
Capítulo 238
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
As habilidades artísticas de Angel estavam longe de ser medíocres.
Seria um preconceito presumir que, como herdeira, ela não tivesse talentos além de sua riqueza.
Pelo contrário, com recursos amplos e tempo à disposição, Angel tinha a liberdade de explorar muitas coisas e cultivar seus interesses nas melhores condições.
Assim, suas habilidades em pintura e escultura eram, na visão de Sam, verdadeiramente impressionantes.
Portanto, se ela quisesse, poderia facilmente deixar claro o que estava retratando em sua obra.
Quanto mais Sam olhava para as figuras no papel, mais forte se tornava sua sensação de déjà vu, e ele teve que admitir que provavelmente representavam ele mesmo e Sophie.
Qual seria, então, o motivo de Angel para esse desenho? Seria uma cena de um sonho, ou talvez... um simples aviso?
A imagem era assustadora.
Angel observava Sam com um sorriso, como se examinasse suas expressões faciais enquanto esperava por algum tipo de reação chocada.
A expressão de Sam permaneceu composta, embora sua mente estivesse em turbulência.
"O que achou?", perguntou Angel.
Sam olhou calmamente para Angel, conseguindo até mesmo um sorriso.
"É bom, mas é um pouco trágico demais para o meu gosto. Não sou fã de tramas tão tortuosas. Não gosto de ver os protagonistas sofrerem."
Angel pousou a caneta. "É mesmo? O que você gosta, então?"
Sam pensou por um momento.
"Vida cotidiana simples, eu acho. Acho que a vida diária é o verdadeiro teste de habilidade. Assim como nossas vidas, porque coisas inesperadas acontecem, algumas emoções e reviravoltas são bem normais. Mas viver um dia comum bem, continuar uma vida pacífica, doce e calorosa, esse é o verdadeiro desafio."
Observando o sorriso encantador de Sam, Angel levantou-se lentamente.
Suas meias pretas, adornadas com letras, revelavam sutilmente o tom de pele por baixo. As proporções eram perfeitas, e as pernas ainda mais, especialmente com as botas Docs que aumentavam significativamente sua altura.
Seu porte nobre e imponente tornou-se ainda mais pronunciado, como se seu simples silêncio pudesse exercer uma pressão poderosa.
"Quando elas chegam?", em vez de responder aos comentários anteriores de Sam, Angel mudou casualmente de assunto.
Sam pensou por um momento antes de responder.
"Ainda é cedo, nem meio-dia ainda. Elas devem chegar por volta de uma ou duas horas."
Angel assentiu, então olhou curiosa para Sam. "Você não lembrou a alguém que talvez fosse melhor não vir?"
Sam imediatamente arregalou os olhos, fingindo surpresa.
"Como eu poderia? Por que eu faria uma coisa dessas? Este lugar não é perigoso."
O sorriso de Angel tornou-se ainda mais brilhante.
"Você é um bom garoto. Mas eu realmente admiro a coragem dela."
Depois de dizer isso, Angel virou-se com um sorriso inescrutável e caminhou em direção à porta do estúdio.
"O que você está fazendo agora?", perguntou Sam, observando sua figura se afastar.
Angel abriu a porta do estúdio, e a luz do sol derramou-se sobre ela.
Ela parecia brilhar na luz, e Sam sinceramente esperava que sua personalidade pudesse ser tão bela quanto aquela cena.
Mas isso parecia uma esperança antiga.
"Vou preparar o almoço; elas chegarão em breve."
Sam foi pego de surpresa. "O que você quer dizer?"
Angel sorriu.
"Eu já disse a elas para virem almoçar aqui em casa. Você que vai preparar."
"Eu?"
Esta era claramente a casa de Angel, mas esperava-se que Sam cozinhasse?
Seria porque ela realmente gostou do churrasco que ele fez da última vez, ou havia outro motivo?
Sam estava um tanto intrigado com suas intenções.
"Certo."
Quando os dois saíram do estúdio e foram para o corredor, Angel falou de repente.
"O que houve?", Sam virou a cabeça para ver Angel olhando para frente com uma expressão inexpressiva.
"Você sabe o que significa uma 'refeição de decapitação'?"
"...Refeição de decapitação?" Os olhos de Sam tremeram levemente enquanto ele olhava para ela.
Angel explodiu em um sorriso radiante, como se o mundo inteiro florescesse em brilho por causa disso. "Não sei o que significa, só estou perguntando."
"Certo, é melhor você realmente não saber."
A cozinha de Angel era espaçosa, equipada com todo tipo de utensílio.
Seja um fogão a carvão, uma churrasqueira ou um forno, tudo o que era necessário para criar vários estilos de pratos estava disponível. Para um chef, isso poderia ser o paraíso, sem mencionar a variedade de ingredientes, desde vários peixes frescos a camarões e caranguejos, até vegetais e carnes frescas.
Parecia que tudo estava disponível, o suficiente para um chef habilidoso mostrar totalmente seus talentos...
Espere um minuto. Sam não era um chef, então por que a empolgação?
"Não seria um pouco cansativo sozinho, você precisa de ajuda?", perguntou Angel, demonstrando uma rara preocupação.
Sam balançou a cabeça e verificou a hora.
"Ainda faltam cerca de duas horas para o meio-dia, isso é suficiente. Deixe comigo, você pode descansar um pouco. Pode haver muita fumaça mais tarde, não quero que você saia defumada."
Angel franziu a testa. "O que você está planejando cozinhar que vai criar fumaça?"
Sam sorriu misteriosamente. "Não teria graça se eu te contasse agora, fique tranquila, não vou te decepcionar."
Angel inclinou a cabeça levemente.
"Vou descansar então, me chame quando terminar. Só não me decepcione, eu realmente odeio ser decepcionada."
"Vá em frente, então."
Angel saiu.
O sorriso de Sam desapareceu. Tudo parecia normal até agora, mas quanto mais parecia, mais incomum Sam achava que era.
A garota prestes a chegar não era alguém que ela estivesse ansiosa para ver. Como ela poderia estar tão calma?
Sam balançou a cabeça e arregaçou as mangas.
Foque na tarefa em mãos primeiro!
"É aqui?"
"Sim, o endereço está correto, é bem aqui. Veja, está escrito na placa da porta."
"Uau, é tão luxuoso... Então é aqui que a Angel mora."
Isabella, vestindo uma jaqueta de beisebol vermelha e branca com uma camiseta branca por baixo e um boné de beisebol, exalava uma beleza vibrante e juvenil. Ela olhou para o vasto pátio à sua frente e não pôde deixar de expressar seu espanto.
Ao lado dela estava outra garota que viera junto. Ela possuía um charme extraordinário, embora seu comportamento fosse bem oposto.
Ela usava uma camisa branca simples com uma jaqueta acadêmica escura de estilo britânico por cima, e meias pretas até os joelhos apareciam por baixo de sua saia plissada. Sua aparência geral exalava uma aura particularmente distante.
Seu cabelo longo e liso emoldurava suas orelhas, e sua franja estava levemente bagunçada pelo vento. Seu rosto delicado não trazia nenhuma emoção particular, tão frio e indiferente como sempre.
"Pessoas com dinheiro moram aqui, nada de estranho nisso", observou Sophie.
Isabella olhou para a garota ao seu lado e sorriu.
"Sam já deve estar aqui. Devemos contatá-lo primeiro ou apenas bater na porta?"
Sophie caminhou para frente com decisão. "Não precisa contatá-lo, apenas bata."
Depois de tocar a campainha, ela notou Isabella olhando para ela curiosamente. "Por que você está me encarando desse jeito?"
Isabella balançou a cabeça com um sorriso.
"Nada, só percebi de repente que você está com bastante iniciativa hoje. Parece que você está realmente animada."
Sophie revirou os olhos. "Não sei do que você está falando."
"Sério? Bancar a boba não cai bem para uma garota legal."
"Eu não tenho necessidade de bancar a boba..."
"Bang."
Enquanto conversavam, a porta se abriu.
Surpreendentemente, não foi um servo ou Angel quem atendeu a porta.
Em vez disso, foi o belo Sam, com um sorriso radiante no rosto.
"Eh? Por que é você?", perguntou Isabella curiosa.
Sam respondeu com um sorriso, "Eu acabei de ouvir a campainha e pensei que deveriam ser vocês, então vim abrir a porta."
"É mesmo... Com o que você estava ocupado agora?", perguntou Isabella, sua curiosidade despertada.
Enquanto isso, Sophie parecia ter sentido um cheiro e franziu a testa levemente. "Você estava cozinhando agora?"
Sam olhou para Sophie surpreso. "Como você sabia?"
Sophie respondeu irritada, "O cheiro de óleo de cozinha em você é tão óbvio, é difícil não notar."
Sam cheirou seu braço. "Sério? Acabei de lavar as mãos, deve ser que o nariz da Sophie é sensível demais."
"Você está dizendo que sou um cachorro?"
"Claro que não! Eu não disse isso."
"Você..."
Isabella parou de repente, e tanto Sam quanto Sophie se viraram para olhá-la. Ela olhou para o céu claro. "Estamos prestes a encontrar a Angel, tudo bem vocês dois ficarem flertando assim?"
"Quem está flertando! Ele, sério?", Sophie virou o rosto para o outro lado.
Sam apenas sorriu. "Isabella, você ainda adora brincar. Vamos entrar, é bem a hora do almoço."
Sophie caminhou atrás, observando Sam se mover pelo lugar com facilidade, quase como se ele fosse o dono da casa. Seus olhos se estreitaram levemente. Embora não tenha dito nada, sua expressão estava claramente pouco divertida.
Enquanto Sam os levava até a porta da sala de jantar, eles já podiam sentir o aroma atraente emanando de dentro.
Era uma fragrância única, não do tipo a que estavam acostumados, sugerindo que não era uma culinária que encontravam com frequência. No entanto, havia uma qualidade estranhamente familiar nela, difícil de descrever.
"O que o Sam fez? Cheira maravilhosamente bem", comentou Isabella.
Com um sorriso, Sam abriu a porta e disse, "Cheira bem, mas o sabor é ainda melhor. Podem entrar."
Assim que a porta se abriu, as duas garotas entraram e notaram imediatamente a Herdeira já sentada na sala de jantar.
Seu porte nobre era inconfundível, e até seu sorriso transmitia uma sensação de superioridade.
Angel sentou-se no assento que simbolizava a anfitriã, sorrindo para as duas recém-chegadas. "Bem-vindas à minha casa. Minha mãe e minha irmã tiveram que sair inesperadamente, então serei eu quem as recepcionará. Por favor, sentem-se e desfrutem da refeição."
Esta parecia ser sua cortesia padrão—graciosa e apropriada, mas de alguma forma, não parecia inteiramente respeitosa, mas sim... cheia de pressão.
Especialmente aquele sorriso em seus olhos, parecia trazer uma pressão tácita por si só. Sophie sentiu isso mais intensamente, particularmente durante aquele breve momento de contato visual.
No entanto, ela não disse nada fora do comum e calmamente encontrou um assento para se sentar.
Isabella, aparentemente não afetada por qualquer atmosfera em particular, manteve seu comportamento usual. "Uau! É comida chinesa! Eu não como comida chinesa há tanto tempo. A última vez foi no ensino fundamental quando visitei um amigo do meu pai..."
Isabella sentou-se ao lado de Sophie, e naturalmente, Sam ocupou seu lugar ao lado de Angel. Ele apresentou a refeição com um sorriso, "Aprendi a fazer esses pratos através de vídeos, então eles podem não ser completamente autênticos, mas devem estar muito bons. Ah, e... é um pouco apimentado, então não comam muito rápido."
Isabella, incapaz de esperar, pegou seus utensílios ansiosamente e disse rindo, "Eu nunca esperava que o Sam fosse o cozinheiro! Se eu não soubesse, acharia que você é o chef da casa Angel."
Angel olhou para eles e sorriu levemente. "Acho que meu chef de casa pode não cozinhar tão bem quanto ele, e além disso, ele tem suas responsabilidades aqui. Não é apenas sobre receber convidados."
Suas palavras pareciam insinuar que Sam já fazia parte daquele lugar, tornando seu papel na preparação da refeição parecer mais formal.
Isabella parecia não ter entendido a dica, apenas olhando para Sam com uma leve surpresa. "Você tem uma opinião tão boa do Sam? Eu teria pensado que os chefs da casa Angel seriam bastante habilidosos."
Angel olhou para os dois. "Vocês nunca comeram a comida dele antes?"
Parecia que só agora Sam percebia o significado por trás de Angel pedir-lhe para cozinhar—era um teste para ver se essas duas já tinham comido a comida dele antes...
Que tipo de motivo era esse? Era realmente necessário?
Mas, por outro lado, ele conseguia entender; afinal, Angel era conhecida por ser meticulosa com detalhes tão pequenos.
Sam já tinha feito churrasco para elas antes, e até mesmo feito uma refeição só para Sophie uma vez. Isso poderia ser considerado uma pequena crise?
Assim que esse pensamento passou pela mente de Sam, Isabella balançou a cabeça. "Não, não tivemos a chance. Sabemos que ele sabe cozinhar e queríamos que ele nos ajudasse com uma refeição, mas ele sempre encontrava uma desculpa para nos evitar. Parece que não temos a mesma sorte que você, Angel."
Sophie sentou-se lá calmamente, sem dizer nada, aparentemente expressando sua postura através do silêncio.
Sam ficou surpreso; Isabella tinha mentido. E Sophie tinha apoiado sua mentira... Elas tinham planejado isso?
Sophie não era de mentir; ser teimosa não era o mesmo que mentir. Ela não tinha medo de mentir, mas, na maioria das vezes, ela desprezava isso, tratando todos com igual indiferença—isso era mais seu estilo.
Elas tinham discutido algo antes de vir aqui?
Sam não sabia, mas sabia que precisava apoiar a declaração de Isabella. "Bem, aqui está a chance de vocês! Vamos comer agora. Podemos conversar sobre tudo o resto depois, mas a comida não ficará boa se esfriar."
Isabella assentiu e pegou seus utensílios. "Então vou começar~!"
Finalmente, eles começaram a comer, e Sam limpou uma gota metafórica de suor da testa. Meu Deus, até uma refeição era tão cheia de esquemas.
Se ele algum dia se casasse com Angel... Sam nem queria imaginar como seria a chamada vida de casado.
Todo dia seria ou um mistério ou um thriller—e, claro, haveria tramas como aquelas em filmes adultos.
Assim que começaram a comer, a conversa diminuiu. Foi também por isso que Sam escolheu fazer comida chinesa. Os sabores eram ótimos, e geralmente um pouco apimentados, então as garotas ficariam presas no ciclo de comer os pratos e o arroz, continuamente.
Após a refeição, Angel instruiu os servos a limparem a sala de jantar.
Então ela se virou para Isabella e Sophie. "Vamos para a sala de café tomar uma xícara de café; precisamos descansar um pouco depois de comer."
Sam teve uma sensação de presságio, mas sua expressão permaneceu inalterada.
Isabella, sorrindo, assentiu e puxou Sophie.
"Obrigada pela hospitalidade. Vamos tomar esse café então. Só para você saber, não somos realmente especialistas em café, espero que não se importe."
Angel balançou a cabeça, sorrindo. "O café foi feito para ser apreciado, não criticado. Isso é apenas algo que os comerciantes dizem para agregar valor."
Surpreendentemente, Angel tomou a iniciativa de fazer o café para elas na sala de café.
Sam rapidamente se levantou. "Eu posso cuidar disso; você se sente, Angel. Eu sei como fazer também."
Na verdade, Sam não era muito habilidoso nisso, nem tinha muita experiência, mas tinha assistido a alguns vídeos e não parecia muito complicado.
Mais importante, ele não confiava em nada consumível que Angel pudesse adulterar. Ele se lembrava vividamente de sua capacidade estranha de manipular situações.
Mas Angel apenas sorriu para ele. "Você trabalhou duro cozinhando, deixe-me fazer isso. Afinal, não podemos deixar você fazer tudo; as pessoas podem entender mal e pensar que você é apenas meu servo."
Para um estranho, isso poderia parecer o tipo de interação que se esperaria entre parceiros amorosos. No entanto, Sam podia ver claramente a ameaça velada nos olhos de Angel.
Era um sinal claro de que ela estava se preparando para fazer um movimento. Caso contrário, ela não teria insistido em fazer o café ela mesma, nem teria usado um olhar tão ameaçador.
Mas, naquele momento, Sam só podia voltar para seu assento.
"Parece que a Angel realmente te ama", brincou Isabella, ainda sem saber.
Sam continuou fazendo contato visual, tentando sinalizar para as garotas que prestassem atenção ao seu aviso.
No entanto, parecia que nem Sophie nem Isabella perceberam.
Angel trouxe as xícaras de café.
"Bem, vou provar primeiro~"
Isabella riu e bebeu seu café antes que Sam pudesse impedi-la. Ela estava com tanta sede assim?!
Quando Sophie estava prestes a levantar sua xícara, ela finalmente pareceu notar o aviso sutil nos olhos de Sam. Seu movimento pausou por um momento, a xícara de café pairando perto de seus lábios bonitos.
Angel olhou por cima com um sorriso. "Não gosta de café, ou está com medo de beber?"
Sophie franziu as sobrancelhas. "É apenas café, por que eu teria medo?"
Pretendendo ponderar, Angel disse, "Não sei, talvez você pense que adicionei algo especial... que pode te assustar."
Sophie deu um leve sorriso. "Não importa, estamos na sua casa, e tudo o que comemos é seu. Se algo acontecer comigo, você não pode escapar da responsabilidade." Com isso, ela inclinou a cabeça para trás e bebeu.
Sam sentiu um calafrio no coração. Acabou tudo, droga!
Depois de terminar seu café, Angel virou-se para olhar para Sam. "E você, qual é o seu motivo para não beber? Não gosta do café que eu fiz, ou..."
Sam forçou um sorriso, um tanto sombrio, então pegou sua xícara de café. "Por que seria? Só estava esperando esfriar um pouco, e agora está no ponto certo."
Sam não tinha mais nada com que hesitar, levantou a xícara e bebeu.
Bem, que seja. Que comece o banho de sangue. Era inevitável que acontecesse mais cedo ou mais tarde.
Angel provavelmente não faria nada prejudicial; seria mais como jogar um jogo, então não havia necessidade de temer pela segurança. Afinal, o que ela mais amava era brincar com as emoções das pessoas.
A única coisa com que se preocupar era como ela jogaria e até que ponto.
À medida que o café descia, era levemente amargo e depois docemente suave.
Mas talvez por causa do café, o humor de Sam também ficou mais pesado...