A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 372

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Até o ferro mais duro amolece às vezes.

Assim como até o homem mais honrado precisa de descanso e sono.

Pelo menos Sam dormiu excepcionalmente bem, e não importava o que a garota em seus braços estivesse murmurando sobre ele.

Espere.

Se ela ainda tinha energia para amaldiçoá-lo, isso foi, de fato, erro dele.

Mas enquanto o garoto deixava a casa de Angel com as costas particularmente eretas hoje, ele sentiu uma ponta de orgulho.

Afinal...

Após uma noite de loucura, uma certa garota cabeça-dura nem conseguia se levantar e teve que ligar para avisar que estava doente logo cedo.

Esse não é um momento que vale a pena celebrar?

A luz do sol hoje parecia ainda mais brilhante do que ontem.


Hoje era, sem dúvida, um dia especial para um garoto chamado Daniel.

Sentado na sala de aula, ele olhou para a janela.

Para a garota que parecia tão radiante sob a luz do sol.

Daniel não sabia quando notou essa garota chamada Isabella pela primeira vez. Talvez... tenha sido há muito tempo, afinal, ninguém nesta escola poderia ignorar a presença dela.

Daniel ainda se lembrava de sua primeira conversa com ela.

"Daniel, você não precisa assumir tudo sozinho. Eu não sou uma garota que não consegue fazer nada."

Isso foi durante um dos poucos eventos escolares em que participaram juntos. Daniel sentiu que, como garoto, ele deveria assumir mais trabalho.

Mas, inesperadamente, ela notou seus pensamentos e sorriu, dizendo aquelas palavras para ele.

O sorriso dela naquele dia ficou na memória de Daniel.

Embora ele não tivesse muitas oportunidades de conversar com ela ou se aproximar.

Contanto que ele pudesse ver o sorriso dela, parecia genuinamente fazê-lo se sentir bem.

Ele gostava dessa sensação, e sabia exatamente qual era o seu problema.

Não era nada além de conhecer alguém por quem ele não conseguia evitar se apaixonar nessa idade.

É normal, certo? Todos dizem que é normal, e seus amigos lhe disseram o mesmo.

"Daniel, gostar de uma garota é a coisa mais normal do mundo. Podemos gostar de qualquer pessoa porque gostar de alguém é um direito de todos. Mas... você deveria guardar esse sentimento lindo e agridoce no seu coração, ou dar a si mesmo um motivo para falar e não deixar arrependimentos..."

Essas palavras ecoaram em sua mente.

Se ele pudesse continuar evitando, Daniel não estaria tão conflituoso ou nervoso.

Ele poderia continuar fingindo que nada estava errado, continuar fingindo que era apenas como qualquer outro aluno da sala de aula, com um relacionamento simples e comum...

Mas.

O inverno tinha chegado, e as férias estavam se aproximando.

E... o próximo ano seria o último semestre deles.

Eles logo seguiriam caminhos diferentes, e se ele não dissesse algo agora, talvez nunca tivesse a chance. Se ele não dissesse algo, a coragem que ele tinha acumulado ao longo desses dias poderia desaparecer lentamente.

Então Daniel respirou fundo.

Ele pegou seu telefone e enviou uma mensagem para a garota.

[Isabella, posso falar com você depois da aula?]

Ele estava nervoso.

Depois de enviar a mensagem, ele viu a garota perto da janela olhar rapidamente para o telefone.

Então ela se virou, olhando para ele com certa surpresa.

Naquele momento, o coração de Daniel disparou.

Ele achava Isabella muito inteligente e uma garota com seu próprio jeito de viver, muito bonita.

Será que ela veria através dele? Se visse... o que aconteceria? Será que ela o rejeitaria imediatamente? Ou...

[Ok, eu entendo.]

Ela se virou de volta como se nada tivesse acontecido.

Daniel olhou para a mensagem, sentindo-se inquieto.

Ele sabia que as chances eram mínimas. Afinal, em toda a escola, ele era apenas um cara comum, altura média, aparência mediana, sem talentos especiais, apenas mais um NPC no jogo da vida.

Mas isso era a juventude.

Essa era uma juventude única, sem segunda chance.

Se uma pessoa não pudesse deixar algumas lembranças profundas em sua juventude, mesmo que fossem embaraçosas ou lamentáveis... isso não seria comum demais?

E se... só e se?

Com o coração nervoso, Daniel esperou atrás do prédio da escola após a aula, em um local tranquilo e deserto, para a garota chegar.

Ele ficou aliviado por Isabella não ter esquecido.

Mas ele não podia deixar de se sentir nervoso.

Ela era como a luz do sol que podia brilhar nas rachaduras de sua vida, alcançando a parte mais vulnerável de seu coração, caminhando em sua direção.

A expressão dela era tão gentil e elegante como sempre.

"Daniel, você me chamou aqui. Tem algo que você queira dizer?"

Ela perguntou com um sorriso.

Ao ver o sorriso dela, Daniel sentiu-se sem palavras.

Ele cerrou os punhos.

Ele sabia que não podia recuar agora. Ele sabia que devia reunir toda a sua coragem.

As pessoas costumam dizer que a juventude é agridoce, cheia de arrependimentos, mas também apaixonada.

Não por causa dos erros cometidos, da infantilidade, do quão risíveis ou lamentáveis foram. Mas porque todos sabem que, no futuro, talvez não haja outra chance de cometer erros, de correr riscos.

Daniel achou difícil sorrir normalmente. Ele sentiu que seu olhar o traiu.

Ele tentou sorrir.

"Isabella... eu quero saber... se..."

Se...

Ainda usando uma palavra tão covarde.

"Se eu gostar de você... eu tenho uma chance?"

Ao dizer isso sob o olhar límpido dela, Daniel sentiu toda a sua força se esvair.

Suas mãos e pés ficaram dormentes, seu cérebro parecia congestionado.

Ele sentiu que mal conseguia ficar de pé.

Ele estava atordoado.

Mas ele viu que a expressão de Isabella não mudou, ainda gentil e elegante, como se suas emoções não tivessem sido afetadas.

Então... ela já sabia?

Isabella olhou calmamente para o garoto à sua frente.

Não muito familiar, mas também não um estranho, um colega de classe.

Ela não precisou de muito tempo para pensar. Ela apenas escolheu suas palavras cuidadosamente.

"Daniel, eu lembro que você disse que seu objetivo é a Universidade Kuhang, certo?"

"...Você lembra?"

Daniel ficou surpreso por ela lembrar o que ele tinha dito na frente dela alguns dias atrás.

Mas por que ela lembrou? Não responder diretamente... ela queria que ele entrasse primeiro e então...

"Eu só lembrei. Tenho uma boa memória. Espero que você alcance seu objetivo. Estude bastante."

Então Isabella sorriu, suas palavras gentis.

Mas seu coração afundou.

Às vezes, não responder é a melhor resposta.

Todos sabem, quando você faz a pergunta mais direta para a pessoa que você mais quer perguntar, e ela não responde diretamente, isso significa algo.

É como enviar uma mensagem para alguém tarde da noite, e não receber resposta. Você deveria saber.

Não é que eles não viram, ou não responderam.

Não responder é uma resposta.

Mas... Daniel sentiu um pouco de relutância, ou melhor, ele precisava de uma resposta definitiva para aceitar.

"Então Isabella, você quer dizer..."

Isabella acenou gentilmente.

"Sim, sinto muito."

"...Ah, entendo. Tudo bem, eu sabia que não tinha muita esperança, mas não esperava que você realmente viesse..."

Daniel tentou sorrir através da amargura.

Ele sabia que devia parecer ridículo, como um palhaço.

Mas ele não queria que ela sentisse pena por rejeitá-lo.

Isabella apenas sorriu.

"Porque acho que é preciso muita coragem para fazer isso. Às vezes devemos respeitar a coragem dos outros. Então achei que uma resposta formal seria melhor."

Como poderia existir uma garota tão perfeita para ter uma queda como Isabella?

Daniel pensou.

As palavras dela não diminuíram sua amargura, mas... ela lhe deu dignidade.

Ela era realmente gentil.

Ela era verdadeiramente uma Mensageira Divina.

Mas infelizmente, ela era Isabella, e ele era apenas Daniel...

"Eu entendo. Obrigado, Isabella."

"Certo, então... adeus."

"Adeus..."

Observando-a se afastar, Daniel sentiu a pontada de arrependimento.

A pontada de desgosto.

É isso a juventude? Tem gosto de maçã verde mesmo.

Mas ela não tinha ido longe quando Daniel suspirou.

"Hmm? Sam!"

"Droga! Você me assustou... Sênior, por que você está se escondendo aqui? Tentando assustar as pessoas?"

"Hehe, não esperava por isso, né? Eu estava me escondendo para te pegar. Agora prepare-se para ser preso!"

"Não coloque suas mãos na gola de alguém no meio do inverno!"

"Não corra! Nada de correr!"

As figuras distantes.

As risadas distantes.

Parecia uma cena que Daniel tinha esperado, mas estava acontecendo com outra pessoa.

Sam...?

O nome parecia familiar. Daniel não o conhecia, mas aquele garoto parecia bonito... pelo menos mais adequado para aquela garota.

Mas a visão de Daniel embaçou.


"Sênior, você não estava esperando lá só por mim, estava?"

Sam notou algo, claro. Ele não era onisciente, mas ver um garoto limpando os olhos e saindo de fininho o fez pensar em algumas possibilidades.

Isabella parecia normal, andando ao lado de Sam, ainda doce e bonita.

"Júnior Sam, você espera que eu estivesse lá só por você?"

"Claro que não, mas por que a mudança na forma de se dirigir a mim de novo?"

Sam não sabia por que essa garota gostava de mudar como ela se dirigia a ele.

Às vezes era Sam, agora era Júnior Sam.

Isabella riu, sua risada no pôr do sol era uma bela lembrança.

Especialmente ver Isabella assim fez Sam pensar naquelas garotas não tão diretas.

Ser direta é uma qualidade rara.

"Júnior Sam, olhar para uma mulher enquanto pensa em outra é muito irritante, sabia?"

Isabella piscou para Sam.

Sam corou.

"De jeito nenhum... e pare de me chamar assim."

"Ok, Júnior Sam."

"...Você é demais."

"Júnior Sam, você já foi alvo de uma confissão de uma garota?"

Ela perguntou de repente.

"Então você foi alvo de uma confissão agora pouco?"

"É educado responder a uma pergunta com outra pergunta?"

"Oh... Eu já recebi cartas de confissão."

"Como você se sentiu?"

Isabella parecia curiosa.

Sam pensou por um momento.

"No começo, talvez um pouco convencido, pensando que devo ser muito charmoso, satisfazendo minha vaidade. Depois, não pareceu grande coisa."

"Não parece um fardo?"

"Deveria? Ser gostado... isso deveria ser um fardo? Elas não afetaram minha vida, elas apenas gostaram desse meu lado bonito e charmoso. O que há de errado nisso?"

"...Impressionante, Júnior."

"Eu sou gentil, né?"

"Você é muito descarado."

Sam revirou os olhos.

Isabella riu, andando alguns passos à frente, o vento frio soprando.

Ela suspirou.

"Parece que você não se importa muito comigo recebendo confissões."

"Por que eu deveria? Isso é problema seu."

Sam respondeu calmamente.

Isabella fez um biquinho levemente.

"E se um dia eu aceitar a confissão de alguém?"

"Então eu vou te parabenizar. O que mais tem para dizer?"

"Esquece, você é escorregadio. Falar com você não faz sentido. Você não tem mais nada para me perguntar?"

Isabella parecia ter desistido e mudou de assunto.

Sam balançou a cabeça.

"Não."

"Você não está curioso sobre o porquê de eu ter proposto aquela atividade de clube ontem?"

"Bem, um pouco curioso. Mas investigar tudo tira a graça."

"Você acha a proposta interessante, certo?"

"Acho que é um pouco exagerado, difícil de alcançar."

"Por quê?"

Sam e Isabella caminhavam na rua cada vez mais deserta fora da escola, folhas caídas cobrindo o chão.

"Porque fazê-los trocar presentes é difícil, e não acho que eles estejam genuinamente nesse nível de relacionamento... Se eles fizerem isso, provavelmente será resolvido com dinheiro. Quanto à satisfação, qual é o padrão? Nem você consegue definir."

Isabella sorriu.

Ela olhou para o sol poente.

"Sam... eu realmente não espero que isso tenha sucesso. Eu nem me importo se acontecer."

Sam virou-se para ela, confuso.

"Então qual é o objetivo?"

Isabella sorriu, como uma flor de café da montanha.

"Perseguir o sentido em tudo é chato, não é? E agora eu de repente acho que essa proposta pode ter sucesso."

"De onde você tira essa sensação? Leitura de mente?"

Sam não achava que funcionaria. Só fazer a Sophie dar um presente... parecia difícil.

Isabella colocou o dedo nos lábios, misteriosamente.

"Não é leitura de mente, é um segredo. Apenas espere para ver. Quer apostar?"

"...Apostar em quê?"

Sam semicerrou os olhos.

Isabella disse destemidamente.

"Quem perder realiza um desejo para o outro."

"Sem limites?"

Sam olhou para ela desconfiado.

Isabella sorriu, seus lábios como geleia tentadora.

"Vale tudo..."

Então não há razão para não concordar, certo?

Não.

Sam sentiu que ela estava deliberadamente fazendo-o pensar assim... por que parecia uma armadilha?

Mas se pudesse acontecer... não importaria se fosse uma armadilha.

Em outras palavras.

Essa aposta... Sam não perderia de qualquer maneira.

Mas é isso que torna estranho!

O que essa garota está pensando?

Ela estava parada ao vento, seu longo cabelo esvoaçante.

Como uma linda viajante errante.

Ela apareceria no mundo de qualquer pessoa por vários motivos, e onde quer que ela aparecesse, ela deixaria histórias especiais e interessantes...

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