso, este ângulo era perfeito, permitindo-lhe ver o rosto delicado de Sophie, seu cabelo caindo levemente, cobrindo parcialmente seu perfil.
Sophie olhou para Sam.
— Se você quer encontrar outra pessoa, espere na porta. Não precisa entrar aqui.
Suas palavras ainda eram afiadas, mas seu tom era visivelmente mais suave do que antes.
No entanto, Sam ainda conseguia sentir um pouco de desconforto em suas palavras.
Como dizer?
Era como se ela quisesse mostrar seu lado amigável e gentil, mas o hábito e o orgulho impediam suas tentativas.
Mas, era meio fofo.
Sam apenas sorriu para ela.
— Se eu esperar na porta, não vou ver você.
Sophie olhou para Sam. Seus olhos mostravam um toque de timidez, e suas bochechas rosadas traíam seus pensamentos.
Ela parecia um pouco irritada, como se estivesse descontente por Sam poder dizer tão facilmente palavras que faziam o coração disparar.
— Pare de dizer coisas assim para mim — ela não pôde evitar dizer.
Sam sorriu para ela.
— Por quê? Você não gosta de ouvir?
— Claro que não gosto.
Sophie queria deixar claro que ela não era alguém que pudesse ser convencida por conversa doce.
Sam riu baixinho.
— Isso é porque você não está acostumada. Se eu disser com mais frequência, você vai se acostumar e começar a gostar.
— Que bobagem...
— Este é o guia social exclusivo do Sam.
— Mulherengo...
Ela murmurou baixinho.
Então ela voltou sua atenção para o seu livro, tentando se concentrar na leitura para se distrair.
Sam não continuou conversando com Sophie, e a sala do clube ficou em silêncio.
Os únicos sons eram o virar das páginas e suas respirações superficiais.
Sam olhou para o seu celular, tocando na tela ocasionalmente.
Sophie roubava olhares para ele, vendo o garoto às vezes sorrir, às vezes parecer sério.
Com quem ele estava trocando mensagens?
Tão feliz... deve ser a Angel, certo?
Quem mais poderia ser?
Apenas aquela garota poderia fazê-lo mostrar tantas expressões.
Mas talvez houvesse outras. Afinal, seus relacionamentos eram tão complicados, cercado por tantas garotas bonitas...
Espere.
O que ela estava pensando?
Por que ela estava pensando nessas coisas de repente?
Pensar nessas coisas fazia Sophie se sentir como uma adolescente apaixonada, observando sua paquera popular cercada por garotas, apenas capaz de observar secretamente do canto.
Era terrível.
As emoções de Sophie tornaram-se caóticas.
Ela não conseguia se concentrar em seu livro, embora as palavras fossem familiares. Ela não conseguia uni-las em frases coerentes.
Sua atenção era inexplicavelmente atraída para o garoto à sua frente. Ela pegou seu livro, mas não conseguia se controlar.
Sophie não percebeu isso.
Exceto pelo momento sério durante a prova, ela vinha pensando frequentemente nesse garoto chamado Sam ultimamente.
Seu rosto, suas palavras, como conchas trazidas pela maré para a praia, aparecendo incontrolavelmente.
Então ela pensaria.
Este era um caminho que eles percorreram juntos, uma árvore que viram juntos, palavras que ele disse.
Até mesmo uma voz familiar...
Era realmente terrível.
Ela finalmente desistiu.
Ela fechou seu livro, guardou-o na mochila e levantou-se.
— Você já vai? — Sam olhou para cima e perguntou.
Sophie virou a cabeça levemente, evitando os olhos de Sam.
— Sim.
— Espere um minuto, vamos juntos.
Sam levantou-se também.
Sophie hesitou, depois franziu a testa.
— Você não está esperando por elas?
Sam sorriu para ela.
— Por que soa como se eu tivesse vindo aqui só para esperar por elas?
— Não é o caso?
— Não posso estar aqui para ver você? Afinal, este parece ser o lugar onde posso encontrar a Sophie com certeza.
— O que você quer dizer com encontrar-me... Você... faça o que quiser.
Sophie quis argumentar instintivamente.
Mas ela se conteve.
Ela podia sentir-se mudando sutilmente por causa desse garoto.
Mas... a mudança era realmente ruim? Por que... ela não desgostava disso?
Eles saíram juntos do prédio da sala do clube.
Sam olhou para o céu sombrio, a neve caindo.
— Suas roupas parecem um pouco finas. Você está com frio?
Sophie franziu a testa.
— Não.
— Então por que seu corpo está tremendo?
Sophie franziu o nariz.
— Estou bem. Você deveria ir na frente.
Mas Sam já havia tirado seu casaco e o colocado sobre Sophie.
Isso fez Sophie parar. Ela instintivamente deu um passo atrás e olhou para Sam.
Ela viu o rosto sorridente do garoto.
Como a única luz no tempo nublado.
— Vamos, juntos.
— Você não tem medo que a Angel veja? — perguntou Sophie.
Sam sorriu radiantemente.
— Nós lidaremos com isso se ela vir. Não pense demais nisso. Se eu não tenho medo, por que você deveria ter? Você está realmente tão assustada?
Em momentos como este, um pouco de psicologia reversa fazia maravilhas nela.
Mas... desta vez, Sophie não se moveu.
Ela olhou para Sam, seus olhos cheios de uma luta indescritível.
— Sam... se você me der seu casaco, vai pegar um resfriado.
Sam ouviu suas palavras e apenas sorriu.
— Isso realmente importa? Se um de nós tem que pegar um resfriado, prefiro que seja eu do que você.