
Capítulo 67
A Protagonista Feminina Realmente Te Ama
Até aquele momento, Sam não tinha muita experiência em combate.
Naquele instante, ele sentiu um leve nervosismo, mas rapidamente recuperou a compostura.
Ele não tinha nada a temer; a arma de fogo do adversário havia sumido, restando apenas uma faca de cozinha em sua posse.
O corpo de Sam havia sido aprimorado pelo sistema, elevando seus atributos muito além dos de uma pessoa comum. Mesmo que fosse esfaqueado, desde que não fosse em uma área crítica como o coração ou o pescoço, Sam ficaria bem, sofrendo no máximo uma pequena perda de sangue.
O homem que o enfrentava, parecendo frenético e histérico, encurralado e desesperado, que chances ele teria contra o soco de Sam?
Esse pensamento dissipou o medo de Sam. Claro, se isso tivesse acontecido durante seus primeiros dias neste mundo, seu instinto teria sido fugir e chamar a polícia imediatamente.
A imprudência tem seus limites; às vezes, apenas coragem não é o suficiente.
"Morra!" Cael avançou, a faca de cozinha em sua mão brilhando friamente.
Os olhos de Zoe se arregalaram em choque enquanto ela tentava se levantar, para impedir o que estava acontecendo. Ela se lembrou de uma cena de anos atrás, de como seu irmão estava deitado em uma poça de sangue.
Zoe tinha chegado tarde demais naquela época, assistindo impotente enquanto seu irmão dava seu último suspiro.
Ela nunca considerou Sam um substituto para seu irmão mais novo; eles eram muito diferentes na aparência e no comportamento. No entanto, ela sempre nutria um desejo inato de proteger Sam.
Ela não suportava a ideia de testemunhar tal tragédia acontecer novamente, especialmente bem diante de seus olhos.
"Não!" A tentativa de Zoe de se levantar foi tarde demais.
Cael, em um frenesi, parecia liberar o potencial latente de seu corpo, fechando rapidamente a distância até Sam.
Zoe temia a cena iminente e ensanguentada. Ela teria preferido estar em perigo do que ver Sam arriscando sua vida por ela. Se Sam morresse salvando-a, ela seria consumida por uma culpa e remorso infinitos.
"Bang!!" O som explodiu.
Mas a cena esperada não se concretizou.
A faca de Cael não penetrou no corpo de Sam; nem sequer o arranhou. Sam, como se tivesse previsto o ataque, antecipou precisamente as intenções de Cael.
Naquele instante, seu foco aguçado e a adrenalina fizeram o tempo parecer desacelerar, como se ele tivesse adquirido uma versão de nível inferior da habilidade de congelar o tempo.
Os movimentos de Cael pareciam em câmera lenta, enquanto Sam permanecia inalterado, seus julgamentos rápidos e precisos.
Sam deslocou ligeiramente o corpo, permitindo que a lâmina da faca passasse por ele. Esse breve momento foi tudo o que ele precisou.
Enquanto Cael, desequilibrado por sua própria força, lutava para recuperar o equilíbrio, Sam permanecia firme e pronto.
Seus músculos se contraíram, prontos para liberar uma força poderosa.
Gancho de esquerda!
"Pah!!"
Cael foi atingido em cheio pelo gancho de esquerda, seu corpo girando no ar.
Saliva misturada com sangue espirrou de sua boca enquanto ele caía no chão. A faca de cozinha escorregou de sua mão, caindo de lado com um estrondo.
O soco de Sam dominou Cael completamente, deixando-o incapacitado, com a cabeça zumbindo, quase perdendo a consciência.
Sam não verificou se Cael estava morto. Em vez disso, ele se aproximou de Zoe, que estava sentada encolhida no chão, aparentemente ainda em choque.
Zoe, que deveria ser jovem e charmosa, cheia de um charme maduro e comportamento gentil, agora parecia desgrenhada e perturbada.
Seu cabelo grosso e esvoaçante estava desarrumado, lágrimas escorrendo por suas bochechas. Seu vestido estava sujo de poeira e seus saltos altos pareciam quebrados, revelando seus pés calçados com meias pretas.
Sam olhou para Zoe, que parecia atordoada.
"Acabou agora, você está bem?" Sua pergunta foi gentil, mas ouvir a voz de Sam trouxe Zoe de volta à realidade. Ela parecia tomada pela emoção.
De repente, Zoe estendeu a mão, ignorando a dor no tornozelo, e abraçou Sam com força.
Sam foi pego de surpresa, então ouviu Zoe soluçando em seu ouvido. "Por favor, não corra mais riscos como este, eu te imploro, não mais, por favor..."
Sam ficou momentaneamente atordoado, mas rapidamente entendeu por que Zoe reagiu dessa maneira.
Ele tinha sido bem-sucedido em todos os aspectos. Ele não tinha cometido nenhum erro, graças ao aprimoramento do sistema de suas habilidades físicas, garantindo uma vitória esmagadora, quase como um resgate heroico bem-sucedido.
Mas Zoe não saberia de nada disso. Naquele momento, ela só conseguia pensar em seu irmão mais novo, que tinha sido morto em uma briga, perdendo a vida.
Portanto, seu primeiro apelo não foi sobre se ele estava ferido ou expressando gratidão por sua chegada oportuna, mas um apelo sincero para que Sam não fizesse isso novamente. Ela não suportava a ideia de Sam sofrer um destino semelhante ao de seu irmão.
Sam acariciou suavemente as costas de Zoe, sentindo a umidade de suas lágrimas em seu ombro.
"Está tudo bem, não vai acontecer de novo. Eu estou bem, Zoe... Irmã, você é corajosa, você foi muito corajosa."
Depois de um tempo, Zoe gradualmente se recompôs, seus olhos, cheios de lágrimas, olharam para Sam, ainda impressionante e bonito. "Estou tão feliz que você esteja bem..."
Alívio encheu seus olhos. Se algo tivesse acontecido, ela nunca teria se perdoado.
Ela percebeu que não suportaria ver Sam ferido diante de seus olhos, quase se sentindo sufocada naquele instante.
Sam sorriu, prestes a dizer algo, quando de repente,
"Uuuu-uuuu~~"
O som das sirenes da polícia ecoou do fim do beco.
Zoe olhou para Sam, intrigada. Ela sabia que a polícia tinha chegado, mas como eles tinham vindo tão rápido?
Sam sorriu para Zoe. "Quando você estava indo para casa, eu estava por perto por acaso. Vi aquele homem te seguindo, então chamei a polícia assim que senti perigo. Agora, precisamos cooperar com a polícia e dar nossos depoimentos."
Zoe então percebeu como Sam tinha planejado tudo meticulosamente. Ela assentiu. "Ok, eu entendo, ah..."
Enquanto tentava andar ao lado de Sam, Zoe sentiu uma dor aguda no tornozelo e quase caiu. Felizmente, Sam estava lá para apoiá-la.
Zoe não queria parecer fraca. Ela se levantou, insistindo, "Estou bem, foi apenas um tropeço. Vai ficar tudo bem logo, não se preocupe..."
Sam olhou para o tornozelo dela e pareceu entender a situação.
Zoe suspirou, sentindo-se um pouco derrotada. Ela pretendia cuidar de Sam, mas agora, diante dele, ela se sentia inútil.
No entanto, no momento seguinte, Zoe viu Sam virar as costas para ela e se agachar na sua frente.
Ela ficou surpresa. "O que você está fazendo?"
Sam olhou para trás para Zoe, seus olhos arregalados com uma inocência infantil que contradizia sua idade. "Já que seu pé está ferido, vou levar você nas minhas costas."
Por alguma razão, Zoe, que sempre se considerou corajosa, agora sentiu uma timidez indescritível. Hesitando, ela subiu cuidadosamente nas costas de Sam, envolvendo seus braços ao redor de seu pescoço.
Enquanto Sam se levantava facilmente, até mesmo a balançando levemente em suas costas, Zoe esqueceu sua dor e os perigos da noite.
Sua tensão se transformou em outra coisa, uma alegria doce que parecia transbordar de seu coração.
Eles caminharam em direção ao carro da polícia, e Zoe desejou poder se agarrar às costas de Sam para sempre... nunca querendo descer.
Tão confiável. Tão caloroso. Tão querido...
Parecia que ela estava irremediavelmente, irrevocavelmente se apaixonando por Sam.