A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 249

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Sophie nunca imaginou que um dia o ronco de um ônibus pareceria tão ensurdecedor.

Era como se o mundo inteiro estivesse ressoando com um barulho estrondoso.

Parecia que não era apenas o ônibus que zumbia, mas também seu coração, batendo furiosamente naquele instante.

Ela não sentia vontade de chorar, nem achava que a declaração fosse de tamanha importância.

Era apenas que ela não esperava que Sam dissesse algo assim de repente.

Seu silêncio parecia ser sua resposta na época, mas... o que o silêncio significava? Era rejeição ou consentimento tácito?

Ou era apenas um momento de não saber como reagir, uma sensação de estar perdida?

As sobrancelhas de Sophie se franziram levemente. "É melhor você cuidar de si mesmo primeiro. Eu odeio quando as pessoas falam da boca para fora."

Embora ela dissesse isso, o que ela realmente temia mais era a promessa que não poderia ser cumprida.

Algumas coisas são etéreas demais.

Talvez não seja que a pessoa queira mentir, mas sim que ela não percebe o quão frágeis as grandes declarações e o desejo de cumpri-las podem parecer diante do destino.

Como uma represa que parece robusta, uma única inundação é suficiente para levá-la embora completamente.

Talvez ninguém queira falar da boca para fora; quando as promessas são feitas, elas são sinceras. Mas a impotência que vem depois também é real.

Ninguém pode ser culpado, mas todos podem ficar desapontados.

Sam apenas ficou lá, sorrindo. "Eu estava só brincando com você."

Isso só aumentou a insatisfação de Sophie. "Sam, você acha que tudo é uma piada?"

Ela realmente não gostava da atitude leviana de Sam; isso tornava difícil para ela confiar nele.

Ainda assim, Sam disse com um sorriso,

"Bem, não é assim que funciona? Mas a premissa de uma piada é que é de fato algo que eu quero fazer. No entanto, se a outra pessoa não aceita, para evitar o constrangimento e salvar a face, digo que foi uma piada. Essa é a coisa sobre a maioria das verdades sinceras — elas são frequentemente ditas em tom de brincadeira."

"Chato. Você é doente."

Sophie virou o rosto.

Seu ombro descansava contra a janela, inclinada como a Torre de Pisa.

Sam ainda usava aquele sorriso brincalhão e provocador.

"Você sabe que sou doente e ainda assim não me valoriza? Afinal, caras bonitos como eu, que são ao mesmo tempo doentes e bonitos, são bastante raros hoje em dia."

"Você pode não ser tão narcisista?"

Sophie quase explodiu em risadas.

Esse 'babaca' era tão irritante.

Ele sempre a fazia sentir vontade de rir quando ela menos queria, especialmente no ônibus vazio, que parecia seu próprio mundo particular.

Cada palavra que ele dizia era como uma bala, inevitável, perfurando seus ouvidos.

Sam começou a rir. "Não foi isso que aprendi com você? Só você tem permissão para ser narcisista?"

"Eu não sou narcisista, é uma compreensão e avaliação claras de mim mesma," declarou Sophie, como se ela realmente acreditasse nisso.

Sam se virou para olhar para Sophie.

"Sério? As pessoas podem realmente ter uma compreensão clara de si mesmas? Você realizou tudo o que acha que pode fazer? Ou você acredita que as coisas sob seu controle nunca têm a possibilidade de erro de cálculo?"

"Isso não é um ângulo um pouco complicado? Sam, você veio aqui hoje só para arrumar briga?"

Sophie parecia ter chegado ao seu limite com as perguntas estranhas e excessivamente afiadas de Sam hoje.

Sam, no entanto, soltou um longo suspiro. "Por que eu arrumaria briga... Percebi que a colega Sophie é realmente bastante maldosa."

"Como eu sou maldosa?"

"Quando você não consegue responder algo, você encontra defeito na pessoa que fez a pergunta, como se a incapacidade de responder fosse porque a pergunta não é boa o suficiente."

Ouvindo as palavras um tanto ofendidas de Sam, Sophie não pôde deixar de rir, finalmente incapaz de segurar.

"Porque é simplesmente assim. Eu só respondo perguntas que sei, e se eu não quiser responder ou não puder responder, a culpa é claramente da pergunta. Como eu poderia saber as respostas para tudo?"

"Então é aí que reside a maldade, não é? A verdadeira razão é você, então como isso se tornou meu problema?"

Sophie estava quase tonta com a conversa.

Então ela não pôde deixar de virar o rosto e olhar ferozmente para Sam.

"Você terminou? Estamos prestes a chegar à nossa parada."

O ônibus chegou ao ponto na hora certa.

Eles desceram.

As ruas familiares.

As estradas um tanto vazias e limpas pareciam desprovidas de pedestres.

Árvores altas brotavam de trás dos muros, protegendo a luz do sol que enfraquecia gradualmente.

O pôr do sol de outono, o crepúsculo persistente.

Até a brisa que passava carregava um gosto de uma desolação indescritível.

"Mal posso acreditar que já é pleno outono, parece que os eventos do verão ainda estão frescos na minha mente."

Sam olhou para as folhas que não estavam mais verde-esmeralda, mas tingidas de um amarelo óbvio, tremendo à beira de cair dos galhos.

Sophie manteve os olhos para frente, aparentemente desinteressada na tal paisagem durante a jornada. "Não é nada especial, as estações mudam o tempo todo, não é como se não fosse haver outro verão."

Sam riu. "Mas cada verão é único, e ambos sabemos que o mesmo verão nunca voltará."

De fato.

Mesmo que haja a mesma temperatura, o mesmo sol e até o mesmo estilo de vida e ambiente.

Os momentos exatos nunca se repetirão, nem os sentimentos daquela época.

Sophie bufou suavemente. "Eu prefiro você quando é despreocupado e leve; eu realmente não gosto desse seu lado."

Sam piscou. "Legal, então tem outro lado meu que você gosta?"

Sophie baixou a cabeça timidamente.

Naquele momento, o sorriso de Sam brilhou intensamente.

"Você quer uma Coca?"

"Hã?"

Que raios.

Essa foi uma mudança repentina de assunto.

"Não quer?"

Sam de repente parou de andar, virou-se e ficou na frente de Sophie.

"Eu vou querer uma."

Havia uma loja de conveniência por perto... sim, o lugar onde Sam trabalhava.

Mas hoje não era o turno dele. A Sra. Margaret estava de plantão.

Sophie não entrou na loja de conveniência, mas ficou do lado de fora, aparentemente para evitar criar qualquer conexão especial com Sam aos olhos dos outros.

Era um pouco como tentar esconder algo que não pode ser realmente escondido.

"Sam, aquela é sua namorada lá fora? Ela é muito bonita."

Sam sorriu e balançou a cabeça. "Não no momento."

"Não no momento?" A Sra. Margaret fez uma pausa, então não pôde deixar de cobrir a boca enquanto ria. "É assim que vocês, jovens, são hoje em dia?"

Sam explicou.

"Sra. Margaret, estou apenas sendo realista. Afinal, quem sabe o que o futuro reserva, certo? Não é um sinal de maturidade evitar razoavelmente fazer suposições sobre coisas incertas?"

A Sra. Margaret riu cordialmente.

"Isso soa legal, mas sou velha demais para entender tudo isso. No entanto, vi aquela garota algumas vezes, sempre comprando sozinha."

"Isso não é bem normal?"

Sam perguntou, confuso.

A Sra. Margaret olhou para a garota lá fora, que parecia desinteressada no que estava acontecendo dentro, mas ocasionalmente roubava olhares na direção deles.

"Aquela garota é alguém por quem você não pode deixar de sentir algo. Ela sempre age como se não precisasse de ajuda, mas não é óbvio que ela está apenas fingindo ser corajosa? Eu sei que você é um jovem de bom coração, Sam, mas às vezes até as pessoas mais gentis podem machucar as outras sem perceber. E algumas coisas, uma vez feridas, são difíceis de curar. Essa culpa que você sente depois do fato também é difícil de compensar."

Sam olhou para a mulher à sua frente com certa surpresa.

"Eu nunca teria adivinhado, Sra. Margaret, que você tinha um lado tão filosófico."

A Sra. Margaret explodiu em risadas.

"O que eu sei sobre filosofia? Isso é apenas a vida. Afinal, quanto mais você vive, mais você experimenta e, naturalmente, mais arrependimentos você acumula, certo?"

"Obrigado, Sra. Margaret~"

"Muito bem, vá embora agora, adeus Sam."

"Adeus, Sra. Margaret."

Com duas garrafas de Coca na mão, Sam entregou uma para a garota lá fora.

Então eles continuaram caminhando pela estrada, como se embarcassem na missão principal novamente. A conversa de agora foi um mero interlúdio, ou talvez uma missão secundária.

"Comprando apenas uma Coca, por que você demorou tanto?"

Sophie desrosqueou a tampa sozinha, não precisando que Sam mostrasse sua força ou cavalheirismo neste momento.

Claro, mesmo que ela não pudesse abrir, ela não precisaria da ajuda de ninguém.

Sempre há uma maneira de resolver problemas, e ela está acostumada a não buscar ajuda de outros no momento em que encontra um.

Sam já tinha aberto sua garrafa e tomou um grande gole de Coca. "Eu trabalho lá, então apenas conversei com alguns dos funcionários que conheço."

Sophie também deu um gole leve em sua Coca. "O que demorou tanto para conversar?"

Sua expressão era indiferente, mas Sam podia jurar que viu suas orelhas levantarem.

"Você estava curiosa sobre isso desde o início, não estava?"

Sophie, pega de surpresa, olhou furiosamente para Sam. "Como eu deveria saber se você estava discutindo sobre mim ou não? Eu nem posso perguntar?"

Sam piscou.

"E você diz que não é narcisista? Como você poderia pensar que era sobre você?"

"Vá se ferrar, você que é o narcisista."

Ela bufou e agarrou sua Coca, acelerando o passo.

Sam a seguiu por trás e não pôde deixar de dizer: "Diminua a velocidade, mais rápido e você chegará em casa."

Sophie virou-se para olhar para Sam. "Esta estrada leva para casa de qualquer maneira."

Sam espalhou as mãos, parecendo impotente. "Uma jornada não é sobre mais do que apenas o destino? E a paisagem ao longo do caminho?"

Sophie estreitou os olhos, olhando para Sam que havia parado no caminho, como se ele estivesse tão perto e, no entanto, tão longe. "Você é parte da paisagem ao longo do meu caminho?"

Sam balançou a cabeça com um sorriso, aproximou-se e ficou ao lado dela.

"Talvez eu seja, na verdade, seu destino."

"..."

A brisa que passava agitou as folhas caídas no chão.

Elas flutuavam, giravam no ar, rodopiando.

Também levantou as pontas do cabelo de Sophie.

Um olhar fugaz de surpresa transformou-se em um rubor em suas bochechas, como tinta vermelha caindo em águas paradas, ondulando a superfície.

Suas pupilas se contraíram, depois relaxaram rapidamente.

Então ela deu um chute em Sam. "Pare de usar esses truques de mulherengo comigo!"

Sam sentiu-se divertido e exasperado. "Você está ficando encabulada?"

"Quem está encabulada? Eu só não gosto de ouvir esse tipo de conversa, só isso."

Ela se afastou depois de falar, mas desta vez seus passos eram visivelmente mais lentos.

Era mais um passeio do que uma caminhada para casa.

Sam esfregou a panturrilha, que não doía de verdade, e caminhou ao lado da garota.

Olhando para a rua deserta, o chão limpo, ele arriscou uma pergunta. "Você acha que há alguma chance de você e Angel se tornarem amigas?"

Parecia uma pergunta caprichosa de Sam, mas Sophie respondeu quase imediata e rapidamente sem pensar duas vezes.

"Impossível. Mesmo que o mundo estivesse acabando, não poderíamos ser amigas."

"Por que não? Você pode ser amiga de mim."

Sam lembrou-se do primeiro encontro deles; parecia improvável na época que eles se tornariam amigos. Afinal, ela parecia detestar tudo, incluindo garotos com o tipo de personalidade de Sam.

Sophie bufou.

"Isso foi apenas sorte sua. Quanto a ela... nossas origens, criações diferentes, formas de fazer as coisas e valores divergentes, tudo garante que não podemos ser amigas."

"Você não acha que um relacionamento assim entre vocês duas é problemático na escola? Se houver uma chance de se tornarem amigas, ficaria feliz em ajudar vocês duas, e isso poderia resolver a maioria dos conflitos e problemas entre vocês."

Sophie soltou uma risada fria e zombeteira.

"Por que você é sempre tão ingenuamente irrealista? Sam... você acha que leões e guepardos compartilham o mesmo território?"

"Leões e guepardos? Não seriam leões e gazelas?"

"Você é a gazela!"

Claramente, Sophie não queria ser vista como a parte mais fraca, nem admitiria tal fato.

Eles estavam quase na entrada do condomínio de apartamentos de Sophie.

Não importa quão lentamente você percorra esta estrada, você eventualmente verá o fim.

Sam falou com um toque de emoção. "Nesse caso, parece que ainda tenho um longo caminho a percorrer."

Sophie não pôde deixar de franzir a testa e perguntar. "Você realmente quer realizar essa tarefa irrealista?"

Sam assentiu, não escondendo suas intenções.

"Embora a juventude seja cheia de problemas, ainda espero que todos possam florescer como flores, não travar guerras. Conflito e discórdia são elementos de drama, mas para mim, isso é a vida. Eu quero paz e beleza."

Sophie ficou em silêncio por um momento, então virou o rosto para olhar na direção da porta de seu apartamento.

Neste momento de despedida, pouco antes de dar aquele passo, ela olhou para Sam.

"Faça o que quiser, não vou cooperar com você, mas também não posso impedi-lo."

"O que você quer dizer?" Sam perguntou curiosamente, olhando para ela.

O que sua declaração ambígua significava?

Ela estava dizendo que não rejeitaria os esforços de Sam, ou que era indiferente a eles?

O rosto de Sophie corou levemente enquanto ela murmurava: "Idiota."

Então ela deu um passo à frente. Em direção ao seu apartamento.

Sam respirou fundo e acenou com a mão.

"Vejo você amanhã, Sophie."

Sophie olhou para trás para Sam.

Então ela acelerou o passo, logo chegando à porta, como se fosse desaparecer da vista de Sam no momento seguinte.

O que era esse sentimento?

Parecia perda.

Observando a porta prestes a fechar, o olhar de Sam caiu levemente.

Então, ele estendeu a mão e parou a porta que Sophie estava prestes a fechar.

Sophie, pega de surpresa, olhou para Sam que tinha impedido a porta de fechar.

Ela encarou seu rosto sorridente com espanto. "O que você está fazendo?!"

Sam deu de ombros e então deu um passo para dentro.

Não apenas empurrando Sophie de lado, mas também abrindo caminho.

"Acabei de lembrar, comer sozinho é chato, e já que você não está ocupada, vamos jantar juntos?"

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