
Capítulo 68
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
A polícia levou Sam, Zoe e Cael, que estava inconsciente.
Na delegacia, tudo ocorreu normalmente.
Com Sam ao seu lado, Zoe narrou os acontecimentos, incluindo o assédio sexual que ela havia sofrido anteriormente na empresa, pelas mãos de Cael.
Assim que recuperou a consciência, Cael parecia ter tido uma epifania. Ele desfez-se em lágrimas, ajoelhando-se e implorando por misericórdia na delegacia, na esperança de obter o perdão de Zoe mais uma vez.
Mas, desta vez, Zoe não hesitou. Ela estava determinada a ver aquele homem atrás das grades.
Apenas as acusações de tentativa de homicídio, perseguição [1] e tentativa de estupro eram suficientes para prendê-lo.
A delegacia foi surpreendentemente humana, com alguém cuidando do tornozelo torcido de Zoe. O tratamento foi simples, apenas a aplicação de alguma solução medicinal.
Enquanto Sam esperava do lado de fora da delegacia, uma voz veio de trás dele.
— Rapaz, você é realmente poderoso. Não se deixe enganar pelo fato de ele estar acordado agora; você quebrou várias costelas dele. Você é mesmo apenas um estudante do ensino médio?
Ao se virar, Sam viu uma mulher de uniforme policial parada atrás dele.
Ele tinha uma vaga lembrança daquela mulher; não tinha prestado muita atenção nela durante o processo de depoimento.
Agora, sob a luz da porta, ele pôde ver seu rosto bonito enquanto ela removia o boné, exalando uma aura rara e vivaz.
Isso não significava que ela parecia masculina, mas, sim, que seu olhar parecia afiado o suficiente para cortar alguém se fosse encarado por muito tempo.
Sua postura era ereta, transmitindo um carisma único que levou Sam a deduzir rapidamente que ela não era apenas uma funcionária comum; ela definitivamente tinha formação militar.
Então, qual era o seu papel? Uma policial?
Isso não parecia certo. Não havia personagens policiais no enredo do jogo.
Sam foi cauteloso, oferecendo um sorriso ingênuo.
— Eu apenas me exercito muito em casa e aprendi algumas técnicas de combate. Talvez seja porque Cael é bastante frágil.
A policial aproximou-se de Sam, e ele não pôde deixar de notar sua altura impressionante. Ela era uma das mulheres mais elegantemente altas e atraentes que ele já tinha encontrado.
Ela devia ter quase dois metros de altura!
Além disso, seus seios fartos e proeminentes quase pareciam demais para seu uniforme policial, que parecia estar prestes a estourar. Ela vestia pelo menos uma taça E.
Com tal altura, físico e aparência, parecia quase um desperdício não ser modelo.
Mas servir como policial também parecia honroso.
— Não parece tão simples quanto você descreve — comentou a policial, sua experiência dizendo-lhe que a gravidade dos ferimentos de Cael não era algo que exercícios comuns poderiam causar.
Sam franziu a testa, sentindo sua suspeita.
— Policial, como uma vítima que não quebrou nenhuma lei nem causou nenhum problema, é apropriado que você me diga isso?
A policial sorriu com a expressão de Sam e balançou a cabeça.
— Não quis dizer nada com isso. Só sei que, muitas vezes, quem se afoga é justamente quem sabe nadar. É bom ter habilidades de autodefesa, mas não seja tão impulsivo da próxima vez que enfrentar um agressor armado. Você é jovem; não aposte sua vida, especialmente porque nem todo mundo é tão fraco quanto Cael.
Sam hesitou, surpreso. A policial estava demonstrando preocupação com ele?
Mas por que o interesse repentino?
No entanto, ele apreciou o gesto gentil e acenou com a cabeça.
— Entendo, Policial... hum...
Como ele não sabia o nome dela, Sam usou um título um tanto estranho.
A policial riu: — Sou Aurora, e sei que você é Sam. Lembre-se, é sensato chamar a polícia primeiro em emergências. Não aja impulsivamente em todas as situações.
Por alguma razão, quando Aurora sorriu, Sam lembrou-se de Mia.
Embora se parecessem um pouco, a diferença de altura era significativa. Poderia haver alguma conexão entre elas?
Nesse momento, o som de uma porta abrindo veio de trás. Sam virou-se e viu Zoe, saindo da porta mancando.
Percebendo que a conversa deles havia terminado, Aurora deu um tapinha no ombro de Sam.
— Cuide-se no caminho de volta — disse ela, partindo com uma elegância despreocupada, seu cabelo fluindo ao vento como uma heroína de um filme de artes marciais.
Sam não pensou muito nisso. Afinal, ele era apenas um estudante com contato mínimo com a polícia, e como não havia personagens policiais no jogo, Aurora provavelmente não era uma ameaça.
Sam aproximou-se de Zoe, que estava encostada na parede.
— Seu pé ainda dói?
Zoe sorriu para Sam.
— Um pouco, mas é suportável. Veja, eu consigo andar agora.
Embora ela pudesse andar, era em um ritmo mais lento que o de uma preguiça. Sam não poderia, de forma alguma, deixá-la ir para casa sozinha a essa hora.
Já era uma da manhã do dia seguinte, e Sam não queria perder mais tempo. Ele agachou-se na frente de Zoe novamente.
— Então suba, vou levar você para casa para podermos chegar mais rápido.
Desta vez, Zoe não hesitou muito e subiu cuidadosamente nas costas de Sam. Ela realmente gostava dessa sensação.
Com os braços em volta do pescoço de Sam e sentindo os movimentos suaves abaixo, cada passo que ele dava era firme. Daquela posição, ela podia sentir claramente o cheiro dele.
Os postes de luz brilhavam sobre eles e, no caminho para casa, Zoe sentia uma indescritível sensação de segurança.
Para evitar adormecer nas costas dele, Zoe falou baixinho.
— Sam...
— Hum?
— Você não estava de folga hoje? Por que você estava lá naquele momento?
— Ah, isso. Eu estava substituindo alguém de última hora. Eu também não esperava por isso. Acabei de sair do trabalho e, por acaso, vi um homem estranho seguindo você, então fiquei um pouco cauteloso.
Zoe sentiu-se genuinamente sortuda. Se Sam não estivesse lá, ou se fosse outra pessoa, uma tragédia poderia ter ocorrido esta noite.
Nem todo mundo tem a coragem e a vigilância de Sam.
Talvez outros tivessem ignorado, apenas para perceber no dia seguinte, ao ver as notícias: 'Ah, aquela vítima era a mulher que vi ontem à noite.'
As mãos de Zoe apertaram-se em volta de Sam, e ele podia sentir a pressão dos seios dela contra suas costas.
Os seios dela eram elásticos, mas provavelmente estavam achatados sob o peso dela agora.
Mesmo sendo apenas contato com suas costas, era incomumente confortável. Sam pensou que, se Zoe usasse seus seios para uma massagem de corpo inteiro, seria incrivelmente agradável.
Suas mãos, segurando as pernas de Zoe, apertaram-se levemente. A sensação de suas coxas, especialmente envoltas em meias de seda, era incrivelmente suave.
Enquanto caminhavam, Zoe sussurrou no ouvido de Sam.
— Sam... acho que estou ficando mais sortuda por sua causa.
Suas bochechas estavam coradas e ela sorria suavemente.
A noite toda parecia tornar-se mais ambígua e turva naquele momento.
[1] - Stalking: perseguição persistente e indesejada.