A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 398

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Nos poucos minutos em que Sam foi fazer café, o que exatamente aconteceu com Aurora?

Sam não sabia.

Mas não poderia ter sido mais de cinco minutos. Além de tirar um cochilo rápido, não havia muito que ela pudesse ter feito.

O que poderia causar uma mudança tão drástica no comportamento de alguém em apenas cinco minutos?

Sam não conseguia entender. Parecia impossível chegar a uma conclusão.

Mas ele pensou em uma teoria: algumas pessoas, depois de fazer certas coisas ou entrar em estados específicos, tornam-se completamente diferentes. Não se trata de invocar uma segunda personalidade, mas sim de deixar cair a máscara.

Elas se lembrariam do que aconteceu depois, mas a maioria das pessoas é boa em fingir o contrário.

Será que beber muito álcool misturado foi a condição específica que transformou Aurora nesse estado de desamparo e vulnerabilidade?

Parecia uma explicação plausível. Afinal, o álcool entorpece os nervos, tornando difícil controlar as verdadeiras emoções.

Mas será que isso realmente poderia causar uma transformação tão exagerada e drástica?

Isso parecia um pouco estranho.

Mas o que ele deveria fazer agora?

Sam se viu na cama dela. Honestamente, ele estava confuso sobre o porquê de estar ali, por que Aurora estava tranquilamente aninhada em seus braços, dormindo contra seu peito.

O vento lá fora estava intenso, batendo nas janelas, farfalhando as árvores e varrendo as ruas.

Os vários sons, como diferentes instrumentos misturando-se em uma sinfonia perfeita e natural.

A noite estava profunda, tão profunda que a lua não podia ser vista em lugar nenhum.

Sam suspirou silenciosamente.

Talvez fosse melhor ir embora assim que Aurora estivesse completamente adormecida.

A mulher nos braços de Sam parecia respirar ritmicamente, caindo gradualmente em um sono profundo.

Mas seu corpo atraente estava pressionado firmemente contra Sam, seus seios fartos contra o peito dele, como a esponja perfeita que ninguém poderia replicar.

Macios, porém elásticos, nada pequenos e perfeitamente moldados.

Sem mencionar a postura de dormir de Aurora... como descrevê-la?

Pessoas que costumam dormir sozinhas, sejam homens ou mulheres, precisam de uma sensação de segurança, por isso gostam de abraçar travesseiros ou cobertores.

E agora... Sam parecia ter se tornado esse substituto.

Suas pernas longas e esguias estavam entrelaçadas nas de Sam, segurando-o firmemente.

Essa posição era bastante estranha. Mas para ajudar Aurora a adormecer mais rápido, ele até desligou atenciosamente o abajur. O quarto foi mergulhado na escuridão.

Mas não estava nem um pouco frio.

Sam gradualmente esqueceu que deveria ir embora assim que Aurora adormecesse.

Suas pálpebras ficaram pesadas.

Então ele fechou os olhos lentamente... como se estivesse dormindo em casa.

Sam parecia finalmente conseguir descansar nesta noite não tão complicada, mas particularmente longa.

Até...

"Clac."

Um som repentino, como um interruptor sendo acionado.

Acompanhado por uma luz repentina e ofuscante.

Sam abriu os olhos lentamente.

Ele olhou na direção do som e viu uma figura sentada na beira da cama, estendendo a mão para acender o abajur.

E neste momento... quem mais poderia ser senão Aurora?

Sam, ainda um pouco atordoado, lembrou-se rapidamente de algo.

Droga... ele tinha pegado no sono?

Sam estava prestes a falar.

"Clac."

Outro som suave.

Aurora, vestindo apenas sutiã e calcinha, acendeu um cigarro.

Era de fato Aurora.

Ela não estava gritando nem agindo como se tivesse sido violada.

Mas... ela não estava calma demais? Até acendendo a luz e fumando sem se preocupar em acordar Sam?

Sam sentou-se.

"Parece que você está sóbria agora?"

Aurora deu um trago no cigarro, soltando a fumaça no quarto.

"Sim... eu costumo acordar no meio da noite depois de beber. Minha cabeça ainda está um pouco tonta."

Sam olhou com curiosidade para esta mulher que recuperou seu comportamento calmo e frio habitual sob a luz do abajur, mas que agora estava apenas de roupa íntima, emitindo uma aura sedutora contrastante. "Você se lembra do que aconteceu antes?"

A mulher, segurando o cigarro entre os dedos, fez uma pausa.

Ela virou a cabeça.

Sob a luz do abajur, seu rosto mostrava um leve rubor, fazendo-a parecer menos fria.

Ela olhou semicerrando os olhos para Sam.

"O que você fez comigo?"

Sam não se intimidou com seu tom interrogativo.

Ele sorriu.

"Você é policial. Se eu fizesse qualquer coisa com você, você seria a primeira a saber, certo?"

Aurora deu uma olhada sutil na xícara de café meio cheia na mesa de cabeceira e nas roupas no chão.

"Minhas roupas... eu mesma tirei, certo?"

"Claro, e você ainda não as está vestindo."

"Bem, você já viu tudo. Não faz sentido colocá-las de volta."

Aurora parecia bastante indiferente.

Sam olhou para ela com curiosidade.

"Policial Aurora, você é sempre tão aberta?"

"Você acha que algum outro homem além de você já me viu assim?"

Aurora disse, seu rosto mostrando um toque de desconforto.

Sam ponderou por um momento.

"Então eu deveria me sentir honrado?"

"Pelo menos você não deveria se sentir insultado."

"Isso é verdade... mas você não parece nem um pouco envergonhada, o que me deixa um pouco sem jeito."

Aurora riu.

"Então os homens são tão hipócritas assim? Quando uma mulher está vestida, eles mal podem esperar para despi-la, mas quando ela está despida, eles acham que ela deveria colocar a roupa de volta?"

"Não exatamente... é só que nosso relacionamento não parece apropriado para isso, certo?"

Sam disse.

Aurora colocou o cigarro na beira da mesa.

Então ela caminhou até o guarda-roupa, calmamente pegou uma camiseta preta de manga comprida e a vestiu.

Ela sentou-se novamente na beira da cama, olhando para Sam.

"Está melhor assim?"

Parecia mais normal, mas... a bela vista tinha acabado, o que era uma pena.

"Talvez você pudesse tirar de novo para comparar?"

"O que você pensa que eu sou, seu taradinho!"

Ela disse irritada, dando outra tragada em seu cigarro.

De repente.

"Estrondo!"

Relâmpagos e trovões rugiram novamente.

Mas desta vez, Aurora não entrou em pânico e mergulhou nos braços de Sam. Ela sentou-se ali calmamente, fumando com elegância.

Sam olhou para ela com curiosidade.

"Você não tem medo de trovões?"

Aurora franziu a testa.

"Eu tinha medo quando criança. Quem ainda tem medo de trovão nessa idade?"

"Mas antes você..."

"Antes?"

Aurora encarou Sam intensamente, como se tentasse detectar qualquer pista sutil.

Sam olhou para sua expressão e perguntou desconfiado.

"Aquilo antes não foi atuação?"

"...Se você mencionar o que aconteceu antes, você está morto."

Aurora claramente se lembrou de algo, virando a cabeça desconfortavelmente.

Isso despertou o interesse de Sam.

Ele sorriu, levantou-se e sentou-se ao lado dela, olhando para Aurora, que estava deliberadamente evitando seu olhar.

"Você se lembra, não é?"

"Sim, eu me lembro."

Aurora respondeu relutantemente.

"Mas é estranho. Você não parecia estar atuando antes, e agora não nega que se lembra... isso não é estranho?"

Aurora corou, olhando para o abajur, parecendo impotente.

"Acho que mentir sobre isso é inútil. Eu não gosto de mentir."

"Surpreendentemente honesta, digno de uma policial. Mas pode me dizer o que está acontecendo?"

Aurora suspirou suavemente, então virou-se para Sam com um pouco de aborrecimento.

"Alice não te contou que eu costumo... me tornar outra pessoa quando bebo demais?"

"Outra pessoa?"

"Uma eu... sensível, frágil e infantil."

Aurora disse, suas bochechas visivelmente vermelhas, e essa expressão não era falsa.

Sam percebeu que ela não tinha uma segunda personalidade ou outro eu. Era apenas o lado sensível e vulnerável de Aurora que aparecia quando ela estava bêbada, o lado que precisava de companhia.

"Isso acontece com frequência quando você bebe?"

Sam perguntou com um sorriso.

Aurora fulminou Sam com o olhar.

"Eu nunca bebo demais com pessoas com quem não sou próxima, e raramente bebo com homens. Mesmo quando bebi com você e Alice, ou com você e Mia, não fiquei bêbada. Só desta vez..."

"Só desta vez? Por quê?"

"Como eu vou saber?" Aurora retrucou.

"Isso significa que sou alguém em quem você confia muito, Policial Aurora?"

Sam perguntou com um sorriso, tentando provocá-la.

Ele esperava que ela negasse prontamente.

Mas Aurora fez uma pausa, então perguntou a Sam de volta.

"Você fez tanto por mim, e não há nada que eu não goste em você, então você merece minha confiança."

"...Espere, Policial Aurora, você está me deixando confuso."

Sam já tinha encontrado muitas garotas teimosas.

Mesmo quando elas estavam dispostas, ainda diziam 'não' enquanto tiravam as roupas.

A resposta de Aurora foi tão... diferente, foi surpreendente.

Aurora deu um sorriso malicioso para ele.

"Você achou que eu ia corar e negar como as garotas que você conheceu?"

"Mas seu rosto está vermelho agora."

"Isso é porque está calor!"

Aurora disse, abanando o rosto com a mão.

Certo, talvez não fosse tão direta assim.

Será que esta mulher tem o dom de ser honesta em situações estranhas?

"Tudo bem, vou levar como um elogio."

"Claro que é um elogio. Eu confio em você. Não apenas porque você me ajudou com a Mia, mas também porque... eu sei que você é um homem com um forte senso de justiça e um coração gentil."

"E você ainda acha que eu sou um mulherengo?"

"Isso é contraditório?"

Sam não conseguiu argumentar contra isso.

Aurora apagou seu cigarro.

Ela se recostou na cabeceira, com as pernas dobradas na cama.

Ela olhou para Sam sentado na beira da cama, sentindo-se um pouco envergonhado.

"Antes, você me viu pagar um mico. Eu disse que não ficaria bêbada só com cerveja, mas fiquei."

"Está tudo bem. Você estava feliz e animada. Eu entendo. Pelo menos você foi racional e não me causou muitos problemas."

"Por que você é tão compreensivo?"

"O que mais? Devo pedir para você assumir a responsabilidade?"

Sam perguntou com uma risada.

Aurora franziu a testa desconfortavelmente.

"Aos seus olhos, eu pareço completamente desinteressante. É porque os homens não gostam de mulheres policiais? Ou você acha que sou durona demais para ser mulher?"

Sam balançou a cabeça.

"Você é muito atraente. Sua personalidade direta e sem pretensões é muito charmosa. Não tem nada a ver com ser durona."

"Você está me consolando?"

"Eu já fiz isso, Policial Aurora."

Enquanto ele dizia isso, seus olhos olharam para a xícara de café meio cheia.

Claramente, Sam estava pensando na imagem de colocar seu membro na boca de Aurora.

"Pah!"

Aurora deu um tapa na nuca de Sam.

"Tarado, você já viu e ainda está pensando nisso?"

Sam esfregou a nuca.

"Não posso pensar nisso? Eu cuidei de você sem nenhuma recompensa, e paguei o jantar. Não é um pouco injusto?"

Sam fingiu estar ofendido.

Aurora encarou Sam.

Sam olhou para Aurora inocentemente.

Aurora riu baixinho.

"Você quer uma recompensa?"

"Uma prova de gratidão seria bom. Afinal, eu sou apenas um estudante..."

Antes que Sam pudesse terminar a frase.

Aurora de repente estendeu a mão, segurando o rosto de Sam com as duas mãos.

Sem preliminares extras.

Sem preparação elaborada.

Ela simplesmente e diretamente, sob o brilho do abajur, segurou o rosto de Sam e... o beijou.

Quando a sensação úmida tocou seus lábios.

Sam sentiu-se um pouco atordoado.

Ela e Mia eram realmente irmãs.

Ambas gostavam de expressar gratidão de uma maneira tão tradicional.

Surpreendentemente.

O beijo dela era extremamente inexperiente.

Apenas pressionando seus lábios contra os dele, sem se mover.

Foi um pouco estranho, sem se mover nem se afastar.

O que ela estava tentando fazer?

Então Sam não pôde deixar de se mover um pouco.

E com esse único movimento.

Tornou-se imparável.

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