A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 333

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Tum, tum, tum... Esse era o som do seu próprio coração batendo.

Sam sentia que, fundamentalmente, não era uma pessoa muito resoluta, e talvez não pudesse culpar inteiramente o chamado "valor do desejo".

Talvez fosse apenas sua natureza, incapaz de resistir ao fascínio da bela pessoa diante dele. Afinal, quem não anseia pela beleza? Como as estrelas espalhadas pelo céu, o oceano majestoso ou a garota encostada em seu ombro nesta noite de inverno.

Ele nunca a tinha sentido tão próxima antes. Parecia que todos os seus planos tinham dado errado, completamente alheios ao que ele havia organizado. Foi uma surpresa total, uma surpresa para a qual não estava preparado.

Só de pensar que esta garota podia ler mentes fazia Sam se sentir constrangido. Será que ela sabia tudo o que ele estava pensando agora? Não seria isso embaraçoso?

Se tais lutas internas fossem aparentes para ela, a ideia de viver com ela no futuro parecia torturante. Era como ser transparente, onde você não pode esconder seus pensamentos, e até mesmo um pouco de reclamação instintiva poderia causar atrito e mal-entendidos desnecessários.

Além disso, sua habilidade de ler mentes poderia nem mesmo ser ativa; poderia ser passiva, possivelmente sempre ouvindo...

Será que ela conseguiria dormir à noite se houvesse outra pessoa ao seu lado? Com todos aqueles pensamentos, todas aquelas vozes...

— Sam, você não precisa pensar tanto. Eu só ouço as coisas quando escolho ouvir; caso contrário, sou como qualquer outra pessoa.

— ...Então, o que você ouviu agora há pouco? — Sam perguntou, um tanto preocupado.

Se sua intensa atividade mental fosse totalmente transparente para ela, não seria embaraçoso demais?

Isabella fez um biquinho. — Você ainda não respondeu à minha pergunta. Não é costume responder antes de fazer outra?

Sam tocou a bochecha, impotente. — Bem, eu não pensei em complicar as coisas... e você é uma pessoa muito calma e racional, veterana, não é de fazer coisas tolas, então, por favor, pare de me provocar.

Sam não se comprometeu com nada; não havia necessidade. Além disso, ele não achava que Isabella estivesse tão interessada nele. Embora os homens muitas vezes sintam que são especiais para uma certa garota, muitas vezes... mesmo que sejam especiais, pode haver inúmeros outros.

Você não é o único.

Embora ele não achasse que Isabella fosse do tipo que brinca com sentimentos, sentia que ela poderia ser impulsiva às vezes e, além disso... ele não tinha feito nada de fato.

Isabella olhou para Sam, então a distância entre eles aumentou novamente. Ela sorriu. — Não estou bêbada, então não se preocupe comigo sendo impulsiva. Mas, honestamente, eu gosto muito de você, isso é verdade.

— Uh... As garotas de hoje em dia são tão diretas? Sem joguinhos? Sem chance de se fazer de bobo?

O que ele deveria dizer agora?

Sam estava perdido. Isso não era exatamente o seu forte.

Mas antes que Sam pudesse pensar em uma resposta, Isabella sorriu. — Mas parece que, de fato, tornei as coisas difíceis demais para você, Sam. Sua situação não é muito mais simples que a minha. Além disso, vou sair da escola na primavera, não seria justo continuar te incomodando.

De fato... na próxima primavera, Isabella escolheria um novo caminho na vida, deixando a escola para a universidade, entrando na sociedade ou talvez voltando ao seu antigo hobby de fazer cosplay.

Fosse o que fosse, era certo que ela desapareceria de sua vida por pelo menos um ano. Eles poderiam manter contato, mas não seria a mesma coisa que vê-la todos os dias.

Parecia um tanto melancólico, mas crescer significava vivenciar constantemente separações.

— Não precisa ser assim. Acho que você é uma ótima pessoa, veterana Isabella, uma das raras que me faz sentir confortável. Nunca me senti incomodado por você, e talvez sinta sua falta quando você sair da escola.

— Então, por que não me faz ficar?

— Como posso fazer você ficar? Fazendo você repetir de ano?

Não, eu só estava dizendo. Vendo sua expressão subitamente séria, Sam começou a suar frio.

Isabella riu alegremente. — Veja como você ficou com medo. Eu só queria vivenciar uma daquelas cenas de drama onde a protagonista decide ir embora de qualquer jeito, e o protagonista deve relutantemente fazê-la ficar.

Eu sou de fato o protagonista, mas será que eu realmente quero que você seja a protagonista?

Sam não pôde deixar de pensar.

Seu devaneio foi abruptamente interrompido.

— Bang!!

Um barulho alto e repentino irrompeu no parque silencioso. Era o som de uma garrafa de vidro sendo quebrada, muito perto.

Isabella deu um pulo, e Sam, assustado, olhou na direção do barulho.

Na área sombria onde não havia postes de luz, três figuras apareceram. Estruturas diferentes. O líder era enorme, quase confundível com um urso preto, embora não tão grande, mas ainda assim imponente.

Os dois ao lado dele também eram estranhos, vestindo jaquetas de couro, segurando garrafas de vinho enquanto se aproximavam do banco onde Sam e Isabella estavam sentados.

Isabella imediatamente teve um mau pressentimento. Ela cerrou os dentes. — Eles não parecem ser boas pessoas...

— Está tudo bem.

Sam a tranquilizou, levantando-se e posicionando-se na frente de Isabella, de frente para os três homens que agora estavam próximos.

Eles eram apenas jovens na casa dos vinte anos, vestidos de maneira chamativa, com as mangas arregaçadas apesar do frio, exibindo tatuagens nos braços.

— Olha só o que temos aqui, um casal se divertindo no parque tarde da noite, haha.

O líder corpulento riu exageradamente, balançando uma garrafa de vinho meio cheia como se o gesto sozinho fosse o suficiente para intimidar a maioria das pessoas.

O de brincos riu ainda mais alto, olhando para Sam. — Olha só esse garoto, ainda é estudante, hein?

O mais baixo acrescentou: — O que ele pode fazer? Estudantes não têm dinheiro para hotéis, certo? Eles apenas encontram lugares como este. Imagino se eles sentem frio quando fazem amor.

O líder riu ainda mais forte: — Com certeza congelando...

Sam olhou para trás, para Isabella, que havia se levantado, tremendo de raiva, com os punhos cerrados.

— Do que vocês estão falando? Bando de escória... Vão embora agora, ou vou chamar a polícia por assédio.

— Chamar a polícia? Hahaha! Se você conseguir fazer essa ligação na nossa frente, eu como a merda de cachorro na grama!

O sorriso do líder transformou-se em uma ameaça, seu rosto ficou ameaçador enquanto ele levantava levemente a garrafa de vinho.

Sam os encarou. — O que vocês vieram fazer aqui? Isto é Kuhang.

Embora ele tenha dito isso, Sam sabia que este distrito movimentado não era seguro à noite, uma mistura complexa de forças sombrias. Quanto mais próspera a área, mais caos ela gerava.

— Ei, você ousa nos ameaçar? Quer que eu te ensine o que é uma gangue? Você tem sorte de sermos nós. Se fosse outra pessoa... hehehe.

Sam revirou os olhos, ainda protegendo Isabella, até mesmo estendendo a mão para evitar qualquer contato possível com os três homens. Ele temia que ela pudesse fazer algo tolo impulsivamente, como em programas de TV ou filmes.

— Então, o que acontece se esbarrarmos com vocês? — Sam estava ficando impaciente.

O jovem ameaçador sorriu, estreitando os olhos para Sam. — Simples, este parque... é o nosso território, entendeu? Estamos um pouco sem dinheiro ultimamente, vocês parecem bem vestidos, especialmente sua namoradinha... não seria pedir muito um empréstimo, certo?

Ele disse "empréstimo", mas o significado em seus olhos, e a maneira como seus companheiros se aproximaram, agarrando suas garrafas de vinho, estava claro.

Sam riu deles. — Já que vocês sabem que somos estudantes, como podem pensar que temos dinheiro?

O olhar feroz do jovem oscilou, e ele se virou para seus companheiros. — Ele diz que não tem dinheiro, isso é um problema.

Claramente, eles eram bem coordenados, embora, aos seus próprios olhos, fossem uma equipe de ouro.

— É, mas mano velho, apenas ir embora seria muito embaraçoso, certo? Se não conseguirmos dinheiro... que tal levar alguém?

O jovem corpulento assentiu sabiamente. — Você tem razão, vamos fazer isso!

Com isso, ele escolheu o que pensou ser um momento perfeito, imaginando-o como uma cena de filme de gângster, e desferiu um chute em Sam.

Ele pensou que seu chute poderoso mandaria o jovem voando vários metros, ofegando por ar no chão.

Então eles poderiam violentar a bela garota na frente do namorado dela.

Este chute... deveria ser o início da diversão deles, sem dúvida, ele já estava saboreando isso.

Mas... a sensação satisfatória de chutar seu oponente para longe não aconteceu.

Foi como estar constipado no banheiro, abruptamente interrompido.

O homem ficou atordoado ao descobrir que seu chute supostamente desprotegido foi capturado pela mão de Sam, que agarrou seu tornozelo, parando-o em seus rastros.

Assim que ele estava prestes a repreender o jovem por ousar revidar...

— Bang!!

O punho de Sam encontrou seu rosto.

O supostamente forte jovem viu estrelas de perto pela primeira vez nesta cidade movimentada.

Atrás dele, Isabella estava prestes a avisar Sam para ter cuidado, mas sua boca se fechou tão rapidamente quanto havia se aberto.

Eh... o que ela ia dizer mesmo?

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