A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 96

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Se Sam tivesse que escolher as pinturas mais valiosas do mundo, uma delas certamente seria de Sophie lendo um livro.

Lá estava ela, absorta em seu livro, aparentemente superando a inquietação causada pela provocação anterior de Sam, tendo retornado ao seu habitual comportamento distante.

Sam, que respondia a uma mensagem de Angel em seu celular, via seu olhar ocasionalmente atraído por ela. Ele admitiu para si mesmo que não havia vergonha em reconhecer essa atração, uma oportunidade com a qual muitos rapazes só poderiam sonhar.

O sol da tarde entrava pela janela, iluminando seu longo cabelo sobre os ombros, envolvendo sua figura esguia. Sem maquiagem, seu rosto lindo era frio como gelo.

A luz dourada do sol filtrava-se por seus cabelos, lançando um brilho em suas características delicadas e cílios revirados. Cada centímetro tocado pela luz do sol parecia etéreo.

Claro, em meio a essa admiração aparentemente idílica, Sam abrigava seus próprios pequenos problemas, percebendo que precisava ver Angel antes de voltar para casa.

De fato, dominar a gestão do tempo parecia uma necessidade, mais do que uma escolha para os homens.

Absorto em seus pensamentos, Sam esqueceu que seu olhar estava fixo no rosto de Sophie até que suas bochechas começassem a corar... Ela finalmente não conseguiu resistir a fechar seu livro e se virar para olhar para Sam, que ainda sonhava acordado.

"Já se cansou de encarar?" ela perguntou.

Sam, momentaneamente assustado, percebeu como seu olhar poderia ser facilmente mal interpretado. No entanto, longe de pedir desculpas ou mostrar nervosismo, ele respondeu com um sorriso: "A luz do sol hoje é bonita demais para ignorar."

Sophie revirou os olhos, guardou o livro na bolsa e se levantou. "Então aproveite o quanto quiser, eu estou indo embora."

Ao se levantar, sua saia plissada balançou, revelando a pele macia de suas coxas.

A textura deve ser incrivelmente sedosa... espere, digo, ao toque.

Espreguiçando-se preguiçosamente, Sam também se levantou. "Vamos, eu também estava prestes a ir para casa."

Sophie franziu a testa. "Quem disse que eu quero ir para casa com você?"

Dizendo isso, Sophie caminhou até a porta, mas não a fechou atrás de si. Quando Sam, depois de guardar suas coisas, saiu da sala de aula, encontrou Sophie agachada, amarrando os cadarços.

Ao ver isso, Sam mal conseguiu conter uma risada. Ela tinha acabado de dizer que não queria ir para casa com ele, então por que esperar aqui de propósito? É só amarrar os cadarços, isso não deve levar dez minutos, certo?

Mas ela é realmente fofa. Ele deveria tentar um pulo de sela? Pular por cima da cabeça dela?

Melhor não, pensou.

Conforme Sam se aproximava, Sophie se levantou na hora certa, olhando para ele. Ela estava prestes a falar quando Sam a interrompeu.

"Eu sei que você não estava esperando por mim, mas não vamos perder tempo; está ficando escuro."

Com isso, Sam tomou a frente.

Observando as costas de Sam se afastarem, Sophie franziu as sobrancelhas, seus punhos cerrados um pouco mais forte, mas eventualmente, ela relaxou com uma sensação de resignação.

Esqueça, deixe ele agir como se fosse o máximo se ele quiser.

Eles desceram as escadas juntos, movendo-se pelo campus que parecia assustadoramente silencioso a essa hora.

De fato, após as provas de final de semestre, todos pareciam ansiosos para voltar para casa, com quase ninguém ainda absorto em atividades de clube. Parecia que as férias tinham começado no momento em que os exames terminaram.

A garota ao lado dele caminhava lentamente, levando Sam a ajustar seu passo para combinar com o dela.

Caminhar lado a lado sempre parecia carregar um significado especial, deixando Sophie um pouco distraída.

Ela não gostava de caminhar ombro a ombro com garotos, ou com qualquer pessoa, na verdade, fosse homem ou mulher.

Mas, ela tinha que admitir, havia algo em Sam que parecia exercer um estranho tipo de magnetismo; por mais que quisesse não gostar dele, achava impossível fazê-lo de verdade.

"Você gosta de ler romances?" Sam perguntou, olhando para o caminho coberto de folhas caídas que levava ao portão da escola.

Sophie olhou para cima. "Acho que sim. Leio qualquer coisa que seja boa."

"Pensei que você só gostasse daqueles romances melancólicos e esteticamente bonitos," Sam disse com um sorriso.

Sophie franziu o nariz. "Não sou tão pessimista. Na verdade, discordo de muitas visões. É como filosofia, sabe? Cada um tem suas próprias interpretações e raciocínios ao ler romances diferentes. Eles podem se contradizer, mas você ainda tem que encontrar seu próprio caminho."

"Esse é um julgamento muito racional. Eu também acho que muitas crenças são apenas noções de conforto próprio, de autoengano," Sam observou.

"Como o quê?" Sophie olhou para Sam como se o desafiasse, curiosa se ele estava apenas fingindo ser culto.

Sam deu de ombros. "Como uma frase do livro que você estava lendo: 'Passamos nossas vidas caminhando sozinhos, buscando o amor e sendo buscados pelo amor.'"

Sophie franziu a testa. "Você discorda dessa afirmação?"

Sam balançou a cabeça. "Não exatamente discordo, mas sim que não deveríamos acreditar cegamente nela."

Sua postura incomum aguçou a curiosidade de Sophie enquanto ela estudava seu rosto. Eles tinham chegado ao portão da escola, mas Sam parou, voltando-se para olhar o campus sob o olhar atento de Sophie.

"Veja, quando crianças, tínhamos companheiros no jardim de infância; no ensino fundamental, tínhamos colegas de classe; no ensino médio, tínhamos amigos do ensino médio, e depois na faculdade e no trabalho... No final, temos muitos companheiros ao longo do caminho."

Sophie olhou de volta para o campus, quieto e tranquilo sob o brilho suave do sol poente, emanando um calor fraco. "Mas a cada passo, estamos nos afastando de velhos conhecidos. As pessoas desaparecem continuamente para o passado, tornando a afirmação correta."

Sam assentiu. "Sim, visto dessa forma, não há nada de errado com a afirmação... Mas não podemos negar que cada pessoa de fato existiu em nossas vidas, em nosso passado. Contanto que nos lembremos delas, elas não desapareceram; continuam a existir e nos dar força e calor para continuar. Como você pode dizer então que estamos sempre caminhando sozinhos?"

Sam, com o rosto banhado pelo brilho do pôr do sol, teve o cabelo despenteado pela brisa da noite. Seu olhar parecia distante, estendendo-se até o horizonte, até a linha do horizonte, deixando Sophie se perguntando quão longe no futuro ele estava vendo.

O brilho era um tanto ofuscante. Ela baixou levemente a cabeça.

"Eu não preciso de amigos. Posso seguir em frente sozinha."

Sam sorriu, virando-se para encará-la com um ar de indiferença. "Tudo bem. Pelo menos você vai se lembrar de mim, e eu vou me lembrar de você."

O olhar dele fez suas orelhas esquentarem instantaneamente. Ela não suportou a luz brilhante nos olhos dele e rapidamente desviou o rosto.

"O ônibus escolar chegará em breve."

Ela começou a andar mais rápido, o cabelo balançando a cada passo.

Eles embarcaram no ônibus escolar, uma cena familiar, seguindo a última resolução do seu coração, ainda escolhendo assentos um na frente do outro com Sam. Mas desta vez, ela sentou um pouco mais atrás, permitindo-lhe uma visão clara de Sam encostado levemente na janela.

A paisagem passando pela janela do ônibus era fugaz, ilusória, como memórias de um filme. Ela não se inclinaria para fora para vislumbrar paisagens perdidas; sempre sentiu que o que foi perdido não estava realmente perdido — nunca foi seu para começar.

No entanto, olhando para a camisa limpa de Sam, para seu cabelo bagunçado, ela franziu a testa. Embora relutante em admitir, sim, algumas coisas foram suficientes para Sophie se lembrar dele.

Este verão... era de fato diferente.

Quando o ônibus parou em um local familiar, os dois desceram juntos. Nas ruas limpas, podia-se ver ocasionalmente um gato de rua pulando sobre uma cerca ou desfrutando preguiçosamente dos últimos raios de sol.

Parecia o trecho final do semestre, a última caminhada com Sam. Sophie não sabia o que dizer, talvez ela devesse permanecer como sempre foi, não dizendo nada.

O tempo cobraria seu preço, evaporando emoções vacilantes, ajustando sentimentos pouco claros.

Mas neste momento, na encruzilhada de sua separação iminente, Sam parou e voltou-se para olhar para uma Sophie desprevenida.

"Sophie."

"Hmm?"

Sua postura hesitante, quase como um protagonista de anime conflituoso querendo se confessar mas se contendo, era inequivocamente clara. Ela sabia que era impossível, mas não podia deixar de sentir um pouco de expectativa.

"Quais são seus planos para as férias de verão?"

Era só isso que ele queria perguntar? Sophie relaxou os punhos, sentindo-se um pouco vazia por dentro. "Não é um pouco tarde para perguntar isso agora?"

Sam riu: "Por que seria tarde? Não estou pedindo para você voltar para minha cidade natal comigo."

"Nos seus sonhos!" Sophie desviou o olhar, depois suspirou e voltou-se com um olhar impaciente, "Ficar em casa, ler alguns livros, talvez sair para uma caminhada ocasionalmente. Isso é tudo."

"Você não joga nenhum jogo?"

"Uma perda de tempo."

"Louis ficaria de coração partido ao ouvir isso," Sam observou.

"Quem é Louis?"

"Esqueça, apenas um amigo meu. Talvez eu te apresente algum dia."

Sophie franziu a testa imediatamente: "Não, obrigada."

Sam deu de ombros com indiferença, seu olhar vagando para um gato gordinho no muro, alternadamente lambendo as patas e coçando a cabeça de forma cômica. A visão o fez rir.

"O que tem tanta graça?" Sophie perguntou, visivelmente irritada.

Sam balançou a cabeça: "Nada, apenas... você não fica entediada? Passar o verão inteiro assim, parece uma pena. Solidão e tédio... eles podem ser difíceis de lidar."

Sophie zombou com desdém: "Apenas aqueles com espíritos fracos temem a solidão e o tédio. A chamada companhia entre amigos é apenas uma socialização sem sentido, uma maneira de passar o tempo."

Tantos preconceitos arraigados~

Sam assentiu: "Você tem direito à sua opinião... Mas se você se sentir entediada ou solitária, pode me ligar. Embora a recepção possa não ser muito boa no campo."

Sophie bufou: "Por que eu ligaria para você? Não se ache tanto."

Sam respondeu casualmente: "Tudo bem, eu sei que você gosta de bancar a difícil."

"É você quem está bancando a difícil!"

"Diga o que quiser. De qualquer forma, estou indo. A gente se vê depois do verão."

Sam sorriu facilmente, como se nunca pudesse ser ferido.

Mas a palavra "férias de verão" permaneceu na mente de Sophie.

Férias de verão.

Dezenas de dias.

O verão sempre parece tão longo... não é?

"Sam."

"Hmm?" Sam virou-se, intrigado com a garota que o chamara repentinamente.

A expressão de Sophie era complexa, tingida de insatisfação, mas aparentemente resignada, antes que ela finalmente suspirasse. "Depois do verão... eu vou apresentá-la a você."

Sam não perguntou quem era 'ela' naquele momento porque sentiu que já sabia a resposta. "Você tem certeza? Você realmente não precisa se forçar."

"Se você não quiser conhecer, esqueça." Talvez ele achasse isso um incômodo? Afinal, um pedido tão peculiar... Caso contrário, ele não teria parecido tão indiferente quando descobriu seu segredo pela primeira vez...

Mas no momento seguinte, o rosto de Sam se abriu em um sorriso. "Eu gostaria de conhecer."

"Hã?" Sophie ficou surpresa, apenas para ouvir Sam acrescentar, "Eu nunca pensei que tal coisa aconteceria, mas agora que penso nisso, pode ser interessante. Então, por favor, faça isso. Certo, estou indo."

Ele acenou com a mão, sem esperar que Sophie se despedisse, e virou-se para caminhar pela rua longa e silenciosa. O sol poente projetava uma longa sombra atrás dele.

A brisa soprou o cabelo da testa de Sophie, seu olhar cheio de um toque de confusão. Lentamente, à medida que sua figura desaparecia, ela ergueu a mão em um aceno, depois baixou a cabeça, pronunciando palavras que apenas o vento podia captar.

"Quando nos encontrarmos novamente, o verão estará quase no fim."

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