A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

Capítulo 62

A Protagonista Feminina Realmente Te Ama

O sol da tarde estava lindo, e Sam notou que, daquele ângulo, a luz do sol penetraria pelas frestas das folhas de uma grande árvore do lado de fora do pátio.

A luz laranja morna acariciava suavemente os cabelos de Sam e Angel.

A garota que caminhava ao lado dele parecia sempre carregar um ar de elegância fria e distante, sua nobreza forçando todos a admirá-la.

Sam estava bem ciente de que, mesmo com sua beleza e charme extraordinários, aos olhos de Angel, ele era, na melhor das hipóteses, um brinquedo um pouco especial.

Conquistá-la completamente não seria tão simples.

Nesse momento, Angel falou. "Foi a Selena que pediu para você falar comigo sobre o console de videogame?"

Sam sorriu. "Se você já sabe, por que pergunta? Mas você não precisa ser uma irmã tão dura. Ela ainda é jovem; deixá-la jogar videogame por um tempo não é tão ruim assim."

Angel olhou para Sam friamente. "Você gosta de espalhar sua bondade para todas as garotas?"

Sam ficou surpreso. "Ela não é sua irmã?"

"Nem irmã minha ela é", respondeu Angel, com a voz desprovida de calor.

"Além disso, isso é um assunto da nossa família. O que ela está passando agora é exatamente o que eu vivi. Sem hobbies infantis, sem se perder em brinquedos, sem mostrar nenhum sinal de alegria infantil e inocente aos olhos dos chamados adultos." Seu tom era indiferente, como se esses assuntos fossem triviais, leves como uma pena.

No entanto, quando Sam se colocou no lugar dela, ele pôde imaginar uma garotinha privada de todos os seus brinquedos, submersa então em um mar de livros, dinheiro e ambição.

Aquela poderia ter sido Angel no passado, talvez a razão pela qual ela não gostava de considerar os sentimentos dos outros e estava convencida de que dinheiro e poder podiam conseguir qualquer coisa. Porque ela, também, nunca havia sido compreendida pelos outros.

Vendo o olhar de compreensão de Sam, Angel não suspirou. Sua expressão era tão fria quanto o gelo em uma montanha nevada.

"É melhor que eu a ensine essa verdade do que outra pessoa."

"Mesmo que ela cresça e guarde ressentimento de você?" Sam olhou para Angel.

Angel não hesitou. "O que isso importa? Pessoas como nós, mesmo depois de entender todas essas verdades e odiá-las, não têm outra escolha a não ser seguir em frente."

"Isso soa bem triste", disse Sam calmamente.

Angel assentiu. "Você é o primeiro a ousar me chamar de triste."

Sam sorriu: "Não é isso que você está tentando dizer? Caso contrário, você não me contaria essas coisas que as pessoas comuns não pensariam. Você está esperando pela minha admiração ou talvez para que eu te odeie mais?"

Angel franziu a testa, inexplicavelmente irritada. Naquele momento, Sam sabiamente mudou de assunto.

"Mas parece que só vi vocês duas nas minhas visitas. Ainda não conheci seus pais."

A voz de Angel tornou-se mais fria. "Mamãe viajou e não voltará por um tempo. Papai faleceu há três anos devido a uma doença."

"Ah... devo dizer que sinto muito? Sem sarcasmo, apenas buscando genuinamente sua opinião."

Angel balançou a cabeça. "Não precisa, é apenas uma formalidade de qualquer maneira. Para os outros, essas coisas são apenas uma linha no meu cartão de visitas. Não importa quão eloquentemente expressas, elas não ressoarão verdadeiramente com empatia. Além disso, não preciso da empatia de ninguém."

Ela é realmente como um porco-espinho, pensou Sam.

Naquele momento, Sam lembrou-se repentinamente de Sophie. A diferença entre Angel e Sophie era pequena; Sophie só desejava proteger a si mesma, enquanto Angel tentava controlar tudo, mantendo tudo em suas mãos.

Sam assentiu. "Ok, mas ainda quero dizer uma coisa. Você não precisa ser tão dura com sua irmã. Afinal, ela pode não entender muitas coisas que você vê, e talvez ela represente outra versão de você que ainda não alcançou certos objetivos?"

Angel não respondeu imediatamente, preferindo ficar em silêncio antes de parar em seu caminho.

Eles estavam parados no meio de uma estrada espaçosa e limpa, o pôr do sol laranja lançando sua luz suave e morna sobre seus longos cabelos, como uma costa eternamente bela, porém inalcançável.

Angel olhou para Sam, não muito longe. "Você está tão preocupado com os assuntos da nossa família porque quer ser nosso genro?"

"Ah?" Sam ficou paralisado no lugar.

Angel não estava zombando, e sua pergunta parecia sincera.

"Se você realmente quer mudar alguma coisa, seja ela ou eu, só existe uma maneira, certo? Ou suas palavras de bondade são apenas superficiais, e qualquer pequeno custo faria você recuar?"

A pergunta crucial havia chegado. Era difícil de responder e poderia impactar o resultado subsequente.

Angel parecia perguntar se ele queria se tornar parte da família, mas, na verdade, estava sondando suas intenções – se ele se importava genuinamente com o passado dela, com seu mundo interior, ou se ele era como todos os outros homens, fingindo preocupação apenas para enganar e depois abandonar?

A resposta correta não era clara, mas uma errada teria consequências óbvias. Um passo perto do final RUIM do jogo.

Então, como ele deveria responder?

O olhar de Sam percorreu o rosto dela, como o sol poente naquele momento, e então caiu.

Não em seus seios cheios e firmes, nem em suas longas pernas.

"Olha, um gato!" De repente, Sam se agachou e apontou para um gato não muito longe.

Angel franziu a testa.

Ela viu um pequeno gato se aproximando de Sam passo a passo, depois desfrutando das carícias de sua mão.

"Que legal. Por que tem um gato de rua aqui?", Sam perguntou.

Angel, observando o comportamento infantil de Sam, respondeu irritada: "Se é um gato de rua, é normal que ele vagueie por qualquer lugar."

"Faz sentido. Ei, você quer fazer carinho nele? É tão reconfortante", disse Sam enquanto o gatinho de cabeça redonda esfregava a cabeça contra a palma de sua mão.

Um lampejo de hesitação cruzou o rosto de Angel, transformando-se rapidamente em profundo desdém. "Eu não gosto de gatos."

Sam olhou para Angel surpreso. "Existem pessoas no mundo que não gostam de gatos?"

"Então não deveria haver pessoas no mundo que não gostam de mim."

Como ele deveria responder a um olhar tão agressivo? Sam não sabia.

Porque ele não conseguia responder. Não porque ele tivesse perdido a capacidade de falar, mas... o tempo parou de repente.

Folhas pairavam no ar, sem chegar ao chão.

O movimento do pequeno gato de se esfregar contra a palma da mão de Sam congelou.

O tempo havia parado.

Sam sentiu uma súbito onda de ansiedade. Por que o tempo parou naquele momento? Ele tinha dito algo errado? Ele tinha feito algo errado?

Qual era o significado dessa pausa no tempo? O que ela estava tentando fazer?

Enquanto Sam estava imóvel, incapaz de escapar, ele notou Angel, não muito longe à sua frente, agachando-se à frente dele.

Não, mais precisamente, agachando-se atrás do gato.

De seu ângulo, Sam podia ver claramente o rosto de Angel inesperadamente corar.

Então, ela cuidadosamente estendeu a mão. Gentilmente, ela começou a acariciar a cabeça do gato.

Ela não estava apenas fazendo carinho nele. Seu rosto até exibia um sorriso doce e curativo enquanto ela tocava o gato – um sorriso puro e natural que Sam nunca tinha visto nela antes.

Ela até fez um som inimaginável. "Hehe... tão macio... tão confortável..."

Então, por que parar o tempo só para fazer carinho em um gato? E por que afirmar que não gosta de gatos?

Ele não sabia quanto tempo tinha passado, mas ela fez carinho no gato por um longo tempo antes de finalmente se levantar.

Gradualmente, Sam sentiu o tempo começar a fluir novamente.

Ele piscou, olhando para a garota à sua frente que parecia não ter se movido nada desde um momento atrás.

"Mas... gatos são fofos, não são?", Sam finalmente terminou sua frase anterior.

Angel franziu a testa, seu rosto cheio de nojo. "Vou dizer de novo, eu odeio gatos acima de tudo."

Sam não pôde evitar e caiu na risada, quase a ponto de dobrar-se de diversão.

Isso deixou Angel completamente perplexa. "Do que você está rindo?!"

Lágrimas quase transbordaram dos olhos de Sam quando ele percebeu o que a garota estava fazendo, por que ela havia parado o tempo.

Ela não queria expor nenhuma preferência ou gosto, considerando-os fraquezas. Percebendo que ela realmente gostava de gatos, ela se sentiria envergonhada e perderia a pose.

Sam enxugou as lágrimas de riso do canto dos olhos. "Nada, nada. Eu só pensei de repente que você é bem fofa."

"O que você disse..."

"Eu disse que você é muito fofa, Angel."

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