A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 332

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Com respirações curtas, uma névoa branca saía de sua boca.

Sam olhou para a outra pessoa, achando suas palavras um tanto divertidas. Era como se ambos soubessem certas coisas, mas ainda assim dissessem palavras que fariam o outro duvidar.

Sam riu. Ele não achava bom se prolongar mais nesse assunto. Especialmente tópicos tão facilmente desviados não eram seu propósito para estar aqui.

— Você ainda não vai para casa, senpai? Minha tarefa é acompanhá-la até em casa.

Isabella olhou para Sam com curiosidade, piscando seus olhos vivos, porém às vezes melancólicos. — Você realmente quer que eu vá para casa?

Sam deu um sorriso irônico. — Vamos lá, senpai, pare de me provocar. Está tarde e você bebeu um pouco. Além de ir para casa, fazer qualquer outra coisa não seria seguro.

Isabella ponderou por um momento. — Mas correr para casa depois de beber parece ser um cachorrinho abandonado, não parece lamentável?

— Como poderia ser... Eu não estou aqui com você?

— Então somos dois!

— Senpai, eu não tenho esses fetiches.

— Hehe, brincadeirinha~ Que tal darmos uma volta? Talvez eu me sinta menos para baixo quando estiver um pouco mais sóbria, e ir para casa não pareça tão ruim.

— Claro, sem problemas.

Sam não tinha planos rigorosos para quando retornar esta noite, e ele não esperava que nada especial acontecesse com essa garota ao longo da noite. Mesmo que tivessem bebido um pouco, os impulsos não eram tão facilmente colocados em prática entre duas pessoas relativamente racionais. Além disso, era apenas uma caminhada.

Sam e ela caminharam pela rua, os postes de luz lançando longas sombras de ambos. O vento frio parecia levar embora os últimos vestígios de álcool, e Sam, que raramente se sentia bêbado, tornou-se ainda mais sóbrio, apenas observando a garota ao seu lado.

— Senpai, você não está com frio?

Isabella balançou a cabeça com um sorriso. — Estou bem, principalmente porque você não tem um casaco extra para me oferecer.

— Eh? Eu não disse que te daria meu casaco, disse?

Isabella riu. — Esse comportamento cavalheiresco não deveria ser esperado?

Sam riu: — Eu não sou um cavalheiro, apenas um estudante do ensino médio não muito atencioso.

Mas Isabella riu. — Isso não é verdade. Sam, você é o cara mais meticuloso, atencioso e gentil que já conheci.

Sam pensou por um momento: — Isso parece um pouco exagerado, não é? Mas isso não é um anime.

— É verdade. Há um parque à frente, quer dar uma olhada?

— Huh? É perto da sua casa?

— Você se lembra?

Isabella parecia surpresa. Esta parte do distrito da cidade, Kuhang, era relativamente segura e movimentada, adequada para jovens animados, embora não fosse barata. E como Isabella sempre voltava sozinha após suas despedidas, que eram sempre nas proximidades, não foi muito difícil de descobrir.

Sam assentiu. — Eu tenho uma impressão.

— De fato, mas não quero ir para casa ainda, então pensei em caminhar no parque. Se você não quiser, pode voltar primeiro, tudo bem.

Foi um recuo inteligente como um avanço. Sam percebeu sua tática imediatamente, especialmente quando a bela garota olhou para ele com seus olhos brilhantes.

Qualquer cara normal, ao ver tal olhar e ouvir tais palavras, dificilmente decidiria ir embora... isso significaria que ele não tinha interesse em garotas, especialmente não em uma que tornava difícil fantasiar sobre, mas você definitivamente não recusaria se aproximar um pouco, nem que fosse só um pouco.

— Viemos até aqui; um pouco mais não fará mal.

Isabella olhou para Sam com uma tristeza zombeteira. — Sam, você não sabe que fingir relutância pode deixar uma garota infeliz?

Sam piscou: — Eu sei, eu fiz de propósito.

— Eh? Por quê?

Enquanto caminhavam em direção ao parque, Sam explicou: — Não está na moda agora interagir com o sexo oposto dessa maneira? Não seja muito legal, ou seus limites serão infinitamente rebaixados na frente dessa pessoa, tornando difícil para você manter sua posição.

As árvores do parque eram exuberantes, os arbustos e as árvores altas agindo como barreiras naturais, não apenas bloqueando a poluição luminosa ao redor, mas também abafando o ruído das estradas.

Isabella riu: — Então Sam se importa com essas questões?

— Por que eu não me importaria? Interagir com as pessoas é uma arte.

— Isso parece um pouco calculado demais, não é? E se a garota que está falando com você não pensou tanto assim?

— Mas as pessoas tomam as coisas como garantidas; é instintivo, como salários. Como chefe, se você aumentar o salário de um funcionário em milhares, ele pode não sentir muito, mas se cortar algumas centenas, ele pode guardar ressentimento de você por muito tempo. Mesmo princípio.

— Parece que você tem uma visão bastante pessimista da natureza humana.

Isabella suspirou. Ela parou perto de um banco e sentou-se graciosamente. Sam pensou por um momento e sentou-se ao lado dela, mantendo alguma distância.

— Afinal, não tenho sua habilidade de ler mentes, caso contrário, não precisaria considerar essas coisas. A maioria das pessoas pensa nelas mais ou menos, certo?

— Você pode sentar um pouco mais perto? Está um pouco frio.

Ela olhou para Sam, que hesitou, mas moveu-se um pouco mais perto. O calor de seus corpos se aproximou, e Isabella era mais direta e ousada do que Sam esperava. Ela inclinou-se gentilmente em sua direção, quase descansando todo o corpo contra o braço dele, o contato repentino fazendo Sam hesitar.

— Senpai?

Nos relacionamentos entre homens e mulheres, sem contato físico, não há aceleração dos batimentos cardíacos, apenas palavras trocadas, como você pode transmitir aquele tremor que comove a alma?

Ele não sabia, talvez fosse possível, como em relacionamentos online ou à distância. Mas, muitas vezes, isso era mais provável.

Então ele estava cauteloso, ou melhor, inquieto.

Isabella continuou esse gesto, parecendo tratar este jovem como seu único apoio. Nesta noite sombria de inverno, embora o mundo não estivesse coberto de gelo e neve, não parecia particularmente quente também, exceto pelo braço deste jovem, que parecia especialmente confiável.

— Por que você acha que eu tenho essa habilidade, Sam?

Isabella de repente trouxe esse tópico. Sam pensou por um momento, balançou a cabeça e não mudou sua posição, deixando o calor dela encostar em seu braço, deixando o perfume de seu cabelo entrar em suas narinas.

— Eu não sei... Não poderia ter sido um desejo de Natal, poderia?

Ele de repente se lembrou de Alice.

Isabella riu. — Não seria isso, mas Sam, que tipo de pessoa você acha que eu sou?

— É difícil descrever, difícil julgar. Porque a senpai que eu me lembro parece ser qualquer tipo de pessoa, pode fazer qualquer coisa e se dar bem com qualquer pessoa diferente. Então parece que você é muito multifacetada.

— Você está dizendo que sou uma pessoa complexa, com esquemas pesados?

Isabella parecia um tanto insatisfeita.

Sam riu: — Talvez dizer que você é calculista não soe como um elogio, mas é sobre como fazer as pessoas se sentirem confortáveis com esse cálculo. Senpai, você conseguiu isso. Eu acho que você é inteligente, sabendo qual atitude usar com quem, o que fazer. Isso não pode ser considerado um comentário negativo, deveria ser um elogio.

Apesar de ter um auxílio tão poderoso como a leitura de mentes, deve-se dizer, suas reações eram suficientes, e o disfarce durou até agora.

Isabella suspirou. — Então você definitivamente não pensaria que tipo de pessoa eu era desde a infância até o ensino médio.

— ...Que tipo de pessoa?

— Aquela que não conseguia ler a atmosfera, não entendia as provocações sarcásticas dos outros e não era bem quista.

— Como pode ser...?

Sam não conseguia acreditar que Isabella já fora assim, mesmo apenas pela sua aparência, sem ler mentes, é difícil não se encaixar completamente no ambiente de alguém.

Mas Isabella riu e disse: — Meus pais são advogados, já tiveram alguma fama em casa. Mas eles lutaram um caso não muito glorioso. No geral, eles deixaram uma pessoa com um passado sombrio, envolvida em fraude e ameaças, escapar da punição legal. Então, desde a infância, as crianças próximas, colegas na escola me chamavam de filha do mentiroso, filha da pessoa má.

Sam ficou atordoado. — Esse tipo de coisa... Eu realmente não sei como comentar.

Isabella balançou a cabeça com um sorriso. — Tudo bem. Você sabe, às vezes como advogado, até pela sua própria reputação, pela sua posição na indústria, uma vez que você assumiu um cliente, você é responsável por ele. Contanto que não envolva falsificar evidências, você pode dizer que é inocente. Mas naquela época... realmente não era possível condenar.

— Mas só por causa de uma coisa dessas, não deveria ter te afetado por tanto tempo...

— Bem, então o maior problema era realmente comigo. Eu não sabia como interagir com as pessoas, meus pais estavam ocupados, e eu era cuidada por babás, apenas cuidados comuns, do tipo em que elas são pagas, fazem seu trabalho e batem o cartão. Os colegas dispostos a interagir comigo eram poucos, e eu tentava me encaixar em seus grupos, mas...

— Eles lançavam uma pergunta casualmente, e eu não sabia como responder. Às vezes eles estavam fazendo piadas, e eu não percebia que estavam zombando de mim, e eu ria tolamente, não sabendo que, aos olhos deles, eu era apenas um palhaço.

Sam achou difícil expressar. — Os professores não... te disseram nada?

— Não.

— Como pode ser?

— Provavelmente porque nossa professora também foi uma das vítimas da fraude. Lembro-me de que ela até me pediu especificamente para falar bem dela para meus pais, algo sobre... deveria defender a justiça, não apoiar o mal com fins lucrativos... mas eu não entendi nada.

Ela até olhou para Sam enquanto dizia isso.

Sam viu sua mágoa através de seu olhar brincalhão.

Sam suspirou. — Não é sua culpa, é normal não entender essas coisas na sua idade...

— Mas à medida que fui ficando mais velha, percebi cada vez mais que não tinha amigos verdadeiros, não conseguia realmente me encaixar em nenhum grupo e, até mesmo... qualquer esforço que fizesse para me encaixar falhava. Muitas pessoas diziam que era o castigo dos meus pais inteligentes demais, destinados a produzir uma criança sem coração.

— É muito duro dizer que você é sem coração.

— Mas era assim que eu era então... Então foi depois de entrar no ensino médio, deixei minha cidade natal para vir a Kuhang, querendo recomeçar. Foi então que desejei e esperei desesperadamente ser mais inteligente, entender melhor a atmosfera, entender o que os outros estavam pensando, talvez assim eu pudesse viver normalmente.

— Então foi por causa disso... você ganhou superpoderes?

Sam olhou para o belo perfil dela, incapaz de entender.

Ela assentiu. — Mais ou menos. Foi um dia, esqueço exatamente qual dia, eu estava na frente dos outros, e de repente ouvi as palavras não ditas de uma colega. Ela disse: Eh... essa garota é tão bonita, deve ser difícil de conviver, né? Se tivermos que conviver com uma garota dessas neste semestre, será estressante...

Eu não gosto de garotas bonitas do mesmo sexo. E então, naquele momento, comecei a entender como interagir com as pessoas.

Sam pensou por um momento. — Você acha que foi essa habilidade que salvou sua vida, não por causa de seu próprio crescimento e mudança?

Isabella balançou a cabeça: — Ainda deve ser por causa dessa habilidade, caso contrário os desvios teriam sido desencorajadores.

— Mas... por que não vejo muitos amigos ao seu redor agora, e sua maior reputação na escola é na verdade nas plataformas de mídia social... não deveria ser assim, certo?

Sam estava cético sobre as coisas que aconteciam com Isabella, não parecia tão perfeito quanto ela descrevia.

Isabella sorriu para Sam. — Quer saber mais agora?

— ...Não é o tópico certo? Sam ficou um tanto envergonhado com o olhar dela, tão próximo, tão familiarmente ambíguo, essa transmissão sem filtros.

Era difícil resistir àqueles olhos lacrimejantes.

Isabella moveu-se ainda mais para perto de Sam.

A distância entre eles parecia estar diminuindo infinitamente.

— Você não sabe, Sam... saber demais sobre uma pessoa é como caminhar para dentro de seu coração... Sam, você quer entrar no meu coração, ou quer invadi-lo?

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